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Os 100 melhores filmes de comédia de sempre

Se rir é o melhor remédio, esta lista é uma farmácia. Apresentamos as 100 melhores comédias da história do cinema

The Big Lebowski
Por Dave Calhoun, Cath Clarke, Phil de Semlyen, Alim Kheraj, Tom Huddleston, Trevor Johnston, David Jenkins, Kate Lloyd, Tom Seymour, Anna Smith, Ben Walters, Adam Lee Davies, Phil Harrison, Derek Adams, Wally Hammond, Edward Lawrenson e Gabriel Tate |
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Qualquer lista de melhores filmes de comédia de sempre é discutível (mas qual é que não é?), que isto do humor varia muito de pessoa para pessoa. Então como é que se escolhem os melhores? Com seriedade e abrangência. Mais concretamente, falando com peritos, desde cómicos a actores, realizadores e escritores. 

Desde películas clássicas a outras mais recentes e de sucessos de bilheteira a filmes mais experimentais, por assim dizer, estas comédias são fonte contínua de gargalhadas ou sorrisinhos sarcásticos, tanto faz, perante a imaginação cómica ou o puro disparate transformado em arte de fazer rir.

Recomendado: As escolhas dos peritos

Os 100 melhores filmes de comédia de sempre

100

Um Sogro do Pior (Meet The Parents, 2000)

Realizador: Jay Roach

Elenco: Ben Stiller, Robert De Niro

Conhecer os pais de uma namorada ou namorado, convenhamos, está entre as coisas mais stressantes a que uma pessoa é sujeita, mas para Greg Focker (Ben Stiller) é muito pior do que se pensa. Começa logo por o potencial sogro (Robert De Niro) ser um antigo agente da C.I.A. desconfiado por natureza e com um polígrafo à sua disposição para detectar mentiras. Durante a visita, o azar de Focker e uma certa dose de trapalhice como que surgem em catadupa, acumulando as desconfianças do sogro, enquanto a pretendida (Teri Polo) tenta justificar as acções do futuro noivo. Stiller está hilariante e De Niro, claro, é um dos actores mais capazes de nunca parecer satisfeito.

99

Giras e Terríveis/ Mean Girls (2004)

Realizador: Mark Waters

Elenco: Lindsay Lohan, Jonathan Bennett 

Quando Cady (Lindsay Lohan) deixa de ser educada em casa pelos pais, em África, e é transferida para uma escola nos Estados Unidos, digamos que tem um acordar violento. Confrontada com a hierarquia escolar onde a popularidade significa tudo, a rapariga dá por ela infiltrada entre a nata feminina da escola. O argumento engendrado por Tina Fey está recheado de momentos com piada, a que se devem acrescentar algumas reviravoltas, mas na verdade este filme de Mark Waters revela uma grande empatia pelas personagens, resultado de um olhar conhecedor e ironicamente crítico do ambiente escolar.

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98

Pulp Fiction (1994)

Realizador: Quentin Tarantino

Elenco: John Travolta, Samuel L. Jackson

É Pulp Fiction uma comédia? Talvez apenas no sentido de que todos os filmes de Quentin Tarantino, de Cães Danados a Os Oito Odiados, mantêm uma sólida corrente de humor negro entre si, e, seja qual for o género ou a história, são geralmente alimentados pela contradição entre as falas das suas personagens e a violência dos argumentos. Isso deve-se em grande parte à forma como Tarantino usa a linguagem, bastante bem exemplificado, nesta fábula criminal estilizada, pelos assassinos a soldo interpretados por John Travolta e Samuel L. Jackson, mastigando a gordura dos seus hambúrgueres favoritos ou discutindo as razões por que um deles se recusa a comer carne de porco.

97

Esquadrão de Província/ Hot Fuzz (2007)

Realizador: Edgar Wright

Elenco: Simon Pegg, Nick Frost, Martin Freeman

A continuação espiritual de Zombies Party – Uma Noite... de Morte pelo realizador Edgar Wright é mais consistente, agitada e um pouco menos centrada em lugares comuns. Com um argumento carregado de piadas secas e alusões engraçadas a tudo o que mexe entre as produções de terror dos estúdios Hammer e as produções televisivas para a família criadas para a ITV. E, é importante não esquecer, reúne um elenco de excelência cómica, com Simon Pegg, Nick Frost, Paddy Considine, Jim Broadbent, Billie Whitelaw, Martin Freeman, Olivia Colman, Edward Woodward, Bill Nighy, Timothy Dalton, e ainda a mascarada Cate Blanchett e Steve Coogan.

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96

O Homem Mosca (Safety Last!, 1923)

Realizador: Fred C. Newmeyer

Elenco: Harold Lloyd, Mildred Davis

O comediante Harold Lloyd, ainda no tempo do cinema mudo, com os seus grossos óculos redondos acrescentando estranheza à sua bizarria, tem, nesta película, de executar uma acção publicitária sensacional, fazendo um atleta conhecido trepar pela fachada de um centro comercial da época. A coisa porém dá para o torto e Lloyd vê-se obrigado a assumir ele próprio a façanha, tarefa que não é facilitada por uns pombos metediços e um relógio, dir-se-ia, temperamental.

95

A Primeira Noite (The Graduate, 1967)

Realizador: Mike Nichols

Elenco: Dustin Hoffman, Anne Bancroft, Katherine Ross

É fácil esquecer que, antes do tempo dos blockbustersA Primeira Noite foi um dos mais lucrativos filmes de sempre (mantendo ainda um honroso 21.º lugar depois de devidamente ajustados os preços dos bilhetes à inflação). Mas o que é que tem este drama simples e íntimo capaz de capturar de tal maneira a imaginação e o apreço do público? Muito simplesmente, foi uma questão de oportunidade, pois aqui está um filme que capturou com graça e habilidade o aborrecimento burguês, a angústia adolescente e a libertação sexual (para nem falar nas magníficas canções de Simon & Garfunkel), isto é, o ambiente da década de 60 nos Estados Unidos.

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94

Local Hero (1983)

Realizador: Bill Forsyth

Elenco: Peter Riegert, Burt Lancaster, Peter Capaldi

Esta cintilante e bem intencionada comédia de Bill Forsyth é capaz de aquecer o mais frio dos corações, ainda mais neste tempo de assustadora ascendência de gente como Donald Trump. Peter Riegert interpreta um advogado americano enviado pelo seu patrão, um barão do petróleo, para a Escócia para garantir a compra do local onde aquele pretende construir a sua próxima refinaria. Local que fica sobre uma simpática e serena aldeia piscatória, habitada por espertos e adoráveis escoceses, que em breve começam, por assim dizer, a fazer a cabeça do protagonista.

93

Casamento Escandaloso (The Philadelphia Story, 1940)

Realizador: George Cukor

Elenco: Katharine Hepburn, Cary Grant, James Stewart, John Howard

Eis uma comédia romântica que borbulha como champanhe. Casamento Escandaloso é uma deliciosa comédia de mal-entendidos e acções cheias de boas intenções, porém condenadas a correr mal. Aqui, a questão é saber qual dos três homens que disputam o gelado coração da herdeira interpretada por Katharine Hepburn na véspera do seu casamento sairá vencedor: o seu milionário ex-marido, Cary Grant, o repórter bisbilhoteiro, James Stewart, ou o seu aborrecido noivo, John Howard? No final qualquer um pode argumentar que ela escolhe o homem errado, mas não se discute que esta espirituosa e romântica fita podia servir de lição às actuais produções do género.

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92

Ensina-me a Viver (Harold and Maude (1971)

 

Realizador: Hal Ashby

Elenco: Bud Cort, Ruth Gordon

Filmes não especificamente do género, como Ensina-me a Viver, têm uma vida difícil nesta lista. É isto realmente comédia? Não será que para tal há demasiada morte e referências ao Holocausto? Mas se não é comédia, o que é o filme de Hal Ashby? É mesmo aí, nesta indefinição, que se encontra a genialidade da obra, porque entre todas as coisas, uma é garantida: é real. Controverso na altura do lançamento, esquecido durante décadas e depois felizmente redescoberto, Ensina-me a Viver é, hoje, considerado um dos grandes clássicos românticos. A relação em torno da qual evolui é, sem dúvida, pouco convencional – um adolescente cai de amores por uma mulher de 79 anos sobrevivente de um campo de concentração –, mas o tema da descoberta pessoal e a linguagem universal do amor toca todos os que o vêem.

