Só Uma Ilusão
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Os filmes em cartaz esta semana, de ‘A Revolta’ a ‘Só Uma Ilusão’

As estreias de cinema, os filmes em exibição e as novidades do streaming, incluindo ‘Hope’, ‘Santo António: O Casamenteiro de Lisboa’ e ‘Playback’.

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Tanto cinema, tão pouco tempo. Há filmes em cartaz para todos os gostos e de todos os feitios. Das estreias em cinema aos títulos que, semana após semana, continuam a fazer carreira nas salas. O que encontra abaixo é uma selecção dos filmes que pode ver no escurinho do cinema, que isto não dá para tudo. Há que fazer escolhas e assumi-las (coisa que fazemos, com mais profundidade nas críticas que pode ler mais abaixo nesta lista). Nas semanas em que há estreias importantes de longas-metragens no streaming, também é aqui que as encontra. Bons filmes.

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Filmes em estreia esta semana

  • Filmes

Andrew Garfield, Jamie Bell, Tom Hollander, Stephen Dillane e Thomasina McKenzie são os principais intérpretes de A Revolta, um filme histórico passado na Inglaterra do século XIV, devastada pela peste. Um camponês desencadeia uma rebelião contra o rei Ricardo II e, sem o querer, torna-se numa lenda da resistência contra a opressão. Os acontecimentos aqui evocados por Paul Greengrass (Domingo Sangrento, Voo 93) estão na base da história de Robin dos Bosques.

  • Filmes

Olivier Nakache e Éric Toledano assinam esta comédia familiar autobiográfica passada nos subúrbios de Paris, em 1985, no seio da família Dayan, formada pelo pai, pela mãe e pelos dois filhos: Arnaud, já adolescente, e Vincent, de 12 anos. A euforia com a chegada ao poder dos socialistas está a desfazer-se, devido à crise económica. O pai perdeu o emprego e é a mãe que paga as contas com o seu ordenado. Entretanto, Vincent apaixona-se por uma colega de turma. Com Louis Garrel e Camille Cottin.

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  • Filmes
  • Recomendado

Maria (Saoirse Ronan) é professora numa escola inglesa, e faz o seu melhor para interessar e inspirar a sua turma, em que a idade média dos alunos ronda os dez anos, mas é contrariada por um miúdo indisciplinado e caótico. Vendo a sua carreira em causa, e o comportamento do jovem a piorar cada vez mais, Maria toma uma série de más decisões, que a levam, por acidente, a levar a criança para casa e trancá-la lá. As consequências são totalmente inesperadas. A realização é de Jonatan Etzler.

  • Filmes

O português Carlos Conceição (Serpentário, Nação Valente) assina aqui um filme de terror de inspiração cronenberguiana, cujo herói é um activista ambiental que quer denunciar as práticas da indústria dos cosméticos. Conhece então uma bailarina que se submete a cirurgias plásticas para ter um corpo perfeito, e que o faz descobrir um submundo secreto de cirurgiões sem escrúpulos e operações bizarras. Com McCaul Lombardi, Joana Ribeiro, Alba Baptista e Elina Löwensohn.

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  • Filmes

Zach Cregger, o realizador de Hora do Desaparecimento, surge à frente desta fita passada no universo do jogo de vídeo Resident Evil, que tem uma história original e não está associado à série de filmes anteriores. Um estafeta que tem que entregar uma remessa de medicamentos a um remoto hospital, e tem que enfrentar uma horda de criaturas mutantes.

Broken Voices – Segredos de um Coro

Filme do checo Ondrej Provaznic baseado em factos reais e passado nos anos 90. Karolina, uma jovem cantora de 13 anos, consegue um lugar num coro feminino de renome internacional da República Checa, começando a receber a atenção especial do enigmático maestro.

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Runner: Corrida pela Vida

Filme de acção com Alan Ritchson, Owen Wilson e Rodrigo Santoro. Um antigo soldado e um amigo seu transportam um órgão para uma menina de sete anos que precisa de um transplante urgente, e vêem-se perseguidos por membros de um cartel da droga. 

