"Turn Around", MAAT
Bruno Lopes
Bruno Lopes

Exposições em Lisboa para visitar este fim-de-semana

Dos grandes museus às pequenas galerias, não faltam exposições para ocupar este fim-de-semana.

Mauro Gonçalves
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Parece que Fevereiro está para a arte como a Primavera está para os jardins e canteiros da cidade – de repente, tudo desabrocha. Na lista de inaugurações, tome nota do primeiro capítulo de uma exposição que olha para a Colecção de Arte da Fundação EDP, no MAAT. Um pouco mais adiante, no MAC/CCB, olha-se para a arquitectura portuguesa dos últimos 50 anos. E para não dizer que não avisámos: a exposição "Complexo Brasil", na Gulbenkian, entra nos últimos dias. Para que mais pessoas possam visitar, até 17 de Fevereiro, o horário será prolongado até às 21.00.

Recomendado: As melhores coisas para fazer em Lisboa em Fevereiro de 2026

 

Exposições para ver no fim-de-semana

  • Arte
  • Belém

O MAAT faz 10 anos em Outubro e vai estar a olhar para a própria colecção de arte contemporânea. "Turn around" é uma primeira exposição debruçada sobre as mais de 2460 obras reunidas durante os últimos 25 anos. Um primeiro momento, que será complementado por mais uma inauguração no final de Abril. Com uma curadoria a seis mãos, esta segue elos menos óbvios entre as obras seleccionadas. Entre pintura, desenho, escultura, vídeo e instalação, o processo começou, segundo João Pinharanda, com artistas capazes de intervir no espaço.

  • Arte
  • Belém

Na exposição "Habitar Portugal", a sétima de uma série que se iniciou em 2003, podemos partir de duas perguntas. Uma é: o que fez a democracia pela arquitectura? A outra inverte o ónus, questionando o que terá feito, então, a arquitectura pela democracia. Ambas serão válidas para pensar a mostra que reúne 100 obras marcantes da arquitectura em território nacional e no estrangeiro, todas assinadas por arquitectos portugueses, obedecendo a critérios como a diversidade geográfica, de tipologia ou o equilíbrio de género (dando visibilidade a arquitectas que pouco a tiveram no início do período democrático).

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  • Arte
  • Avenida da Liberdade/Príncipe Real

O ano da fundação começa aqui, naquela que é a primeira leva de exposições de 2026. Ainda há detalhes por revelar, mas sabe-se já que os artistas envolvidos serão Teresa Segurado Pavão e Rui Sanches, Frida Baranek, Vasco Futscher, Sara & André, Francisco Janes e, claro, as obras de Vieira da Silva e Arpad Szenes.

  • Arte
  • Campo Grande/Entrecampos/Alvalade

Comissariada pelo designer Jorge Silva e pelo director do Museu Bordalo Pinheiro, João Alpuim Botelho, a exposição "Toma! 150 anos de Zés Povinhos" acompanha o percurso de uma das figuras mais conhecidas do artista português, Zé Povinho, criada a 12 de Junho de 1875 nas páginas centrais do jornal A Lanterna Mágica. Mais de 150 anos depois, "o Zé continua tão presente no nosso quotidiano", "ganhando um lugar no nosso imaginário como símbolo do povo português". Ao longo do tempo, foi também apropriado por caricaturistas, profissionais do teatro, ceramistas e publicitários. Chegou, ainda, a ser mascote da selecção nacional de futebol. No mesmo espaço, está a nova exposição de longa duração, disposta por sete salas.

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  • Arte

Não é fácil acompanhar a agenda da Gulbenkian, mas saiba desde já que Novembro vai trazer mais do que uma nova grande exposição. Enquanto no CAM se dão as boas-vindas à instalação de Carlos Bunga, no Edifício Sede inaugura “Complexo Brasil”, uma viagem pela “diversidade e contrastes da cultura brasileira”. A partir do questionamento das relações entre Brasil e Portugal, a exposição aborda o passado colonial, os estereótipos e as novas pontes entre os dois países. Para isso, a exposição conta com obras Anita Ekman, Sandra Nanayna, Sérgio de Souza, Augusto de Campos, Denilson Baniwa, Jonathas de Andrade e Tiago Sant’Ana, entre outros.

  • Arte
  • Fotografia
  • Campo Grande/Entrecampos/Alvalade

Nuno Andrade é o vencedor da primeira edição do Prémio Narrativa – Fujifilm (que distingue a fotografia portuguesa contemporânea). Com "PicNic", mostra-nos um território de limbo no Seixal, a Ponta dos Corvos (também conhecida como a Praia dos Tesos) e as comunidades que o compõem numa vivência fora da rota. Nele vivem "comunidades que, frequentemente, são retratadas sob o signo da carência, exclusão ou marginalização" mas que aqui surgem como uma janela de liberdade e um contraponto a uma Grande Lisboa em permanente mudança. Assim, o fotógrafo "transforma um território periférico, aparentemente marginal, num espaço de revelação e pertença", escreve a galeria Narrativa, que acolhe a exposição.