91

Doidos por Mary (There's Something About Mary, 1998)

Realizadores: Bobby Farrelly, Peter Farrelly

Elenco: Cameron Diaz, Ben Stiller, Matt Dillon

Os irmãos Farrelly são mais conhecidos pela reinvenção da comédia grosseira 20 anos depois de A República dos Cucos, e é difícil contrariar a ideia de que as melhores cenas de Doidos por Mary são as mais hilariantemente patéticas, como a do fecho de correr, do esperma no cabelo ou do cão electrocutado. Porém, debaixo dessa camada de piadas descabeladas está um filme de uma doçura irrepreensível, até por Cameron Diaz e Ben Stiller terem aqui daqueles papéis que definem uma carreira e saírem-se excepcionalmente bem – para nem falar das aparições musicais de Jonathan Richman, que são um acontecimento em si.

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90

Super Baldas (Superbad, 2007)

Realizador: Greg Mottola

Elenco: Michael Cera, Jonah Hill, Christopher Mintz-Plasse

Rapazes mal-educados e respondões são lana-caprina na comédia, desde E.T. até South Park. Mas é difícil encontrar línguas de palmo e conversas de marinheiro como as de Michael Cera e Jonah Hill nesta paródia liceal. Pouco mais de uma década depois da estreia, a incontrolada juvenilidade do filme pode parecer um bocadinho datada (os nossos heróis começam uma discussão sobre porno e a partir daí é sempre a descer), no entanto, o facto de as personagens serem realmente uns tipos queridos, sem saída e bem-intencionados permanece como a força motora desta comédia.

89

A Quimera do Ouro (The Gold Rush, 1925)

Realizador: Charlie Chaplin

Elenco: Charlie Chaplin, Mack Swain

O vagabundo sem eira nem beira que é Charlot dá por si em pleno Alasca e em plena corrida ao ouro neste filme mudo armado de imaginação surrealista que marcou a história do cinema. Recheado de cenas como a do protagonista faminto tentando comer as botas, o lado romântico do filme é igualmente eficaz, demonstrando a sofisticação da representação de Chaplin, assim como a sua habilidade para parodiar bailado.

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88

A Máscara (The Mask, 1994)

Realizador: Chuck Russell

Elenco: Jim Carrey, Cameron Diaz, Peter Riegert

Quando A Máscara estreou a crítica exaltou a modernidade dos efeitos especiais usados para transformar Jim Carrey numa figura viva de banda desenhada. Embora os efeitos não tenham aguentado a passagem do tempo, a elástica interpretação de Carrey, como o tímido gajo porreiro Stanley e o seu alter-ego A Máscara, é quase arrebatadora. No papel da grotesca figura de cara verde com uma paixão por traques e frases rascas, e outra por Cameron Diaz, Carrey definiu-se, para quem ainda duvidava, como um grande comediante.

87

Edição Especial (Broadcast News, 1987)

Realizador: James L. Brooks

Elenco: William Hurt, Albert Brooks, Holly Hunter

Quem pensa que O Repórter: A Lenda de Ron Burgundy é o único clássico de culto sobre a vida na redacção de uma estação de televisão nunca viu este filme de James L. Brooks. Edição Especial é uma astuta sátira sobre a vida na redacção de Washington D.C. de uma estação nacional e acompanha o triângulo amoroso entre a produtora (Holly Hunter), o seu bem parecido apresentador (William Hurt) e o repórter com faro da estação (Albert Brooks). Os seus romances e aspirações profissionais convivem com o ambiente concorrencial de facada nas costas à primeira oportunidade, característico de um ambiente de trabalho onde se sente e vive quotidianamente sob pressão. E ainda tem uma aparição de Jack Nicholson em jeito de bónus.

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86

Escola de Rock (School of Rock, 2003)

Realizador: Richard Linklater

Elenco: Jack Black, Mike White

Jack Black tem aqui uma das suas mais cativantes interpretações no papel do desgraçado músico que aceita o lugar de professor de música substituto e acaba a treinar uma turma de desajustados para participar num concurso de bandas. É verdade que a coisa lembra Do Cabaré para o Convento 2, mas o filme de Richard Linklater dá um novo sentido à palavra entusiasmante.

85

Waiting for Guffman (1996)

Realizador: Christopher Guest

Elenco: Christopher Guest, Eugene Levy, Catherine O’Hara 

No papel do baixista Nigel Tufnel, Christopher Guest é parte integrante desse êxito intemporal que é This Is Spinal Tap. Mas o actor também arrebatou o bastão de realizador dirigindo à primeira uma obra-prima de improvisação de situações. Um elenco soberbo interpreta os papéis de membros de sociedade dramática amadora, em cidade pequena, apostando todas as suas fichas na visita de um crítico de teatro importante. Por vezes doloroso, outras comovente, frequentemente hilariante, é uma deliciosa sucessão de mal-entendidos e um tributo carinhoso às aspirações de grandeza que, pelo menos uma vez ou outra, afectam toda a gente.

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84

Amor de Improviso (The Big Sick, 2017)

Realizador: Michael Showalter

Elenco: Kumail Nanjiani, Zoe Kazan, Holly Hunter, Ray Romano

Emily V. Gordon e Kumail Nanjiani, que são um casal na vida real, imaginaram e conceberam esta pérola inspirada na (sua) realidade. Onde conhecemos Emily (Zoe Kazan) e Kumail (Nanjiani interpretando-se a si próprio) fazendo o que é costume: os primeiros encontros, sexo, ver filmes com Vincent Price. De repente ela fica em coma e também subitamente Kumail tem a dor de cabeça de lidar com hospitais e parentes. Divertido e sensato, Amor de Improviso, é uma das poucas comédias recentes com alguma coisa de genuinamente novo e relevante para dizer.

83

A Quimera do Riso (Sullivan's Travels, 1941)

Realizador: Preston Sturges

Elenco: Joel McCrea, Veronica Lake

Este filme é provavelmente mais conhecido por ter inspirado Irmão, Onde Estás? dos irmãos Coen. Contudo, esta obra-prima merece muito mais do que essa referência. Ao mesmo tempo espevitada, amalucada, desviante e devastadoramente inteligente, esta comédia apresenta o realizador Preston Sturges no seu apogeu, oferecendo não apenas entretenimento de qualidade, mas também uma exploração (explosivamente política) da ideia de comédia e da sua importância social.

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82

Dias de Loucura (Old School, 2003)

Realizador: Todd Phillips

Elenco: Luke Wilson, Will Ferrell, Vince Vaughn

Reinventando a comédia universitária para os mais sensíveis anos zero, no entanto mantendo a, digamos, ética do bando de desajustados intacta, o filme de Todd Phillips é, basicamente, A República dos Cucos com um coração maior e mais cabelos grisalhos. O enredo – um grupo de adultos chateados com a vida ocupa uma casa perto do campus universitário e decide, por razões demasiado confusas de explicar, iniciar uma nova fraternidade – pode parecer estúpido – e é –, mas não deixa de ser soberbo e desempenhado por excelentes actores. Ainda por cima, Frank the Tank é a mais gloriosa criação de Will Ferrell.

81

Os Vencedores (Slap Shot, 1977)

Realizador: George Roy Hill

Elenco: Paul Newman, Michael Ontkean

Paul Newman esforça-se, naquele que é certamente o menos heróico e mais mal vestido papel da sua carreira, interpretando um antigo jogador, agora treinador de equipa na divisão mais baixa do campeonato de hóquei no gelo, ameaçada de encerramento caso os resultados não melhorem. Polvilhado por uma linguagem picaresca, o filme de George Roy Hill tem vindo com o tempo a arrebanhar um significativo número de aficionados e é hoje considerado um marco da comédia desportiva, ao mesmo tempo traçando um retrato do declínio da masculinidade na América.