  • Filmes

Denise Fraga interpreta, em Livros Restantes, Ana Catarina, uma professora de Literatura que se muda do Brasil para Portugal, trazendo consigo apenas cinco livros, com a intenção de os devolver às pessoas que lhos ofereceram ao longo de 20 anos.

Filmes em cartaz esta semana

  • Filmes
  • Suspense
  • 4/5 estrelas
  • Recomendado

Hope Harbor, o cenário de Hope, a nova realização de Na Hong-jin (O Lamento), é uma sonolenta vila costeira da Coreia do Sul, situada perto da Zona Desmilitarizada que a separa da Coreia do Norte. Não é para admirar, assim, a quantidade de cartazes a prevenir os locais sobre a possibilidade de andarem espiões na zona, e sobre os campos minados na separação entre os dois países. É numa estrada perto de um destes que um grupo de caçadores descobre um touro morto e estranhamente mutilado. Chamam o chefe da polícia da vila, Ko Bum-seok, e uma vez este presente começam as especulações sobre que tipo de animal poderia ter deixado o touro naquele estado.

É levantada a hipótese de ter sido um tigre da Sibéria, que conseguiu contornar os campos de minas. Mas as marcas de garras no touro são invulgarmente grandes. O chefe da polícia volta então à vila para lançar um aviso, enquanto os caçadores, que avançaram no terreno, encontram mais touros mortos numa quinta próxima, que foi parcialmente arrasada. E encontram também o dono desta morto e despedaçado: um dos braços foi parar aos ramos de uma árvore. E quando, pelo seu lado, Bum-seok chega a Hope, depara com um cenário de destruição e vários habitantes mortos, descobrindo que há um monstro à solta. Um monstro que se movimenta tão depressa, que não o consegue ver e está sempre vários passos à sua frente. Além disso, parece ter uma enorme resistência às balas. De onde terá vindo? Do mar? De sob a terra? Do espaço?

Combinando a acção, o terror e a ficção científica, e polvilhado de humor negro, Hope, que competiu no Festival de Cannes, onde causou sensação, é o filme mais caro da história do cinema da Coreia do Sul, a melhor e mais jubilatória superprodução deste Verão, e um dos filmes do ano. Através dele, Na Hong-jin vem confirmar e reiterar que a pujante, variada e inventiva indústria cinematográfica sul-coreana é hoje uma das mais produtivas e criativas do mundo, conseguindo já bater a americana no seu próprio jogo – a espectacularidade tamanho XXL –, e nos seus territórios de eleição – os géneros tradicionais, da ficção científica ao terror, da acção ao policial, e até mesmo no drama, na comédia ou no filme histórico. 

Os filmes ditos de grande entretenimento e de produção aparatosa a abundar de vedetas que Hollywood nos propôs nestes meses de calor, desde os títulos de super-heróis como Supergirl até A Odisseia, de Christopher Nolan, ou O Fim de Oak Street, empalidecem e fazem-se pequeninos perante a escala e a sofisticação, a inventividade e a vertigem cinematográfica, o vigor e o fôlego narrativo de Hope. E, ainda por cima, Na Hong-jin não tirou nenhum coelho da cartola, já que o seu filme glosa – e refresca – um tema familiar da ficção científica, em especial da de série B, mil vezes tratado pelo cinema americano: a cidadezinha remota que se vê ameaçada por criaturas alienígenas.

À medida que o caos se vai instalando em Hope e nos bosques em redor, com o aparecimento de mais monstruosas criaturas alienígenas, muito diferentes de aspecto, provindas de uma nave que ali aterrou ou se terá despenhado, e o chefe Bum-seok, a novata mas destemida agente Im Sung-ae, e Ko Sung-ki, o caçador que, quanto mais pancada apanha dos invasores, mais furioso fica, fogem a pé, a cavalo e de carro dos alienígenas enquanto tentam estoirar com eles a tiro e com granadas de morteiro e os alvejam com os piores insultos, Na Hong-jin vai introduzindo novos dados no enredo E faz-nos perceber que, afinal, as coisas não são tão simples como parecem. 

