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D*Face
Fotografia: Mariana Valle Lima D*Face

Siga este roteiro de arte urbana em Lisboa

Nos últimos anos, Lisboa tornou-se uma das capitais mundiais da arte urbana.

Escrito por
Editores da Time Out Lisboa
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Vhils, Bordalo II, Aka Corleone, Smile, ±MaisMenos±, Tamara Alves ou Mário Belém são alguns dos nomes mais sonantes neste roteiro de arte urbana em Lisboa. A eles juntam-se artistas de todo o mundo, que escolhem Lisboa para servir de tela aos mais variados estilos e mensagens. Se por um lado Lisboa está em guerra com taggers com pouco talento para a coisa – e que fazem questão de espalhar assinaturas por tudo quanto é sítio –, por outro a cidade é cada vez mais um museu a céu aberto de belíssimas obras de arte urbana. Embarque connosco num passeio alternativo pela cidade.

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Roteiro da arte urbana em Lisboa

  • Arte
  • Arte urbana
  • Lumiar

O primeiro Street Art Park, com paredes de pintura livre, inaugurou em Junho de 2022, na zona do Lumiar. O primeiro “parque de pintura livre” do país foi anunciado ainda em 2019, durante a 3.ª edição do Muro – Festival de Arte Urbana de Lisboa. Três anos depois, a Câmara Municipal de Lisboa e o Super Bock Super Rock inauguram finalmente o Street Art Park, junto à Avenida David Mourão-Ferreira, no Lumiar. O espaço, que também beneficia de uma estrutura ajardinada, inclui várias paredes que qualquer pessoa pode pintar.

Campo da Feiteira, de Edis One e Pariz One
©Helio Pereira

Campo da Feiteira, de Edis One e Pariz One

Edis One e Pariz One desenharam uma homenagem ao futebol português no local onde jogou a primeira selecção nacional. O Campo da Feiteira já não existe, mas há um túnel que celebra o talento nacional e os valores do fair play, junto à Rua Emília das Neves, em Benfica. A história é gira e pode ser lida aqui.

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La Folie des Grandeurs, de Julien Raffin
Fotografia: Ricardo Lopes

La Folie des Grandeurs, de Julien Raffin

Quem desce as escadas da Estação Ferroviária de Santos, em Lisboa, para chegar ao lado do rio depara-se, à esquerda, com um novo mural de arte urbana. É da autoria de Julien Raffin, 37, artista francês que trabalha habitualmente com colagens de papel. Desde finais de Dezembro de 2021 que quem por ali passa pode ver o painel de azulejos La Folie des Grandeurs. Esta série questiona a noção de progresso, em diferentes aspectos”, conta Raffin à Time Out, por telefone. “Representa valores de liberdade e união, e ecoa os desejos de pessoas de mente aberta que acreditam num futuro melhor”, acrescenta. O mural mostra duas mulheres, de cravo vermelho ao peito, a interagir com a ponte 25 de Abril. “Quis pôr mulheres na frente das cidades modernas, como Lisboa”, explica, confessando a intenção de fazer uma obra “relevante para a cidade”.

Roteiro Valorant
©DR

Roteiro Valorant

O lançamento global de Pearl, que é o oitavo mapa da história de Valorant, vem acompanhado de uma iniciativa local. Os artistas Marcelo Lamarca, LS, Jorge Charrua, Marita, Basílio, Kruella d’Enfer e Akacorleone são agora os autores de um roteiro de arte urbana inspirado no videojogo da Riot Games e que pode ser apreciado em várias artérias de Lisboa. Uma iniciativa que tem por objectivo valorizar o movimento da arte urbana, criando uma nova rota na cidade, ao mesmo tempo que promove o país, estabelecendo uma ponte entre a nossa cultura e o gaming. Na imagem a contribuição de LS (Luís Santos), com o personagem Phoenix, junto ao 110 da Rua Engenheiro Ferreira Dias, em Chelas. Saiba mais neste artigo.