80

O Regresso da Pantera Cor-de-Rosa (The Return of the Pink Panther, 1975)

Realizador: Blake Edwards

Elenco: Peter Sellers, Christopher Plummer

11 anos depois de Um Tiro às Escuras, Edwards e Sellers revitalizaram a série protagonizada pelo impagável inspector Closeau. Desta vez com Christopher Plummer fazendo o ladrão de jóias Sir Charles, e Catherine Schell tentando manter cara séria enquanto interpreta a sua ardilosa mulher, sob estreita vigilância de Closeau (Sellers) em hilariantes disfarces, o filme é uma sucessão de gagues acentuados pelo desconcertante sotaque do inspector.

79

O Insustentável Peso do Trabalho (Office Space, 1999)

Realizador: Mike Judge

Elenco: Ron Livingston, Jennifer Aniston

Meia dúzia de anos antes de O Escritório passar pela cabeça de Ricky Gervais e Stephen Merchant, Mike Judge – o cérebro por detrás de Beavis e Butthead – criou esta sentida e carinhosa homenagem a todos os ignorados e humilhados mangas de alpaca que ganham a vida sentados a uma secretária realizando um trabalho monótono e geralmente mal pago. Pois desta vez Ron Livingston interpreta Pete Gibbons, um empregado de uma empresa qualquer, profundamente desmotivado, que engendra um esquema para ficar rico depressa aldrabando o patronato. O enredo é um belo trabalho de artesanato semântico, mas é na captação do ambiente, na ilustração da pura banalidade que é o dia-a-dia da vida de escritório – e também na mesquinhez das sucessivas humilhações a que a empregada interpretada por Jennifer Aniston é sujeita – que o filme se transforma em sátira eficaz.

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78

O Grande Ditador (The Great Dictator, 1940)

Realizador: Charlie Chaplin

Elenco: Charlie Chaplin, Paulette Goddard

Por falar em sátira, saiu da imaginação e do sentido político e moral de Charlie Chaplin este corajoso filme de 1940 (um ano depois do início da II Guerra Mundial) que representa Adolf Hitler como o déspota marado Adenoid Hynckel. Entre as melhores cenas da película encontra-se aquela em que o ditador dança com um globo terrestre, ridicularizando o realizador e actor a megalomania em modo de desbragada comicidade. No entanto, mais atraente ainda é a forma como Chaplin, sem perder a graça mas porventura tornando-a mais crua e negra, mostra o lado obscuro da ditadura através do comportamento aluado e caprichoso de Hynckel e das agonias a que é sujeito o povo, representado por um barbeiro igualmente interpretado por Chaplin.

77

Melhor É Impossível (As Good As It Gets, 1997)

Realizador: James L. Brooks

Elenco: Jack Nicholson, Helen Hunt

Velho rabugento conhece mulher mais jovem e solitária enquanto insulta o seu vizinho gay. É uma maneira de introduzir esta obra ao mesmo tempo provocadora e comovente, pois Melhor É Impossível é uma comédia de relacionamentos, improváveis amizades e ainda qualquer coisa parecida com romance. Quando o maldisposto sofredor de doença obsessiva interpretado por Jack Nicholson encontra a simpática empregada de restaurante Carol (Helen Hunt) é, como se costuma dizer, ódio à primeira vista, mas a sua renitente assistência a um vizinho provisoriamente incapacitado (Greg Kinnear) tem o efeito de aproximar o par. Para lá do resto, só os elaborados e preconceituosos insultos criados para saírem da boca de Nicholson valem o filme.

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76

Ace Ventura – Detective Animal (Ace Ventura, Pet Detective, 1994)

Realizador: Tom Shadyac

Elenco: Jim Carrey, Courteney Cox, Sean Young

Quando Snowflake, um golfinho de 250 quilos, mascote da equipa de futebol americano Miami Dolphins, é raptado na véspera da Super Bowl, a única pessoa com instintos animais capazes de resolver o caso é Ace Ventura. Um detective de segunda categoria com gosto por camisas havaianas e a energia hiperactiva de uma criança de seis anos, interpretado na perfeição por Jim Carrey. Mas ficam avisados de que há muito humor de casa de banho.

75

Os Tenenbaums – Uma Comédia Genial (The Royal Tenenbaums, 2001)

Realizador: Wes Anderson

Elenco: Gene Hackman, Anjelica Huston, Gwyneth Paltrow, Luke Wilson, Ben Stiller

A segunda longa-metragem de Wes Anderson acompanha três crianças-prodígio que se tornaram adultos desalinhados e – por que não? – rancorosos, chamados a Nova Iorque pelo seu alegadamente moribundo pai. Gwyneth Paltrow, Luke Wilson e Ben Stiller interpretam os irmãos num universo hiper-estilizado e carregado de tons pastel que se tornou marca de água do cinema de Anderson. O argumento (em particular graças ao tom da narrativa de Alec Baldwin) está carregadinho de humor seco aliviando um entrecho dominado pela sensação de amor e desapontamento, razão aliás da magia do filme.

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74

O Rei do Bowling (Kingpin, 1996)

 

Realizadores: Peter Farrelly, Bobby Farrelly

Elenco: Woody Harrelson, Randy Quaid, Bill Murray, Lin Shaye

Objecto estranho entre os grandes êxitos que foram Doidos à Solta e Doidos por Mary, em O Rei do Bowling os irmãos Farrelly desenham uma comédia brilhante sobre a extraordinária ascensão de um prodigioso jogador de bowling amish (Quaid) e o seu amargo mentor (Harrelson) enquanto atravessam a América a caminho dos campeonatos nacionais. A interpretação de Lin Shaye, como a grotesca predadora sexual e senhoria de Harrelson, é outra preciosidade.

73

Donos de Estimação (Best in Show, 2000)

Realizador: Christopher Guest

Elenco: Jane Lynch, Catherine O'Hara, Parker Posey

Donos de Estimação é o melhor falso documentário de Christopher Guest após Spinal Tap (onde foi argumentista e actor), incluindo naturalmente Waiting for Guffman e A Mighty Wind, mas talvez Isto é Hollywood seja já uma perda de tempo. Crónica de um concurso canino recheado de excêntricas e hilariantes caricaturas, de yuppies e gays a lacónicos comentadores, feito no essencial de material improvisado normalmente a partir do carácter das personagens, gentinha cujas neuroses e quase insana sinceridade fornece material de grande capacidade irónica e cómica.

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72

Bucha e Estica a Caminho do Oeste (Way Out West, 1937)

Realizador: James W. Horne

Elenco: Stan Laurel, Oliver Hardy

As aventuras de Laurel e Hardy (ou Bucha e Estica, como por aqui ficaram conhecidos) nesta fábula fronteiriça é uma das suas mais ricas interpretações e, sem dúvida, um dos seus melhores filmes. Inocentemente levados a ceder uma valiosa propriedade por via dos esquemas de um desonesto dono de saloon, as suas tentativas de emendar à mão tamanho disparate envolvem uma mula voadora, um piano com um destino e muitas cócegas. Isto, mais uma boa colecção de velhos números musicais, e a surrealista visão de Hardy usando o polegar como isqueiro, valem bem o preço do bilhete (salvo seja).

71

As Férias do Sr. Hulot (Les Vacances de Monsieur Hulot (1953)

Realizador: Jacques Tati

Elenco: Jacques Tati, Nathalie Pascaud, Micheline Rolla

Uma sonolenta estância de férias na costa de França torna-se neste filme o recreio do realizador e actor Jacques Tati, no papel de senhor Hulot, cujos esforços para se divertir e aproveitar o bom tempo acabam invariavelmente em desastre. Antigo mimo (e palhaço, que não é vergonha nenhuma), a representação de Tati praticamente dispensa o diálogo, mas apesar da sua técnica, evidentemente herdeira da comédia física, o realizador está pouco interessado em piadas fáceis e de efeito rápido, sossegadamente criando uma escalada de complicações muito devedora de uma intrincada e hilariante coreografia.

