O Diabo Veste Prada 2
Macall Polay | Meryl Streep e Anne Hathaway em ‘O Diabo Veste Prada 2’
Macall Polay

Os filmes em cartaz esta semana, de ‘O Diabo Veste Prada 2’ a ‘Divina Comédia’

As estreias de cinema, os filmes em exibição e os novos filmes para ver em streaming, incluindo ‘La Grazia’, ‘Projecto Global’ ou ‘Michael’.

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Tanto cinema, tão pouco tempo. Há filmes em cartaz para todos os gostos e de todos os feitios. Das estreias em cinema aos títulos que, semana após semana, continuam a fazer carreira nas salas. O que encontra abaixo é uma selecção dos filmes que pode ver no escurinho do cinema, que isto não dá para tudo. Há que fazer escolhas e assumi-las (coisa que fazemos, com mais profundidade nas críticas que pode ler mais abaixo nesta lista). Nas semanas em que há estreias importantes de longas-metragens no streaming, também é aqui que as encontra. Bons filmes.

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Filmes em estreia esta semana

O Diabo Veste Prada 2

Vinte anos depois do primeiro filme, Meryl Streep e Anne Hathaway estão de regresso aos papéis de Miranda e Andy, tal como Stanley Tucci ao de Nigel. Emily (Emily Blunt), a antiga assistente de Miranda, é agora a influente executiva de uma grande marca de produtos de luxo, o tipo de anunciante que Miranda precisa para salvar a revista que dirige e que está em declínio de tiragens e vendas, e sob o efeito de um artigo desleixado que desencadeou uma onda de críticas e de troça nas redes sociais. Entra então em cena Andy, nomeada editora de reportagens para ajudar a melhorar a situação e a imagem da publicação.

Divina Comédia

Comédia satírica do realizador iraniano Ali Asgari, que se centra num cineasta e na sua produtora que, após não conseguirem a obrigatória autorização das autoridades culturais para estrearem o seu novo filme, dado que é falado em turco e não em farsi, vão tentar exibi-lo sem a licença oficial. Um risco para eles, bem como para quem aceder a ajudá-los. E não vai ser nada fácil concretizar este plano.

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Sonhos

Filme do mexicano Michel Franco em que Jessica Chastain interpreta uma socialite e filantropa americano que se envolve amorosamente com um talentoso bailarino mexicano (Isaac Hernández), que alguns anos antes foi expulso dos EUA por ser um imigrante ilegal. Ela quer ajudá-lo e estar com ele, mas também não quer abrir mão da sua existência privilegiada. 

O Acidente com o Piano

No novo filme do francês Quentin Dupieux, uma influenciadora conhecida pelos conteúdos chocantes que publica, retira-se para um chalé nas montanhas com a sua assistente, após ter sofrido um acidente. Mas aparece um jornalista que a começa a chantagear. Interpretações de Adèle Exarchopoulos, Sandrine Kiberlain e Jérôme Commandeur.

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As Correntes

Fita da cineasta suíço-argentina Milagros Mumenthaler, sobre uma estilista argentina de 34 anos que, no auge da sua carreira e após uma cerimónia de prémios, regressa a Buenos Aires para tentar enterrar um segredo da sua vida. Só que o passado que deixou para trás regressa para a ameaçar.

Fuze – Explosão Iminente

Filme de acção e suspense realizado por David Mackenzie, com Sam Worthington, Aaron Taylor-Johnson e Theo James. Uma bomba não detonada da II Guerra Mundial é descoberta no centro de Londres, onde se instala o caos. É cobertura ideal para o assalto a um banco.

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Besta

Russell Crowe, Luke Hemsworth e Daniel MacPherson interpretam esta fita em que um antigo e lendário lutador de MMA tem que voltar ao ringue para pagar as dívidas do irmão, que sofreu uma grave lesão no ringue.

Damas

Documentário ficcionado de Cláudia Alves, que recorda as senhoras da sociedade que se tornaram enfermeiras voluntárias da Cruz Vermelha durante a I Guerra Mundial, para irem tratar os militares portugueses feridos e doentes em França.

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Caronte

Tânia Gomes Teixeira assina este trabalho documental sobre um reformado do Porto que se dedica, seis dias por semana, a resgatar os corpos das pessoas que se suicidam atirando-se da Ponte D. Luís I para o Douro.

That Time I Got Reincarnated as a Slime O Filme: Lágrimas do Mar Azul-Celeste

Longa-metragem animada japonesa extraída de uma série de televisão. Rimuru e os seus amigos vão visitar a ilha privada da Imperatriz Celestial Hermesia. Aparece então uma mulher misteriosa, Yura.