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  • Arte
  • Avenidas Novas

Com curadoria de Bruno Marchand, esta é a primeira exposição individual de Sara Graça num espaço com o peso institucional da Culturgest. Em "Boa Good Sorte Luck", a artista percorre diferentes meios e disciplinas artísticas, com trabalhos extremamente influenciados pela sua experiência quotidiana. A exposição "reflecte os interesses e as preocupações de uma geração que cresceu com todo o acesso à informação, mas que tem cada vez mais dificuldade em alcançar coisas básicas como habitação ou segurança social", segundo se lê no descritivo.

  • Arte
  • Baixa Pombalina

O MUDE fechou a agenda de inaugurações de 2025 com um olhar sobre 16 anos de criação de Alexandre Farto, mais conhecido como Vhils. Entre as ruas e o atelier, são 73 as obras de edição limitada que ocupam o primeiro piso do museu. A curadoria é de Pedro Ferreira, designer industrial e membro da equipa do artista português, que reuniu num único espaço a diversidade de técnicas e temas que Vhils tem incorporado no seu trabalho desde 2008.

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  • Arte
  • Belém

É a primeira exposição a solo de Isabelle Ferreira em Portugal. No MAAT Gallery, a artista francesa propõe uma "reflexão poética e política sobre a memória da emigração portuguesa em França, evocando travessias clandestinas que, durante a ditadura salazarista, conduziram milhares de pessoas em busca de liberdade e de melhores condições de vida", como se pode ler no descritivo de "Notre Feu". A mostra reúne sobretudo fotografia, mas conta também com uma grande colagem in situ.

  • Arte
  • Avenida da Liberdade/Príncipe Real

Numa exposição inteiramente dedicada a um dos nomes maiores da pintura portuguesa do século XX, a Sociedade Nacional de Belas Artes apresenta 94 obras originais. Destas, 39 são pinturas sobre tela, entre elas sete de grandes dimensões e executadas nos últimos anos de vida do artista. Cinquenta e cinco são desenhos, estudos e guaches. "O conjunto propõe uma leitura cronológica e sensorial do pensamento plástico de Nadir Afonso, marcada pelo rigor formal, coerência e uma profunda reflexão estética", pode ler-se no comunicado.

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  • Arte
  • Arte contemporânea
  • Cascais

A Casa das Histórias Paula Rego apresenta duas exposições que prometem mostrar outros lados da pintora que morreu em 2022: "A Coleção da CHPR em diálogo com a Coleção da artista", nas salas 1 a 7, põe em diálogo obras do museu e obras da colecção de Paula Rego; e "Costumes and pictures: o vestuário na obra de Paula Rego", na sala 0, apresenta o trabalho da artista através da lente da moda e do vestuário, explorando como a indumentária se tornou um elemento central nas suas composições. As mostras, com curadoria de Catarina Alfaro, podem ser vistas até 15 de Março de 2026 e incluem obras emblemáticas como Dia e Noite (1953), Encontro com Adélia (2013), O pescador (2005) e A Mãe a usar a pele do lobo (2003) – da série "Capuchinho Vermelho". 

  • Arte
  • Marvila

Criadas no contexto dos 50 anos de independência de Angola, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique e São Tomé e Príncipe, as 30 obras em papel e cartão pintadas por Dino D'Santiago a tinta-da-china inspiram-se na memória do tráfico transatlântico de pessoas africanas, fazendo questionar "de que serve a independência sem memória". O contraste com as cores vivas acentuam o conceito de “pessoa de cor”, sublinhando “as vidas que foram – e continuam a ser – interrompidas pelo preconceito”, na visão do artista. A exposição propõe assim um "movimento inverso", assumindo-se como "um acto de desobediência à cronologia da dor".

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  • Arte
  • Fotografia
  • Beato

Uma nasceu nos anos 60, outra nos anos 90. Juntam-se, assim, duas gerações e duas perspectivas sobre os lados pagão e religioso, da tauromaquia às procissões. Mas com muitos pontos em comum. Em "A Prova do Tempo", as fotógrafas Inês Gonçalves e Ana Paganini mostram "surpreendentes afinidades temáticas, formais e simbólicas", como o facto de terem retratado, ambas aos 30 anos, diferentes protagonistas da festa brava, de toureiros a forcados. A acompanhar os trabalhos, no espaço Le Mur, na mesma galeria, está a instalação de Sebastião Castelo Lopes, "O som de fazer o último poema".

