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Os filmes em cartaz esta semana, do português ‘Amadeo’ ao nomeado ‘Aftersun’

Há todo o género de filmes em cartaz. Saiba o que ver no cinema, entre estreias em sala e no streaming e os títulos que teimam em ficar em exibição semana após semana.

Escrito por
Eurico de Barros
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Tanto cinema, tão pouco tempo. Há filmes em cartaz para todos os gostos e feitios. Das estreias em cinema aos títulos que, semana após semana, continuam a fazer carreira nas salas. O que encontra abaixo é uma selecção dos filmes que pode ver no escurinho do cinema, que isto não dá para tudo (não sobra tempo nem dinheiro). Há que fazer escolhas e assumi-las (coisa que fazemos, com mais profundidade, na nossa página de críticas). Nas semanas em que há estreias importantes de longas-metragens no streaming, também é aqui que as encontra. Bons filmes.

Recomendado: As estreias de cinema a não perder nos próximos meses

Filmes em estreia esta semana

  • 2/5 estrelas
  • Filmes

Depois de Florbela (2012) e Al Berto (2017), Amadeo, dedicado ao pintor Amadeo de Souza-Cardoso, é o terceiro filme de Vicente Alves do Ó sobre artistas portugueses, e o menos conseguido dos três. O realizador tem os actores (Rafael Morais é um sóbrio Amadeo), tem as paisagens, tem uma boa recriação de época e execução cinematográfica, mas falta-lhe um ponto de vista sobre o artista e uma âncora narrativa. O filme abre nos anos finais da vida de Amadeo, quando o eclodir da I Guerra Mundial o afastou e à mulher, Lucie, de Paris, e os confinou à casa da família em Amarante; tem alguns flashbacks pelo meio e conclui-se com a morte do artista, de gripe pneumónica, em 1918, com apenas 30 anos. Amadeo não tem quase nada de consistente, relevante ou comunicativo para dar ao espectador sobre a biografia, as relações com os artistas seus contemporâneos, as opiniões estéticas e a pintura do seu protagonista, e toda a última parte é ocupada, arrastada e lugubremente, com os padecimentos dos familiares de Amadeo atingidos pela pneumónica. É verdade que o facto de o pintor ser de uma família abastada, nunca ter conhecido dificuldades financeiras, ter tido uma vida sentimental estável e feliz e gozado de algum reconhecimento (sobretudo internacional) ainda em vida, reduz bastante as hipóteses de dramatização da sua curta existência – cuja única grande tragédia foi, precisamente, a morte prematura.

Ursos Não Há

O realizador iraniano Jafar Panahi interpreta aqui uma versão de si mesmo, que se encontra numa aldeia perto da fronteira da Turquia, a dirigir remotamente um filme neste país, onde se encontram a sua equipa e os actores. O cineasta empresta uma das suas câmaras de filmar a um aldeão, para que ele documente uma cerimónia tradicional que ali está a decorrer, e fotografa alguns dos participantes, o que vai dar origem a duas linhas narrativas que revelarão muitas coisas sobre a opressiva situação política e social que se vive no Irão. Acompanhando a estreia de Ursos Não Há, que ganhou o Prémio Especial do Júri no Festival de Veneza, serão exibidos, em cópias restauradas, dois filmes de Abbas Kiarostami, de quem Jafar Panahi foi assistente: Onde Fica a Casa do Meu Amigo? e Trabalhos de Casa

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Aftersun

Primeira longa-metragem da realizadora escocesa Charlotte Wells. Quando tinha 11 anos, Sophie passou as férias de Verão na Turquia com o pai, um homem idealista e terno. Duas décadas mais tarde, Sophie tenta reconciliar o pai que conheceu nesse tempo com o homem que ainda hoje desconhece.

Operação Fortune: Missão Mortífera

Jason Statham, Aubrey Plaza, Hugh Grant e Cary Elwes interpretam o novo filme de acção de Guy Ritchie. Um agente secreto e a sua equipa de operativos recrutam uma grande estrela de Hollywood para os ajudar numa missão muito perigosa.

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Um Casamento do Pior

Comédia romântica nova-iorquina sobre um casal de namorados que decide que já é altura de os respectivos pais se conhecerem. Só que afinal estes já se conhecem bem demais, porque andam envolvidos uns com os outros. Com Emma Roberts, Luke Bracey, Diane Keaton, Richard Gere, Susan Sarandon e William H. Macy.

Rimini

O novo filme do austríaco Ulrich Seidl tem como protagonista Ritchie Bravo, que foi outrora uma estrela pop de sucesso e hoje actua na estância balnear de Rimini, no Inverno. De súbito, aparece a sua filha adulta, exigindo o dinheiro que ele não tem.

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Seal Team – Brigada Especial

Animação de longa-metragem sobre Quinn, uma foca adorável e tenaz, que junta um grupo de amigos desajeitados para fazer frente a um grupo de tubarões que ocupou a zona do mar a que chamam casa.

