Alexandre Farto, Vhils
José Pando Lucas | Alexandre Farto, Vhils
José Pando Lucas

Onde ver Vhils em Lisboa: o roteiro das obras que ainda resistem

De Alfama à Margem Sul, em modo individual e em colaboração. Conheça 11 obras de Vhils em Lisboa, Barreiro e Almada.

Rute Barbedo
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Tanta obra de Vhils já desapareceu de Lisboa (lembram-se do grande rosto da Avenida da Índia, em Alcântara, demolido em 2018?). Ser efémero faz parte, e é até uma chamada de atenção ao olho, que mais rapidamente vê como a cidade muda, mas também o que nela resiste. É nesta segunda parte que nos focamos, traçando um roteiro da presença do artista de nome Alexandre Farto, natural do Seixal, com estúdio no Barreiro e intervenções um pouco por todo o mundo, incluindo em diferentes bairros de Lisboa e arredores. Da Graça ao Rossio ou ao Barreiro, em modo individual ou em dupla, do público ao privado e da calçada ao betão, percorremos vários anos, técnicas e colaborações do artista urbano português mais reconhecido no planeta, que ao escavar põe à tona diferentes camadas.

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Vhils em Lisboa: o roteiro perfeito

2. Scratching the Surface Project 2026 – Atlético CP, Alcântara

Vhils, Bela Silva e Joana Vasconcelos foram convidados a apresentar três peças no renascido Estádio do Atlético Clube de Portugal. Em parceria com o MAAT, o autor deixou a história do clube com mais de 80 anos e da comunidade que o apoia acima de uma das bancadas do estádio.

Rua Professor Vieira Natividade

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3. 'Calçada', Alfama

Junto ao largo entre a Rua de São Tomé e a Rua dos Cegos, passa o eléctrico 12. Mas vista a frequência com que o faz, provavelmente dá para sentar um pouco no banco de jardim e apreciar uma das obras mais singulares de Vhils. Por um lado, foi o seu primeiro trabalho em calçada, por outro, foi uma colaboração meio maluca com a Escola de Calceteiros de Lisboa e com o realizador Ruben Alves (de A Gaiola Dourada), que começou com a fórmula "E se...?". A história, de 2015, foi assim: Ruben Alves juntou artistas como Ana Moura, Carminho ou Ricardo Ribeiro para gravarem o disco Amália, as Vozes do Fado e depois pareceu-lhe bem que a capa fosse um Vhils com extensão real na cidade. O artista do Seixal aceitou, notando que a ideia remetia para o slogan do Maio de 68, "sous les páves, la plage" ("sob a calçada, a praia"), palavras que tendo sido "grafitadas" por Paris se vincaram como um dos momentos fundadores da arte urbana.

Rua de São Tomé

  • Santa Maria Maior

Quatro figuras centrais do teatro português — Amélia Rey-Colaço, Beatriz Costa, Palmira Bastos e Laura Alves — foram gravadas, em 2014, pelo artista no Salão Nobre do teatro nacional, reabilitado em 2026, mas sem alterações a estas e outras obras. O projecto "Memória (1964)" surgiu a propósito do cinquentenário do incêndio que destruiu o edifício. Arte dos anos 2000 em paredes que já passaram por muito.

Praça Dom Pedro IV

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  • Arte
  • Centros de artes
  • Chiado/Cais do Sodré

Música, dança e teatro – a Câmara de Lisboa quis encher esta antiga escola de projectos artísticos e conseguiu. Muito já se passou neste edifício e, no pátio, onde há uma pacata esplanada, a intervenção de Vhils é uma das atracções principais. O rosto foi esculpido durante o Visual Street Performance, em 2009.

Rua das Gaivotas

6. 'Origin', na Estrada de Chelas

Nesta colaboração, Vhils ficou com a parte de Charles Darwin e Bordalo II responsabilizou-se pelo chimpanzé. Como é habitual, um escavou o muro enquanto o outro criou a sua metade a partir de plásticos, borracha e outros resíduos. Foi o primeiro mural conjunto dos dois artistas, criado para o festival Cor de Chelas, em 2024, que transformou por completo a Estrada de Chelas (onde se fazem tours de arte urbana).