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70

O Melga (The Cable Guy (1996)

Realizador: Ben Stiller

Elenco: Jim Carrey, Matthew Broderick, Leslie Mann

E eis Jim Carrey, outra vez, agora com Jack Black e Matthew Broderick à ilharga. Produzido por Judd Apatow, dirigido por Ben Stiller, O Melga inclui tudo o que torna lendária uma comédia de gajos. Não se pense, porém, tratar-se de um daqueles argumentos sobre uma amizade masculina, pois Carrey interpreta um maníaco instalador de televisão por cabo que, com favores e manhas, arrasta o recente e contrariado solteiro criado para Broderick para um mundo de distorcida fantasia. Incluindo uma estranha, contudo de ir às lágrimas, cena da visita a um restaurante de temática medieval, esta comédia negra mostra, pela primeira vez, o lado maldoso da persona cómica alimentada por Jim Carrey.

69

Ultra Secreto (Top Secret!, 1984)

Realizadores: Jim Abrahams, David Zucker, Jerry Zucker

Elenco: Val Kilmer, Omar Sharif, Billy J. Mitchell

Dispostos a parodiar o filme de espiões durante a II Guerra Mundial, embora sem saber bem como, porque, apesar da opinião de Mel Brooks, os nazis não têm assim tanta piada, David e Jerry Zucker e Abrahams criaram uma narrativa em que um astro rock norte-americano um bocadinho bronco é enviado para Berlim Leste para se infiltrar entre os vermelhos. O resultado não é uma desbragada colecção de gagues como em O Aeroplano ou Aonde É Que Pára a Polícia, mas ainda assim o filme está repleto de boas piadas, como o espantoso olho gigante de Peter Cushing, ou a irónica interpretação dos Beach Boys por Val Kilmer.

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68

A Morte de Estaline (The Death of Stalin (2017)

Realizador: Armando Iannucci

Elenco: Steve Buscemi, Simon Russell Beale, Jeffrey Tambor, Michael Palin, Jason Isaacs

Quem pensava que Armando Iannucci já tinha explorado a mina do cinismo político em The Thick of It e Em Inglês, S.F.F. (muito antes, portanto, de Veep), aqui o realizador e argumentista viaja até ao passado e substitui a burocracia contemporânea pelo duplo critério da era estalinista. A ameaça do exílio em gulag siberiano – ou pior – paira sobre cada troca de palavras sussurradas entre os conspiradores da paranóica cabala que procura explorar em seu favor a fatal hemorragia que ameaça Estaline. Preenchido por luminárias da comédia, de Jeffrey Tambor a Michael Palin, cada qual realçando as picadas cada vez mais profundas proporcionadas pelo argumento, a película é também como uma espécie de aula de representação desbragada, que faz o Triunfo dos Porcos, de George Orwell, parecer um passeio ao jardim zoológico.

67

O Inimigo Público (Take the Money and Run, 1969)

Realizador: Woody Allen

Elenco: Woody Allen, Janet Margolin, Marcel Hillaire

Se o leitor tentar assaltar um banco convém ser capaz de convencer o banco de que é realmente um assaltante. E se porventura toca violoncelo talvez não seja a melhor opção juntar-se a uma banda de metais durante um desfile. Esta, contudo, é a vida de Virgil Starkwell, o empenhado mas inútil criminoso criado por Woody Allen para a sua estreia na realização. O Inimigo Público é uma trapalhada, a espaços romântica, preenchida por agudos remoques e patéticos gagues, em grande parte nascidos no passado do realizador como comediante. É um facto que ainda falta aqui a destreza semanticamente cómica do seu trabalho posterior. No entanto estão aqui impressos todos os sinais que tornariam Allen um dos mais sérios e geniais cómicos do século XX.

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66

A Grande Aventura de Pee Wee (Pee-Wee's Big Adventure, 1985)

Realizador: Tim Burton

Elenco: Paul Reubens, Elizabeth Daily, Mark Holton

Eis o papel que deu a Paul Reubens um lugar entre os comediantes a ter em conta. A inocente e bem arranjada criança grande que é Pee-wee Herman, com o seu laço ao pescoço e as suas calças a meia haste, já tinha uma vida na banda desenhada muito antes do filme de Tim Burton a fixar em celulóide para a eternidade. Mas a direcção de Burton de certo modo estabeleceu um novo padrão para a personagem, criando, a partir do roubo de uma bicicleta, uma sucessão de sequências que são uma espécie de cavalgada carnavalesca de humor subtil e simultaneamente burlesco, enquanto o semitonto herói percorre a América em busca da sua bicicleta personalizada. 

65

O Céu Pode Esperar (Heaven Can Wait, 1943)

Realizador: Ernst Lubitsch

Elenco: Gene Tierney, Don Ameche, Charles Coburn

Eis o retrato satírico de um mulherengo que não vê o grande romance que tem à sua frente. Esta delícia em tecnicolor, dirigida pelo lendário Ernst Lubitsch, apresenta a mais elegante representação do Inferno no cinema, com as suas colunas de mármore e pavimentos brilhantes, presidido por Laird Cregar, uma espécie de Satã de falas meigas, que tem de decidir se o recém-chegado Don Ameche vai para baixo ou para cima, isto é, se tem mais uma oportunidade de fazer as coisas como deve ser ou se vai direitinho para as chamas eternas.

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64

Tudo Bons Rapazes (Goodfellas, 1990)

Realizador: Martin Scorsese

Elenco: Ray Liotta, Joe Pesci, Robert De Niro

É, sem dúvida, uma entrada pouco usual numa lista de filmes cómicos – mas a verdade é que os maiores especialistas em comédia votaram nele, e ele aqui está. E a verdade, também, é que esta película de gangsters furiosos encontrados por Martin Scorsese é realmente engraçada, quando não é aterrorizadora, paranóica e ultraviolenta. O chihuahua enraivecido interpretado por Joe Pesci, no papel de Tommy, tem direito às falas mais dadas à gargalhada (incluindo, claro, a cena em que interroga o aterrorizado Ray Liotta depois de este afirmar que Tommy é "engraçado"). Mas Liotta não deixa os seus dotes cómicos em mãos alheias, e a forma como desenvolve a sua personagem aditivada por cocaína é um programa em si.

63

Bananas (1971)

Realizador: Woody Allen

Elenco: Woody Allen, Louise Lasser, Carlos Montalbán

O enredo da segunda longa-metragem de Woody Allen, à primeira vista, parece uma daquelas comédias pedradas de Seth Rogen, com o seu tipo preguiçoso que por voltas e reviravoltas se torna dirigente da revolução na América Latina. Tirando isto, é um filme de Woody Allen, vogando entre a comédia de abrir e fechar portas e a utilização da actividade guerrilheira como forma de crítica e exposição da corrupção criada pelo poder e pelo papel dos media. Também é um filme a dar para o amalucado, principalmente com a cena da encomenda de mil tostas de queijo para alimentar os guerrilheiros.

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62

Quanto Mais Idiota Melhor (Wayne's World, 1992)

Realizador: Penelope Spheeris

Elenco: Mike Myers, Dana Carvey, Tia Carrere

Os sketches de Saturday Night Live são responsáveis por inúmeros filmes terríveis, mas quando funcionam são inesquecíveis. Aqui, o metaleiro Wayne e o seu parceiro Garth podem ter começado como uma paródia à profusa excentricidade da mitologia do heavy metal, porém, ao longo da película, as interpretações de Mike Myers e Dana Carvey, tornam este par de inocentes tarados, além de senhores de uma graça própria e irrepetível, personagens com alguma densidade e, sem dúvida, críveis no meio de tanto destrambelhamento.

