Woyzeck
José Caldeira | Woyzeck, a partir de Georg Büchner, com produção auéééu
José Caldeira

As melhores peças de teatro e dança para ver em Lisboa esta semana

Seja um frequentador assíduo ou ocasional, estas são as peças de teatro e dança em cena em Lisboa hoje.

Raquel Dias da Silva
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Não precisa de procurar mais por peças de teatro e dança para ver hoje em Lisboa. Aqui, encontra boas sugestões de produções artísticas para preencher a sua agenda de toda a semana. Algumas têm temporadas muito curtas e é costume esgotarem rapidamente, quer sejam estreias absolutas, reposições há muito aguardadas, propostas de companhias nacionais ou digressões internacionais de prestígio. Como mais vale prevenir do que remediar, esta lista vai ajudá-lo a planear com tempo as suas incursões culturais pela cidade. Vale tudo. Só não vale ficar à porta.

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As peças de teatro e dança para ver em Lisboa

  • Coisas para fazer
  • Chiado/Cais do Sodré

O Palácio das Especiarias, no Chiado, transforma-se no cenário de um jogo de pistas ao vivo no dia 25 de Setembro com a apresentação de A Night with Mr. Chardonnay, um jantar-mistério onde a fronteira entre ficção e realidade desaparece. Sem palco nem plateia convencional, a experiência conta com a presença de cinco actores profissionais portugueses que se sentam lado a lado com os convidados durante todo o repasto. Ao longo de um jantar de cozinha tradicional portuguesa composto por três pratos, os participantes são desafiados a conduzir uma investigação em tempo real, interrogar os suspeitos sentados à mesa, resolver enigmas e desvendar o mistério da noite. A experiência conta com uma lotação de apenas 25 lugares e custa entre 135€ e 150€.

  • Marvila

Em plena Segunda Guerra Mundial, Nan Shepherd escreve A Montanha Viva, descrevendo as suas viagens pelas Cairngorms numa meditação sobre o consolo e a força das regiões indomadas, focando-se nos elementos ocultos da montanha e na nossa relação imaginativa com o mundo selvagem. Em 1940, a publicação do manuscrito é recusada e ficaria guardado numa gaveta durante mais de três décadas. Com criação de Bruno Alexandre e Maria Gil, este espectáculo – em cena no 8 Marvila até 26 de Setembro – parte dessa Montanha Viva.

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  • Carnide/Colégio Militar

Com dramaturgia de Daniel Céu Silva e Filipa Burnay, este espectáculo mergulha na vida intensa e complexa da pintora Frida Kahlo, sobretudo os momentos de dor física e emocional de Frida, provocados pelos seus problemas de saúde e pela tumultuosa relação com Diego Rivera, enquanto celebra a sua resiliência e a forma como transformou sofrimento em arte. Em cena de 26 a 28 de Setembro, de quinta a sábado às 21.00, na Boutique da Cultura. O bilhete custa 10€.

  • Chiado

Gonçalo Waddington encena uma das peças mais ferozes do dramaturgo sueco August Strindberg, escrita em 1887. O enredo centra-se no conflito aberto entre o Capitão e a mãe, Laura, sobre o futuro e a educação da filha, Berta. Para impor a sua vontade, Laura instila no marido a dúvida sobre a sua real paternidade, lançando-o num processo de paranóia, alucinação e demência. O espectáculo, que retrata as relações entre homens e mulheres como uma luta pelo poder, conta com a tradução de António Cabrita e Luís Miguel Cintra, e um elenco composto por Carla Maciel, Cecília Borges, Gonçalo Waddington, Hugo Narciso, Joana Bárcia, João Pedro Vaz e Miguel Sopas. Em cena de 16 a 27 de Setembro, quarta a sábado às 20.00 e domingo às 17.30, no São Luiz. O bilhete custa 12€ e 15€.

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  • Santa Maria Maior

A dramaturga e encenadora Keli Freitas, ela própria migrante em Portugal, apresenta uma nova criação participativa, que nasce da escuta directa e do encontro com pessoas imigrantes residentes em Lisboa. Ao longo de conversas, partilhas de memórias e oficinas artísticas, o projecto reuniu participantes com diferentes bagagens geográficas, linguísticas e culturais para construir uma obra onde as suas trajectórias de vida ocupam o centro do palco. Mais do que reflectir uma temática social à distância, o espectáculo aposta na participação directa e na visibilidade de vozes frequentemente invisibilizadas na cena cultural. A interpretação reúne em palco Dionys Matheus, Dom Dinis, Domingas Salvaterra, Manab Sarker, Pabitra Neupane, Sajad Deyrmina e Umme Dina. Em cena de 23 a 27 de Setembro, de quarta a sabádo às 19.30 e domingo às 16.30, no Teatro Nacional D. Maria II. O bilhete custa 13€.