No final de Hope, que dura duas horas e meia mas parece passar num instante, fica anunciado um segundo filme (o realizador já o escreveu, falta agora financiá-lo e rodá-lo), com a queda de uma gigantesca nave extraterrestre na região, e com o diálogo entre os dois enormes alienígenas que os habitantes da vila combatem, interpretados, sob um manto de efeitos digitais, por Michael Fassbender e Alicia Vikander. Esperemos que a parte II de Hope não demore muito a chegar aos cinemas. Entretanto, Hollywood bem pode cobrir a cara de vergonha.

  • Filmes

Depois de A Gaiola Dourada e Miss, Ruben Alves assina aqui uma comédia passada em Lisboa e com um elenco onde surgem Rita Blanco, Joaquim Monchique, Maria Rueff, Ana Bola, Maria João Bastos, Joaquim de Almeida, Lídia Franco ou Rui Mendes. Os Casamentos de Santo António bateram no fundo, e antes que um grupo francês venha assumir a sua organização, dois funcionários da Câmara são intimados a criar um evento moderno e de sucesso, ou vão para a rua.

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  • Filmes
  • Ficção científica
  • 3/5 estrelas
  • Recomendado

O regresso de Ridley Scott à ficção científica faz-se em Na Companhia das Estrelas, baseado num livro de Peter Heller e passado num mundo pós-apocalíptico em que um terrível vírus dizimou a população da Terra, e os sobreviventes têm que enfrentar perigosos saqueadores. Um mecânico (Jacob Elordi) que perdeu a mulher na pandemia vive num hangar de aviões no Colorado, na companhia do seu cão e de um amigo ex-militar e perito em armas (Josh Brolin). Um dia, após ter ido na sua avioneta a Denver buscar mantimentos, combustível e medicamentos que guarda lá num esconderijo, ouve de novo uma emissão de rádio que capta irregularmente. E decide, contra o conselho do amigo, ir ver de onde provém e quem a faz.

Na Companhia das Estrelas é uma boa surpresa: uma ficção científica pós-apocalíptica “realista” e aventurosa, sem zombies, criaturas mutantes nem peripécias desmedidas, realizada com conta, peso e medida por Ridley Scott, e adequadamente interpretada por Elordi, Brolin, Margaret Qualley e Guy Pearce.

  • Filmes

Realizadora de O Espaço Entre Nós e Memórias de Paris, Alice Winocour apresenta agora um filme produzido e interpretado por Angelina Jolie, e passado no mundo da moda, em Paris. Jolie é Maxine Walker, uma realizadora e uma das quatro mulheres que a história segue, sendo as outras uma jovem modelo estreante nascida no Sudão, uma maquilhadora e a costureira de uma grande casa de moda. Também com Louis Garrel, Anyier Anei, Ella Rumpf, Vincent Lindon e Garance Marillier.

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  • Filmes
  • Comédia
  • Recomendado

Animação e imagem real combinam-se nesta longa-metragem dos Looney Tunes em que o Coiote, cansado do mau e desastroso funcionamento dos produtos que compra à Acme para tentar capturar o Papa-Léguas, contrata um advogado para processar a empresa. O filme data de 2023 e a Warner Bros. esteve para não o estrear por razões fiscais, mas acabou por ser comprado por uma distribuidora independente. 

A Amiga Silenciosa

A realizadora húngara Ildikó Enyedi centra-se numa árvore do jardim botânico da Universidade de Marburgo, na Alemanha, para filmar três histórias ali passadas ao longo de mais de 100 anos, e postular que o mundo natural poderá ter uma consciência, e existir uma ligação entre esta e a mente humana. Com Tony Leung, Léa Seydoux, Luna Wedler, Marlene Burow e Enzo Brumm.

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  • Filmes
  • Drama
  • 4/5 estrelas
  • Recomendado
A Piscina
A Piscina

Realizado por Jacques Deray e escrito por Jean-Claude Carrière, interpretado por Alain Delon, Romy Schneider, Maurice Ronet e Jane Birkin, e estreado em 1969, A Piscina não é uma estreia, mas é a melhor reposição deste Verão. Um casal (Delon e Schneider) que mora numa vivenda com piscina na Riviera francesa é visitado por um amigo rico e pela filha adolescente deste (Ronet e Birkin), no auge de um Verão tórrido. A personagem de Schneider foi outrora amante da de Ronet, e pouco a pouco vai-se instalando entre os quatro uma atmosfera que tem tanto de mal-estar pessoal (ciúmes, desconfiança, inveja) como de tensão sexual.