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Lince ibérico de Bordalo II
©Inês Félix

Lince ibérico de Bordalo II

Esta instalação do artista urbano Bordalo II, um lince ibérico de dimensões titânicas, está na Gare do Oriente para pôr Lisboa a pensar no desafio da emergência climática. O novo morador do Parque das Nações, que se junta ao famoso Gil da Expo 98, é um lince ibérico criado, como é habitual, a partir de materiais reutilizados. E há mais uns tantos animais da série Big Trash Animals à solta por Lisboa. Dois deles estão no Beato, um macaco gigante (na Rua de Xabregas) e um sapo (na Rua da Manutenção), outro viajou até Santos – uma raposa gigante encastrada num edifício devoluto na Avenida 24 de Julho. E depois há o Guaxinão numa parede do Centro Cultural de Belém; o Trash Puppy, na rotunda de Cabo Ruivo; um porco na Rua do Rio Douro; uma abelha gigante dentro da LX Factory; e uma libelinha no bar do Infame. 

Mural em Arroios de Mariana Duarte Santos
© Bruno Cunha | CML | DMC | 2021

Mural em Arroios de Mariana Duarte Santos

Numa empena lateral à igreja, na Rua Nova do Desterro, há razões para quem por ali passa ganhar outro ânimo, ou pelo menos pára para observar momentaneamente a nova obra de arte urbana sob a chancela da Galeria de Arte Urbana (GAU) e em parceria com a Junta de Freguesia de Arroios. Mariana Duarte Santos, habituada a trabalhar com pintura a óleo, desenho, gravura e mais recentemente pintura de mural, é quem assina a obra que tem como base o trabalho do fotógrafo Artur Pastor, um dos grandes nomes da fotografia portuguesa do século XX. A fotografia de Artur Pastor que serviu de inspiração à artista está no Arquivo Municipal de Lisboa – que integra no seu acervo desde 2011 o fundo deste fotógrafo – e retrata um merceeiro de uma loja tradicional que existiu em tempos nesta zona da freguesia, na década de 50, “fazendo recordar a todos que por lá passam a vida das pessoas, os usos e tradições, bem como as memórias das gentes que existiram outrora”, pode ler-se numa publicação da Junta de Freguesia de Arroios.

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Lisboa Menina e Moça de Mário Belém
Junta de Freguesia de Alvalade

Lisboa Menina e Moça de Mário Belém

A fachada da biblioteca Manoel Chaves Caminha, na Avenida Rio de Janeiro, está mais colorida e florida, graças à encomenda da Junta de Freguesia de Alvalade que decidiu dedicar ao fadista Carlos do Carmo, que morreu a 1 de Janeiro de 2021, uma obra de arte urbana, a Lisboa Menina e Moça. O mural é da autoria do artista Mário Belém, que não quis cair no chavão óbvio da varina e substituiu a figura por uma menina e moça sentada numa pilha de livros – fado esse que desde a morte de Carlos do Carmo passou a ser a canção de Lisboa. A imagem é complementada com outros elementos alusivos à cidade como um vinil de Carlos do Carmo, um manjerico, o Santo António, monumentos, eléctricos e até um corvo. A obra demorou seis dias a ser finalizada e entra para o roteiro de arte urbana da Junta de Freguesia de Alvalade como a 17.ª obra do bairro. Essa rota pode ser consultada aqui.

Antes perdida por aqui algures, do que a caminho de nenhures... de Mário Belém
© Bruno Cunha | CML | DMC | 2021

Antes perdida por aqui algures, do que a caminho de nenhures... de Mário Belém

Ao abrigo do Programa de Arte Pública da Galeria Underdogs em parceria com a Galeria de Arte Urbana (GAU) da CML, 2021 arrancou com uma nova obra do artista Mário Belém. A obra “Antes perdida por aqui algures, do que a caminho de nenhures” ⁠⁠ocupa uma longa empena de um prédio no número 2 da Rua Damasceno Monteiro, na Graça, e foi desenhada em 2020. “Na altura, a ideia era reflectir como passamos a maior parte do tempo de costas para o mundo, a olhar para nós próprios, com saudades de experiências passadas, lê-se numa publicação da GAU. Num segundo confinamento, contexto em que a obra foi pintada, a mensagem parece adquirir um significado mais forte.