Filmes em cartaz esta semana

  • Filmes
  • Drama
  • 4/5 estrelas
  • Recomendado

Toni Servillo volta a ser o principal intérprete do novo filme de Paolo Sorrentino, interpretando Mariano De Santis, um Presidente da República italiano fictício, um viúvo conservador, católico e muito consciencioso, e estimado e admirado pela população e pelos seus colaboradores. De Santis está a seis meses de acabar o mandato e tem de tomar duas grandes decisões antes de ir para casa. Promulgar ou vetar uma lei da eutanásia, e conceder ou não perdões a um homem e uma mulher que mataram os respectivos cônjuges. Ao mesmo tempo, atormenta-se diariamente por não saber com quem a falecida mulher, que adorava, o traiu. Desconfia do seu amigo mais antigo que é ministro do actual governo, e a sua melhor amiga e da mulher, sabe quem é, mas jurou a esta nunca lho dizer.

Com contenção, sobriedade, um conhecimento profundo da natureza humana e um superior sentido da composição cinematográfica, Paolo Sorrentino assina um filme sobre os dilemas morais e éticos de um homem que sempre se guiou pela sua consciência e se sente desconfortável a tomar decisões socialmente fracturantes, que é também uma meditação sobre o peso e a solidão do poder, sobretudo em momentos determinantes e dramáticos da vida política. Toni Servillo tem mais uma interpretação notável no papel de De Santis, dizendo quase tudo o que é preciso com um olhar, uma expressão, uma postura, uma frase seca e curta.

Projecto Global

Ivo Canelas, Jani Zhao, Gonçalo Waddington, Adriano Luz, João Catarré e Rodrigo Tomás são alguns dos intérpretes desta realização de Ivo M. Ferreira, que terá também uma versão para televisão, a exibir na RTP. A história passa-se no Portugal dos anos 80 e centra-se no agrupamento terrorista de extrema-esquerda FP-25 (Forças Populares 25 de Abril), que ameaçou o regime democrático recém-instaurado, através de uma série de ataques a tiro, atentados bombistas e assaltos a dependências bancárias e carrinhas de transporte de valores, entre 1980 e 1987, causando 19 mortes, incluindo um bebé.

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Michael

Jaafar Jackson, sobrinho de Michael Jackson, interpreta o tio nesta fita biográfica assinada por Antoine Fuqua (Dia de Treino), fazendo também a sua estreia no cinema. A história acompanha a carreira do malogrado “Rei da Pop” desde que fazia parte dos Jackson 5 com os irmãos, até aos anos 80, quando se transformou numa estrela planetária. Michael custou 155 milhões de dólares, é produzido e controlado pela família e por próximos do músico e cantor, e inclui 30 canções do catálogo musical de Michael Jackson. Colman Domingo, Nia Long e Miles Teller constam também do elenco.

A Mulher Mais Rica do Mundo

Marianne (Isabelle Huppert) é a mulher mais rica do mundo. Pierre-Alain (Laurent Lafitte) é um jovem artista, fotógrafo e escritor gay. Conhecem-se numa sessão fotográfica e ficam inseparáveis. Esta relação surpreende e intriga as pessoas, e perturba os colaboradores e os familiares da multimilionária. A filha de Marianne, em particular, tem dificuldade em aceitar a cumplicidade dela com um homem mais novo, que adora dinheiro e recebe muito da mãe, além de presentes caros. Este filme de Thierry Klifa é inspirado no caso real de Liliane Bettencourt, a riquíssima herdeira do império da L’Oréal.

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  • Filmes
  • 3/5 estrelas
  • Recomendado

Com narração de Jane Fonda, Lisa Azuelos e Thierry Teston contam-nos tudo sobre uma das canções mais célebres, mais carismáticas, com mais versões e mais cantadas do planeta, “nascida” em França nos anos 60 com o título “Comme d’habitude” e co-assinada cantada e gravada por Claude François, comprada e trazida para os EUA por Paul Anka, que a retrabalhou, deu-lhe um novo título e a passou a Frank Sinatra, que a popularizou mundialmente e a tornou no seu hino pessoal, apesar de ter acabado por se fartar dela. Mas há muito mais para dizer sobre “My Way”, e Azuelos e Teston conseguem esgotar o tema, tocando até nalguns aspectos insólitos em redor da canção, caso da remota associação de David Bowie com ela ou dos tiroteios mortais nos clubes de karaoke das Filipinas.