O argumento de Carrière funciona à base da sugestão, do implícito e do que fica por dizer, a realização de Jacques Deray carrega na atmosfera pesada de calor estival, na sensualidade latente e reprimida a custo, na ambiguidade emocional e no choque psicológico em surdina, ajudado pela banda sonora de Michel Legrand, e os quatro actores juntam a enorme fotogenia à intensa presença física, e à densidade dramática da interacção entre as personagens que corporizam. Junto a uma piscina que, além de ser a testemunha silenciosa de tudo o que se passa, tem também uma função simbólica, e terá um papel preponderante no final. Ou não desse o título ao filme, um dos mais relevantes dos anos 60 e do cinema francês

  • Filmes

É em Ancara, em 1999 que se passa Confidente, uma co-produção entre a Turquia, a França e o Luxemburgo, que tem dois realizadores. Arzu é uma rapariga que trabalha no call center de uma linha de chamadas eróticas, atendendo um cliente atrás de outro. Quando um terramoto atinge Istambul, Arzu recebe um telefonema de um jovem com quem falou anteriormente. Ele ficou preso nos escombros do seu prédio e implora-lhe que o ajude a ser resgatado. Um filme de Guillaume Giovanetti e Çagla Zencirci.

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Soy Cuba

  • 3/5 estrelas
  • Recomendado

No final de Fevereiro de 1963, o realizador russo Mikhail Kalatozov começou a rodar em Cuba uma grande produção intitulada Soy Cuba, um panegírico formalmente arrojado da revolução castrista que havia derrubado o regime autoritário e pró-americano de Fulgencio Baptista, e glorificador da ideologia comunista. Por essa altura, as relações entre Havana e Moscovo – que estavam no auge quando foi decidida a parceria cultural para rodar Soy Cuba –, haviam sido prejudicadas pela recente Crise dos Mísseis Cubanos. Nikita Khruschev tinha decidido retirar os seus mísseis do solo cubano sem consultar Fidel Castro. Apesar do ambiente de protesto contra a União Soviética orquestrado pelo governo que se vivia então em Cuba, a rodagem deste ambicioso filme de propaganda, co-produzido pela Mosfilm e pelo Instituto Cubano del Arte e Industrias Cinematograficos, e escrito pelo cubano Enrique Pineda Barnet e pelo poeta “oficial” soviético Yevgeni Yevtushenko, foi para a frente. Rodado num preto e branco deliberadamente muito contrastado, e com uma narração personificada pela própria Cuba, Soy Cuba decorre entre os últimos tempos do governo de Baptista e o triunfo da revolução castrista, e é composto por quatro histórias sobre exploração, miséria e revolta colectiva. Inspirado pelo cinema de vanguarda soviético dos anos 20 e 30, Mikhail Kalatozov dispensou as convenções narrativas e cinematográficas do realismo socialista, e juntamente com o director de fotografia Sergei Urusevsky, transformou o filme numa exibição contínua de acrobacias técnicas, de inventividade visual e de poesia dinâmica, ao mesmo tempo que elogia, em estilo épico-arrebatador, a coragem do povo cubano, a violência revolucionária e o triunfo do comunismo. Mas uma vez Soy Cuba concluído e estreado, em 1964, nem o poder cubano, nem o soviético, se mostraram particularmente entusiasmados. Em Cuba, foi acusado de “estereotipar os cubanos” e de pecar por “exotismo”, e dividiu a crítica. E em Moscovo, foi visto como “insuficientemente revolucionária” e politicamente “ingénua”. O público também não acorreu, e por ser uma obra de propaganda, não se estreou no Ocidente, sendo vítima da Guerra Fria e do embargo dos EUA a Cuba. Até ao início dos anos 90, Soy Cuba permaneceu pouco ou nada conhecido, local e internacionalmente. Mas tudo mudou (e ironicamente) quando o filme foi exibido em dois festivais nos EUA, em 1992 e 1993, após o colapso da União Soviética e o fim do comunismo a Leste. Martin Scorsese e Francis Ford Coppola viram-no então, e ficaram tão impressionados e entusiasmados, que começaram a recomendá-lo e a divulgá-lo. Soy Cuba foi então comprado à Mosfilm pela Milestone, uma distribuidora independente dos EUA especializada em títulos esquecidos, pouco vistos e desprezados, mudos e sonoros, americanos e estrangeiros, que o restaurou e estreou no Film Forum de Nova Iorque em 1995. Em 2005, lançou-o em DVD, acompanhado por um comentário de Scorsese. A fita estreou-se em Portugal pela mão da Midas Filmes, incluída no seu programa de estreias/reposições de Agosto, que incluem também A Saga de Anatahan, de Josef von Sternberg (já em exibição), e A Piscina, de Jacques Deray (repõe esta quinta-feira, 20 de Agosto).