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Abolição da pena de morte de Mário Belém
Fotografia: Manuel Manso

Abolição da pena de morte de Mário Belém

Nem precisa de ir mais longe. Depois de ver o mural de Pichi&Avo na Calçada de Santa Apolónia, desça a rua e no cruzamento da Rua da Bica do Sapato com a Rua Diogo Couto deite o olho à obra de Mário Belém. Para celebrar os 150 anos da abolição da pena de morte em Portugal, a Galeria de Arte Urbana convidou o artista para ocupar parte de uma parede e o seu muro contíguo. Mário usou cores mais vivas, como o amarelo, o laranja e os azuis, num claro contraste com os tons mais escuros que a morte sugere. A obra está dividida em três: a imagem da vida representada pelas flores; a da morte, com o esqueleto; e a frase de celebração.

It’s all in the eyes de D*Face
Mariana Valle Lima

It’s all in the eyes de D*Face

Dean Stockton é um dos grandes, mas talvez as campainhas só comecem a soar se lhe chamarmos D*Face, um dos maiores nomes da arte urbana a nível mundial. O artista britânico mudou-se de latas e bagagens para Lisboa durante umas semanas para deixar marca no Parque das Nações, o bairro onde decorreu a 4.ª edição do Festival MURO, em 2021. O mural gigante está lá para ver e ser visto, até porque estas paredes além de ouvidos, têm olhos. Está a meia dúzia de passos da Estação do Oriente, na Avenida Aquilino Ribeiro Machado, e dá-lhe uma razão para parar, olhar e ser olhado pelos pares de olhos que D*Face deixou por lá na sua estreia em Portugal. 

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Adapta de Add Fuel
Underdogs

Adapta de Add Fuel

Diogo Machado, conhecido como Add Fuel, quis que a intervenção fosse feita precisamente no bairro da Graça e que representasse a transição do antigo para o novo, que criasse novos padrões de azulejos com os já existentes nos prédios vizinhos. "O trabalho é sobre a forma como cada um de nós, através da nossa tentativa de nos mantermos felizes no meio das adversidades e do desconhecido, se adapta", explica o artista em comunicado. A obra ADAPTA pode ser vista na Rua da Senhora da Glória, na Graça, e está inserida no Programa de Arte Pública da Underdogs, em parceria com a CML e GAU.

Louvor da Vivacidade de Add Fuel
©DR

Louvor da Vivacidade de Add Fuel

Em 1959, a Câmara Municipal de Lisboa instalou em quatro escadarias da Avenida Infante Santo painéis de azulejos de Maria Keil, Alice Jorge, Júlio Pomar, Rolando Sá Nogueira e Carlos Botelho. Em 1994 chega o painel cerâmico de Eduardo Nery, encomendado para Lisboa Capital Europeia da Cultura. Mas há cinco escadarias da avenida e faltava decorar a que dá acesso à Rua Joaquim Casimiro. E havia uma escolha artística mais ou menos óbvia. Desta vez o convite partiu da Junta de Freguesia da Estrela e chegou ao ilustrador e artista urbano Add Fuel (Diogo Machado), conhecido por reinterpretar o design tradicional dos azulejos portugueses.

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Mural de azulejos de André Saraiva
Fotografia: Ana Luzia

Mural de azulejos de André Saraiva

André Saraiva apresentou no Jardim Botto Machado (junto à Feira da Ladra) um megalómano mural com 188 metros de comprimento, 1011 metros quadrados de área e precisamente 52738 azulejos. André, luso-francês, ficou conhecido nos anos 90 com o seu alter ego Mr. A, uma personagem que também funciona como a sua assinatura e que se espalhou por algumas cidades europeias. Este mural reinterpreta a cidade com alusão a alguns dos principais monumentos, misturados com outros elementos, como uma Torre Eiffel.

Equality de AkaCorleone
Gabriell Vieira

Equality de AkaCorleone

Do Festival Iminente de 2020 ficaram no Panorâmico de Monsanto algumas obras incríveis. A que talvez dê mais nas vistas é assinada por Akacorleone, que tomou conta do enorme janelão junto as escadas em espiral do edifício. A obra Equality faz lembrar um vitral, quer comunicar com “o espaço de forma a criar um diálogo entre a monumentalidade e decadência características do Panorâmico”. A peça quer transformar o ambiente consoante a luz que incide na instalação.