  • Filmes
  • Suspense
  • 3/5 estrelas
  • Recomendado

Há filmes que aparecem de vez em quando (embora cada vez menos) que parece que foram metidos numa máquina do tempo no passado e enviados para serem vistos na nossa época. É o caso de Good Boy – Terapia de Choque, do polaco Jan Komasa. Ajudará talvez dizermos que por trás dele está o veterano dramaturgo, actor e realizador polaco Jerzy Skolimowski, um dos nomes maiores do cinema de Leste, quase à beira dos 90 anos e autor de fitas como Adolescente Perversa, O Uivo, Moonlighting ou EO, Prémio do Júri do Festival de Cannes em 2022. Good Boy – Terapia de Choque aparenta ter vindo directamente desses anos 70 abundantes em fitas originais, inquietantes, fora dos formatos convencionais, que desafiavam rótulos e classificações, e fugiam a identificações com tendências, escolas ou géneros bem específicos. Komasa é o autor do muito bom Corpus Christi – A Redenção (2019), nomeado ao Óscar de Melhor Filme Internacional, e do menos conseguido Anniversary – Mudança Radical, rodado nos EUA. Juntamente com Jeremy Thomas, Jerzy Skolimowski é também o produtor do filme (e não teríamos estranhado se tivesse decidido realizá-lo), escrito em polaco e passado originalmente em Varsóvia, e que foi adaptado para língua inglesa e ambientado no Yorkshire.

Tommy (Anson Boon) é um rapaz de 19 anos completamente destravado e dado a todo o tipo de excessos e de comportamentos delinquentes, que filma com o telefone e depois partilha no Tik Tok. Uma noite, e quando Tommy vai a cambalear para casa, é raptado. Horas depois, acorda numa mansão algures no campo, em cima de um colchão na cave e acorrentado. Na casa vive uma família composta pelo seu raptor, Chris (Stephen Graham), a mulher deste, Kathryn (Andrea Riseborough) e o filho de ambos, Jonathan (Kit Rakusen), com dez anos. Há ainda uma empregada, a macedónia Rina (Monika Frajczyk), que vai lá fazer as limpezas duas vezes por semana. Chris, um adepto da segurança nas estradas e dos valores familiares tradicionais, explica então a Tommy que o raptou porque ele é um péssimo exemplo para a sociedade, e que por isso o vai reeducar e reabilitar à força, com a ajuda da mulher e do filho. Se o rapaz se portar bem, mostrar progressos e se arrepender da sua vida desregrada e renegar os seus comportamentos anti-sociais, irá tendo pequenas regalias pouco a pouco. Por exemplo, uma corrente mais longa presa ao pescoço, e que lhe permite ir à casa de banho, mais liberdade de circulação pela casa, oportunidades de convívio com a família – incluindo comer com ela à mesa – e até mesmo deixar a cave e ter um quarto só para ele.

Dizer mais sobre o enredo de Good Boy – Terapia de Choque e a maneira como vai progredir é incorrer no risco de começar a alinhar spoilers. Mas sempre podemos adiantar que Tommy vai ter mais surpresas com os seus captores do que aquelas que poderia pensar, tal como os próprios captores com ele, bem como os espectadores; e que, embora de uma forma insólita, arrevesada e desconcertante, este é um filme que defende a família e a sua importância. Das mãos de Jan Komasa saiu um genuíno OVNI cinematográfico, e não fazia mal nenhum se de vez em quando aparecessem nos cinemas mais fitas saídas da tal máquina do tempo como Good Boy – Terapia de Choque.

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Cervantes: Antes de Dom Quixote

Alejandro Amenábar realiza este filme histórico que se foca nos cinco anos em que Miguel de Cervantes esteve em cativeiro em Argel, após ter sido capturado pelos turcos. A fita retoma também a tese (nunca comprovada) da homossexualidade do escritor, que aqui se envolve num romance com o governante da cidade, o bei Hassan, um veneziano que renegou o cristianismo e se converteu ao islamismo. Interpretações de Julio Peña e Alessandro Borghi.

  • Filmes
  • 4/5 estrelas
  • Recomendado

Vencedor do Festival de San Sebastián e de cinco Goyas, este drama da cineasta espanhola Alauda Ruiz de Azúa centra-se em Ainara (Blanca Soroa), uma jovem de 17 anos que perdeu a mãe precocemente e vive em Bilbau com o pai, dono de um restaurante, e com as duas irmãs mais novas. Há ainda a avó, e a tia, irmã do pai, que trata a sobrinha mais velha como uma filha, e é casada com um argentino, do qual tem um rapazinho. Ainara espalha a confusão e a apreensão na família quando anuncia que quer ser freira e professar numa ordem de clausura logo que acabar o secundário. A tia, muito em especial, pelo amor que nutre a Ainara mas também por ser anti-clerical, é quem encara com mais revolta e temor a decisão da rapariga.