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7. 'Universal Personhood', Graça

"Universal Personhood" é o nome de uma série de trabalhos de Shepard Fairey, o artista norte-americano também conhecido como Obey Giant. A série aponta para a urgência de direitos iguais para mulheres de todas as etnias e religiões, ideal estampado nesta empena de um prédio da Graça, que partilhou com Vhils, em 2017.

Rua da Senhora da Glória, 69

8. Edifício GS1, Lumiar

A GS1 Portugal, organização sem fins lucrativos que trabalha com sistemas de informação e que faz códigos de barras há mais de 30 anos, encomendou em 2016 uma adenda ao seu edifício-sede. O projecto de Vhils foi concebido de raiz em conjunto com o desenho da fachada, uma espécie de persiana horizontal em betão intercalada por feixes de vidro por onde entra a luz. A peça dispõe-se ao longo de 49 painéis de betão pré-fabricado onde se vislumbram fragmentos de figuras humanas combinados com representações abstractas das áreas de actuação da GS1. "À medida que a luz muda ao longo do dia, os painéis alteram continuamente a sua leitura", pode ler-se no site do artista.

Campus do Lumiar - Estrada do Paço do Lumiar

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9. Rua dos Lagares, Mouraria

Também no universo privado, de habitação de luxo a restaurantes de topo, o autor tem vários projectos. Na Mouraria, a imobiliária Stone Capital (que pôs no mercado, na mesma zona e em 2019, vários apartamentos com rendas controladas), apadrinhou o Lagares 74, um empreendimento de gama alta com piscina no terraço. Do lado de fora, e para todos, está uma longa faixa "vhiliana" com vários rostos.

10. 'The Worker', Barreiro

Numa das entradas do Bairro de Santa Bárbara (antigo bairro operário da Companhia União Fabril - CUF), Vhils esculpiu, em 2018, a memória dos trabalhadores do Barreiro. Ao centro, The Worker está enquadrado em referências panorâmicas às estruturas fabris que ainda ali existem, na Baía Tejo, ligando a memória industrial ao presente, num dos seus mais longos murais. É também no Barreiro (e não muito longe deste muro) que o artista produz grande parte das peças transportáveis, como telas e outras estruturas.

Rua da União, Barreiro

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11. 'Sentinela', Costa da Caparica

Quem sai de Almada a caminho da brisa do mar mais próximo ou de uns camarões, pode deixar passar navios mas dificilmente omite esta figura atenta aos mais incautos, inexperientes ou azarados, em formato gigante perto de uma rotunda. A obra de Vhils é uma homenagem a António Gonçalves Ribeiro, o nadador-salvador conhecido como "Tarzan da Caparica", sobre quem se relata ter salvado mais de 300 pessoas em 50 anos de trabalho nos areais da zona. A partir de uma fotografia tirada em 1964, o artista escavou o seu retrato, em 2026.  

Arte urbana na cidade

  • Coisas para fazer

Nos últimos anos, Marvila tornou-se uma autêntica galeria a céu aberto. Anote como coordenadas o Bairro das Salgadas (Rua Dinah Silveira de Queiroz), a Quinta Marquês de Abrantes (Rua Alberto José Pessoa) e o Bairro da Quinta do Chalé (Rua José do Patrocínio), três dos núcleos abrangidos pelos artistas das tintas. Para um roteiro com orientação a preceito, consulte as visitas-guiadas da Galeria de Arte Urbana. De caminho, não se esqueça de visitar a Galeria Underdogs, meca da cultura visual, e de passar a pente fino a restante oferta ao nível das artes.

  • Arte
  • Galerias

Museus e centros de difusão de arte contemporânea e galerias que estão de pedra e cal no roteiro cultural dos lisboetas são bem conhecidas de todos. Mas, onde andam os artistas emergentes? Esses que não andam nas bocas do mundo? Nestas galerias, está claro. Conheça talentos emergentes nas galerias de arte menos óbvias de Lisboa, algumas até no centro da cidade, outras nos bairros já fora do centro histórico ou até nos bairros que só mais recentemente estão a ser descobertos por uma grande parte dos lisboetas.

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