Museus para crianças em Lisboa? São mais que as mães e bem divertidos
É uma grande injustiça dizer que a palavra museu cheira a mofo. Mas se começou por arrastar os miúdos para uma exposição interminável que interessa apenas a adultos... é bem possível que o programa enfrente uma certa resistência. Não desanime. Um roteiro museológico não tem de ser um programa aborrecido, muito pelo contrário. Fomos à procura dos melhores museus para crianças em Lisboa. Para ir ao passado e ao futuro, sem sair do presente. Há museus que guardam memórias de outros tempos, outros que fazem uso da imaginação. Uns dedicam-se às pinturas, outros às instalações, às vezes interactivas. Aí estão os melhores museus para crianças em Lisboa.
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Viagens ao passado
Museu do Oriente
Os pais adoram brunches, mas estão sempre a adiar por causa dos miúdos? Arranquem já no próximo domingo para o Museu do Oriente, com vista para o rio, onde eles são muito bem-vindos. Os sábados também são animados, com oficinas a cruzar as duas culturas, do Ocidente e do Oriente, e temas que passam pelos rituais sagrados, os hábitos à mesa e muitas histórias de países e pessoas, às vezes contadas de forma inusitada, como a partir dos formatos dos chapéus. O passado dos Descobrimentos mostra-se na exposição permanente. Quando chegarem a casa, eles vão ter muitas perguntas difíceis para lhe fazer.
Museu Nacional de Arqueologia
Alberga uma múmia famosa e não é só por ter mais de 2000 anos. O único caso conhecido em todo o mundo de uma múmia a que foi diagnosticado cancro na próstata (uma descoberta feita em 2011) faz parte da colecção deste museu, instalado no Mosteiro dos Jerónimos. E é também bom saber que os guerreiros galaico-lusitanos de granito, à entrada, datam do século I d.C. e são tesouro nacional. Mas há mais para ver: máscaras funerárias, esfinges egípcias e achados nacionais de ourivesaria, numismática, vidro e escultura. Em dias especiais, há actividades também para famílias. Fique atento ao site para saber quais.
Museu Arqueológico do Carmo
Não tenha medo de levar os miúdos a ver as peças que se mostram neste espaço museuológico (que partilha o edifício com a Associação dos Arqueólogos Portugueses) – são deles as perguntas mais curiosas e são eles que menos incómodo revelam quando se cruzam com o ex-líbris do Museu Arqueológico do Carmo, nascido das ruínas deixadas pelo terramoto de 1755. Falamos de múmias, que deram entrada na colecção em finais do século XIX, pela mão daquele que viria a ser o segundo presidente do museu, o Conde de São Januário. Mas há muito mais a descobrir, acredite. Está cheio de grandes achados, peças históricas e artísticas, da pré-história à época contemporânea.
Museu da Farmácia
A agenda de actividades está cheia de opções para escolas. Há ateliês onde se aprende a fazer champô e uma aula de aprendiz de feiticeiro – pode dar-lhes o recado para levar ao professor. Visitar a exposição é, por si só, uma viagem ao passado. Eles vão gostar de saber que havia raspas de corno entre os ingredientes da Pedra de Goa, um segredo usado pelos jesuítas no século XVII para mordeduras de serpente. E até os pais vão ficar surpreendidos com a farmácia portátil que pertenceu aos czares russos. A geringonça data de 1800, era transportada por cavalos e fazia parte da bagagem nas viagens de família.
Museu Nacional dos Coches
É uma colecção única no mundo e agora respira melhor desde que em 2015 passou para um novo edifício na Avenida da Índia, a poucos metros do antigo Picadeiro Real, a primeira morada dos coches a partir de 1905, onde ainda existe um núcleo expositivo. Os miúdos vão adorar descobrir que havia um tempo em que se circulava sem cinto de segurança (e quem sabe brincar aos príncipes e às princesas). O primeiro coche a entrar no novo museu foi o Landau do Regicídio, talvez o mais icónico da colecção composta por viaturas de gala e de passeio dos séculos XVI a XIX, provenientes da Casa Real Portuguesa, Igreja e colecções particulares.
Museu de Lisboa - Palácio Pimenta
Este antigo palácio e antigo Museu da Cidade de veraneio é o núcleo-sede dos cinco núcleos do novo museu (Palácio Pimenta, Teatro Romano, Santo António, Torreão Poente e Casa dos Bicos) criados em 2015 e nos quais Lisboa e as suas histórias se revelam sob diferentes perspetivas. A exposição permamente mostra a evolução de Lisboa, desde a pré-história até ao início do séc. XX. Para os miúdos há reconstituições históricas, oficinas de expressão plástica e workshops.