Magnificamente escrito, serenamente filmado e muito bem interpretado por todo o elenco, principal e secundário, Os Domingos é um filme exemplar de objectividade e honestidade intelectual, ao tratar um tema tão delicado e controverso como este, com justeza, equilíbrio e atenção aos argumentos e pontos de vista das partes envolvidas, sem o menor viés ou qualquer suspeita de proselitismo, pró ou anti-religioso. Blanca Soroa é notável na jovem, tranquila e convicta Ainara, que tem toda a certeza da sua vocação, e de ter sido chamada a ela por um poder maior e indizível, que não consegue explicar aos seus mais próximos, que temem por ela porque a amam muito. Tanto como o amor que ela sente por Cristo, a quem vai entregar a sua vida no convento. Filme singular, a contrapelo dos tempos que correm, Os Domingos é, desde já, uma das melhores estreias deste ano.

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Nino

Neste primeiro filme da francesa Pauline Loquès, Nino segue o protagonista do mesmo nome por Paris, após ter sabido que tem cancro e que o tratamento tem que começar dentro de três dias. Nino está prestes a fazer 30 anos e terá que dar a notícia a família e amigos, mas não tem coragem para o fazer, envolvendo-se numa sequência de peripécias.

Caso 137

Inspectora adstrita ao IGNP, a “polícia da polícia” francesa, Stéphanie (Léa Drucker) está a investigar uma queixa de uma civil contra membros da Brigada de Intervenção, que acusa de terem maltratado injustificada e brutalmente o seu filho, durante uma manifestação dos Gilets Jeunes em Paris. Drucker ganhou o César de Melhor Actriz pela sua interpretação neste filme policial de Dominik Moll.

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O Drama

Comédia negra filmada nos EUA pelo norueguês Kristofer Brogli (Sick of Myself, O Homem dos Teus Sonhos), com Robert Pattinson e Zendaya. Charlie (Pattinson) e Emma (Zendaya) vão-se casar, mas durante um jantar com a sua dama de honor e o marido, a rapariga revela um segredo do tempo do liceu que nunca contou a ninguém, e tudo muda em seu redor.

  • Filmes
  • Animação
  • 3/5 estrelas
  • Recomendado

O francês Sylvain Chomet, realizador das geniais longas-metragens de animação Belleville Rendez-Vous (2003) e O Mágico (2010), não fazia um filme animado de grande fôlego desde este último (a comédia de imagem real Attila Marcel, de 2013, é o seu trabalho recente mais significativo). Chomet acalentava há alguns anos um projecto ambicioso em termos de animação: uma fita sobre Victor Hugo baseada nos desenhos do autor de Os Miseráveis, que estava a começar a preparar quando foi abordado por Nicolas Pagnol, neto do escritor, dramaturgo e realizador Marcel Pagnol, que lhe propôs contar a vida do avô em desenhos animados, para assinalar, em 2025, os 130 anos do nascimento do autor de César e A Mulher do Padeiro. E Chomet aceitou a proposta, pondo na gaveta o filme sobre Victor Hugo e realizando, em animação tradicional, desenhada à mão, como é seu apanágio, Marcel e Monsieur Pagnol.

Marcel Pagnol (1895-1974) é uma das maiores figuras da cultura e das artes francesas do século XX, do qual se diz que “deu a conhecer à França o sotaque dos naturais do Sul do país”. Nascido em Aubagne, na Provença, Pagnol tem uma vasta obra teatral, literária, ensaísta e cinematográfica, e as suas peças e filmes passam-se quase todas no Sul, nomeadamente em Marselha. O que não impediu o terem-se tornado populares e aclamadas em toda a França, bem como internacionalmente, transformando-o num autor cujo regionalismo, longe de lhe tolher o alcance, o converteu num dos mais bem-amados em França e fez atingir uma dimensão universal. 

Basta referir a sua Trilogia Marselhesa, composta pelas peças Marius, Fanny e César, que começou a vida nos palcos e foi depois adaptada a filme pelo próprio Marcel Pagnol nos estúdios que abriu em Paris e em Marselha em 1932. Isto para ter plena liberdade em termos cinematográficos e não deixar a outros a transposição para a tela das suas peças e textos literários (Pagnol teve, inclusivamente, o sonho de construir uma “Hollywood francesa” na Provença, numa grande propriedade com um castelo que comprou em 1941, um projecto que a II Guerra Mundial não lhe permitiria concretizar). E há ainda títulos como Angèle, Topázio, Schpountz, O Anjinho, O Porto dos Sete Mares ou A Filha do Poceiro. Outros realizadores, como Claude Berri, Yves Robert ou Christopher Baratier iriam, após a morte de Marcel Pagnol, também filmaram peças e livros dele, o que contribuiu para manter a sua perenidade. 

