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©Hélder Silva
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Vhils em Lisboa: o roteiro perfeito

Uma obra que assinala o território de Chelas é a última. Fique a conhecer as obras de Vhils em Lisboa e arredores.

Renata Lima Lobo
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Vhils não se faz rogado quando o assunto passa pela dimensão das obras que vai criando mundo fora. Sobram poucas pessoas a quem não soe uma campainha quando ouvem o nome Vhils. Alexandre Farto passou fronteiras há muito e mesmo assim continua por cá a deixar a sua marca em murais de pequena ou grande dimensão. O mais recente representa o lançamento da primeira pedra da 'Chelas é o Sítio', uma associação sem fins lucrativos que conta com Sam The Kid no leme. Fomos à procura, nesta margem ou do outro lado do rio, das paredes rebentadas artisticamente por Alexandre Farto e encontrámos também a icónica obra na calçada portuguesa. Recolhemos as melhores perfurações artísticas de Vhils para que siga o roteiro mais esburacado de Lisboa, veja com olhos de ver e fotografe, que é tudo instagramável.

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Vhils em Lisboa: o roteiro perfeito

1. Barreiro (2018)

Localizado numa das entradas do Bairro de Santa Bárbara, tem, o mural reflecte a visão do artista sobre a importância deste território na identidade e memória dos barreirenses e enquadra um espaço da nova alameda, agora ajardinada, que servirá para receber pequenos espectáculos.

Rua da União

2. Universal Personhood (2017)

Universal Personhood é o nome de uma série de trabalhos de Shepard Fairey, o artista americano também conhecido como Obey Giant, o homem que criou o famoso cartaz "Hope" de Obama. O significado desta série é o apelo aos direitos iguais para mulheres de todas as etnias e religiões e Obey quis partilhar a construção desta obra de 5mx14m com Vhils que ficou encarregue de completar a segunda metade do mural no seu estilo artístico.

Rua da Senhora da Glória, 69

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3. Roger Kahan, junto à Gare da Rocha Conde de Óbidos

O mural reinterpreta uma fotografia de 1940 tirada por Roger Kahan a um refugiado judeu, junto a uma caixa de correio no Terminal Marítimo da Rocha Conde de Óbidos. O próprio Kahan, francês, foi um refugiado, de passagem por Lisboa durante a Segunda Guerra Mundial. A caixa de correio ainda lá está e a obra presta, desde 2023, homenagem aos milhares de refugiados para quem Lisboa representou uma porta na procura da segurança.

4. Scratching the Surface Project 2026 – Atlético CP, no Estádio da Tapadinha

Vhils, Bela Silva e Joana Vasconcelos foram os artistas convidados para criar no Estádio do Atlético Clube de Portugal (em parceria com o MAAT), um clube e um lugar em regeneração. O artista do Seixal deixou acima da bancada o retrato de quem passou pelo clube com mais de 80 anos e da comunidade que o apoia.

Rua Professor Vieira Natividade (Alcântara).

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5. 'Origin', na Estrada de Chelas

Nesta colaboração, Vhils ficou com a parte de Charles Darwin e Bordalo II responsabilizou-se pelo chimpanzé. Como habitual, um escavou o muro enquanto o outro criou a peça a partir de plásticos, borracha e outros resíduos. Foi o primeiro mural conjunto dos dois artistas, criado para o festival Cor de Chelas, em 2024, que transformou por completo a Estrada de Chelas (por onde já se fazem tours de arte urbana).

6. Sentinela, Costa da Caparica

A peça é uma homenagem a António Gonçalves Ribeiro, o nadador-salvador conhecido como "Tarzan da Caparica", sobre quem se relata ter salvado mais de 300 pessoas em 50 anos. Foi a partir de uma fotografia tirada em 1964 que Vhils escavou o seu retrato na fachada de um edifício, num dos principais acessos às praias.

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7. Edifício GS1, Lumiar

A sede da GS1 Portugal, organização sem fins lucrativos que trabalha com sistemas de informação e que põe códigos de barras em Portugal há mais de 30 anos, encomendou em 2016 uma peça ao artista. O projecto foi concebido de raiz em conjunto com o desenho da fachada, uma espécie de persiana horizontal em betão, intercalada por feixes de vidro por onde entra a luz. A peça está, por isso, disposta por 49 painéis de betão pré-fabricado onde podemos vislumbrar fragmentos de figuras humanas combinados com representações abstractas das áreas de actuação da GS1. "À medida que a luz muda ao longo do dia, os painéis alteram continuamente a sua leitura", pode ler-se no site do artista.