Museu do Aljube
Salazar é já uma figura longínqua na memória dos mais novos, mas a história do antigo regime, ainda do tempo dos avós, faz parte das memórias dos pais, o que torna o Museu do Aljube, apesar de um programa pesado, uma boa sugestão para uma tarde de história em família. Aljube foi cadeia eclesiástica, presídio de mulheres e, a partir de 1928, destino de presos políticos e sociais. Ainda lá estão as celas exíguas, de um metro por dois, e o telefone do corredor, que anunciava a chamada dos detidos para os interrogatórios da PIDE. Perante o cenário 3D de uma reunião política clandestina, os miúdos mais curiosos vão ainda querer saber porque havia uma máquina de escrever protegida por uma espécie de caixa de madeira em toda a volta. Servia para redigir os panfletos da propaganda comunista e a protecção confirma o secretismo que rodeava o momento: era preciso abafar o som das teclas.
Central Tejo
Integrada no MAAT – Museu de Arte, Arquitetura e Tecnologia, a antiga termoelétrica primeiro iluminou a Avenida da Liberdade e a Avenida 24 de Julho. Depois electrificou toda a cidade, e se fosse preciso voltaria a funcionar. Hoje é possível percorrer todos os espaços que estavam fechados graças ao percurso "Circuito Central Elétrica", visitas guiadas que acontecem no primeiro domingo de cada mês, pelas 16.00. Aviso: se for fazer o percurso não leve saltos altos. Nem as vertigens.
Viagens no presente
Museu Colecção Berardo
Não é difícil fazer da visita ao museu um momento divertido só com comentários bem-humorados sobre a arte do século XX. Até a Matemática é bem-vinda, se quiser pôr os miúdos a calcular o peso da obra mais valiosa no valor total da colecção, que vale 316 milhões de euros – o quadro de Picasso Femme dans un fauteuil (métamorphose), de 1929, avaliado em 18 milhões. Se falta imaginação aos pais, o melhor é deixá-los descobrir o museu por si, numa das actividades previstas, como as oficinas de magia, que ajudam a revelar os segredos das formas e cores das obras do Museu Berardo.
Museu Calouste Gulbenkian
Os jardins valem a pena, mas já não é só a morada que une o CAM ao Museu da Fundação Calouste Gulbenkian. Penelope Curtis assumiu a direcção conjunta das instituições e isso sente-se, com um programa cheio a cruzar os dois acervos. Para famílias, a agenda encontra-se carregada aos fins-de-semana (atenção às inscrições, que costumam esgotar cedo): há concertos comentados, visitas às exposições que são jogos de mistério para descobrir quem está ali desenhado, actividades de botânica e urban scketchers no jardim.
Museu Nacional de História Natural e da Ciência
É o sítio ideal para explorar a evolução das espécies e ficar a saber mais sobre o reino animal e sobre o mundo vegetal, em destaque no Jardim Botânico. E porque o conhecimento não vem só do que se lê, nem mesmo de visitas guiadas (que também há, incluindo com teatro à mistura), vale a pena espreitar a agenda do museu que também inclui festas, workshops e sessões no planetário.
Museu do Dinheiro
O museu dedica-se ao dinheiro, mas não lhe pede nem um cêntimo para entrar. E sendo o vil metal um tema sempre presente, nada como aprofundá-lo para que eles aprendam a dar-lhe valor. O espaço começou por ser a Igreja de São Julião (em finais do século XVIII) e depois caixa forte e estacionamento do Banco de Portugal. Até que em 2007 se decidiu devolver-lhe alguma dignidade. Inaugurado em 2016 e com uma forte aposta na interactividade, aqui é possível percorrer a história do dinheiro e a sua relação com a sociedade e ainda aceder ao Núcleo de Interpretação da Muralha D. Dinis, construída no século XIII. Pode também cunhar uma moeda à sua imagem e tocar numa barra de ouro de 12 kg.
Museu da Marioneta
Além de uma enorme coleção de marionetas portuguesas tradicionais, este Museu da Marioneta tem no seu acervo uma significativa colecção de marionetas do sudeste asiático, bem como outras respeitantes à ancestralidade africana e brasileira. Para além da exposição de marionetas, também há uma de máscaras, da tragédia grega às danças autóctones, e outra de adereços, como a almofada da coroa ou a arca de Salomé. Para diversão a dobrar, sugerimos que olhe também para a agenda de espectáculos. E prometemos ainda que há oferta pedagógica para toda a família.