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Mural em Benfica de Tomás Reis, Edis One e Pariz One
Mariana Valle Lima

Mural em Benfica de Tomás Reis, Edis One e Pariz One

A Junta de Freguesia de Benfica lançou uma sondagem no Facebook para que os fregueses elegessem 15 personalidades de destaque associadas ao bairro. Os nomes mais votados ficaram marcados a tinta na Rua das Garridas, junto ao Palácio Baldaya, pelo artista Tomás Reis, que fez os desenhos, e pelos artistas urbanos do bairro, Edis One e Pariz One, responsáveis pela pintura. O músico Carlos Paredes, o actor Vasco Santana, o escritor António Lobo Antunes, os actores António Feio e Ruy de Carvalho, a actriz Beatriz Costa, o humorista e argumentista Nuno Markl e as cantoras Ana Bacalhau e Lena D’Água são algumas das personalidades que figuram na obra.

Mural do Compromisso de Smile1art
© Bruno Cunha | CML | DPC | 2020

Mural do Compromisso de Smile1art

Este mural ocupa uns módicos 1000m², o que não é coisa pouca. É assinado pelo artista Ivo Santos, conhecido por Smile1art, e fica na Avenida Calouste Gulbenkian, resultado de uma iniciativa do programa Lisboa Capital Verde Europeia numa parceria com a Galeria de Arte Urbana - GAU. Chama-se Mural do Compromisso e vem afirmar a união da cidade no caminho da sustentabilidade.

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  • Coisas para fazer
  • Vida urbana

No dia da Revolução dos Cravos, o jornal Diário de Notícias dava espaço na sua capa a um cartoon exclusivo do ilustrador André Carrilho alusivo ao 25 de Abril e à própria da pandemia. Uma ilustração que ganhou cor e dimensão na estação de Sete Rios. Foi através da Galeria de Arte Urbana | GAU que a iniciativa se concretizou e viu a luz do dia em plena estação de Sete Rios, por onde passam centenas de pessoas diariamente. Está instalada numa parede que dá acesso ao edifício do lado da Avenida Columbano Bordalo Pinheiro e mostra uma criança de máscara a segurar um cravo de onde sai um arco-íris. O símbolo de esperança adoptado durante o período de confinamento e que se viu em janelas de todo o país acompanhado da frase “Vai ficar tudo bem”. 

Mural de Frederico Draw e Ergo Bandits
©Bruno Cunha/CML | DMC | DPC

Mural de Frederico Draw e Ergo Bandits

Uma das características maiores da arte urbana é a sua efemeridade e a facilidade com que pode ser substituída por uma outra obra, de um outro artista. Foi o caso. Esta é uma obra dos artistas Frederico Draw e Ergo Bandits, feita no âmbito da inauguração da Casa da Cultura de Cabo Verde, junto ao Largo Hintze Ribeiro, em substituição de um mural de André da Loba.

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Elevador de Entrecampos de Vanesa Teodoro
Inês Félix

Elevador de Entrecampos de Vanesa Teodoro

Vanessa Teodoro, artista sul-africana radicada em Lisboa, foi convidada pela EMEL para finalizar a intervenção do elevador e do espaço superior da passagem de peões em Entrecampos. A identidade visual dos seus trabalhos não deixa grande margem para dúvidas sobre a sua autoria, definida por padrões gráficos e elementos figurativos. Nesta sua última aventura, a intervenção foi inspirada em padrões africanos e na pop art. A artista optou por usar apenas o preto e o branco, para garantir uma maior harmonia entre as várias frentes.

Ignorantism de Fuzi
Fotografia: Manuel Manso

Ignorantism de Fuzi

Já é certo e sabido que assim que entra uma exposição na Galeria Underdogs sairá sempre uma intervenção artística numa qualquer rua de Lisboa. No seguimento da exposição individual “Ignorantism”, o artista francês Fuzi deu o ar da sua graça, na Rua da Cintura do Porto de Lisboa, junto ao Cais do Sodré. Fuzi é uma lenda viva entre a comunidade internacional do graffiti ilegal, tendo até criado, na década de 90, uma forma de graffiti que veio a ser conhecida como Ignorant Style.

