Palestina 36
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Os filmes em cartaz esta semana, de ‘Projecto Hail Mary’ a ‘Palestina 36’

As estreias de cinema, os filmes em exibição e os novos filmes para ver em streaming, incluindo ‘Saltitões’, ‘O Monte dos Vendavais’ ou ‘Marty Supreme’.

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Tanto cinema, tão pouco tempo. Há filmes em cartaz para todos os gostos e de todos os feitios. Das estreias em cinema aos títulos que, semana após semana, continuam a fazer carreira nas salas. O que encontra abaixo é uma selecção dos filmes que pode ver no escurinho do cinema, que isto não dá para tudo. Há que fazer escolhas e assumi-las (coisa que fazemos, com mais profundidade nas críticas que pode ler mais abaixo nesta lista). Nas semanas em que há estreias importantes de longas-metragens no streaming, também é aqui que as encontra. Bons filmes.

Recomendado: Os melhores filmes de 2025

Filmes em estreia esta semana

Projecto Hail Mary

Filme de ficção científica de Paul Lord e Christopher Miller, baseado no livro de Andrew Weir e que tem como herói um astronauta, Ryland Grace (Ryan Gosling), que acorda numa nave espacial sem qualquer memória do seu passado ou da sua missão. Aos poucos, ele descobre que é a derradeira esperança da humanidade, tendo sido enviado ao sistema solar de Tau Ceti em busca de uma solução para um acontecimento catastrófico que se deu na Terra, e vai ter que confiar nos seus conhecimentos científicos, no seu engenho e na vontade humana – mas pode não ter de o fazer sozinho.

+ ‘Projecto Hail Mary’: perdido no espaço e sem memória

Palestina 36

Nomeado ao Óscar de Melhor Filme Internacional e realizado pela palestiniana Annemarie Jacir, Palestina 36 recua até 1936 para recriar a Revolta Árabe na Palestina contra a tutela britânica e os seus métodos repressivos, e o enorme afluxo à região de refugiados judeus vindos da Europa. Com Jeremy Irons, Hiam Abbass, Liam Cunningham e Robert Aramayo.

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O Último Padrinho

Toni Servillo e Elio Germano são os principais intérpretes desta fita de Fabio Grassadonia e Antonio Piazza, em que um antigo político e autarca siciliano corrupto sai da cadeia e é levado pelos serviços secretos italianos a ajudar a encontrar e capturar o seu afilhado, o último grande chefe mafioso ainda livre, e que está escondido algures na ilha.

Boa Sorte, Diverte-te, Não Morras

Um homem que diz ser do futuro irrompe por um restaurante com uma bomba colada ao corpo. Quer recrutar um grupo de clientes para o ajudarem a impedir um apocalipse causado pela Inteligência Artificial. Gore Verbinski realiza esta comédia de ficção científica, com Sam Rockwell, Juno Temple, Michael Peña e Zazie Beetz.

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O Massacre de Gilles de Rais

Filme escrito e realizado por Juan Branco, filho do produtor Paulo Branco. Um jovem casal isolado do mundo descobre a história do julgamento e morte de Gilles de Rais, cinco séculos depois de ter acontecido, e decide recriar o processo.

A Pequena Amélie

Concorrente ao Óscar de Melhor Longa-Metragem de Animação, esta fita franco-belga baseia-se nas recordações de infância da escritora Amélie Nothomb, quando vivia no Japão com a família e tinha uma ama nipónica.

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Riefenstahl

Novo documentário, de Andres Veiel, sobre a realizadora de O Triunfo da Vontade e Os Deuses do Estádio, que pretende explorar as ligações desta ao regime nazi.

Histórias do Vale Bom

Documentário de José Luis Guerin sobre um bairro periférico de Barcelona que aglomera casas antigas clandestinas e legais mais recentes, espanhóis e gente de várias partes do mundo.

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Bulakna

Filme documental de Leonor Noivo sobre as mulheres filipinas que vão, aos milhares, trabalhar como empregadas domésticas e cuidadoras em países estrangeiros.

Filmes em cartaz esta semana

  • Filmes
  • Suspense
  • 3/5 estrelas
  • Recomendado

Quem é Vladimir Putin? Como é que ele apareceu na paisagem política da Rússia após o fim do comunismo? Quem é que o ajudou na sua ascensão ao poder e a instalar-se no Kremlin? Foi para responder a perguntas como esta que o consultor político e escritor italo-suíço Giuliano da Empoli assinou O Mago do Kremlin, uma obra de ficção com alicerces na realidade, publicada em 2022, pouco antes do início da guerra na Ucrânia. O narrador, um investigador que foi à Rússia em trabalho, é contactado, em Moscovo, por Vadim Baranov, antigo encenador de teatro e produtor de reality shows, que ajudou a levar Vladimir Putin ao poder e se tornou na sua “eminência parda” e homem de total confiança, antes de se retirar da vida política activa.