Filmes em cartaz esta semana

  • 1/5 estrelas
  • Filmes

Passado entre 1926 e 1932, abrangendo o final do mudo e o advento do sonoro, o novo filme de Damien Chazelle apresenta-se, em simultâneo, como uma sátira dramática e uma celebração dos “anos loucos” de Hollywood e do pioneirismo do cinema americano. Só que Babylon é, por um lado, de um reducionismo primário e historicamente falso na sua representação da indústria cinematográfica da altura (orgias demenciais à noite e filmagens a mata-cavalos de dia), ignorando qualquer envolvência comercial, política ou social (não há qualquer menção ao funcionamento interno dos estúdios ou à Grande Depressão, por exemplo). Pelo outro, é dominado pelo estereótipo da histeria desbragada em todos os aspectos. O que Chazelle recria não é a Hollywood daquela era, mas sim uma Hollywood revisitada pelos clichés boçais e excessivos do cinema nosso tempo, como se estivéssemos numa comédia de Adam Sandler transposta para as décadas de 20 e 30, e que atinge até as personagens (ver a insofrível Nellie de Margot Robbie). As referências a Serenata à Chuva são uma ofensa à memória da era de ouro do musical de Hollywood e a invocação final do lugar-comum da “magia do cinema” é cínica e postiça. No papel de uma grande e afável estrela do mudo que é posta de parte com o sonoro, o pobre Brad Pitt anda por ali perdido, entre elefantes a defecar em jorro, starlets a urinar sobre produtores gordos, paradas de aberrações plebiscitadas por gangsters histriónicos e cenas de vómito projectado que fariam corar o Sr. Creosote dos Monty Python. Até na duração Damien Chazelle é descontrolado: Babylon prolonga-se mais de três horas. Este é um daqueles filmes capaz de dar cabo de uma carreira (e é um grande fracasso de bilheteira nos EUA).

  • 3/5 estrelas
  • Filmes

Primeira longa-metragem da espanhola Carlota Pereda, Porquinha ganhou o Méliès de Ouro de Melhor Filme Fantástico Europeu e é a versão expandida da curta homónima que a realizadora fez em 2018. Num escaldante dia de Verão, a adolescente e anafada Sara, que é constante e cruelmente humilhada e atormentada, por causa do seu aspecto, pelas raparigas populares da vila do interior de Espanha em que vive com a família, assiste ao rapto de três delas por um estranho que ali rondava, faz um pacto mudo com ele e não conta nada a ninguém. Começa então a viver um dilema: ou faz o que a sua consciência lhe dita e vai à polícia dizer o que viu, ou fica em silêncio a saborear a vingança sobre as suas torturadoras. Porquinha é uma engenhosa e eficaz fusão de drama sobre bullying juvenil e os horrores de ser adolescente, e de filme de serial killers, com uma voltinha na ponta. E para que tudo resulte, é fundamental o papel de Laura Galán na atormentada e sofrida Sara. Galán tem 36 anos, mas consegue passar perfeitamente por uma miúda de 15. É uma interpretação de peso – e este juízo não tem absolutamente nada a ver com o aspecto físico dela.

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  • 4/5 estrelas
  • Filmes

Dois falhados que desviam crianças abandonadas da igreja onde são deixadas, para as venderem a casais que querem adoptar, a mãe de um desses bebés, que o tentou recuperar, e um miúdo de um orfanato atravessam a Coreia do Sul numa carrinha, em busca de quem queira ficar com aquele. Em Broker – Intermediários, que Hirokazu Kore-eda foi rodar à Coreia do Sul, o realizador japonês pega num assunto delicadíssimo e grave, e consegue apresentá-lo de diversos pontos de vista sem tomar partido por nenhum deles, com uma leveza que nunca se confunde com frivolidade; comove sem atentar contra a integridade dos nossos sacos lacrimais usando truques melodramáticos; aproxima-nos de personagens com as quais, em princípio, não teríamos a menor empatia, e faz-nos compreender os seus comportamentos sem termos necessariamente de os aprovar; e até introduz alguma comédia na história, sem comprometer o equilíbrio emocional do filme. Kore-eda diz com clareza que cada nascimento é importante, cada vida conta e tem o seu lugar no mundo. Uma ideia que preside a todos os filmes que fez na linha deste.

  • 4/5 estrelas
  • Filmes

Gérard Depardieu estreia-se auspiciosamente na pele do inspector Maigret neste filme de Patrice Leconte em que a personagem de Georges Simenon sofre em silêncio por estar proibido pelo médico de fumar o seu fiel cachimbo, enquanto tenta resolver o assassínio de uma jovem com ar modesto que apareceu morta numa praça de Paris, sem identificação e usando um dispendioso vestido de marca. Leconte recria com fidelidade e detalhe o pequeno mundo profissional, pessoal e familiar deste polícia que prefere “investigar em vez de julgar”, respeitando a psicologia e a reserva emocional da personagem, numa Paris do pós-guerra anónima, invernosa e cheia de recantos inesperados; e Depardieu faz um Maigret adequadíssimo, lacónico, observador e arguto, calcorreando a cidade no decurso das suas investigações e pensando enquanto o faz, sempre atento às falhas, aos pecadilhos e aos podres da natureza humana, e saboreando pequenos prazeres como um copo de vinho, uma “imperial” ao balcão de um bistrot ou uma refeição cozinhada pela Sra. Maigret. E, não contente com isto, basta a Maigret e a Rapariga Morta a canónica hora e meia para contar, e bem, a sua história.

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