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Tributo a Amália Rodrigues de Smile

Tributo a Amália Rodrigues de Smile

A propósito do projecto Casal Ventoso Sempre BIP/ZIP, o artista português SMILE pintou um mural em tributo à fadista Amália Rodrigues na Quinta do Cabrinha. A figura da cantora aparece em grande plano, acompanhada no seu fundo, semelhante a uma parede rasgada, por alguns versos da famosa canção “Cheira a Lisboa”.

Estátua de Pichi&Avo
Fotografia: Manuel Manso

Estátua de Pichi&Avo

Pichi&Avo são o duo espanhol que gosta de juntar tudo no mesmo tacho: a arte clássica e a rebeldia do graffiti. E foi exactamente isso que fizeram num mural na Calçada de Santa Apolónia. Juntaram muita cor à receita e o resultado foi este que pode ver aqui – uma grande figura escultórica sobreposta a tags infinitos na lateral do prédio. O traço de Pichi&Avo é conhecido pelas pinceladas grosseiras, que se encontram com um desenho mais cuidado. O mural foi feito no âmbito da exposição “Versus”, na Galeria Underdogs.

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REAL de ±MaisMenos±
DR

REAL de ±MaisMenos±

Será que o espelho reflecte mesmo o real? Mais ou menos. Nesta instalação de Miguel Januário, conhecido por ±MaisMenos±, uma das laterais exteriores do Panorâmico de Monsanto é ocupada com uma película espelhada que compõe a palavra REAL, uma forma de explorar a dicotomia urbano/natural, uma vez que a obra espelha a mancha verde de Monsanto em redor do miradouro. A instalação já foi parar ao Instagram de muito boa gente, durante o festival Iminente 2018, e pode continuar a ser vista por lá, até que a natureza e o tempo os separe.

Monocromático de WK Interact
@Underdogs

Monocromático de WK Interact

Já é premissa obrigatória da Underdogs que sempre que algum artista inaugura uma exposição na galeria tem de criar um mural na cidade, e foi exactamente isso que WK Interact fez. O artista francês radicado em Nova Iorque assume que sempre quis deixar algo para as pessoas que vêm a seguir a ele. Dito e feito. Debaixo do viaduto do eixo Norte-Sul, entre a Alta de Lisboa e a Ameixoeira, ergueu-se um mural gigante a preto e branco.

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Talude de RAF
Bruno Barata

Talude de RAF

A Alta de Lisboa viu nascer uma das maiores obras de arte urbana da Europa a ser feita por um só artista. Com o objectivo de transformar um elemento urbanístico pré-existente – um talude – num espaço dinâmico, a Sociedade Gestora da Alta de Lisboa (SGAL) desafiou o artista RAF a repensar o espaço. “Quando me desafiaram para trabalhar aquilo que era, na altura, um gigante bloco de cimento, imediatamente a minha cabeça se encheu de ideias. Olhando à volta, vemos prédios recentes coloridos que se misturam com a palidez de outras construções mais antigas. Decidi logo pegar no elemento cor para trabalhar este projecto, e comecei a imaginar de que forma poderia, com recurso à utilização de cor e de técnicas de aerografia, atribuir-lhe uma nova dimensão”, esclarece. O resultado está bem à vista.

Disquietheart de Tamara Alves
Fotografia: Manuel Manso

Disquietheart de Tamara Alves

Tamara Alves voltou à carga para deixar a sua marca numa das paredes junto ao nosso parente Time Out Market, no Largo D. Luís (Cais do Sodré). A obra foi inspirada nas palavras do escritor José Saramago – “Se tens um coração de ferro, bom proveito. O meu, fizeram-no de carne, e sangra todo o dia”. Disquietheart é uma obra feita no âmbito dos Dias do Desassossego, iniciativa que decorreu em 2018.

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Universal Personhood de Shepard Fairy
Fotografia: Francisco Santos

Universal Personhood de Shepard Fairy

Universal Personhood é o nome de uma série de trabalhos de Shepard Fairey, o artista americano também conhecido como Obey Giant, o homem que criou o famoso cartaz "Hope" de Obama. Pois bem, Shepard veio a Lisboa por ocasião da exposição "Printed Matters Lisbon" na Galeria Underdogs e deixou um legado (mais ou menos efémero como toda a arte urbana) junto ao 69 da Rua da Senhora da Glória (Graça). A peça é única. O significado desta série é o apelo aos direitos iguais para mulheres de todas as etnias e religiões e Obey quis partilhar a construção desta obra de 5mx14m com Vhils que ficou encarregue de completar a segunda metade do mural no seu estilo artístico.

