A Morte de Robin Hood
Aidan Monaghan | A Morte de Robin Hood
Aidan Monaghan

Os filmes em cartaz esta semana, de ‘A Morte de Robin Hood’ a ‘Toy Story 5’

As estreias de cinema, os filmes em exibição e os novos filmes para ver em streaming, incluindo ‘La Grazia’, ‘O Diabo Veste Prada 2’ ou ‘Michael’.

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Tanto cinema, tão pouco tempo. Há filmes em cartaz para todos os gostos e de todos os feitios. Das estreias em cinema aos títulos que, semana após semana, continuam a fazer carreira nas salas. O que encontra abaixo é uma selecção dos filmes que pode ver no escurinho do cinema, que isto não dá para tudo. Há que fazer escolhas e assumi-las (coisa que fazemos, com mais profundidade nas críticas que pode ler mais abaixo nesta lista). Nas semanas em que há estreias importantes de longas-metragens no streaming, também é aqui que as encontra. Bons filmes.

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Filmes em estreia esta semana

Toy Story 5

Realizado por Andrew Stanton e McKenzie Harris, o quinto filme da saga Toy Story, iniciada há 36 anos, põe os brinquedos nossos bem conhecidos perante uma nova ameaça: o digital. Dado que a pequena Bonnie é muito tímida e não consegue fazer amigos, os pais decidem comprar-lhe um tablet para crianças chamado Lilypad, que tem a forma de um sapo verde. E mal chega a casa de Bonnie, Lilypad declara que os brinquedos estão obsoletos e ela é que sabe o que é melhor para a menina. A cowgirl Jessie e o seu cavalo Bala vão liderar a revolta contra a intrusa.

A Morte de Robin Hood

Interpretado por Hugh Jackman, o Robin Hood deste filme de Michael Sarnoski é uma versão radicalmente “revisionista” da tradicional, um assaltante e assassino que não hesita em matar mulheres e crianças. Refugiado num priorado situado numa ilha ao largo da costa de Inglaterra, Robin irá lá ter oportunidade para expiar os seus pecados e ter a sua redenção.

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Magalhães

A viagem de circum-navegação de Fernão de Magalhães (personificado por Gael García Bernal), a sua personalidade e a época histórica em que viveu, são vistas pelo olhar crítico, e também controverso, do realizador filipino Lav Diaz, um dos nomes mais considerados do slow cinema, nesta fita anti-heróica e sem espectacularidade.

O Que É o Amor?

Comédia francesa com Laura Calamy no papel de uma mulher casada pela segunda vez, e cujo primeiro marido, Fred (Vincent Macaigne) vai casar de novo, e lhe pede para concordar com o pedido de anulação do seu matrimónio pela Igreja. Só que vai tudo acabar em Roma, no Vaticano, para a anulação poder enfim ser conseguida.

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Cinco Segundos

O novo filme do italiano Paolo Virzì centra-se num famoso advogado que está em tribunal acusado da morte involuntária da filha deficiente, e em conflito com a líder do grupo de jovens “alternativos” que se instalou nos terrenos da propriedade onde alugou um estábulo convertido em casa.

Hokum – A Maldição Oculta

Filme de terror do irlandês Damian McCarthy, sobre um autor de livros deste género que vai ao hotel no interior da Irlanda onde os falecidos pais passaram a lua-de-mel muitas décadas antes, para lá espalhar as cinzas deles, e descobre que o edifício é assombrado.

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Duas Vezes João Liberada

Uma actriz que protagoniza um filme sobre Liberada, uma mulher perseguida pela Inquisição no século XVIII, entra em conflito com o realizador sobre a forma como o legado da personagem deve ser tratado. Realização de Paula Tomás Marques.

Por Mais um Dia

Filme de e com Miguel Babo, em que um conjunto de personagens atravessa momentos de ruptura, em que nada é o que parece ser.

Filmes em cartaz esta semana

  • Filmes
  • 4/5 estrelas
  • Recomendado

O novo filme do cineasta ucraniano Sergei Loznitsa passa-se na União Soviética, em 1937. Estamos no auge das purgas estalinistas e Kornyev, um jovem e recém-nomeado procurador de província recebe, por puro milagre, uma carta de um prisioneiro falsamente acusado que não foi destruída pelos agentes da NKVD. Bolchevique convicto e íntegro, o jovem procurador consegue falar com o prisioneiro, que foi maltratado e torturado. A sua busca por justiça levá-lo-à até ao gabinete do procurador-geral em Moscovo. Esta jornada por dentro da máquina trituradora do totalitarismo na era de Estaline levará Kornyev a aperceber-se da perversidade desumana intrínseca ao regime. Mas só tarde demais o idealista que se dirigiu atrevida e ingenuamente ao coração do poder em busca de justiça, vai entender que esta não existe tal como ele a concebeu.