Campus do Lumiar - Alameda Linhas de Torres

8. Rua dos Lagares, Mouraria

No universo privado, de habitação de luxo a restaurantes de topo, Vhils também tem deixado a sua marca, um pouco por todo o mundo. Percorrer estes meandros nunca foi uma questão para o artista, que se mexe entre projectos sociais em bairros como o extinto 6 de Maio, na Amadora, e segmentos milionários. Na Mouraria, a imobiliária Stone Capital (que pôs no mercado, na mesma zona e em 2019, 17,5% dos apartamentos de dez edifícios com rendas controladas), apadrinhou o Lagares 74, um empreendimento de 19 apartamentos de gama alta e piscina no terraço. Do lado de fora, e para todos, está uma faixa "vhiliana" esculpida, cheia de rostos a olhar para nós.

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9. 'Calçada', Alfama

Pelo largo entre a Rua de São Tomé e a Rua dos Cegos, passa o eléctrico 12. Mas com a frequência com que o faz, muito provavelmente, dá para sentar um pouco no banco de jardim e apreciar uma das obras mais singulares de Vhils. Por um lado, foi o seu primeiro trabalho em calçada, por outro, foi uma colaboração meio maluca com a Escola de Calceteiros de Lisboa e com o realizador Ruben Alves (de A Gaiola Dourada), que começou com a fórmula "E se...?". A história é de 2015 e foi assim: Ruben Alves juntou artistas Ana Moura, Carminho ou Ricardo Ribeiro para gravarem o disco Amália, as Vozes do Fado e depois pareceu-lhe bem que a capa fosse um Vhils com extensão real na cidade. O artista do Seixal aceitou, notando que a ideia remetia para o slogan do Maio de 68, "sous les páves, la plage" ("sob a calçada, a praia"), palavras que tendo sido "grafitadas" numa parede cinzenta tornaram-se um dos momentos fundadores da arte urbana (bem apanhados, já agora, também pelo rap francês).

Rua de São Tomé

  • Santa Maria Maior

Quatro figuras centrais do teatro português — Amélia Rey-Colaço, Beatriz Costa, Palmira Bastos e Laura Alves — foram gravadas, em 2014, pelo artista no Salão Nobre do teatro nacional. O projecto "Memória (1964)" assinalava assim o cinquentenário do incêndio que destruiu o edifício. 

Praça Dom Pedro IV (Rossio)

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  • Arte
  • Centros de artes
  • Chiado/Cais do Sodré

Música, dança e teatro – a câmara quis encher a antiga escola de projectos artísticos e conseguiu. Todas as semanas há um corrupio de ensaios e gravações e no pátio a intervenção de Vhils é uma das atracções principais. Um rosto esculpido durante o Visual Street Performance, em 2009.

Rua das Gaivotas, 8

Arte urbana na cidade

  • Coisas para fazer

Nos últimos anos, Marvila tornou-se uma autêntica galeria a céu aberto. Anote como coordenadas o Bairro das Salgadas (Rua Dinah Silveira de Queiroz), a Quinta Marquês de Abrantes (Rua Alberto José Pessoa) e o Bairro da Quinta do Chalé (Rua José do Patrocínio), três dos núcleos abrangidos pelos artistas das tintas. Para um roteiro com orientação a preceito, consulte as visitas-guiadas da Galeria de Arte Urbana. De caminho, não se esqueça de visitar a Galeria Underdogs, meca da cultura visual, e de passar a pente fino a restante oferta ao nível das artes.

  • Arte
  • Galerias

Museus e centros de difusão de arte contemporânea e galerias que estão de pedra e cal no roteiro cultural dos lisboetas são bem conhecidas de todos. Mas, onde andam os artistas emergentes? Esses que não andam nas bocas do mundo? Nestas galerias, está claro. Conheça talentos emergentes nas galerias de arte menos óbvias de Lisboa, algumas até no centro da cidade, outras nos bairros já fora do centro histórico ou até nos bairros que só mais recentemente estão a ser descobertos por uma grande parte dos lisboetas.

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