61

Um Peixe Chamado Wanda (A Fish Called Wanda, 1988)

 

Realizador: Charles Crichton

Elenco: John Cleese, Jamie Lee Curtis, Kevin Kline, Michael Palin

É uma das melhores comédias britânicas desde o nascimento dos Monty Python. Uma boa razão é a descarada tentativa de John Cleese de abandonar a sátira amalucada, quando não surrealista da trupe que ajudou a fundar, e trocá-la por um argumento, digamos, mais abrangente. O resultado é um filme que, como a sua escorregadia heroína, está decididamente apaixonado pela linguagem, seja ela dada em tiradas de fino e delicioso sarcasmo ou sob a forma da mais pura e desbocada blasfémia. Acrescentem-se as interpretações sem mácula, e estamos perante uma obra que deixa a sua marca para sempre.

60

Fuga à Meia-Noite (Midnight Run, 1988)

Realizador: Martin Brest

Elenco: Robert De Niro, Charles Grodin

Este é um filme cuja reputação parece crescer ano após ano, embora tenha chegado aos cinemas como mais um filme de estrada entre compinchas. Isto, claro, só até se notar a preciosidade inscrita no seu argumento cortante como uma lâmina e, principalmente, a maneira ferozmente irónica da interpretação de Robert De Niro, no papel de um fiador de cauções judiciais, à caça do informador criado para Charles Grodin, entre Nova Iorque e Los Angeles.

59

As Meninas de Beverly Hills (Clueless, 1995)

Realizador: Amy Heckerling

Elenco: Alicia Silverstone, Stacey Dash, Brittany Murphy

Baseado em Emma, de Jane Austen, As Meninas de Beverly Hills (Clueless, na versão original), com direcção de Amy Heckerling, acompanha Cher Horowitz (Alicia Silverstone), uma adolescente obcecada por compras e roupa, enquanto ela guia a recém-chegada Tai (Brittany Murphy) pelos difíceis, tortuosos e cruéis caminhos da popularidade liceal. Parece um filme de adolescentes como outro qualquer, verdade, mas é mais do que isso. Aliás, para um filme com mais de 20 anos, As Meninas de Beverly Hills mantém parte considerável da sua qualidade de observador da mudança cultural, a qual, aliás, pouco evoluiu desde então, registando com distância crítica a futilidade como forma de vida que a interpretação de Alicia Silverstone torna crível.

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58

O Mundo É Um Manicómio (Arsenic and Old Lace, 1944)

Realizador: Frank Capra

Elenco: Cary Grant, Priscilla Lane, Raymond Massey

Esta farsa de Frank Capra sobre um crítico de teatro que no dia do casamento descobre que as tias muito queridas da noiva são, afinal, umas maníacas homicidas, e que a maluqueira está no ADN da família, é uma obra na vanguarda do seu tempo e ainda completamente recomendável. A contribuição de Cary Grant é determinante e, em certa medida, uma espécie de lição para intérpretes com veia de comediante, de tal maneira o actor explora o vocabulário da comédia até uma variedade de histeria controlada enquanto desenterra, por assim dizer, o segredo das tias escondido na cave, já com o sinistro irmão assassino (Raymond Massey) à perna.

57

Papá para Sempre (Mrs. Doubtfire, 1993)

Realizador: Chris Columbus

Elenco: Robin Williams, Sally Field, Pierce Brosnan

O ponto de partida desta comédia familiar de 1993 é sem dúvida piegas e muito, muito tonto. O que é coisa basto conveniente para um actor com queda para a anarquia da improvisação, como era Robin Williams. No papel de um actor sem emprego e pai divorciado que procura permanecer junto dos filhos e, como se costuma dizer, vê-los crescer (já se tinha dito que o argumento era piegas, não já?), Daniel resolve disfarçar-se de velha senhora e candidatar-se ao lugar de ama que a sua ex-mulher (Sally Field) procura. Meu dito, meu feito, nasce Mrs. Doubtfire, uma caricatura nada convincente e muito kitsch de Mary Poppins, que conquista o coração das crianças… E o resto é o costume, ficando para sempre a cena do aspirador.

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56

Uma Noite Aconteceu (It Happened One Night (1934)

Realizador: Frank Capra

Elenco: Clark Gable, Claudette Colbert

É a comédia romântica original de Hollywood, aquela que criou o modelo para este género, apesar do escândalo que provocou na altura. Mas a popularidade desta história de uma herdeira em fuga e de um repórter de princípios duvidosos (Clark Gable) revelou-se mais forte e o filme acabou por ganhar uma mão cheia de Óscares, o que equivale a dizer que o escândalo foi rapidamente perdoado.

55

Toy Story: Os Rivais (Toy Story, 1995)

Realizador: John Lasseter

Elenco: Tom Hanks, Tim Allen, Don Rickles

O primeiro filme de animação da Pixar, Toy Story, estabeleceu desde logo o modus operandi, ou o mantra dos estúdios financiados por Steve Jobs e finalmente anexados ao império Disney: fazer filmes que entretenham tanto os adultos como encantam os seus filhos. Daí a quantidade de piadas e referências que apenas espectadores crescidos podem compreender, as quais, na prática, elevam a qualidade de um argumento baseado na simplicidade da história de rivalidade entre o vaqueiro de brinquedo, Woody (Tom Hanks na versão original), e um astronauta de brinquedo, Buzz Lightyear (Tim Allen).

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54

O Homem dos Dois Cérebros (The Man With Two Brains, 1983)

Realizador: Carl Reiner

Elenco: Steve Martin, Kathleen Turner, David Warner

Os primeiros filmes interpretados por Steve Martin colocam a comédia numa espécie de cruzamento: à superfície não passam de mais uma exploração da escola do disparate com insinuações de gosto duvidoso, trapalhadas evitáveis, enfim, coisa pouco mais avançada que as películas interpretadas por Abbott e Costello. Porém, neles está também incorporado tudo o que de novo e apetitoso foi surgindo no mundo da comédia, seja o gague à O Aeroplano, o romance psicanalítico no estilo de Woody Allen, ou a atitude confrontacional dos cómicos de bar, onde Martin começou a ganhar a vida, acrescentando-lhe uma pitada de surrealismo.

53

Os Sete Desejos (Bedazzled, 1967)

Realizador: Stanley Donen

Elenco: Peter Cook, Dudley Moore, Eleanor Bron

Façam o favor de esquecer a frustrante versão com Brendan Fraser e Liz Hurley. O original Os Sete Desejos é uma peça vintage e caricatural sobre a Londres dos anos 60, e provavelmente o melhor trabalho de Peter Cook e Dudley Moore. Moore faz aqui de um triste cozinheiro suspirando por uma empregada de mesa (Eleanor Bron) e Cook é o diabo que compra a sua alma em troca de sete desejos, com as consequências que estes negócios sempre trazem.

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52

Mal por mal... Antes com Elas (The Odd Couple, 1968)

Realizador: Gene Saks

Elenco: Jack Lemmon, Walter Matthau

O desmazelado Oscar (Walter Matthau) e o neuroticamente obcecado com a limpeza Felix (Jack Lemmon) fazem um par perfeito nos papéis de dois velhos amigos motivados por problemas matrimoniais, por assim dizer, a partilharem um apartamento em Manhattan. Esta versão da comédia de Neil Simon que encantou a Broadway foi atirada sem grande tratamento cinematográfico para o ecrã. O que nem resultou mal, pois a teatralidade do palco, transferida para a película, permitiu aos intérpretes uma representação que realça o exagero e o frenesim originais desta relação amor-ódio que vai minando a sua longa amizade.

51

Os Filhos do Deserto (Sons of the Desert, 1933)

Realizador: William A. Seiter

Elenco: Stan Laurel, Oliver Hardy

O excêntrico homem acriançado criado por Stan Laurel e o trapalhão sofisticado que Oliver Hardy inventou são, sem dúvida, uma das mais engraçadas, produtivas e respeitadas duplas de comediantes. Neste filme de William A. Seiter, em não mais do que 68 minutes, mostram toda a sua jovial piada enquanto tentam escapar das dominadoras mulheres. O objectivo é juntarem-se a uma convenção de compinchas, mas, claro, tudo lhes corre mal, o que desencadeia uma série de acções inevitavelmente descambando em mais um hilariante quadro de comédia, que acaba com os dois escondidos no seu próprio sótão.