Marcel e Monsieur Pagnol começa tarde, em 1955, na casa de Paris de um Marcel Pagnol sexagenário (a voz é de um irrepreensível Laurent Lafitte), com a reputação feita, aclamado, premiado e abastado. Só que o autor de Cartas do Meu Moinho está desalentado. Tão desalentado, que até pensa não escrever nem mais uma linha e reformar-se, já que as suas duas últimas peças não agradaram ao público nem à crítica, estiveram pouco tempo em cena e foram fracassos comerciais consideráveis. É então que durante uma festa, Hélène Lazareff, a fundadora da revista Elle, e o seu marido Pierre, o criador do diário France-Soir, grandes amigos e admiradores de Pagnol, convidam-no para fazer uma crónica semanal naquela revista, centrada nas suas recordações de infância.    

O escritor aceita, mas quando se senta na secretária do seu escritório para redigir o primeiro texto, não sabe por onde começar e volta a desanimar. É então que lhe aparece o seu “eu” infantil, o pequeno Marcel que ele foi, que o vai ajudar na redacção da crónica, levando Marcel e Monsieur Pagnol para o passado, para os primeiros anos do século XX, para que Sylvain Chomet nos possa contar, com o seu inconfundível estilo animado, usando aqui e ali imagens de época e dos filmes de Pagnol, e conseguindo abranger os seus principais factos biográficos, a longa, rica e magnífica vida de Marcel Pagnol, com todos os seus altos e baixos, os momentos tristes, trágicos e fracassados como os de alegria, felicidade e glória. Marcel e Monsieur Pagnol é a mais original e melhor homenagem que Marcel Pagnol podia ter tido nos 130 anos do seu nascimento. E com sotaque do seu Sul natal, está claro.

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  • Filmes
  • Ficção científica
  • 4/5 estrelas
  • Recomendado

É num livro de Andy Weir, o autor de O Marciano (filmado por Ridley Scott) que se baseia Projecto Hail Mary, realizado pela dupla Phil Lord e Christopher Miller (O Filme Lego). O herói é Ryland Grace (Ryan Gosling), um professor de Ciências e que acorda numa nave espacial e constata que não só está perdido no cosmos, como também perdeu a memória e os outros dois tripulantes morreram durante o hipersono. Não se recorda de quem é, da razão por que está naquela nave ou da missão que tem que desempenhar.

Em vez de perder a cabeça de vez, Ryland consegue manter a calma, concentrar-se e procurar pistas que o esclareçam, e pouco a pouco vai-se lembrando de tudo. É o único sobrevivente de uma tripulação que foi enviada ao sistema de Tau Ceti para procurar uma solução para um acontecimento catastrófico que se deu na Terra, e que ameaça a sobrevivência da humanidade: umas estranhas partículas, os Astrofagos, estão a “comer” a luz do Sol e o nosso planeta tem 30 anos antes de mergulhar na escuridão e numa era glaciar permanentes.

Para se manter vivo e conseguir cumprir a sua missão, Ryland vai ter que confiar nos seus vastos conhecimentos científicos, no seu engenho e na vontade humana. Mas ao contrário do que pensa, a sua busca por respostas para resolver ao que se passa na Terra não será solitária, já que contará com uma ajuda completamente inesperada. Ela virá de um extraterrestre chamado Rocky, uma espécie de cruzamento de uma rocha com um aracnídeo, também ele único sobrevivente da sua nave e cujo sol do seu planeta está igualmente sob a mesma ameaça do da Terra. E Ryland e Rocky vão primeiro ter que conceber uma forma de comunicar antes de começar a colaborar, bem como de ultrapassar o problema de viverem em atmosferas diferentes.

Épico de aventuras cósmicas, buddy movie em que um humano e um alienígena se tornam os mais improváveis dos amigos, comédia dramática interestelar e filme de suspense da modalidade “Planetas em perigo”, Projecto Hail Mary é um dos melhores filmes de ficção científica sobre o tema do “primeiro contacto” dos últimos tempos, deixando uma mensagem positiva e optimista sobre o papel da ciência e da tecnologia na resolução de problemas graves, e a possibilidade de humanos e extraterrestres travarem amizade e se entenderem e trabalharem em conjunto para o bem de ambas as espécies.