Breaking Bad de Odeith
©DR

Breaking Bad de Odeith

Sérgio Odeith, o artista urbano famoso internacionalmente por pintar murais que saltam das paredes, pôs a descansar a sua tendência para obras anamórficas a três dimensões no seu mural de eleição na Damaia. Ali pintou a sua série preferida. Porquê? “Foi para mim a melhor história, em que todos os actores representaram um papel brilhante. Estes dois são os que mais marcam a série”, explicou à Time Out Lisboa. E não é por acaso que Walter White e Jesse Pinkman moram neste muro da Rua Dr. Francisco Sousa Tavares. “Pinto aqui há cerca de 20 anos, quase como se o muro fosse meu. Fica perto de casa e toda a gente respeita. O que quer dizer que as peças ficam intactas até envelhecerem”. Antes de ficarem com rugas arriscamos dizer que vão participar em muitas sessões fotográficas, entre fãs de Odeith, de Breaking Bad e de ambos. Totalmente pintado a spray “sem qualquer outra técnica, nem recorrendo ao uso de projectores, o que torna a pintura mais natural”, a obra de 16 metros de comprimento e quatro de altura demorou apenas quatro dias a ficar concluída.

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Calçada de Vhils
©Bruno Lopes

Calçada de Vhils

Podíamos escolher uma parede rebentada artisticamente. Mas ainda há muito boa gente que não sabe quem é o autor desta obra chamada Calçada que mora no largo entre a paragem do eléctrico 12 na Rua de São Tomé e a Rua dos Cegos (a caminho das Portas do Sol). O autor é mesmo Vhils e este foi o seu primeiro projecto feito em calçada, a partir de um convite do cineasta luso-francês Ruben Alves. Após o sucesso de A Gaiola Dourada, Ruben foi desafiado pela Universal France a criar um álbum referência de fado com a nova geração de fadistas a cantar Amália. Foi assim que se atirou de cabeça para um projecto que celebra a portugalidade e que junta Alexandre Farto (o artista que conhecemos por Vhils), os calceteiros de Lisboa, Celeste Rodrigues (irmã de Amália), quase todos os novos fadistas da nossa praça (de Ana Moura e Gisela João a António Zambujo e Ricardo Ribeiro) e até Bonga e Caetano Veloso. Parece complicado, mas não é. Criar o álbum não foi suficiente para o ambicioso realizador, que convidou Vhils para desenvolver uma obra única e marcante com o rosto de Amália, imagem que fez a capa do disco e foi assentada pela nata dos calceteiros da cidade.

Iemanjá de Finok
©Sara Pinheiro

Iemanjá de Finok

O artista brasileiro aproveitou a sua passagem por Lisboa em 2015, onde passou parte da infância, para trazer um pouco do Brasil às ruas da cidade, mais precisamente a um prédio na Rua Manica, junto ao aeroporto. De ascendência espanhola e japonesa, espelha nas suas obras a multiculturalidade do Brasil. Finok, actualmente um dos mais produtivos artistas paulistas, ajudou-nos a interpretar este mural. Os motivos escolhidos para a roupa são brasileiros, mas também portugueses, como as flores na parte superior. Na verdade, a figura representa uma baiana, mas Iemanjá é a deusa do mar, esse monstro que liga Brasil a Portugal. O boneco integrado nos brincos da imagem é a assinatura de Finok: pode encontrá-lo em todas as suas obras. Já os desenhos do rosto representam a diversidade étnica do Brasil, entre índios, africanos, europeus e orientais. Choveu no dia em que o pintou, então Finok decidiu que queria incluir as malditas gotas no seu trabalho.