  • Filmes
  • 3/5 estrelas
  • Recomendado

O último filme de Josef von Sternberg, datado de 1953 e rodado em estúdio no Japão, adapta uma história real, contada em livro por uma das pessoas que a viveu. Em 1944, um grupo de 30 militares japoneses sobreviveu ao bombardeamento dos navios em que seguiam por aviões dos EUA, e foram dar a uma ilha isolada no Pacífico, Anatahan, onde viviam apenas uma bonita rapariga e o capataz de uma plantação de copra abandonada. Ficaram lá durante sete anos até serem resgatados após a II Guerra Mundial, que não sabiam que tinha acabado.

Em parceria com Tatsuo Asano, Josef von Sternberg escreveu o guião de A Saga de Anatahan usando como referência o livro de Mishiro Maruyama, um dos sobreviventes, fazendo algumas alterações à história original, como a redução dos participantes para 13 homens e uma mulher, chamada Keiko (interpretada por Akemi Negishi, que viria depois a entrar nalguns filmes de Akira Kurosawa) e não Kazuko, como a verdadeira.

O realizador reconstituiu cuidadosamente a atmosfera tropical e a selva da ilha em estúdio, em Quioto, dado que seria problemático, penoso e caro ir rodar no cenário original; e trabalhou longa e arduamente com os actores, quase todos vindos do teatro Kabuki. Como não falava japonês, von Sternberg concebeu um storyboard detalhadíssimo e muito original, usando, um sistema de cores e contendo indicações muito precisas para aqueles se orientarem, e garantir a continuidade “psicológica e dramática” de cada cena, bem como da história no seu todo. E assumiu ainda a narração do filme.

Exibido em estreia mundial em 1953 no Festival de Veneza, A Saga de Anatahan não foi particularmente bem recebido. A opinião da crítica também não foi boa, particularmente no Japão, onde a fita foi muito atacada, pelo seu “exotismo”, por estereotipar os japoneses, por não estar em sintonia com os sentimentos destes no pós-guerra, ou por von Sternberg ter tido o “mau gosto” de filmar uma história com características tão degradantes. Até a prestigiada e influente revista de cinema Kinema Junpo, a mais antiga do Japão (começou a ser publicada em 1919), e uma das mais antigas do mundo, se atirou a A Saga de Anatahan com unhas e dentes. Mas o filme, que foi pouco visto em vida do realizador (von Sternberg morreu em 1969, aos 75 anos) também teve os seus defensores, caso de François Truffaut e Jean-Luc Godard. E era o favorito de Jim Morrison e Ray Manzarek, futuros Doors, quando estudaram Cinema na Universidade de Los Angeles e Josef von Sternberg lá deu aulas, entre 1959 e 1963. Com o tempo, A Saga de Anatahan foi sendo reconsiderado e reapreciado, acabando por ganhar os favores dos cinéfilos de todas as latitudes e estatuto de filme de culto – e também a ser devidamente contextualizado na filmografia de Josef von Sternberg.