Ryan Gosling é mesmo muito bom no atarantado mas inteligente e expedito Grace, e Rocky, uma criatura animatrónica em cuja criação e manipulação estiveram envolvidos o veterano e oscarizado técnico Neal Scanlon, e o premiado bonecreiro e actor James Ortiz, resulta perfeitamente como personagem credível e a sua empatia com os espectadores é igual à que estabelece com o seu amigo humano. A não perder.  

  • Filmes
  • Documentários
  • 3/5 estrelas
  • Recomendado

Documentário sucinto (tem pouco mais de uma hora) mas bastante elucidativo de Lee Shulman sobre o genial e idiossincrático fotógrafo inglês Martin Parr, que morreu há pouco tempo, e que é filmado nas suas andanças em busca de boas fotos, em especial pelas praias de Inglaterra. Enquanto isso, amigos, artistas, colegas, colaboradores da sua fundação, galeristas, a mulher, Susie, e o próprio Parr, sempre sorridente e cheio de bonomia, falam sobre a sua obra (e não esquecem as fotos a preto e branco da fase inicial da sua carreira) e a sua personalidade, e contam histórias significativas e saborosas, como a da “alergia” que muitos fotógrafos da Agência Magnum lhe tinham, votando por isso contra a sua entrada (eventualmente, Parr acabou, e com toda a justiça, por fazer parte dos quadros da Magnum).

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  • Filmes
  • Suspense
  • 3/5 estrelas
  • Recomendado

Quem é Vladimir Putin? Como é que ele apareceu na paisagem política da Rússia após o fim do comunismo? Quem é que o ajudou na sua ascensão ao poder e a instalar-se no Kremlin? Foi para responder a perguntas como esta que o consultor político e escritor italo-suíço Giuliano da Empoli assinou O Mago do Kremlin, uma obra de ficção com alicerces na realidade, publicada em 2022, pouco antes do início da guerra na Ucrânia. O narrador, um investigador que foi à Rússia em trabalho, é contactado, em Moscovo, por Vadim Baranov, antigo encenador de teatro e produtor de reality shows, que ajudou a levar Vladimir Putin ao poder e se tornou na sua “eminência parda” e homem de total confiança, antes de se retirar da vida política activa.

Baranov, cuja figura é inspirada muito livremente por Vladislav Surkov, um publicitário, homem de negócios e político, e durante muitos anos o principal conselheiro político de Putin, conta então toda a sua vida antes de entrar nos bastidores do poder e se tornar unha com carne com Putin. O que abrange cerca de três décadas da história recente da Rússia, começando nos anos 90, no pós-comunismo, abrangendo a Perestroika, a presidência de Boris Ieltsin, o advento dos oligarcas e o ambiente de total liberdade e de euforia social e artístico-cultural, mas também de violência e de caos político, e de desastre económico eminente vivido na Rússia de então.

Segue-se o aparecimento de Vladimir Putin, um homem do FSB (o organismo sucessor do KGB), escolhido pelo oligarca Boris Berezovsky (na altura o patrão de Baranov) e seus próximos como candidato a primeiro-ministro, e a sua subsequente eleição como Presidente, a anulação do poder dos oligarcas e a consolidação daquele no Kremlin, qual “novo Czar”. A guerra na Chechénia, o desastre do submarino nuclear Kursk e o sucesso mediático e de propaganda dos Jogos Olímpicos de Inverno de Sochi são alguns dos grandes acontecimentos dessa época também referidos por Baranov. Segundo este explica ao seu interlocutor a certa altura da sua conversa, o poder “é uma forma de expressão artística”.

O Mago do Kremlin era um livro actual e suculento demais para não ser adaptado ao cinema, e quem ganhou a corrida aos direitos foi o realizador francês Olivier Assayas, que os adquiriu em 2024 e começou de imediato a trabalhar no guião do filme, juntamente com o escritor e realizador Emmanuel Carrère, conhecedor da história e da cultura da Rússia, tendo Giuliano da Empoli como consultor. Para Assayas, o grande interesse do livro reside “na forma como nos fala do poder a partir do seu interior, e dos mecanismos do seu funcionamento”, neste caso específico, do poder na Rússia tal como Vladimir Putin o personifica, domina e dirige – através de uma pessoa que o conheceu por dentro, até ao mais pequeno pormenor, e aconselhou e privou com o seu maior e mais carismático representante –, e não visto e analisado de fora.