Sergei Loznitsa prossegue aqui a sua meticulosa e arrepiante exploração do tema do funcionamento da justiça soviética no tempo do comunismo que encontramos nalgumas das suas fitas anteriores, juntando agora a abordagem ficcional à documental.

  • Filmes
  • Ficção científica

Steven Spielberg ambienta O Dia da Revelação num mundo à beira da II Guerra Mundial e onde um perito em cibersegurança e génio da matemática quer revelar um segredo sobre vida extraterrestre e visitas de alienígenas à Terra que roubou a empresa ultra-secreta em que trabalhava, e que pode mudar para sempre o destino da humanidade. O enredo envolve também o director daquela empresa, que quer capturar o seu ex-funcionário dê por onde der, e uma apresentadora de meteorologia da televisão, que descobre ter dotes aparentemente sobrenaturais. Com Josh O’Connor, Emily Blunt e Colin Firth.

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  • Filmes
  • Fantasia
  • Recomendado

Continuação do filme de 1987 que tinha Dolph Lundgren no papel de He-Man, o homem mais poderoso do universo, e que aqui é substituído por Nicholas Galitzine. Quinze anos depois, a Espada do Poder conduz o príncipe Adam de volta a um planeta Eternia devastado por Skeletor. Também com Jared Leto, Idris Elba, Camila Mendes e Morena Baccarin.

  • Filmes
  • Comédia

O novo título da série satírica Scary Movie traz de volta Anna Faris, Marlon Wayans, Shawn Wayans, Regina Hall e muitos outros, para mais um gozo pegado (e com os inevitáveis gags de deliberado mau gosto) ao cinema de terror e aos seus reboots, remakes, prequels, spin-offs e outros. 

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  • Filmes
  • Terror
  • 3/5 estrelas
  • Recomendado

Kane Parsons transpõe para o cinema, num filme de longa-metragem e com produção da A24, o fenómeno de terror que criou na Internet – baseado numa creepypasta que se tornou viral há alguns anos –, numa série de curtas-metragens, que por esta altura somam já quase três horas de duração e podem ser vistas no YouTube.

Um arquitecto falhado (Chiwetel Ejiofor) que dirige uma loja de mobiliário falida onde mora  por se ter separado da mulher, descobre, na cave daquela uma entrada para o universo paralelo dos backrooms, uma sucessão aparentemente infindável de salas (vazias ou não), e pelas quais vagueia uma presença inquietante. Também com Renate Reinsve no papel da psiquiatra do arquitecto, que o segue na exploração da dimensão paralela descoberta. Parsons dá mais nexo, consistência narrativa e uma explicação mais clara ao inquietante e labiríntico universo das suas curtas, embora à custa da perda de algum do mistério e do denso clima de suspense existente nestas.

Leibniz – Crónica de Uma Pintura Perdida

Autor da monumental saga Heimat, Edgar Reitz assina, aos 94 anos, e em parceria com Anatol Schuster, esta fita em que o filósofo e matemático Leibniz conversa sobre arte, filosofia, Deus e a vida com a jovem pintora holandesa Aaltje van der Meer, enquanto esta o retrata para a rainha Carlota da Prússia, que foi pupila do pensador e tem uma enorme admiração por ele. Interpretações de Edgar Selge, Anne Schwartz, Antonia Bill e Barbara Sukowa.

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  • Filmes

José Filipe Costa recria, entre o realista e o surreal, os tempos que Salazar (Jorge Mota) passou em São Bento após ter caído da cadeira e tido um AVC, desconhecendo, até morrer, que já não era presidente do Conselho. Todos os que o rodeavam e visitavam ainda se comportavam como se assim fosse.

  • Filmes
  • 3/5 estrelas
  • Recomendado

Em vez de uma nova temporada da série The Mandalorian, a Disney optou, devido à greve de argumentistas e actores de Hollywood de 2023, por fazer um filme de longa-metragem com as personagens do Mandalorian (Pedro Pascal) e do seu aprendiz Grogu, entregando a realização a Jon Favreau.