  • Arte
  • São Sebastião

Com curadoria de Rui Mateus Amaral, director artístico do Museu de Arte Contemporânea de Toronto, a exposição "Habitar a Contradição", de Carlos Bunga, ocupa a Nave do CAM com a maior e mais complexa instalação realizada até hoje pelo artista português – "uma monumental floresta de formas cilíndricas de diferentes escalas, que evocam colunas arquitectónicas e troncos de árvores". Esta instalação, por sua vez, estará em diálogo com obras da colecção do CAM, seleccionadas pelo próprio artista.

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  • Arte
  • Chiado/Cais do Sodré

Partindo das obras Húmus, de Raul Brandão e de Herberto Helder, a mais recente exposição do Atelier-Museu Júlio Pomar coloca matéria e espírito, memória e transformação em diálogo, através, não só de obras de Pomar, mas também de Graça Morais, Daniel Moreira e Rita Castro Neves.

  • Arte
  • Belém

Entre 2006 e 2014, um edifício da Avenida da Liberdade esteve ocupado por dezenas de artistas, músicos e diversos projectos curatoriais. Mais de uma década depois da desocupação do número 211 da Avenida da Liberdade, o MAC/CCB exibe, na forma de uma exposição, vários testemunhos e materiais dos artistas residentes, resultantes da investigação levada a cabo por Giorgia Casara e Sara de Chiara, aqui sob a lente curatorial de Nuria Enguita e Marta Mestre. Ao todo, a exposição junta mais de meia centena de projectos e autores.

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  • Arte
  • Belém

O paisagista, activista ambiental e artista plástico brasileiro é alvo do mais recente olhar do MAC/CCB. Através de uma selecção de projectos paisagísticos, o museu apresenta o legado de Roberto Burle Marx, figura do modernismo brasileiro, em diálogo com obras de Fernanda Fragateiro, Filipe Feijão, João dos Santos Martins, Juan Araujo, Lourdes Castro e Mónica de Miranda. Um legado colectivo "que nos ajuda a reflectir sobre o direito à cidade, a sociabilidade nos espaços públicos, o papel dos jardins na construção urbana, o património das espécies botânicas e o ativismo ecológico", como se lê no descritivo da exposição.

  • Arte
  • Belém

Numa exposição retrospectiva, o MAAT reúne cerca de 80 obras de Pedro Casqueiro, pinturas produzidas desde a década de 80 até ao ano de 2024. "A sua pintura afirmou-se de imediato pela energia de cor e composição, pela indiferenciação entre não-figuração e figuração, entre imagem pintada e utilização da palavra escrita, e por uma permanente sabotagem dos pontos de vista, das hierarquias e dos materiais", pode ler-se na apresentação da exposição.

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  • Arte
  • Baixa Pombalina

Teresa Couto Pinto foi fotógrafa, agente e amiga de António Variações. Com a sua máquina fotográfica, captou a essência e a espontaneidade do músico como nenhuma outra pessoa. A partir de 4 de Dezembro e até final de Abril, o MUDE, em colaboração com a Terra Esplêndida, recebe a exposição "Meu nome António", com 85 destas imagens e ainda uma selecção de vestuário e acessórios usados pelo artista, que nasceu em Dezembro de 1944.

  • Arte
  • Sintra

Enquanto "Connections", a exposição permanente de Albuquerque Foundation soma e segue, a fundação de Sintra inaugura mais uma mostra temporária, a primeira da programação contemporânea. Esta é dedicada ao trabalho da jamaicana-britânica Phoebe Collings-James, artista multidisciplinar que tem desenvolvido, ao longo das duas últimas décadas, uma prática que atravessa a música, o som, a pintura e a escrita, com um foco crescente na escultura em cerâmica. Quer nas esculturas em cerâmica, quer na pintura, Collings-James apresenta alusões mais ou menos explícitas ao confronto e à luta, mas também ao amor, ao desejo e à libertação.

Mais que fazer em Lisboa

  • Música

Todas as semanas, quase todos os dias, há música para ouvir nos bares e salas de espectáculos da cidade, da pop-rock mais orelhuda ao jazz mais livre, de pequenas bandas locais a grandes nomes internacionais, passando por tudo o que se encontra no meio.

Não precisa de procurar mais por peças de teatro e dança para ver esta semana. Aqui, damos-lhe muitas e boas sugestões. Não precisa de ir a todas, mas cuidado – é que algumas produções têm temporadas curtas e esgotam rápido, quer sejam reposições há muito aguardadas ou estreias, obras de companhias nacionais ou digressões estrangeiras.

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