  • Castelo de São Jorge

O Teatro da Garagem prepara-se para acolher, mais uma vez, um ciclo de novos criadores, que encontram, no espaço do Teatro Taborda, uma casa para realizar e apresentar os seus trabalhos a um público mais vasto. No sábado, 26 de Setembro, e domingo, dia 27, vão subir a palco Francisco Rolo, Lúcia Pires, Maria Ribeiro Torres e Nuno Pinheiro, com Dis-far-ce; Miriam Freitas, com Desafinada no Coração; Gustavo Antunes, com Maria D. não sobe montanhos; e Bárbara Gomes, Joana Resende, Mariana Sardinha e Zé Alves, com Paradoxo Molotof. Em cena de 26 a 27 de Setembro, sábado e domingo a partir das 15.00, no Teatro Taborda. O bilhete custa 15€.

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  • Belém

Georg Büchner morreu aos 23 anos, em 1837, e nunca terminou Woyzeck, uma das peças que anunciam o teatro moderno. Também por isso é um campo aberto a múltiplas possibilidades. Esta é a versão dos auéééu. Um espectáculo inspirado na célebre personagem de Büchner – vítima e anti-herói, proletário e louco, “pobre diabo” que carrega o fardo de um mundo em rápida transformação – e nos tableaux vivants do filme de Serguei Paradjanov, A Cor da Romã (1969). Em cena de 24 a 27 de Setembro, quinta e sexta às 20.00, sábado às 19.00 e domingo às 17.00, no Centro Cultural de Belém. O bilhete custa 15€.

  • Avenida da Liberdade

Com libreto, música e letras de Irene Sankoff e David Hein, encenação de Pedro Pernas e direcção musical de Nuno de Sá, este musical baseia-se nos acontecimentos ocorridos na cidade de Gander, em Newfoundland, no Canadá, na semana que se seguiu aos atentados de 11 de Setembro de 2001. Nesse período, com o espaço aéreo dos EUA fechado, 38 aviões com quase 7000 passageiros foram desviados para Gander. Os residentes da localidade acolheram essas pessoas, hospedando-as, alimentando-as e apoiando-as até que pudessem prosseguir viagem.

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  • Campolide

Entre mortes inesperadas, karaoke e uma paixão que surge onde menos se espera, tudo pode acontecer. É esta a promessa da nova produção d’A Comuna, um musical sobre duas famílias rivais: uma dedica-se ao universo da ópera, outra ao do pimba. A encenação é de Hugo Franco, a direcção musical de Carlos Pires.

  • Parque das Nações

Com texto e encenação de Renato Arroyo, o clássico de Shakespeare é recontado através do olhar de Rosaline, a primeira paixão de Romeu que, para complicar a história, é prima de Julieta. Afinal, o amor mais famoso de sempre não é bem como nos contaram. Mas este musical repõe a verdade e dá-nos a conhecer a história por trás da história. A direcção musical é de Miguel Amorim, que co-assina a música com Filipe de Albuquerque, e as letras de Inês Branco. Em cena de 23 de Setembro a 4 de Outubro, no Casino de Lisboa.

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  • Santos

Inserido num projecto cénico estruturado em três partes, o Teatro A Barraca acolhe o segundo episódio de uma viagem dramatúrgica dedicada às mulheres que, ao longo do último século, transformaram a sociedade portuguesa e conquistaram direitos cívicos e políticos fundamentais. Com concepção e espaço cénico de Maria do Céu Guerra, a produção toma como ponto de partida as biografias e obras de figuras incontornáveis como Carolina Beatriz Ângelo, Ana de Castro Osório, Liberdade Sobral, Catarina Eufémia, Rosa Viseu, Maria de Lourdes Pintasilgo, Maria Helena Vieira da Silva e Maria Antónia Palla. Através de um diálogo entre memória colectiva e criação teatral, o espectáculo propõe uma reflexão profunda sobre os conceitos de resistência, liberdade, democracia e o papel feminino no exercício do poder. Em cena de 26 de Setembro a 4 de Outubro, sábado às 21.30 e domingo às 17.00, no Teatro Cinearte.

  • Carnide/Colégio Militar

Com encenação de Miguel Thiré, esta comédia de Stefan Cuvelier conta a história de Francisco, uma estrela do mundo do espectáculo com um feitio insuportável. Tão insuportável que os actores de uma peça com estreia para breve recusam-se a participar. Como precisa de substituir o elenco o mais rápido possível, Francisco contrata um grupo de pessoas que não são actores, nem querem ser: o seu agente, a empregada e um canalizador. A trama fica rocambolesca, como seria de esperar… Em cena de 10 de Setembro a 11 de Outubro, de quinta a sábado às 21.00 e domingo às 17.00, no Teatro Armando Cortez.