Em Star Wars: The Mandalorian and Grogu, a Nova República recorre aos serviços de Din Djarin, o Mandalorian, e do pequeno Grogu, a seguir à queda do Império Galáctico e numa altura em que alguns senhores da guerra imperiais restantes ameaçam a galáxia. A missão: capturar um destes e salvar um dos membros da cruel e traiçoeira família Hutt, que ele tem em cativeiro.

Star Wars: The Mandalorian and Grogu, é, basicamente, uma combinação de elementos e situações de alguns episódios da série de streaming, e o resultado é uma movimentadíssima space opera sem outras pretensões do que a de entreter durante um par de horas – e felizmente livre das arengas pseudo-místicas de outros filmes ou séries da saga Star Wars.

Sigourney Weaver aparece no papel de uma oficial da Nova República e Martin Scorsese tem uma breve participação, dando a voz a uma criatura de características simiescas que tem uma rulote de comida e fala pelos cotovelos.

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  • Filmes
  • Drama
  • Recomendado

Realizado por Saeed Roustayi, autor de A Lei de Teerão e Leila e os Irmãos, Uma Mãe e o Seu Filho põe em cena uma enfermeira de 40 anos, viúva e com um filho adolescente problemático e uma filha mais pequena, que vê o noivo, um paramédico, trocá-la pela sua irmã mais nova. É então que se dá um trágico acidente envolvendo o rapaz, que pouco antes tinha sido expulso da escola.

  • Filmes
  • Suspense
  • 3/5 estrelas
  • Recomendado

George Fahmy (Fares Fares), o protagonista de As Águias da República, de Tarik Saleh, é o mais popular actor do Egipto, de tal forma que é conhecido como “O Faraó do ecrã”. Fahmy tem tudo: fama, fortuna, privilégios de “estrela”, a admiração do país em peso, dos mais humildes aos mais poderosos, um agente que lhe faz todas as vontades, um apartamento luxuoso, uma namorada, também actriz, bastante mais nova do que ele, e controlo absoluto sobre os filmes que faz. Mas nem tudo são rosas na sua vida. Fahmy está divorciado da mulher, que vive com o filho adolescente de ambos, para o qual tem muito pouco tempo, o que tenta compensar dando-lhe presentes caros e vistosos, como o relógio que acaba de comprar para lhe oferecer nos anos.

O actor acabou de rodar mais um filme e, juntamente com o realizador, está a tentar fazê-lo passar pelos censores (todos mulheres, e muito sisudas e exigentes) sem ser preciso cortar nem refilmar nada, e já a preparar a próxima produção. Uma noite, quando está num bar com a namorada, um pequeno grupo de pessoas de aspecto sofisticado interroga-o sobre o seu patriotismo e a sua lealdade ao Presidente da República, Abdel al-Sisi. Fahmi, que é cristão copta e não muçulmano, responde com humor e sarcasmo, pensando tratar-se apenas de uma brincadeira de mau gosto, e vai-se embora.

A partir daí, tudo muda na sua vida. É retirado do filme que ia protagonizar e substituído por um actor de menor valia, a sua imponente caravana é removida do estúdio e o seu agente diz-lhe que os militares o contactaram e querem que ele interprete el-Sisi numa superprodução patriótica. Fahmy responde que nem pensar. Não só ele e o presidente não têm a menor parecença como também a sua fé não é a islâmica, e nunca aceitaria participar num filme desse teor. As coisas pioram a partir daí. Começa a ser seguido, percebe que o seu apartamento está sob escuta, homens armados com ar de polícias secretos dizem-lhe que o filho pode sofrer graves consequências da sua recusa, e a sua colega e amiga Rula Haddad é, primeiro, pressionada num programa de televisão a dizer mal dele, e depois privada de papéis, ao ponto de ter que lhe ir pedir auxílio e dinheiro. 

Fahmy tem então que aceitar o papel, assim como um convite, feito durante um jantar em casa do ministro da Defesa, para discursar perante el-Sisi nas comemorações do Dia das Forças Armadas. É nesse jantar que um dos civis presentes lhe diz serem os poucos e selectos convidados conhecidos como As Águias da República. Eles são o garante da segurança, da paz e da prosperidade do Egipto, e têm poder para fazer tudo o que lhes apeteça. Fahmy aproveita então para interceder pela sua colega Rula, e pelo filho de um vizinho, um estudante universitário que foi preso num protesto. Entretanto, a tensão e os conflitos no set do filme são cada vez mais e maiores, e Fahmy só muito tarde, quando se vir no meio de uma sangrenta tentativa de golpe de Estado, vai perceber como foi manipulado e como a sua vida, e a dos seus, pouco ou nada vale para os seus manipuladores.