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50

Arizona Júnior (Raising Arizona, 1987)

Realizador: Joel Coen, Ethan Coen

Elenco: Nicolas Cage, Holly Hunter

O rapto de bebés está longe de ser um dos tópicos preferidos do cinema de comédia, mas os irmãos Cohen encontraram maneira de transformar um crime sinistro em filme de ir às lágrimas com a fundamental conivência de Nicolas Cage e Holly Hunter. Ele é um bandido de meia-tijela que, capturado, cai de amores, correspondidos, aliás, pela polícia que o fotografa. Regenera-se. Casam. Ela quer muito uma criança. Surgem problemas de fertilidade. Raptam um miúdo de berço a um ricalhaço que já tinha um rancho de filhos. E evidentemente surgem ainda mais problemas conforme o argumento vai desenrolando a sua carpete de piadas e situações cada uma mais patética que a outra.

49

Em Inglês, S.F.F. (In the Loop, 2009)

Realizador: Armando Iannucci

Elenco: Tom Hollander, Peter Capaldi, James Gandolfini

Escabrosa e inteligente, esta sátira política de Armando Iannucci é o tipo de filme que recompensa repetidos visionamentos, pois a cada um encontra-se mais uma das piadas que se perdeu enquanto nos ríamos da anterior. Partindo da série televisiva The Thick of It, Em Inglês, S.F.F. envia em viagem aos Estados Unidos o esbugalhado, desbocado e frenético manobrador político Malcolm Tucker, o despassarado ministro Simon Foster e os seus assessores. Ali, correndo como galinhas tontas à procura de uma posição política coerente perante os americanos e para gáudio do público, esta equipa de representantes do governo britânico percorre (como na série e mostrando que é possível passar da televisão ao cinema com imaginação) Washington sem baixar o tom das trapalhadas em que se mete, nem diminuir a vulgaridade brutal do vocabulário de Malcolm Tucker assinalando as contradições e a hipocrisia da classe política – o que só é possível graças à grande qualidade das interpretações.

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48

O Rei da Comédia (The King of Comedy, 1982)

Realizador: Martin Scorsese

Elenco: Robert De Niro, Jerry Lewis, Sandra Bernhard

Martin Scorsese não era propriamente conhecido pela qualidade da sua abordagem à comédia até ao êxito de O Lobo de Wall Street, em 2013, que é, provavelmente, o seu mais desconcertante e divertido filme. Porém, em 1982, logo a seguir a O Touro Enraivecido, o realizador conseguiu fazer-nos rir (e ao mesmo tempo denunciar alguns dos mecanismos da construção da cultura popular) enquanto Rupert Pupkin, o sociopata com a mania das grandezas interpretado por Robert De Niro, tentava desesperadamente chegar ao estrelato dos comediantes, para isso não encontrando melhor maneira do que raptar uma importante personalidade televisiva interpretada por Jerry Lewis.

47

Austin Powers – O Agente Misterioso (Austin Powers: International Man of Mystery, 1997)

Realizador: Jay Roach

Elenco: Mike Myers, Elizabeth Hurley, Michael York

Tire-se a abordagem introvertida e sedutora de Sean Connery a James Bond da sua confortável existência rodeado de martinis e glamour e aqui está Austin Powers. Um agente secreto mulherengo (facção machista) e excêntrico, com excesso de auto-estima, que foi conservado criogenicamente nos anos 60 e despertado em 1997 para combater o terrível vilão Dr. Evil. Escrito e interpretado por Mike Myers em ambos os papéis principais, o argumento é uma tontaria cheia de humor libertário – que as sequelas acabariam por estragar, mas isso é outra conversa.

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46

Por Favor, Não Mexam nas Velhinhas (The Producers, 1967)

Realizador: Mel Brooks

Elenco: Zero Mostel, Gene Wilder, Dick Shawn

O início do império de Mel Brooks e ainda um dos seus filmes mais divertidos, que em Portugal viu o discreto título original, The Producers, transformado no muito mais eloquente Por Favor, Não Mexam nas Velhinhas, combina harmoniosamente a comédia da velha escola, a maldade dos bastidores e o singelo mau gosto obtendo um saboroso e intoxicante cocktail. Billy Wilder toma o espectáculo por sua conta, mais ou menos arrumando a um canto o cúmplice produtor interpretado por Zero Mostel, nesta representação de um elaborado esquema de extorsão sentimental a velhotas para investir no pior espectáculo de sempre, ir à falência… e ficar rico. Como se as tropelias do argumento não bastassem, o filme inclui ainda esse momento único que é a canção Springtime for Hitler.

45

Gostam Todos da Mesma (Rushmore, 1998)

Realizador: Wes Anderson

Elenco: Jason Schwartzman, Bill Murray, Olivia Williams

Alguns filmes criam um mundo com as suas próprias regras e a sua própria geografia, e Gostam Todos da Mesma está nessa categoria. O território e os arredores da Academia Rushmore são, ao mesmo tempo, familiares e estranhos, habitados por milionários entediados e vagabundos escoceses, antigos heróis aquáticos e seus enlutados amantes, reitor resmungão, encantadoras adolescentes asiáticas e, claro, Max Fischer, com certeza a mais complexa, original, amável e enfurecedora criação cinematográfica das últimas três décadas. Sim, há um bocadinho de Ensina-me a Viver aqui, um toque de Hal Hartley ali, contudo, mesmo ao fim de 20 anos, Gostam Todos da Mesma permanece obra original e única.

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44

O Agente da Broadway (Broadway Danny Rose, 1984)

Realizador: Woody Allen

Elenco: Woody Allen, Mia Farrow, Nick Apollo Forte

Woody Allen consegue, em simultâneo, neste filme, sepultar e louvar o seu herói, Danny Rose, com uma abordagem lírica aos bons, velhos tempos da Broadway. Um optimista compulsivo e um sonhador a tempo inteiro, o agente teatral que o realizador interpreta tem uma carteira cheia artistas peculiares – um xilofonista cego, um dançarino de sapateado perneta, pinguins patinadores vestidos, obviamente, de rabinos ortodoxos –, o que naqueles tempos em que as coisas estavam evidentemente a mudar era uma espécie de certidão de óbito profissional. Enfim, um mundo de que é fácil troçar, mas ao qual Allen, sem descontar na percentagem de anedotário, dedica um olhar carregado de ternura e generosidade.

43

O Dueto da Corda (The Blues Brothers, 1980)

Realizador: John Landis

Elenco: John Belushi, Dan Aykroyd

A controvérsia em torno de O Dueto da Corda começou logo na altura do seu lançamento. É este um daqueles casos em que dois comediantes brancos exploram a imagem dos heróis da música negra para parecerem fixes? Ou é este um filme que na realidade homenageia uma muita amada forma de arte americana? Eram questões que alguns punham e a verdade é que é um pouco ambas as coisas. No entanto, felizmente, a película tem um brilhante enredo, um guião com as piadas todas bem colocadas e uma boa quantidade de perseguições automóveis para manter o espectador entretido sempre que Belushi e Aykroyd esticam demais a corda do seu humor corrosivo. E não são de somenos importância para a vivacidade da obra as interpretações de Cab Calloway, Ray Charles e James Brown, ou o inevitável Respect de Aretha Franklin.

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42

O Grande Escândalo (His Girl Friday, 1940)

Realizador: Howard Hawks

Elenco: Cary Grant, Rosalind Russell, Ralph Bellamy

O que seria do cinema cómico sem O Grande Escândalo? Pois, de verdade, o cinismo multifacetado da peça The Front Page, que Ben Hecht e Charles MacArthur estrearam na Broadway anos antes, é do mais adequado que há para compreender a actualidade. Mais ainda porque o realizador, Howard Hawks, na sua adaptação, teve a brilhante ideia de transformar o macho Hildy na explosiva fêmea interpretada por Rosalind Russell, assim detonando um dos mais incendiários, porém afectuoso, duelos sexuais da história do cinema.