Baranov, cuja figura é inspirada muito livremente por Vladislav Surkov, um publicitário, homem de negócios e político, e durante muitos anos o principal conselheiro político de Putin, conta então toda a sua vida antes de entrar nos bastidores do poder e se tornar unha com carne com Putin. O que abrange cerca de três décadas da história recente da Rússia, começando nos anos 90, no pós-comunismo, abrangendo a Perestroika, a presidência de Boris Ieltsin, o advento dos oligarcas e o ambiente de total liberdade e de euforia social e artístico-cultural, mas também de violência e de caos político, e de desastre económico eminente vivido na Rússia de então.

Segue-se o aparecimento de Vladimir Putin, um homem do FSB (o organismo sucessor do KGB), escolhido pelo oligarca Boris Berezovsky (na altura o patrão de Baranov) e seus próximos como candidato a primeiro-ministro, e a sua subsequente eleição como Presidente, a anulação do poder dos oligarcas e a consolidação daquele no Kremlin, qual “novo Czar”. A guerra na Chechénia, o desastre do submarino nuclear Kursk e o sucesso mediático e de propaganda dos Jogos Olímpicos de Inverno de Sochi são alguns dos grandes acontecimentos dessa época também referidos por Baranov. Segundo este explica ao seu interlocutor a certa altura da sua conversa, o poder “é uma forma de expressão artística”.

O Mago do Kremlin era um livro actual e suculento demais para não ser adaptado ao cinema, e quem ganhou a corrida aos direitos foi o realizador francês Olivier Assayas, que os adquiriu em 2024 e começou de imediato a trabalhar no guião do filme, juntamente com o escritor e realizador Emmanuel Carrère, conhecedor da história e da cultura da Rússia, tendo Giuliano da Empoli como consultor. Para Assayas, o grande interesse do livro reside “na forma como nos fala do poder a partir do seu interior, e dos mecanismos do seu funcionamento”, neste caso específico, do poder na Rússia tal como Vladimir Putin o personifica, domina e dirige – através de uma pessoa que o conheceu por dentro, até ao mais pequeno pormenor, e aconselhou e privou com o seu maior e mais carismático representante –, e não visto e analisado de fora.

Assayas teve que escolher um elenco essencialmente anglo-saxónico, com um actor de língua inglesa e de primeiro plano a interpretar Vladimir Putin, ou então não teria conseguido o financiamento para rodar O Mago do Kremlin. Assim, Jude Law é Putin e o americano Paul Dano personifica Baranov. O interlocutor deste é agora um americano chamado Rowland (Jeffrey Wright). Ksenia, a grande paixão da vida de Baranov, e mãe da sua filha, é vivida por Alicia Vikander, e os oligarcas Boris Berezovsky e Dmitri Sidorov ficaram a caso dos britânicos Will Keen e Tom Sturridge, respectivamente. A Lituânia faz as vezes da Rússia no filme, por ser o país que, segundo o realizador, melhor passa visualmente por aquela. 

Entre outras alterações mais ou menos significativas feitas por Olivier Assayas e Emmanuel Carrère à narrativa de Giuliano da Empoli, o final do filme é (e de forma controversa) diferente do do livro. O que muda pouco e continua muito bem claro na fita, é a figura semi-maquiavélica de Sourkov/Baranov, e o seu singular percurso, de jovem encenador de teatro de vanguarda e frequentador dos meios culturais underground russos na década de 90, a homem forte de uma televisão privada detida por um dos mais ricos e influentes oligarcas, e finalmente a figura central da propaganda e da máquina de poder do Kremlin, e “homem na sombra” de Vladimir Putin, consultor e confiante deste, e ainda principal criador da sua imagem pública. 

Neto de um aristocrata anti-comunista e filho de um dignitário cultural da antiga URSS, intelectual e homem do terreno, simultaneamente testemunha e actor, observador lúcido e protagonista empenhado, com as mãos todas metidas na massa da política (ao mais alto nível como ao mais rasteiro) mas também dotado de muita capacidade de recuo para analisar os seus actos e os efeitos que têm, bem como reflectir sobre o seu comportamento e o de todos que gravitam em seu redor, Vadim Baranov é, mais do que Vladimir Putin, a figura mais complexa, fascinante e intrigante de O Mago do Kremlin.