As Águias da República é o terceiro filme da Trilogia do Cairo assinada por Tarik Saleh, nascido na Suécia de pais imigrantes egípcios. Juntamente com os dois anteriores, The Nile Hilton Incident, de 2017 (nunca exibido em Portugal) e A Conspiração do Cairo, de 2022, formam um quadro amplo da corrupção no Egipto (da polícia e dos militares, até à hierarquia religiosa e aos serviços secretos) e do imenso poder da oligarquia militar e dos seus apêndices civis que o governam, cuja influência abrange a vida económica do país e mesmo a indústria cinematográfica e do entretenimento. É um regime autoritário e cleptocrático em vigor no país desde o golpe de 2013, quando a tropa depôs o recém-eleito Presidente Mohamed Morsi e esmagou a perigosa e radical Irmandade Muçulmana, com a qual este tinha ligações.

Parte thriller de suspense tradicional, parte filme de intervenção política na linha de um Costa-Gavras, As Águias da República foi, tal com os outros dois títulos da trilogia, rodado na Turquia, tendo também sido usadas imagens documentais de arquivos e alguns planos feitos clandestinamente no Cairo. Tarik Saleh vive na Suécia mas é persona non grata no Egipto desde 2017, quando ia começar a filmar The Nile Hilton Incident, estando proibido de lá regressar. Fares Fares, o principal intérprete, e actor preferido e grande amigo de Saleh, libanês naturalizado sueco, também não é bem-vindo no Egipto. Tal como as outras duas fitas da Trilogia do Cairo, também As Águias da República mostra que é possível fazer cinema politicamente comprometido e entreter o público ao mesmo tempo – e sem abdicar da componente comercial.

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  • Filmes
  • Comédia
  • 3/5 estrelas
  • Recomendado

Vinte anos depois do primeiro filme, Meryl Streep e Anne Hathaway estão de regresso aos papéis de Miranda e Andy, tal como Stanley Tucci ao de Nigel. Emily (Emily Blunt), a antiga assistente de Miranda, é agora a influente executiva de uma grande marca de produtos de luxo, o tipo de anunciante que Miranda precisa para salvar a Runway, a prestigiada revista que dirige e que está em declínio de tiragens, vendas e influência, e sob o efeito negativo de um artigo desleixado que desencadeou uma onda de críticas e de troça nas redes sociais. Entra então em cena Andy, agora uma jornalista de renome, nomeada editora de reportagens pelo proprietário, para ajudar a melhorar a situação e a imagem da publicação.

O realizador David Frankel e a argumentista Aline Brosh McKenna conseguem um filme melhor do que o original, mantendo o registo de comédia sofisticada e satírica, e incorporando na história, mesmo que com ligeireza, o tema da crise dos media tradicionais, em especial da imprensa escrita, e do advento e crescente influência da internet, do digital e das redes sociais. Os actores, todos impecáveis, fazem o resto, e é uma delícia ver Meryl Streep divertir-se a interpretar uma Miranda que agora tem que pendurar ela o casaco quando chega à revista e que voar em Económica.

As Ovelhas Detectives

Comédia policial de Kyle Balda, um dos autores das animações de Os Mínimos e Gru, o Mal-Disposto, As Ovelhas Detectives baseia-se no primeiro dos dois livros da escritora policial alemã Leonie Swann, passados em Inglaterra, sobre um rebanho de ovelhas que investigam o assassinato do seu querido pastor. O filme mistura animação digital e ambientes e actores reais. Com Hugh Jackman, Emma Thompson, Patrick Stewart, Julia-Louis Dreyfus e Bryan Cranston.

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  • Filmes
  • 3/5 estrelas
  • Recomendado

Comédia satírica do realizador iraniano Ali Asgari, centrada num cineasta e na sua produtora que, após não conseguirem a obrigatória autorização das autoridades culturais para estrearem o seu novo filme, dado que é falado em turco e não em farsi, vão tentar exibi-lo sem terem a licença oficial. Um risco para eles, bem como para quem aceder a ajudá-los. E não vai ser nada fácil concretizar este plano. Pondo um colega realizador que já foi censurado e a sua sobrinha, uma jovem actriz que está proibida de trabalhar há alguns anos pelo Ministério da Cultura, mas não fez caso desta interdição, nos papéis principais de Divina Comédia, Ali Asgari assina um filme sobre os constrangimentos, a estupidez gritante e os absurdos da burocracia e da censura no Irão, ao mesmo tempo que pisca o olho ao cinema de realizadores como Woody Allen ou Nanni Moretti.