É esta obra singularíssima, dotada de um fascínio desconcertante e que escapa a rótulos e classificações, que se estreou finalmente em Portugal, 73 anos após ter sido filmada. A Saga de Anatahan foi apenas visto no nosso país incluído em ciclos ou em sessões avulsas na Cinemateca ou na Fundação Gulbenkian. 

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  • Filmes
  • Ficção científica
  • Recomendado

Filme de ficção científica de David Robert Mitchell em que um misterioso acontecimento arranca a Rua Oak, típica de um subúrbio de classe média americano, do local em que se encontra, transportando essa parte do bairro para um local desconhecido – e muito perigoso. Em pouco tempo, a família Platt descobre que a sua sobrevivência depende de todos se manterem unidos, enquanto percorrem os arredores da sua casa, transformados e irreconhecíveis. Com Ewan McGregor e Anne Hathaway.

  • Filmes

Este filme biográfico assinado por Sérgio Graciano leva o título de um dos muitos sucessos populares de Carlos Paião, que morreu prematuramente, aos 30 anos, num trágico acidente de viação (ainda hoje não completamente esclarecido quanto ao culpado), no dia 26 de Agosto de 1988. O saudoso cantor e compositor é interpretado por Rafael Ferreira, acompanhado no elenco por Laura Dutra, Albano Jerónimo, Anabela Moreira, Rodrigo Costa e Rita Durão, entre outros.

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  • Filmes
  • Acção e aventura

Tom Holland volta a ser Peter Parker/Homem-Aranha e Zendaya MJ, a sua apaixonada, nesta nova aventura do super-herói com poderes aracnóides. Peter está agora plenamente concentrado nos seus estudos na universidade, deixando o Homem-Aranha para trás. Só que isso vai revelar-se impossível, com o aparecimento de uma grande ameaça, sob a forma de mais um poderoso inimigo. Quando este põe alguns dos amigos de Peter em perigo, este é obrigado a vestir o fato de Homem-Aranha para os proteger, e descobre um aliado inesperado. Destin Daniel Cretton assina o filme.

  • Filmes
  • Animação
  • 4/5 estrelas
  • Recomendado

Lembram-se daqueles actores e actrizes que tinham vozes desagradáveis ou pouco atraentes ao ouvido e que acabaram por ficar sem carreiras quando o cinema passou de mudo a sonoro? É exactamente o que sucede aos Mínimos no seu novo filme animado de longa-metragem, Mínimos e Monstros. Realizado por Pierre Coffin, que também escreveu o argumento com Brian Lynch e participa a fazer as vozes dos Mínimos, e tutelada, como sempre, pela produtora Illumination, a fita é a terceira interpretada exclusivamente pelos Mínimos, contando também como a sétima da série Gru, o Maldisposto, em que as irresistíveis, barulhentas e caóticas criaturinhas amarelas aparecem. E é igualmente a mais ambiciosa e elaborada de todas em que eles surgem sem Gru e as suas crianças (ou quase…). 

Mínimos e Monstros é uma combinação de breve história dos Mínimos e de aventura em Hollywood, ou seja, quase dois filmes num só. Tudo começa num museu de história do cinema, onde é contada a história de dois dos principais Mínimos a um grupo de turistas. E a resenha histórica arranca com os Mínimos à procura de vilões a quem servir ao longo dos tempos. Só que, inevitavelmente, os Mínimos acabam sempre, e sem querer, por matar os seus mestres, deixando-os no desemprego, por assim dizer. Até que um dia, quando atravessam um deserto, algures no início do século XX, deparam com um comboio a ser assaltado. Ansiosos de terem um vilão que mande neles, os Mínimos perseguem o assaltante, para se oferecerem como seus seguidores. Mas afinal não há roubo nenhum. O que sucedeu é que os Mínimos interromperam a rodagem de um filme na Califórnia.

Acontece que os dois executivos donos do estúdio produtor do dito filme acham muita piada aos Mínimos, e em vez de os escorraçarem ou chamarem a polícia, decidem contratá-los. As fitas mudas dos Mínimos são enormes sucessos comerciais, e eles passam a viver o sonho da fama e da fortuna em Hollywood, mantendo-se sempre fiéis a si mesmos em termos de confusão. Mas tudo se desmorona com o advento do cinema sonoro, porque ninguém consegue perceber a algaraviada que é a linguagem dos pequenos amarelinhos. E depois de darem prejuízos de milhões de dólares aos estúdios, os Mínimos são despedidos e vêem-se desprezados e sem eira nem beira.