  • Filmes
  • 4/5 estrelas
  • Recomendado

Na sua origem, Kill Bill era para ser um só filme com quatro horas de duração, tal como Quentin Tarantino o havia pensado. Por razões comerciais, alguma pressão do produtor e porque Tarantino queria ter mais tempo disponível para trabalhar naquele que seria o segundo filme, foi lançado em duas partes e o realizador apenas passou a versão de quatro horas (que teve estreia mundial no Festival de Cannes de 2006, fora de competição) em visionamentos privados, para amigos e gente da indústria cinematográfica, com uma breve estreia comercial na sala de cinema de que é dono em Los Angeles. Ei-la agora enfim nos cinemas, combinando os Volumes 1 e 2, com cenas eliminadas na montagem e planos alternativos, uma remasterização da luta dos Crazy 88 com a Noiva de Uma Thurman, um acrescento à sequência de anime e uma nova curta-metragem de 10 minutos, feita em 2025. Total: 4 horas e 35 minutos de filme, com intervalo incluído.

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O Estrangeiro

Depois da versão de 1967 assinada por Luchino Visconti e interpretada por Marcello Mastroianni e Anna Karina, é agora a vez de François Ozon adaptar ao cinema o célebre livro de Albert Camus passado na Argélia, com Benjamin Voisin no papel de Mersault, um modesto e lacónico amanuense de trinta e poucos anos. Ele vai ver a sua rotina quotidiana perturbada pela morte da mãe, e por um encontro fatídico numa praia. Também com Rebecca Marder, Pierre Lotin e Denis Lavant.

  • Filmes
  • Animação
  • 3/5 estrelas
  • Recomendado

A nova animação da Pixar/Disney põe em cena Tamara, uma rapariga de 19 anos que adora animais, em especial castores, e que aproveita uma nova tecnologia que transfere a mente humana para animais robóticos, para incarnar num castor e ir avisar aqueles que vivem perto da sua cidade que uma nova obra da Câmara Municipal ameaça destruir o seu habitat. Só que o alarme vai causar uma insurreição em todos os animais da zona, que ameaça os humanos, e muito em especial o velhaco presidente da Câmara. O antropomorfismo sempre deu bons resultados para a Disney, e o mesmo se pode dizer para a Pixar em Saltitões, uma animadíssima e muito bem-disposta comédia passada no reino animal (com alguns gags cinéfilos lá pelo meio, caso de um que remete para Tubarão, de Steven Spielberg), que veicula uma simpática (e nunca intrometida) mensagem em prol da conservação da natureza. E que pode ser apreciada igualmente por miúdos e crescidos.

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A Noiva!

Jessie Buckley interpreta uma nova incarnação da Noiva de Frankenstein nesta segunda realização de Maggie Gyllenhaal. Um monstro de Frankenstein solitário (Christian Bale) viaja para a Chicago dos anos 30 e pede a uma cientista revolucionária (Annette Bening) que lhe crie uma companheira. Os dois voltam a dar vida a uma jovem ligada ao mundo do crime da cidade e que morreu acidentalmente, mas a criatura tem um comportamento em tudo inesperado e vai semear o caos por toda a parte. O elenco inclui ainda Penélope Cruz, Jake Gyllenhaal e Peter Sarsgaard.

Mr. Nobody Contra Putin

Candidato ao Óscar de Melhor Documentário de Longa-Metragem, este trabalho de Pavel Talankin e David Bornstein documenta a oposição do primeiro, quando era videógrafo e coordenador de eventos na escola da cidade dos Urais em que nasceu, à invasão da Ucrânia pela Rússia e à implementação naquela de um programa para instilar patriotismo e militarismo nos alunos.

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  • Filmes
  • Drama
  • 4/5 estrelas
  • Recomendado

Durante quase 25 anos, entre 1920 e 1942, o compositor Richard Rodgers e o letrista Lorenz Hart, amigos de juventude, assinaram em parceria 26 musicais da Broadway, incluindo clássicos como A Connecticut Yankee, Jumbo, Babes in Arms, Pal Joey ou By Jupiter, que incluem melodias que se tornaram clássicos absolutos do cancioneiro popular americano, como Blue Moon, The Lady is a Tramp ou My Funny Valentine, entre muitas outras. E que transcenderam os enredos e o palco para que foram compostas originalmente, passando a ser entoadas por crooners e cantoras, e a conhecer versões de jazz e mesmo interpretações pop/rock. 