  • Filmes
  • Drama
  • 4/5 estrelas
  • Recomendado

Toni Servillo volta a ser o principal intérprete do novo filme de Paolo Sorrentino, interpretando Mariano De Santis, um Presidente da República italiano fictício, um viúvo conservador, católico e muito consciencioso, e estimado e admirado pela população e pelos seus colaboradores. De Santis está a seis meses de acabar o mandato e tem de tomar duas grandes decisões antes de ir para casa. Promulgar ou vetar uma lei da eutanásia, e conceder ou não perdões a um homem e uma mulher que mataram os respectivos cônjuges. Ao mesmo tempo, atormenta-se diariamente por não saber com quem a falecida mulher, que adorava, o traiu. Desconfia do seu amigo mais antigo que é ministro do actual governo, e a sua melhor amiga e da mulher, sabe quem é, mas jurou a esta nunca lho dizer.

Com contenção, sobriedade, um conhecimento profundo da natureza humana e um superior sentido da composição cinematográfica, Paolo Sorrentino assina um filme sobre os dilemas morais e éticos de um homem que sempre se guiou pela sua consciência e se sente desconfortável a tomar decisões socialmente fracturantes, que é também uma meditação sobre o peso e a solidão do poder, sobretudo em momentos determinantes e dramáticos da vida política. Toni Servillo tem mais uma interpretação notável no papel de De Santis, dizendo quase tudo o que é preciso com um olhar, uma expressão, uma postura, uma frase seca e curta.

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Michael

Jaafar Jackson, sobrinho de Michael Jackson, interpreta o tio nesta fita biográfica assinada por Antoine Fuqua (Dia de Treino), fazendo também a sua estreia no cinema. A história acompanha a carreira do malogrado “Rei da Pop” desde que fazia parte dos Jackson 5 com os irmãos, até aos anos 80, quando se transformou numa estrela planetária. Michael custou 155 milhões de dólares, é produzido e controlado pela família e por próximos do músico e cantor, e inclui 30 canções do catálogo musical de Michael Jackson. Colman Domingo, Nia Long e Miles Teller constam também do elenco.

  • Filmes
  • 3/5 estrelas
  • Recomendado

Com narração de Jane Fonda, Lisa Azuelos e Thierry Teston contam-nos tudo sobre uma das canções mais célebres, mais carismáticas, com mais versões e mais cantadas do planeta, “nascida” em França nos anos 60 com o título “Comme d’habitude” e co-assinada cantada e gravada por Claude François, comprada e trazida para os EUA por Paul Anka, que a retrabalhou, deu-lhe um novo título e a passou a Frank Sinatra, que a popularizou mundialmente e a tornou no seu hino pessoal, apesar de ter acabado por se fartar dela. Mas há muito mais para dizer sobre “My Way”, e Azuelos e Teston conseguem esgotar o tema, tocando até nalguns aspectos insólitos em redor da canção, caso da remota associação de David Bowie com ela ou dos tiroteios mortais nos clubes de karaoke das Filipinas.

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  • Filmes
  • 4/5 estrelas
  • Recomendado

Vencedor do Festival de San Sebastián e de cinco Goyas, este drama da cineasta espanhola Alauda Ruiz de Azúa centra-se em Ainara (Blanca Soroa), uma jovem de 17 anos que perdeu a mãe precocemente e vive em Bilbau com o pai, dono de um restaurante, e com as duas irmãs mais novas. Há ainda a avó, e a tia, irmã do pai, que trata a sobrinha mais velha como uma filha, e é casada com um argentino, do qual tem um rapazinho. Ainara espalha a confusão e a apreensão na família quando anuncia que quer ser freira e professar numa ordem de clausura logo que acabar o secundário. A tia, muito em especial, pelo amor que nutre a Ainara mas também por ser anti-clerical, é quem encara com mais revolta e temor a decisão da rapariga.