41

Napoleon Dynamite – Um Novo Herói (Napoleon Dynamite, 2004)

Realizador: Jared Hess

Elenco: Jon Heder, Jon Gries, Efren Ramirez

"As raparigas – diz-se no filme – só querem namorar rapazes com grandes habilitações, como caçadores com arco, piratas informáticos", e bem se pode garantir que este lingrinhas liceal do Idaho, Napoleon Dynamite, não tem nenhuma dessas qualidades e muito menos compreende as raparigas, ou mesmo as regras de uma conversa. Este desajustado social, contra todas as expectativas, é um incrível anti-herói, que, quando decide ser a sua habilidade a dança, é capaz de tornar a acção realmente hilariante.

40

A Pantera Cor-de-Rosa (The Pink Panther, 1963)

Realizador: Blake Edwards

Elenco: David Niven, Peter Sellers, Robert Wagner

O primeiro de uma série de cinco filmes animados pela presença hilário-trapalhona da representação de Peter Sellers como o detective francês conhecido por Inspector-Chefe Clouseau, A Pantera Cor-de-Rosa é também a mais equilibrada, lânguida e subtil das películas desta série. No entanto, como a incompetência de Closeau só vem realmente ao de cima no segundo filme, Um Tiro às Escuras, o inspector ainda é representado apenas como o trapalhão franciú sem o aparato quase surrealista que virá a ganhar – o que poderá ser um desapontamento para alguns espectadores, mas torna o humor ainda mais eficaz, embora, claro, menos espalhafatoso.

39

Um Príncipe em Nova Iorque/ Coming to America (1988)

Realizador: John Landis

Elenco: Eddie Murphy, Arsenio Hall, James Earl Jones

Apenas alguns anos depois de se tornar o mais bem pago actor norte-americano e de os seus filmes serem grandes êxitos populares, o período de ouro de Eddie Murphy estava já à beira do fim. Contudo, com esta história de um príncipe africano que parte para Nova Iorque à procura do verdadeiro amor, assim tentando escapar ao casamento combinado pelo pai, verifica-se como Murphy ainda tinha fôlego para, pelo menos, mais um filme. Divertido, naquela sua mistura de humor cru e sentimentalismo, e com espírito crítico. No entanto, o destaque desta película de John Landis não pode deixar de ir para a interpretação de Arsenio Hall nos seus múltiplos papéis.

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38

Nuts In May (1976)

Realizador: Mike Leigh

Elenco: Roger Sloman, Alison Steadman, Anthony O’Donnell

De todos os filmes que Mike Leigh dirigiu para televisão durante a década de 70, esta comédia sobre um casal de londrinos ecologistas de classe média que vão acampar para Dorset para fazerem sucessivas figuras de parvos é quase tão entusiasmante como o mais conhecido Abigail’s Party. Mas as interpretações de Roger Sloman e Alison Steadman são um exemplo de representação da classe média com boas intenções e preocupações ecológicas e sociais.

37

Elf – O Falso Duende (Elf, 2003)

Realizador: Jon Favreau

Elenco: Will Ferrell, James Caan, Bob Newhart

A história de Buddy, um humano criado no Pólo Norte pelo Pai Natal e os seus duendes, e a sua jornada para encontrar o seu verdadeiro pai rapidamente se tornou um êxito para toda a família. A justaposição entre o Buddy interpretado por Ferrell, um simplório que acidentalmente causa grande confusão e considerável destruição por onde passa, e o austero e resmungão homem de negócios que é o seu pai tem piada e boa onda, enquanto a realização de Jon Favreau lhe confere alguma ironia.

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36

A Glória de Pamplinas (The General, 1926)

Realizadores: Clyde Bruckman, Buster Keaton

Elenco: Buster Keaton, Marion Mack

Hoje, a reacção natural à obra-prima de Buster Keaton sobre a Guerra Civil Americana não é exactamente desatar as gargalhadas, mas mais pasmar de encantamento. Pois, aqui, está um homem literalmente arriscando a vida para criar alguns dos mais extraordinários gagues visuais jamais realizados, desde as bolas de canhão à bizarra viagem de comboio. Hilariante, bem se pode dizer que a película inaugura o nascimento do filme de perseguição e o modelo para obras tão distintas como os Looney Tunes ou Mad Max: Estrada da Fúria.

35

A República dos Cucos (National Lampoon's Animal House, 1978)

Realizador: John Landis

Elenco: John Belushi, Karen Allen, Tom Hulce

Realizado por John Landis, este filme (nascido dos interstícios da revista National Lampoon) acompanha a vida de uma república universitária dedicada à festança, quando o seu grupo de engatatões e desajustados está à beira de ser despejado do casarão que ocupa. Se este enredo parece familiar é porque a partir dele foram moldadas quase todas as comédias dedicadas à vida escolar e universitária entretanto estreadas, principalmente a série American Pie: A Primeira Vez, ou mesmo o mais recente Má Vizinhança, de Nicholas Stoller, com Seth Rogen e Zac Efron. Certo é que nenhum deles tem a energia desbragada e imensa falta de vergonha de A República dos Cucos, para mais aditivado pela presença frenética do genial John Belushi.

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34

Um Amor Inevitável (When Harry Met Sally…, 1989)

Realizador: Rob Reiner

Elenco: Billy Crystal, Meg Ryan, Carrie Fisher

Poucas comédias românticas têm uma cena tão icónica como a do jantar de Billy Crystal e Meg Ryan em que esta, a certo ponto, finge estar a ter um orgasmo, e finge-o sonora e longamente. Esta história de dois adversários que se tornam amigos, que se tornam amantes coloca a eterna questão: podem um homem e uma mulher ser apenas bons amigos? Curiosamente, o filme nasceu do regresso de Reiner à vida de solteiro depois de um divórcio, e boa parte dos diálogos baseiam-se em conversas reais entre Reiner e Crystal, que eram amigos de verdade.

33

Uma Noite na Ópera (A Night at the Opera, 1935)

Realizador: Sam Wood

Elenco: Groucho Marx, Chico Marx, Harpo Marx

Ainda mais divertido que o estapafúrdio álbum dos Queen com o mesmo título, este é um dos filmes que encontra os irmãos Marx no apogeu da sua comédia anárquica, dissecando sem piedade as snobeiras da classe alta durante a chamada era do jazz. No entrecho, Groucho cai de amores por uma ricalhaça falida e por mor disso dá por ele ajudando uma companhia de ópera nas lonas, o que só por si cria uma boa quantidade de desembestadas piadas. Chico, por sua vez, dedica-se à sua habitual criação de mal-entendidos, enquanto Harpo exercita energicamente o seu estilo libertário de humor físico. Como bónus do filme de Sam Wood, o espectador fica na posse de preciosa, embora de duvidosa utilidade, informação, acrescentando à sua cultura geral o número de pessoas que cabem na cabina arte déco de um navio de cruzeiro.

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32

Zombies Party – Uma Noite... de Morte (Shaun of the Dead, 2004)

Realizador: Edgar Wright

Elenco: Simon Pegg, Nick Frost, Kate Ashfield

Outros bem-amados duos de comédia britânicos – desde Eric e Ernie até Patsy e Edina – tiveram, quando não falharam estrepitosamente, as suas dificuldades em fazer a transição da televisão para o cinema. Mas, pelo contrário, Zombies Party – Uma Noite... de Morte tornou-se a consagração de Simon Pegg e Nick Frost, uma surpresa que lhes deu estatuto próximo de semideuses da comédia britânica. Esta não é uma película sobre sobrevivência, antes, pelas artes do suspense e do humor desaustinado e cáustico, é uma obra sobre o respeito e a maneira de o alcançar, posta ao serviço da luta contra os mortos-vivos de Crouch End, Highgate e North Finchley com tanto heroísmo como compaixão.

31

Três Amigos! (¡Three Amigos!, 1986)

Realizador: John Landis

Elenco: Steve Martin, Chevy Chase, Martin Short

Algures entre os Sete Samurais e O Artista, esta apalermada comédia de Hollywood coloca três antigos astros do cinema mudo a caminho do México para abrilhantarem a festa de aniversário de um traficante qualquer, e que, por voltas e reviravoltas, dão por si a comandarem uma revolta popular. Tudo, no argumento, é do capítulo da tontaria, a maioria das piadas são obtidas graças a estranhos sotaques, ou aos burros dos quais a personagem interpretada por Martin Short insiste em cair. Todavia, a tempestuosa interpretação de Alfonso Arau no papel do vilão El Guapo é, sem dúvida, de ir às lágrimas.