Viagens ao futuro
Pavilhão do Conhecimento
É um daqueles casos em que se inverte a ordem dos factores: é, primeiro que tudo, fascinante para miúdos; depois corre o risco de ser surpreendente também para os adultos. O Pavilhão do Conhecimento – Centro Ciência Viva é o museu de ciência nascido em 1999 no Pavilhão do Conhecimento dos Mares da Expo 98. O edifício foi desenhado pelo arquitecto Carrilho da Graça e acolhe uma exposição permanente, várias exposições temporárias simultâneas e um sem-fim de actividades que eles vão adorar. Toca a saber tudo sobre cães e gatos ou uma cozinha que mais parece um laboratório.
NewsMuseum
No Newsmuseum há ecrãs gigantes para tocar e estúdios de rádio e televisão (com teleponto) onde se pode ser pivô e registar a gravação para levar para casa. O espaço inaugurou no dia 25 de Abril de 2016, a assinalar a Revolução dos Cravos. Esse é, aliás, um dos temas de reportagem que eles podem escolher logo à entrada para noticiar. Um alerta: não lhes vista roupa verde. É a cor de fundo na parede e isso tem uma razão de ser: permitir a sobreposição da figura da criança sobre imagens reais do acontecimento, a fingir um directo. A brincadeira repete-se no piso de cima, dentro de um estúdio de rádio, com um texto que começa com a frase: “Aqui, posto de Comando das Forças Armadas”, replicando o primeiro comunicado dos militares, lido por Joaquim Furtado em 1974. Mas até lá chegar há muito para ver nas salas temáticas dedicadas ao jornalismo de guerra ou aos duelos de opinião. Mais especificamente 16 horas de conteúdos. Este é sobretudo um espaço interactivo, bem ao gosto dos miúdos. 150 anos de história mediática de Portugal são resumidos num filme de nove minutos que passa num ecrã gigante com 67 m2.
Museu das Comunicações
A exposição permanente chama-se Casa do Futuro e é mesmo uma casa, com porta, cozinha e sala de jantar. Só que especial: a aplicação da robótica às exigências do lar – que se chama domótica – faz com que tudo aqui seja controlável a partir do exterior. Os miúdos podem imaginar-se de férias do outro lado do mundo, ao mesmo tempo que acendem as luzes ou mexem nas persianas na sua casa. Lá dentro, a mesa da sala tem um ecrã led que permite mudar a cor do tampo, o frigorífico lê códigos de barras para não deixar nada estragar-se e os armários abrem-se com cartões magnéticos. No fim desta viagem ao futuro, eles vão gostar de perceber o caminho percorrido até lá, desde os meios de comunicação mais antigos, como o excêntrico telégrafo. Aos sábados há workshops que incluem oficinas de televisão e espionagem com walkie-talkies.
MAAT – Museu de Arte, Arquitetura e Tecnologia
Projecto da Fundação EDP, o Museu de Arte, Arquitectura e Tecnologia já está mais do que consagrado nas iniciais MAAT. As suas formas arquitectónicas marcaram o ano de 2016 na cidade, justificando frutíferas romarias à zona de Belém, uma tendência que, de resto, está longe de abrandar. Mesmo que a sua criança ainda não tenha idade para fotografar a belíssima curva do edifício ao pôr-do-sol, não faltam ideias para aproveitar o espaço. Sem ideias para um aniversário? À procura de uma oficina criativa? Não procure mais. Aqui aprende-se a fazer carrinhos solares ou eléctricos e a ocupar as férias com livros mágicos.
Mais programas para fazer com crianças
O melhor de Monsanto para os miúdos
O quarto dos brinquedos virado do avesso, os miúdos à bulha, a televisão aos gritos. O cenário é-lhe familiar? A solução é arrancá-los de casa. No pulmão verde da cidade, não faltam lugares para entreter os mais novos e deixá-los tão cansados, tão cansados, que no regresso a casa nem têm energia para desarrumações ou discussões. Baloiços, escorregas, insufláveis, arborismo e muito espaço para correrias e jogos. É o paraíso – para eles e para si, que conseguirá ter algum descanso (se não for daqueles pais que anda sempre a correr atrás dos filhos, vá). Descubra o melhor de Monsanto para os miúdos.
Livrarias para crianças em Lisboa que tem mesmo de visitar
A leitura é uma peça-chave para a educação dos miúdos e uma das melhores formas de os entreter. Se eles precisam de motivação extra, leve-os a estas livrarias para crianças em Lisboa. Um-dó-li-tá: o difícil é escolher onde comprar. Em Lisboa já existem algumas livrarias dedicadas aos mais pequenos, onde a literatura infanto-juvenil é o foco, os livros de editoras independentes têm lugar de destaque e o mundo da ilustração é a chave de ouro. Ora veja estas sugestões de livrarias para crianças em Lisboa, para não perder o fio à meada e deixar que elas tenham as prateleiras do quarto recheadas de letrinhas.