Magnificamente escrito, serenamente filmado e muito bem interpretado por todo o elenco, principal e secundário, Os Domingos é um filme exemplar de objectividade e honestidade intelectual, ao tratar um tema tão delicado e controverso como este, com justeza, equilíbrio e atenção aos argumentos e pontos de vista das partes envolvidas, sem o menor viés ou qualquer suspeita de proselitismo, pró ou anti-religioso. Blanca Soroa é notável na jovem, tranquila e convicta Ainara, que tem toda a certeza da sua vocação, e de ter sido chamada a ela por um poder maior e indizível, que não consegue explicar aos seus mais próximos, que temem por ela porque a amam muito. Tanto como o amor que ela sente por Cristo, a quem vai entregar a sua vida no convento. Filme singular, a contrapelo dos tempos que correm, Os Domingos é, desde já, uma das melhores estreias deste ano.

O Drama

Comédia negra filmada nos EUA pelo norueguês Kristofer Brogli (Sick of Myself, O Homem dos Teus Sonhos), com Robert Pattinson e Zendaya. Charlie (Pattinson) e Emma (Zendaya) vão-se casar, mas durante um jantar com a sua dama de honor e o marido, a rapariga revela um segredo do tempo do liceu que nunca contou a ninguém, e tudo muda em seu redor.

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  • Filmes
  • Ficção científica
  • 4/5 estrelas
  • Recomendado

É num livro de Andy Weir, o autor de O Marciano (filmado por Ridley Scott) que se baseia Projecto Hail Mary, realizado pela dupla Phil Lord e Christopher Miller (O Filme Lego). O herói é Ryland Grace (Ryan Gosling), um professor de Ciências e que acorda numa nave espacial e constata que não só está perdido no cosmos, como também perdeu a memória e os outros dois tripulantes morreram durante o hipersono. Não se recorda de quem é, da razão por que está naquela nave ou da missão que tem que desempenhar.

Em vez de perder a cabeça de vez, Ryland consegue manter a calma, concentrar-se e procurar pistas que o esclareçam, e pouco a pouco vai-se lembrando de tudo. É o único sobrevivente de uma tripulação que foi enviada ao sistema de Tau Ceti para procurar uma solução para um acontecimento catastrófico que se deu na Terra, e que ameaça a sobrevivência da humanidade: umas estranhas partículas, os Astrofagos, estão a “comer” a luz do Sol e o nosso planeta tem 30 anos antes de mergulhar na escuridão e numa era glaciar permanentes.

Para se manter vivo e conseguir cumprir a sua missão, Ryland vai ter que confiar nos seus vastos conhecimentos científicos, no seu engenho e na vontade humana. Mas ao contrário do que pensa, a sua busca por respostas para resolver ao que se passa na Terra não será solitária, já que contará com uma ajuda completamente inesperada. Ela virá de um extraterrestre chamado Rocky, uma espécie de cruzamento de uma rocha com um aracnídeo, também ele único sobrevivente da sua nave e cujo sol do seu planeta está igualmente sob a mesma ameaça do da Terra. E Ryland e Rocky vão primeiro ter que conceber uma forma de comunicar antes de começar a colaborar, bem como de ultrapassar o problema de viverem em atmosferas diferentes.

Épico de aventuras cósmicas, buddy movie em que um humano e um alienígena se tornam os mais improváveis dos amigos, comédia dramática interestelar e filme de suspense da modalidade “Planetas em perigo”, Projecto Hail Mary é um dos melhores filmes de ficção científica sobre o tema do “primeiro contacto” dos últimos tempos, deixando uma mensagem positiva e optimista sobre o papel da ciência e da tecnologia na resolução de problemas graves, e a possibilidade de humanos e extraterrestres travarem amizade e se entenderem e trabalharem em conjunto para o bem de ambas as espécies.

Ryan Gosling é mesmo muito bom no atarantado mas inteligente e expedito Grace, e Rocky, uma criatura animatrónica em cuja criação e manipulação estiveram envolvidos o veterano e oscarizado técnico Neal Scanlon, e o premiado bonecreiro e actor James Ortiz, resulta perfeitamente como personagem credível e a sua empatia com os espectadores é igual à que estabelece com o seu amigo humano. A não perder.  

Filmes em estreia no streaming

A Mão de Dante

Al Pacino, Oscar Isaac, John Malkovich e Gerard Butler interpretam esta fita de Julian Schnabel baseada num livro de Nick Tosches, em que um escritor vai confirmar, para um chefe da Máfia, a autenticidade de um manuscrito de A Divina Comédia, de Dante. Uma linha narrativa paralela passada no século XIV acompanha o poeta enquanto ele cria a sua obra-prima.

Netflix. Estreia a 24 de Junho

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