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  • Marvila

Os Artistas Unidos levam à cena um texto da dramaturga britânica Zinnie Harris, sob a encenação de João Meireles, que aborda a fragilidade do isolamento e o impacto do progresso humano. A acção situa-se numa das comunidades mais recônditas do mundo, onde a rotina se rege por um tempo próprio até à chegada de um estranho que introduz novas formas de poder, desejos latentes e a lenta ruína de um equilíbrio sustentado em crenças e silêncios. Quando o passado e a tensão interna deixam de poder ser contidos pela ilha, a erupção iminente de um vulcão obriga os habitantes a abandonar o único mundo que conhecem. O espectáculo conta com as interpretações de Andreia Bento, António Simão, Inês Pereira, Nuno Gonçalo Rodrigues e Pedro Carraca. Os bilhetes custam 12€ (7€ à terça-feira, Dia do Espectador).

  • Chiado

Com texto de Constança Bourgard e encenação de Miguel Fragata, este espectáculo, distinguido com o Prémio Miguel Rovisco – Novos Textos Teatrais, acompanha um casal decidido a construir uma vida a dois, no apartamento com que sempre sonhou, no centro de Lisboa. Mas diferenças salariais, ressentimentos de classe e expectativas de género transformam o refúgio idealizado num fardo constante.

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  • Castelo de São Jorge

A Companhia do Chapitô apresenta uma nova criação física e satírica baseada no romance Ensaio sobre a Lucidez, de José Saramago. Sob a encenação de José C. Garcia, o espectáculo coloca em cena o pesadelo máximo do poder político: uma eleição onde a maioria esmagadora da população decide votar em branco como protesto silencioso, precipitando a declaração do estado de emergência. A partir do desencanto popular com o sistema partidário e da facilidade com que a engrenagem democrática se revela inútil, a narrativa evolui de uma comédia mordaz sobre a ineficácia dos governos para um cenário francamente mais sinistro e opressivo. Em cena de 25 de Setembro a 25 de Outubro, de quinta a sábado às 21.00 e domingo às 17.00, no Chapitô. O bilhete custa a 16,11€.

  • Santa Maria Maior

Depois de três anos fechado para obras, o Teatro Nacional D. Maria II reabre as suas portas com três dias de festa. A programação inclui Macbeth, a mesma que estava em cena na fatídica noite de 2 de Dezembro de 1964, quando um incêndio deixou o teatro em ruínas, alimentando as lendas e superstições que sempre rodearam a tragédia de Shakespeare. Com tradução e encenação de Pedro Penim, esta nova produção desafia as velhas superstições do meio teatral e coloca nos papéis principais um elenco encabeçado por Bárbara Branco e José Raposo.

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  • Marvila

O Teatro Meridional apresenta uma nova criação dedicada ao património literário, humano e histórico de Goa, Damão e Diu, com dramaturgia e encenação assinadas por Natália Luiza. Tecido a partir de contos, poesia e excertos romanescos de autores de diferentes épocas, o espectáculo resulta de uma pesquisa profunda que transborda a literatura para se expandir à música, ao trabalho corporal e à composição plástica. Ao resgatar a memória destes territórios, onde a língua portuguesa ainda ecoa, a produção estabelece um diálogo poético de Portugal com a sua própria história, homenageando as comunidades indo-portuguesas que residem no país e trazendo à cena um património que muitos desconhecem. O elenco reúne Fernando Nobre, Joana Brandão, Catarina Ribeiro e Rui Rebelo. Em cena de 24 de Setembroa a 1 de Novembro, de quarta a sábado às 21.00 e domingo às 16.00, no Teatro Meridional. Os bilhetes custam 13€.

  • Chiado

Com texto de Tom Schulman e encenação de Hélder Gamboa, leva-nos até um colégio interno dos Estados Unidos, onde “Tradição, Disciplina, Honra e Excelência”, os pilares de um ensino rígido e espartilhado, serão postos à prova pelo carismático professor de Literatura, John Keating. Instigando os jovens alunos a questionarem o mundo e a adoptarem novos pontos de vista, Keating vai provocar-lhes uma intensa catarse e grande perturbação na vida diária do colégio. Em cena até 30 de Dezembro, de quarta a sábado às 21.00 e domingo às 16.30, no Teatro da Trindade. O bilhete custa entre 11€ e 19€ às quartas e entre 15€ e 24€ de quinta a domingo.

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