Assayas teve que escolher um elenco essencialmente anglo-saxónico, com um actor de língua inglesa e de primeiro plano a interpretar Vladimir Putin, ou então não teria conseguido o financiamento para rodar O Mago do Kremlin. Assim, Jude Law é Putin e o americano Paul Dano personifica Baranov. O interlocutor deste é agora um americano chamado Rowland (Jeffrey Wright). Ksenia, a grande paixão da vida de Baranov, e mãe da sua filha, é vivida por Alicia Vikander, e os oligarcas Boris Berezovsky e Dmitri Sidorov ficaram a caso dos britânicos Will Keen e Tom Sturridge, respectivamente. A Lituânia faz as vezes da Rússia no filme, por ser o país que, segundo o realizador, melhor passa visualmente por aquela. 

Entre outras alterações mais ou menos significativas feitas por Olivier Assayas e Emmanuel Carrère à narrativa de Giuliano da Empoli, o final do filme é (e de forma controversa) diferente do do livro. O que muda pouco e continua muito bem claro na fita, é a figura semi-maquiavélica de Sourkov/Baranov, e o seu singular percurso, de jovem encenador de teatro de vanguarda e frequentador dos meios culturais underground russos na década de 90, a homem forte de uma televisão privada detida por um dos mais ricos e influentes oligarcas, e finalmente a figura central da propaganda e da máquina de poder do Kremlin, e “homem na sombra” de Vladimir Putin, consultor e confiante deste, e ainda principal criador da sua imagem pública. 

Neto de um aristocrata anti-comunista e filho de um dignitário cultural da antiga URSS, intelectual e homem do terreno, simultaneamente testemunha e actor, observador lúcido e protagonista empenhado, com as mãos todas metidas na massa da política (ao mais alto nível como ao mais rasteiro) mas também dotado de muita capacidade de recuo para analisar os seus actos e os efeitos que têm, bem como reflectir sobre o seu comportamento e o de todos que gravitam em seu redor, Vadim Baranov é, mais do que Vladimir Putin, a figura mais complexa, fascinante e intrigante de O Mago do Kremlin.

  • Filmes
  • 4/5 estrelas
  • Recomendado

Na sua origem, Kill Bill era para ser um só filme com quatro horas de duração, tal como Quentin Tarantino o havia pensado. Por razões comerciais, alguma pressão do produtor e porque Tarantino queria ter mais tempo disponível para trabalhar naquele que seria o segundo filme, foi lançado em duas partes e o realizador apenas passou a versão de quatro horas (que teve estreia mundial no Festival de Cannes de 2006, fora de competição) em visionamentos privados, para amigos e gente da indústria cinematográfica, com uma breve estreia comercial na sala de cinema de que é dono em Los Angeles. Ei-la agora enfim nos cinemas, combinando os Volumes 1 e 2, com cenas eliminadas na montagem e planos alternativos, uma remasterização da luta dos Crazy 88 com a Noiva de Uma Thurman, um acrescento à sequência de anime e uma nova curta-metragem de 10 minutos, feita em 2025. Total: 4 horas e 35 minutos de filme, com intervalo incluído.

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O Estrangeiro

Depois da versão de 1967 assinada por Luchino Visconti e interpretada por Marcello Mastroianni e Anna Karina, é agora a vez de François Ozon adaptar ao cinema o célebre livro de Albert Camus passado na Argélia, com Benjamin Voisin no papel de Mersault, um modesto e lacónico amanuense de trinta e poucos anos. Ele vai ver a sua rotina quotidiana perturbada pela morte da mãe, e por um encontro fatídico numa praia. Também com Rebecca Marder, Pierre Lotin e Denis Lavant.

  • Filmes
  • Animação
  • 3/5 estrelas
  • Recomendado

A nova animação da Pixar/Disney põe em cena Tamara, uma rapariga de 19 anos que adora animais, em especial castores, e que aproveita uma nova tecnologia que transfere a mente humana para animais robóticos, para incarnar num castor e ir avisar aqueles que vivem perto da sua cidade que uma nova obra da Câmara Municipal ameaça destruir o seu habitat. Só que o alarme vai causar uma insurreição em todos os animais da zona, que ameaça os humanos, e muito em especial o velhaco presidente da Câmara. O antropomorfismo sempre deu bons resultados para a Disney, e o mesmo se pode dizer para a Pixar em Saltitões, uma animadíssima e muito bem-disposta comédia passada no reino animal (com alguns gags cinéfilos lá pelo meio, caso de um que remete para Tubarão, de Steven Spielberg), que veicula uma simpática (e nunca intrometida) mensagem em prol da conservação da natureza. E que pode ser apreciada igualmente por miúdos e crescidos.

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Crime em Directo

Gus Van Sant recria nesta fita os acontecimentos de um dia de Fevereiro de 1977, em Indianapolis, quando um cidadão chamado Tony Kiritsis sequestrou com uma caçadeira o vice-presidente de uma companhia de hipotecas e crédito, acusando-o e ao pai, o presidente, de o terem enganado num empréstimo e levado à falência. Com Bill Skarsgard, Dacre Montgomery, Al Pacino, Colman Domingo e Cary Elwes.