Em 1943, e devido ao alcoolismo de Lorenz Hart, juntamente com o choque que este sofreu com a morte da mãe (com a qual sempre viveu), a parceria, uma das de maior sucesso do século XX na área da música, desfez-se. Richard Rodgers virou-se então para Oscar Hammerstein, com o qual trabalharia, também com imenso sucesso, até 1960, data da morte deste. Hart, cuja condição psicológica vinha a deteriorar-se, acabaria por morrer a 22 de Novembro de 1943, de pneumonia. Tinha só 48 anos. Ainda assistiu à estreia de Oklahoma!, o primeiro musical de Rodgers e Hammerstein, e colaboraria uma derradeira vez com o seu velho amigo e parceiro, numa nova versão de A Connecticut Yankee, para a qual escreveu as letras de várias canções.

O filme Blue Moon, de Richard Linklater, escrito por Robert Kaplow e com Ethan Hawke no papel de Lorenz Hart, passa-se precisamente na noite da estreia de Oklahoma! na Broadway, a 31 de Março de 1943, e quase todo no célebre restaurante Sardi’s. É lá que um Hart amargurado, frustrado e cheio de ciúmes de Oscar Hammerstein, e que saiu de Oklahoma! antes do final, espera pela festa pós-estreia, para fingir que adorou o musical e cumprimentar os seus autores – e tentar convencer Rodgers a trabalharem numa nova e atrevida obra que ele concebeu, uma versão satírica da vida de Marco Polo. O letrista aguarda também pela sua protegida e grande paixão Elizabeth Weiland, então estudante universitária, e futura cenógrafa, para lhe declarar o seu amor (Hart seria, segundo alguns, um homossexual recatado e um voyeur; segundo outros, seria bissexual, e sofreria de bipolaridade).

Enquanto o espectáculo não acaba e as pessoas não chegam, Hart conversa jocosamente com o seu amigo Eddie, o barman do hotel, e com um jovem soldado que ali está a tocar piano e ao qual dá alguns conselhos sobre o mundo do espectáculo; e mais seriamente com o escritor E.B. White, que por coincidência também lá se encontra a beber e a alinhavar notas para um novo livro. E apesar de criticar (com muita dor de cotovelo) Oklahoma!, que classifica de emocionalmente superficial e saloio, e sobretudo as letras de Hammerstein, que considera serem pirosas, Hart está todo roído por dentro, porque percebeu de imediato que o musical vai ser um gigantesco sucesso. E o seu nome não está lá ao lado do de Rodgers como autor. 

Num pormenor divertido, Kaplow e Linklater fazem Oscar Hammerstein aparecer acompanhado por um miúdo muito senhor do seu nariz e que parece saber tudo sobre musicais, a que aquele chama Stevie – e que não é senão Stephen Sondheim, futuro gigante da Broadway e renovador do teatro musical norte-americano. Sondheim era amigo do filho de Hammerstein, que ao descobrir o precoce talento do rapaz, se tornou no seu mentor artístico, e no seu pai substituto, já que o pai biológico do pequeno Stevie o tinha abandonado e à mãe. E se para Rodgers e Hammerstein a noite se revelará de triunfo e de críticas elogiosíssimas nos jornais, ela será duplamente triste e dolorosa para Lorenz Hart, porque à profunda decepção profissional que já sente irá juntar-se uma enorme desilusão romântica. Não é exagero escrevermos que em Blue Moon, Richard Linklater e Robert Kaplow filmaram a noite mais trágica da vida de Hart.

O filme marca a 11.ª colaboração entre Linklater e Ethan Hawke, que esperaram mais de dez anos para o fazer, porque o realizador quis esperar que Hawke – que tem 55 anos – parecesse “velho o suficiente” para personificar Hart. Blue Moon foi rodado em apenas 15 dias num estúdio na Irlanda, e como Lorenz Hart era baixinho, Hawke foi “encolhido” digitalmente nalgumas cenas, e fez outras metido numa trincheira, para estar mais baixo do que a câmara e os outros actores. No elenco encontramos ainda Bobby Canavale, Margaret Qualley, Andrew Scott, Samuel Delaney e Patrick Kennedy. Além de Robert Kaplow na categoria de Argumento Original, Ethan Hawke está nomeado ao Óscar de Melhor Actor pela sua magnífica interpretação de Lorenz Hart. Num mundo perfeito, ganhá-lo-ia de olhos fechados.