Esta situação vai dividir os Mínimos em duas facções. A dos que querem voltar à vida antiga e procurar mauzões que possam servir; e a dos que continuam a acalentar o sonho do cinema. Estes vão falar com o realizador que dirigiu todos os seus filmes nos bons tempos da celebridade e da riqueza, e decidem fazer um filme de grande impacto, uma grande produção de terror e ficção científica, intitulada… Mínimos e Monstros (esta terceira fita dos Mínimos é também a mais auto-referencial de todas, embora sem presunção, tudo pelo contrário). Os Mínimos usam então um livro que tiraram a um feiticeiro que serviram para invocar um monstro. Mas este, chamado Goomi, além de pequeno, é simpático e inofensivo, e propõe aos Mínimos ajudá-los a arranjar monstros como deve ser para o filme. Entretanto, o outro grupo de Mínimos encontrou um vilão para servir, Dort, um robô alienígena que quer conquistar a Terra. E agora sim, vai instalar-se a maior das confusões. 

Rodado com um opulento orçamento de 85 milhões de dólares, Mínimos e Monstros é fidelíssimo ao modelo de comédia anárquica, nonsense, em jacto contínuo, paródica e com piscadelas de cultura pop e cinéfilas a que esta série nos habituou (estas últimas abundam aqui, pela própria natureza da história e pela atmosfera hollywoodesca em que se passa), contando inclusivamente com uma aparição-surpresa de George Lucas e culminando com um gag que goza com o estereótipo das histórias “meta” em voga nestes tempos. E convém ficar até a ficha técnica final acabar, porque há uma surpresa envolvendo personagens bem conhecidas. Os Mínimos nunca falham nem desiludem.

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  • Filmes
  • Acção e aventura
  • Recomendado

O filme mitológico tem tradição em Hollywood e no cinema europeu, e Christopher Nolan pretende fazer-lhe jus como esta nova – e muito controversa, devido ao elenco multiétnico – adaptação do poema épico de Homero, que teve um orçamento adequado às ambições do realizador: 255 milhões de dólares. Este é também o primeiro filme a ser rodado com câmaras IMAX de 70 mm. Matt Damon é Ulisses, acompanhado por nomes como Anne Hathaway, no papel da sua fiel mulher Penélope, Tom Holland, Robert Pattinson, Charlize Theron ou Zendaya.

  • Filmes
  • Acção e aventura

Uma década depois da longa-metragem animada homónima, assinada por John Musker e Ron Clements, chega a versão com actores, prosseguindo o plano da Walt Disney de refilmar todos os seus sucessos de animação. Thomas Kail realiza, Dwayne Johnson retoma o papel do semi-deus Maui e Catherine Laga’aia substitui Auli’i Cravalho no de Vaiana.

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  • Drama
  • 4/5 estrelas
  • Recomendado

O filme de ficção de estreia do oscarizado documentarista Daniel Roher (por Navalny) é um thriller em que um jovem e talentoso afinador de pianos, que sofre de hipersensibilidade acústica ao ponto de sentir dores por causa de certos sons, vê a sua vida mudar radicalmente quando descobre que a sua precisão meticulosa na afinação de pianos pode ser igualmente aplicada na abertura de cofres, para ajudar o seu sócio e mentor, que foi inesperadamente hospitalizado, e a mulher dele. Só que os perigos ligados a esta última actividade são mais e muito maiores do que os da afinação de pianos. Leo Woodall, Dustin Hoffman, Jean Reno, Havana Rose Liu e Tovah Feldshuh interpretam esta fita em que Roher se mostra completamente à vontade com os mecanismos narrativos, as atmosferas, as personagens características e as convenções da Série B policial, e dá natural primazia ao som e à música (jazz e clássica). Pormenor: o sonoplasta da fita sofreu do mesmo problema auditivo da personagem principal.