  • Filmes
  • 3/5 estrelas
  • Recomendado

Autor de alguns dos melhores filmes sul-coreanos dos últimos anos, caso de Em Nome da Vingança, Oldboy – Velho Amigo, Thirst – Este é o Meu Sangue ou A Criada, bem como da série de espionagem A Rapariga do Tambor, Park Chan-wook centra Sem Alternativa, a sua nova realização, em Man-su (um excelente Lee Byung-hun, de Squid Game), um homem que trabalha na indústria do papel, ficou desempregado e está a cair no desespero, porque a sua família vai perder o confortável estilo de vida que conseguiu atingir, bem como a moradia onde ele passou a infância e que conseguiu voltar a comprar, e melhorou e tornou mais acolhedora com as suas próprias mãos. Man-su descobre então a maneira de garantir uma possibilidade de trabalho que apareceu: eliminar os outros candidatos mais fortes ao lugar.

Sem Alternativa baseia-se em The Ax, um livro do americano Donald E. Westlake, já filmado por Costa-Gavras em 2005, em Golpe a Golpe, e é uma combinação de comédia muito negra, policial de recorte slapstick e sátira com alerta embutido a uma nova modalidade de capitalismo e a um mundo do trabalho em rápida alteração, no qual os robôs e a Inteligência Artificial estão a eliminar milhares e milhares de empregos. Chan-wook consegue manter tudo interligado e levar a azafamada história a bom e amoral termo, mesmo apesar de um enredo quebra-costas que se extravia aqui e ali, de alguma palha narrativa e de uns 15 minutos que podiam ter saltado na montagem.

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O Monte dos Vendavais

Jacob Elordi interpreta Heathcliff e Margot Robbie é Kathy em mais uma adaptação ao cinema do romance de Emily Bronte, sobre a história de amor arrebatada e destrutiva entre aquelas duas personagens, tendo como pano de fundo a paisagem agreste do Yorkshire. A realizadora Emerald Fennell assinou antes Uma Miúda com Potencial (2020) e Saltburn (2023). A primeira versão para cinema deste clássico data de 1920, e a primeira para televisão foi feita em 1953, para a BBC.

+ O Monte dos Vendavais: uma nova visão do amor de Cathy e Heathcliff

A Voz de Hind Rajab

Grande Prémio do Júri no Festival de Veneza, The Voice of Hind Rajab é a dramatização de um episódio ocorrido em Gaza, a 24 de Janeiro de 2024. Hind Rajab, uma menina palestiniana de seis anos, ficou presa num carro debaixo de fogo, e ligou para o Crescente Vermelho a pedir ajuda. Continuando sempre a falar com ela, os voluntários desta organização tentaram tudo para conseguir mandar-lhe uma ambulância. A realizadora tunisina Kaouther Ben Hania usou aqui a gravação real da chamada.

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Valor Sentimental

O norueguês Joachim Trier (A Pior Pessoa do Mundo) ganhou o Grande Prémio do Festival de Cannes de 2024 com Valor Sentimental, interpretado por Renate Reinsve, Inga Ibsdotter Lilleaas, Elle Fanning e Stellan Skarsgard. Duas irmãs, Agnes e Nora Borg, reencontram o pai, Gustav, um conhecido cineasta, muitos anos após ele as ter abandonado e à mulher, e ido para a Suécia. Gusrav oferece a Nora, actriz de teatro, o papel principal no seu novo filme. Mas ela recusa e o pai, magoado, entrega-o a uma jovem estrela de Hollywood, reabrindo antigas feridas familiares. Nomeado para nove Óscares.

Filmes em estreia no streaming

Cleaner

Filme de acção realizado por Martin Campbell. Uma ex-membro das forças especiais inglesas que trabalha como lavadora de janelas de arranha-céus, vai ter que enfrentar um comando de extremistas que fez 300 reféns numa gala, incluindo o seu irmão mais novo. Com Daisy Ridley, Clive Owen, Matthew Tuckley e Rufus Jones.

Prime Video. Estreia a 23 de Abril

Predador Dominante

Sasha (Charlize Theron), uma amante de desportos radicais, vai escalar uma montanha ameaçadora e enfrentar um rio traiçoeiro. Mas irá descobrir que a natureza não é o único perigo que a espera. Eric Bana, Taron Egerton e Matt Whelan também fazem parte deste thriller de acção filmado na Austrália por Baltasar Kormákur.

Netflix. Estreia a 24 de Abril

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