Ainda Funciona?

Bradley Cooper realiza, é um dos argumentistas e tem um dos principais papéis de Ainda Funciona?, sobre um casal nova-iorquino, Alex (Will Arnett) e Tess (Laura Dern), cujo matrimónio se está a desfazer. Ele vai procurar um novo objectivo de vida nos clubes de comédia stand up, enquanto que ela reflecte sobre os sacrifícios que fez pela família, forçando-os a lidar com a parentalidade e a possibilidade de uma reconciliação.

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Crime em Directo

Gus Van Sant recria nesta fita os acontecimentos de um dia de Fevereiro de 1977, em Indianapolis, quando um cidadão chamado Tony Kiritsis sequestrou com uma caçadeira o vice-presidente de uma companhia de hipotecas e crédito, acusando-o e ao pai, o presidente, de o terem enganado num empréstimo e levado à falência. Com Bill Skarsgard, Dacre Montgomery, Al Pacino, Colman Domingo e Cary Elwes.

  • Filmes
  • 3/5 estrelas
  • Recomendado

Autor de alguns dos melhores filmes sul-coreanos dos últimos anos, caso de Em Nome da Vingança, Oldboy – Velho Amigo, Thirst – Este é o Meu Sangue ou A Criada, bem como da série de espionagem A Rapariga do Tambor, Park Chan-wook centra Sem Alternativa, a sua nova realização, em Man-su (um excelente Lee Byung-hun, de Squid Game), um homem que trabalha na indústria do papel, ficou desempregado e está a cair no desespero, porque a sua família vai perder o confortável estilo de vida que conseguiu atingir, bem como a moradia onde ele passou a infância e que conseguiu voltar a comprar, e melhorou e tornou mais acolhedora com as suas próprias mãos. Man-su descobre então a maneira de garantir uma possibilidade de trabalho que apareceu: eliminar os outros candidatos mais fortes ao lugar.

Sem Alternativa baseia-se em The Ax, um livro do americano Donald E. Westlake, já filmado por Costa-Gavras em 2005, em Golpe a Golpe, e é uma combinação de comédia muito negra, policial de recorte slapstick e sátira com alerta embutido a uma nova modalidade de capitalismo e a um mundo do trabalho em rápida alteração, no qual os robôs e a Inteligência Artificial estão a eliminar milhares e milhares de empregos. Chan-wook consegue manter tudo interligado e levar a azafamada história a bom e amoral termo, mesmo apesar de um enredo quebra-costas que se extravia aqui e ali, de alguma palha narrativa e de uns 15 minutos que podiam ter saltado na montagem.

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Se Eu Tivesse Pernas Dava-te um Pontapé

Rose Byrne ganhou o Prémio de Melhor Intérprete no Festival de Berlim e um Globo de Ouro, e está nomeada ao Óscar de Melhor Actriz pelo seu papel de Linda, uma terapeuta em crise e com uma filha doente, nesta comédia dramática negra escrita e realizada por Mary Bronstein, que também é uma das intérpretes, ao lado de Christian Slater e Conan O’Brien. Após uma sucessão de pequenos e grandes incidentes, Linda acaba por mergulhar num estado de frenesim e de pavor obsessivo, e até o seu próprio psicólogo a rejeita.

O Monte dos Vendavais

Jacob Elordi interpreta Heathcliff e Margot Robbie é Kathy em mais uma adaptação ao cinema do romance de Emily Bronte, sobre a história de amor arrebatada e destrutiva entre aquelas duas personagens, tendo como pano de fundo a paisagem agreste do Yorkshire. A realizadora Emerald Fennell assinou antes Uma Miúda com Potencial (2020) e Saltburn (2023). A primeira versão para cinema deste clássico data de 1920, e a primeira para televisão foi feita em 1953, para a BBC.

+ O Monte dos Vendavais: uma nova visão do amor de Cathy e Heathcliff

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A Voz de Hind Rajab

Grande Prémio do Júri no Festival de Veneza, The Voice of Hind Rajab é a dramatização de um episódio ocorrido em Gaza, a 24 de Janeiro de 2024. Hind Rajab, uma menina palestiniana de seis anos, ficou presa num carro debaixo de fogo, e ligou para o Crescente Vermelho a pedir ajuda. Continuando sempre a falar com ela, os voluntários desta organização tentaram tudo para conseguir mandar-lhe uma ambulância. A realizadora tunisina Kaouther Ben Hania usou aqui a gravação real da chamada.