  • Filmes
  • Ficção científica

Steven Spielberg ambienta O Dia da Revelação num mundo à beira da II Guerra Mundial e onde um perito em cibersegurança e génio da matemática quer revelar um segredo sobre vida extraterrestre e visitas de alienígenas à Terra que roubou a empresa ultra-secreta em que trabalhava, e que pode mudar para sempre o destino da humanidade. O enredo envolve também o director daquela empresa, que quer capturar o seu ex-funcionário dê por onde der, e uma apresentadora de meteorologia da televisão, que descobre ter dotes aparentemente sobrenaturais. Com Josh O’Connor, Emily Blunt e Colin Firth.

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  • Comédia
  • 3/5 estrelas
  • Recomendado

Vinte anos depois do primeiro filme, Meryl Streep e Anne Hathaway estão de regresso aos papéis de Miranda e Andy, tal como Stanley Tucci ao de Nigel. Emily (Emily Blunt), a antiga assistente de Miranda, é agora a influente executiva de uma grande marca de produtos de luxo, o tipo de anunciante que Miranda precisa para salvar a Runway, a prestigiada revista que dirige e que está em declínio de tiragens, vendas e influência, e sob o efeito negativo de um artigo desleixado que desencadeou uma onda de críticas e de troça nas redes sociais. Entra então em cena Andy, agora uma jornalista de renome, nomeada editora de reportagens pelo proprietário, para ajudar a melhorar a situação e a imagem da publicação.

O realizador David Frankel e a argumentista Aline Brosh McKenna conseguem um filme melhor do que o original, mantendo o registo de comédia sofisticada e satírica, e incorporando na história, mesmo que com ligeireza, o tema da crise dos media tradicionais, em especial da imprensa escrita, e do advento e crescente influência da internet, do digital e das redes sociais. Os actores, todos impecáveis, fazem o resto, e é uma delícia ver Meryl Streep divertir-se a interpretar uma Miranda que agora tem que pendurar ela o casaco quando chega à revista e que voar em Económica.

  • Filmes
  • Drama

Jaafar Jackson, sobrinho de Michael Jackson, interpreta o tio nesta fita biográfica assinada por Antoine Fuqua (Dia de Treino), fazendo também a sua estreia no cinema. A história acompanha a carreira do malogrado “Rei da Pop” desde que fazia parte dos Jackson 5 com os irmãos, até aos anos 80, quando se transformou numa estrela planetária. Michael custou 155 milhões de dólares, é produzido e controlado pela família e por próximos do músico e cantor, e inclui 30 canções do catálogo musical de Michael Jackson. Colman Domingo, Nia Long e Miles Teller constam também do elenco.

Filmes em estreia no streaming

Truly Naked

Alec é um rapaz introvertido que só conhece o sexo através do pequeno negócio de pornografia que o pai tem na própria casa da família, e em que colabora. Mas tudo muda quando se mudam de Londres para uma tranquila cidade costeira e Alec conhece Nina, uma colega de turma independente e de personalidade forte. Filme de Muriel d’Ansembourg, com Caolán O’Gordon e Safiya Bennadi.

Filmin. Estreia a 17 de Setembro

Best of the Best

Comédia dramática com muita música, Best of the Best, assinada por Lena Kahn e rodada nos EUA com um elenco indiano e americano, passa-se no mundo extremamente competitivo dos concursos de dança dos filmes de Bollywood que se realizam no meio escolar. Mais do que apenas diversão e entretenimento, trata-se de ganhar graças às melhores coreografias retiradas das fitas mais populares.

Netflix. Estreia a 18 de Setembro

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A Hipótese do Amor

Depois de terem dado um beijo impulsivo, dois cientistas envolvem-se numa relação falsa, testando as suas teorias sobre o amor e sobre cada um deles. Será que existe mesmo química entre os dois, ou tudo não passa de uma experiência friamente calculada? Tom Bateman, Lili Reinhart, Rachel Marsh e Nicholas Duvernay interpretam esta comédia romântica realizada por Claire Scanlon.

Prime Video. Estreia a 23 de Setembro 

Mais cinema

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