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Desassossego de Akacorleone
©Cristina Morais

Desassossego de Akacorleone

Num prédio da Rua Damasceno Monteiro, junto ao Miradouro Senhora do Monte, mora esta obra de Akacorleone (Pedro Campiche para os amigos) que demorou "cinco ventosos dias" a realizar a obra visível mesmo para quem está no Martim Moniz. O convite partiu dos próprios inquilinos – aka vizinhos do artista – que tinham acabado de repintar a fachada, alvo de tags e graffitis não solicitados. “Eles queriam de alguma forma prevenir isso, por isso contactaram-me para intervir na fachada. Foi uma coincidência interessante, porque vivo perto e é uma fachada que gostava de pintar já há algum tempo", explicou. A obra contou com o apoio da Galeria Underdogs, que disponibilizou o material e acompanhou o processo em vídeo. Chama-se Desassossego, já que "representa de uma forma bastante livre a personagem que mais representa a cidade de Lisboa, Fernando Pessoa, num sonho psicadélico".

Apeadeiro de Marvila de LS e Styler
GAU

Apeadeiro de Marvila de LS e Styler

Depois de obras de requalificação promovidas pela Infraestruturas de Portugal, o Apeadeiro de Marvila ficou de cara lavada e foi intervencionado pelos artistas LS e Styler. Do trabalho conjunto, que alia a geometria colorida de LS ao fotorrealismo de Styler, resultou um conjunto de elementos identitários do bairro para ver na Azinhaga dos Alfinetes (perto da Biblioteca Municipal).

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A Lata Delas (2019)
Duarte Drago

A Lata Delas (2019)

Lisboa continua a ser coberta com o papel de parede mais cool: a arte urbana. Este projecto da Galeria de Arte Urbana (GAU) teve o cunho de quatro mulheres artistas que deixaram a sua marca na Estação Ferroviária de Entrecampos – numa parceria com as Infraestruturas de Portugal. “A Lata Delas” foi entregue a Tamara Alves, Margarida Fleming, Patrícia Mariano e Maria Imaginário, que reproduziram o cenário de uma autêntica galeria com as obras das quatro artistas – cada uma com estilos distintos. Percorra a estação que tem vários quadros isolados ao longo de vários muros.

Mais arte urbana

  • Arte
  • Arte urbana

É designer, é graffiter e é também detentor de um recorde do Guinness. Conhecido pelo seu projecto Original Extinction Art Project, que alerta para as espécies em vias de extinção, Edis One já pintou um pouco por todo o mundo, de Amesterdão ao Bali. E em 2016 participou na realização do maior muro do mundo pintado com luz negra, em Ras Al Khaimah, nos Emirados Árabes Unidos, que lhe valeu a entrada no grande livro dos recordes. Mas este artista de Benfica tem deixado a sua marca na zona de Lisboa, em particular no seu próprio bairro. Conheça algumas das obras de Edis One, realizadas a solo ou em conjunto com outros artistas, com destaque para o seu conterrâneo de Benfica, Pariz One.

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Vhils não se faz rogado quando o assunto passa pela dimensão das obras que vai criando mundo fora. Sobram poucas pessoas a quem não soe uma campainha quando ouvem o nome Vhils. Alexandre Farto passou fronteiras há muito e mesmo assim continua por cá a deixar a sua marca em murais de pequena ou grande dimensão. O mais recente representa o lançamento da primeira pedra da 'Chelas é o Sítio', uma associação sem fins lucrativos que conta com Sam The Kid no leme. Fomos à procura, nesta margem ou do outro lado do rio, das paredes rebentadas artisticamente por Alexandre Farto e encontrámos também a icónica obra na calçada portuguesa. Recolhemos as melhores perfurações artísticas de Vhils para que siga o roteiro mais esburacado de Lisboa, veja com olhos de ver e fotografe, que é tudo instagramável.

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  • Coisas para fazer

“A Cidade da BD”, como se tem afirmado em Portugal e como confirma a parede de um túnel a caminho do Fórum Luís de Camões, é uma referência da expressão artística no espaço público e na cultura urbana da Grande Lisboa. Na rota da arte pública, contam-se mais de uma centena de murais, graças sobretudo ao projecto “Conversas na Rua”, organizado pelo município desde 2015, que promove todos os anos várias intervenções artísticas, em articulação com o património e a paisagem urbana da cidade. Entre as diferentes propostas visuais, encontramos obras de artistas como Odeith, Akacorleone, Vile e Smile. Pode vê-las num acervo virtual ou aproveitar para programar um passeio em família com este roteiro de arte urbana na Amadora, onde procurámos reunir alguns dos mais bonitos ou surpreendentes graffitis.

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