  • Filmes
  • Drama
  • 3/5 estrelas
  • Recomendado

Timothée Chalamet ganhou o Globo de Ouro de Melhor Actor num Filme Dramático pela sua interpretação de Marty Mauser, um jovem tenista de mesa egocêntrico, ambicioso, ultra-manipulador e capaz de tudo (até mesmo de se humilhar publicamente) para chegar à fama e à fortuna, nesta segunda realização de Josh Safdie, e primeira sem a participação do seu irmão Benny, de quem se autonomizou em 2024.

O filme, nomeado para nove Óscares passa-se na Nova Iorque de 1952 e conta também com interpretações de Gwyneth Paltrow, Kevin O’Leary (sim, o empresário milionário do programa Shark Tank, no papel de… um empresário rico e implacável), Abel Ferrara, Fran Drescher e Odessa A’Zion, e se há uma coisa de que Marty Supreme não pode ser acusado, é de não ter enredo: tem, e para dar e vender. De tal forma, que sofre de overplotting, por vezes há demasiadas coisas a acontecer ao mesmo tempo ao protagonista (inspirado numa figura real do mundo do ténis de mesa dos EUA, e da Nova Iorque popular) e a fita, tão frenética como Marty, ameaça tombar na inverosimilhança e transformar-se num desenho animado em ambiente realista. Mas Safdie lá consegue que a vertigem visual e a aceleração narrativa não causem um descarrilamento de credibilidade, e Chalamet, que treinou longo tempo para não ser dobrado por um profissional nas sequências de jogos de ténis de mesa, mergulha tão profundamente na personagem de Marty, que se some nela.

Podemos sair exaustos de Marty Supreme, mas nunca indiferentes, gostemos ou não. E filmes assim são cada vez mais raros.

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Hamnet

Paul Mescal personifica William Shakespeare e Jessie Buckley é Agnes, a sua mulher, em Hamnet, o nome de um dos seus filhos, que morre de peste. O fortíssimo vínculo que une o casal é posto à prova por esta tragédia, que prepara o terreno para a criação de Hamlet, uma das obras-primas do dramaturgo. Esta nova realização de Chloé Zhao, a autora de Nomadland – Sobreviver na América adapta o romance homónimo de Maggie O’Farrell, que também assina o argumento com aquela. O filme e Buckley ganharam Globos de Ouro. Está nomeado para oito Óscares.

  • Filmes
  • 3/5 estrelas
  • Recomendado

Tian Tian, mãe solteira de uma menina de cinco anos, mata um traficante de droga e foge da máfia da cidade da China em que vive, e que a sequestrou por causa das dívidas da família. Vai então procurar a ajuda da prima, Fang Di, que trabalha como dupla num grande estúdio de cinema em Pequim e não vê há bastante tempo, mas esta recebe-a com desprezo. Mas as primas vão passar de estranhas a familiares, e tentar iludir mafiosos que perseguem Tian Tian. Vivian Qu realiza este policial algo laborioso mas que nos faz interessar pela sorte das duas personagens principais, e que integra com habilidade no enredo o mundo do cinema por onde Fang Di se move.

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Valor Sentimental

O norueguês Joachim Trier (A Pior Pessoa do Mundo) ganhou o Grande Prémio do Festival de Cannes de 2024 com Valor Sentimental, interpretado por Renate Reinsve, Inga Ibsdotter Lilleaas, Elle Fanning e Stellan Skarsgard. Duas irmãs, Agnes e Nora Borg, reencontram o pai, Gustav, um conhecido cineasta, muitos anos após ele as ter abandonado e à mulher, e ido para a Suécia. Gusrav oferece a Nora, actriz de teatro, o papel principal no seu novo filme. Mas ela recusa e o pai, magoado, entrega-o a uma jovem estrela de Hollywood, reabrindo antigas feridas familiares. Nomeado para nove Óscares.

  • Filmes
  • 4/5 estrelas
  • Recomendado

O pequeno Chang é o terceiro filho de uma família que vive na China rural, em 1991. O país atravessa profundas mudanças sócio-económicas e o pai e a mãe de Chang migraram para uma grande cidade, em busca de trabalho e melhores condições de vida. Mas o rapaz tem que ficar na aldeia com os avós e os tios, seguindo os planos da sua família, dividida entre o peso da tradição e a força do progresso, que chega sob várias formas, levando cada vez mais pessoas a deixar o campo e ir para as urbes, mesmo que muito distantes, labutar na indústria, onde se ganha mais dinheiro. Realizada por Huo Meng, Living the Land é uma saga familiar que atravessa quatro gerações e ganhou o Urso de Ouro de Melhor Realização do Festival de Berlim. E que tem peso autobiográfico, já que o realizador nasceu e viveu numa aldeia como a do filme, onde faz uma recriação detalhada, pausada e nostálgica desses tempos duros mas únicos, em que as vidas de todos seguiam os ciclos da natureza e dependiam deles, numa China que praticamente já não existe e rompeu quase todos os laços que a ligavam a um passado ancestral.

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Socorro!

Dois colegas de trabalho que não se dão bem, funcionária e chefe, estão numa viagem de trabalho para Banguecoque, quando o avião em que seguem se despenha e só eles sobrevivem, ficando presos numa ilha deserta. Vão então tentar esquecer o que os divide e faz não se darem bem até chegar socorro, envolvendo-se numa batalha de vontades para conseguirem ficar vivos. E a funcionária revela-se mais bem equipada para o conseguir do que o seu superior. Sam Raimi realiza, Rachel McAdams e Dylan O’Brien interpretam.

A Cronologia da Água

A primeira longa-metragem realizada pela actriz Kristen Stewart é uma adaptação do livro autobiográfico da escritora Lidia Yuknavitch, interpretada por Imogen Poots. Nadadora exímia e esperança olímpica, Lidia aceita uma bolsa desportiva na Universidade do Oregon, para fugir a um pai abusivo e a uma mãe suicida e alcoólica. Aluna de Ken Kesey, o autor de Voando Sobre um Ninho de Cucos, Lidia colabora com outros colegas na escrita de um livro dele, mas a sua vida continua um caos de bebida, droga e sexo desenfreado.

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  • Filmes
  • 3/5 estrelas
  • Recomendado

Iraque, anos 90. O país está a sofrer as consequências de ter invadido o Kuwait pouco tempo antes. É o dia em que as escolas de todo o país seleccionam os alunos que vão contribuir para o aniversário do presidente Saddam Hussein. Lamia tem nove anos e a avó ensina-lhe como evitar que seja escolhida para fazer o bolo de anos daquele. Mas o seu severo professor nomeia-a para a tarefa. E Lamia sabe que, se falhar, poderá ser severamente punida. Esta fita de Hasan Hadi ganhou a Caméra D’Or no Festival de Cannes e representa o Iraque na selecção à nomeação ao Óscar de Melhor Filme Internacional. Apesar de algumas ingenuidades e facilidades para agradar ao público internacional, e em especial ao ocidental, Hasan Hadi mostra, através da aventura vivida por Lamia e pelo seu amigo e colega Saeed, quando procuram encontrar e comprar os ingredientes para o bolo numa cidade em agitação patriótica e cheia de perigos, o culto da personalidade, as arbitrariedades e os absurdos do regime ditatorial de Saddam Hussein.

  • Filmes
  • 4/5 estrelas
  • Recomendado

Mike (Hugh Jackman) e Claire Sardina (Kate Hudson) vivem em Milwaukee, são casados, admiradores incondicionais de Neil Diamond e formam um duo musical chamado Lightning and Thunder, em que homenageiam o seu cantor favorito. Ao longo do seu percurso artístico, Mike e Claire vão conhecer um grande e entusiasmante sucesso à sua escala, mas passar também por momentos difíceis e dolorosos.

Craig Brewer baseou-se no premiado documentário homónimo de 2008 de Greg Kohs (que pode ser visto no YouTube) para realizar esta história de gente comum que vive na América profunda e trabalha numa subcultura desconhecida do meio do espectáculo dos EUA – os imitadores de grandes nomes da música – para pagar as contas e espalhar alegria pelos fãs, ao mesmo tempo que homenageia aqueles que admira sincera e apaixonadamente.

Brewer é fidelíssimo à história real dos Sardina, prime todos os botões certos do melodrama sem nunca exagerar no tom, no volume ou no efeito lacrimejante, e Hugh Jackman e Kate Hudson (que está cada vez mais parecida com a mãe, Goldie Hawn) são portentosos a interpretar Mike e Claire, a cantarem e dançarem, e a transmitirem toda a felicidade que o casal sentia e irradiava em palco.

Incrivelmente, os Globos de Ouro ignoraram Jackman nas nomeações e Hudson, que foi nomeada, perdeu o prémio para outra actriz. Se algo semelhante acontecer nos Óscares, será escandaloso.

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Pai Mãe Irmã Irmão

Vencedor do Festival de Veneza, Father Mother Sister Brother é um tríptico de histórias de família. Cada capítulo deste novo filme de Jim Jarmusch decorre no presente, um no nordeste dos EUA, outro em Dublin e outro em Paris. As três narrativas centram-se nas relações entre filhos já adultos e os seus pais, que estão longe ou ausentes, e emocionalmente distantes daqueles. Interpretações de Tom Waits, Adam Driver, Cate Blanchett, Charlotte Rampling, Vicky Krieps e Mayim Bialik.

  • Filmes
  • Drama
  • 3/5 estrelas
  • Recomendado

A nova fita do romeno Radu Jude passa-se na cidade de Cluj, onde Orsolya (Eszter Tompa) uma oficial de justiça encarregue de fazer despejos, fica profundamente afectada pelo suicídio de um homem que ia retirar da cave de um prédio antigo, destinado a ser transformado num hotel de luxo. Ela abdica de ir de férias com o marido e os filhos e fica a remoer o sentimento de culpa, partilhando-o com uma série de pessoas, incluindo uma das suas colegas e melhores amigas, um antigo aluno de Direito que encontra por acaso e só arranjou emprego a fazer entregas de moto, e um padre. Através desta angustiada personagem, Jude mostra como as grandes cidades da Roménia são também vítimas da especulação imobiliária desenfreada, expõe os defeitos crónicos e a corrupção da sociedade romena e as tensões históricas ainda hoje existentes (e parece que cada vez mais exacerbadas) entre romenos e húngaros (a protagonista e a mãe são ambas húngaras), e ironiza sobre a má consciência social da classe média a que Orsolya pertence. Kontinental’25 é o melhor filme de Jude até à data, e aguardamos com curiosidade o seu (parece que muito heterodoxo) Drácula

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A Criada

Adaptação do livro policial de Freida McFadden, também produtora, juntamente com Sydney Sweeney e Amanda Seyfried, as duas principais intérpretes. Uma rapariga em liberdade condicional, e sem casa nem trabalho, consegue emprego a trabalhar como criada na luxuosa casa de um casal com uma filha pequena, aos quais escondeu a sua situação. Mas pouco a pouco, e sobretudo devido ao desconcertante comportamento da patroa, ela apercebe-se que os segredos da família são mais complicados e perigosos do que os seus. Paul Feig realiza.

  • Filmes
  • Drama
  • 3/5 estrelas
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O consagrado realizador iraniano Jafar Panahi já não está proibido de filmar pelo governo do seu país, mas mesmo assim rodou clandestinamente este Foi Só Um Acidente (ganhou a Palma de Ouro do Festival de Cannes), dado que a censura estatal nunca aprovaria o argumento. Um homem que viaja de carro com a mulher e a filha atropela e mata um cão inadvertidamente. Procura ajuda para reparar o veículo numa garagem, e o dono desta, Vahid, julga reconhecer nele Eqbahl, o homem que o torturou de forma bárbara na prisão. Para se vingar, rapta-o e mete-o na sua carrinha, enterrando-o vivo nos arredores de Teerão, mas começa a ter dúvidas sobre se ele será mesmo o torcionário, já que o homem diz ser um cidadão comum, com uma mulher que está grávida e uma filha pequena, e nega veementemente conhecer Vahid. Este fica com dúvidas, e para confirmar a identidade do raptado, resolve ir procurar outras vítimas de Eqbahl que o possam reconhecer sem a menor dúvida.

Tendo uma acentuada dimensão de farsa negra, de tragicomédia crescentemente desesperada, Foi Só um Acidente apresenta-se como o filme mais explícito, mais “militante” e mais indignado de Panahi contra a teocracia que governa o Irão, e ao derrube da qual, inclusivamente, o realizador de O CírculoTáxi e Aqui Não Há Ursos apelou durante o Festival de Cannes. Através do dilema moral posto ao protagonista e ao pequeno grupo que o acompanha – arriscarem matar um inocente para satisfazerem o desejo de vingança e ficarem para sempre com a dúvida na consciência, ou tornarem-se tão cruéis e desumanos como o torcionário, no caso de se confirmar que o homem é mesmo Eqbahl e o eliminarem –, Panahi reflecte sobre a possibilidade do perdão a quem nos faz mal, e a legitimidade da vindicta. Um dilema que fica no ar mesmo até ao último e muito inquietante plano do filme, que no entanto, não evita algum simplismo demonstrativo e reiterativo, bem como um tom exacerbado, habitualmente alheios ao estilo do cineasta.

+ ‘Foi Só um Acidente’: do Irão, com dor e revolta

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