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30

South Park – O Filme (South Park: Bigger, Longer & Uncut, 1999)

Realizador: Trey Parker

Elenco: Trey Parker, Matt Stone, Isaac Hayes

Qual é o maior musical de todos os tempos? Serenata à Chuva? Não, demasiado fofo. Amor Sem Barreiras? Também não, demasiado musculado. Não Há Como a Nossa Casa? Se Judy Garland tivesse chamado a Margaret O’Brien uma "comedora de merda violadora de burros" talvez fosse uma hipótese. Assim, sem qualquer dúvida, o melhor exemplo de cinema musical tem de ser esta história iniciática passada numa sossegada cidade nas montanhas do Colorado, onde é disponibilizado, pelo menos, um insulto destinado a cada grupo racial, social, religioso, desportivo, político ou sexual, existente ou em vias de criação. Linguagem crua, quer dizer, mesmo mal-educada, daquela a pedir sabão na boca; cães gay, uma guerra com o Canadá à beira de acontecer, o Diabo enfiado na cama com Saddam, e até o clã Baldwin tem o seu papel neste filme sem papas na língua nem, provavelmente, juízo.

29

Ladrões e Cavalheiros (Dirty Rotten Scoundrels, 1988)

Realizador: Frank Oz

Elenco: Steve Martin, Michael Caine, Glenne Headly

Canalhas, ou pelo menos malandros, é a discrição adequada das personagens criadas por Steve Martin e Michael Caine nesta nova versão do filme de 1964 Os Sedutores. O duo interpreta o papel de dois burlões, ambos entretidos a enganar mulheres ricas e sacar-lhes as respectivas fortunas na Riviera francesa, que de repente reparam andarem os dois ao mesmo e nenhum desejar concorrência. E aqui começa um incrivelmente ridículo duelo entre o par de aldrabões que é a substância do filme e a razão de tanta gargalhada.

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28

Zoolander (2001)

Realizador: Ben Stiller

Elenco: Ben Stiller, Owen Wilson, Will Ferrell

O mundo da moda, verdade seja dita, não é nenhum desafio para a sátira, mas este enredo que envolve intriga internacional, alta-costura e uma dose exagerada de mania das grandezas e excessiva auto-estima está repleto de gagues de grande qualidade e empenhadas interpretações. Aqui, Zoolander (Stiller) é um supermodelo com a popularidade ameaçada pelo modelo em ascensão interpretado por Owen Wilson, explorado pelo ganancioso criador de moda encarnado em Will Ferrell, e constrangido na sua acção, e nas suas boas embora megalómanas intenções, pela sua inominável – não há maneira educada de dizer isto – estupidez, que, aliás, é o fundamento da maior parte das gargalhadas.

27

Balbúrdia no Oeste (Blazing Saddles (1974)

Realizador: Mel Brooks

Elenco: Gene Wilder, Cleavon Little, Slim Pickens

"Os meus filmes elevam-se sempre acima da vulgaridade", terá dito em tempos Mel Brooks. Prova A desta afirmação é, sem dúvida, este Balbúrdia no Oeste, uma descabelada sátira à história contada pelos brancos, e reproduzida vezes sem conta por Hollywood, sobre a conquista do Oeste. Contada na perspectiva do primeiro xerife negro numa cidade inteiramente habitada por brancos, a película não amacia em nada a sua carga política, principalmente no tom racial do humor. Co-escrita com Richard Pryor, a obra permanece como uma espécie de revolta do mau gosto. O realizador terá convidado John Wayne para uma aparição no filme. Mas diz-se que depois do ícone do cinema branco e machista americano ler o argumento recusou a proposta, pois, afirmou, os diálogos eram “demasiado porcos”.

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26

The Castle (1997)

Realizador: Rob Sitch

Elenco: Michael Caton, Anne Tenney, Stephen Curry

Votado como o filme australiano favorito dos australianos, este modesto entrecho sobre pessoas vulgares lutando contra os que lhes tentam à força comprar as propriedades, consegue o raro milagre cómico de aproveitar sem maldade as deficiências de gosto, senso comum e, enfim, cultura geral dos Kerrigan. Família que não é decerto a mais esperta, mas cuja relação é encantadora e inspiradora.

25

A Melhor Despedida de Solteira (Bridesmaids, 2011)

Realizador: Paul Feig

Elenco: Kristen Wiig, Maya Rudolph, Chris O’Dowd, Melissa McCarthy

Apesar de algumas piadas mais boçais, A Melhor Despedida de Solteira é uma excelente comédia. Muito por culpa do guião particularmente sólido e da firme direcção de Paul Feig. Melhor, a interpretação de Kristen Wiig como Annie é hilariante, mas também Rose Byrne, no papel de Helen, mostra um talento raro. O melhor, porém, é a forma como a relação entre as mulheres parece real e honesta.

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24

O Grande Conquistador (Play It Again, Sam, 1972)

Realizador: Herbert Ross

Elenco: Woody Allen, Diane Keaton, Tony Roberts

Woody Allen, por assim dizer, estabilizou a sua persona cinematográfica como amante neurótico sem remédio nesta brilhante adaptação da sua peça apresentada em 1969 na Broadway, na qual interpreta um crítico de cinema tão obcecado por Casablanca que cria um imaginário Humphrey Bogart para lhe dar conselhos amorosos. A estratégia de beijar-ou-matar de Bogart não podia ser menos apropriada, e é aí que o divertimento realmente começa, e é aí que a personagem de Diane Keaton desenrola uma sucessão de acontecimentos românticos destinados a levar o filme até uma absurda cena num aeroporto.

23

Tootsie – Quando Ele Era Ela (Tootsie, 1982)

Realizador: Sidney Pollack

Elenco: Dustin Hoffman, Jessica Lange, Bill Murray

Certo, Dustin Hoffman é a estrela do filme – afinal é ele quem usa o vestido –, mas é a interpretação de Bill Murray que fica na memória e está na origem das melhores piadas da película. Olhando retrospectivamente, a ideia de um homem vestido de mulher para conseguir trabalho melhor não é propriamente confortável e a sua aproximação ao feminismo está indiscutivelmente marcada pelo tempo. Porém, as interpretações são de elevada categoria e, vista agora, a obra permanece um brilhante trabalho de comédia dramática inteligente.

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22

Os Caça-Fantasmas/ Ghostbusters (1984)

Realizador: Ivan Reitman

Elenco: Bill Murray, Dan Aykroyd, Rick Moranis

Quando Nova Iorque é invadida por uns fantasmas viscosos quem é que se há-de chamar? Toda a gente sabe a resposta. Chamam-se os Caça-Fantasmas, quatro cavalheiros capazes de detectar e pulverizar qualquer espírito maligno até ao esquecimento. Boa parte do charme desta comédia de ficção científica deve-se aos seus anti-heróis, esses pés-rapados subitamente debaixo dos projectores graças aos seus excelentes resultados na caça ao Mal. O cientista mulherengo interpretado por Bill Murray merece evidente destaque, mas é a tresloucada personagem de Rick Moranis quem mais humor acrescenta, principalmente no ataque ao mais assombrado edifício de Manhattan.

21

Frankenstein Júnior (Young Frankenstein, 1974)

Realizador: Mel Brooks

Elenco: Gene Wilder, Marty Feldman, Peter Boyle

Este fino exemplar de paródia criado por Mel Brooks é, também, uma carta de amor aos filmes sobre Frankenstein dos anos de 1930. No papel de sobrinho do velho Barão, Gene Wilder (intérprete principal e co-autor do argumento) reaviva, digamos, o negócio da família, com Brooks explorando a familiaridade das referências cinéfilas até ao absurdo – principalmente quando Wilder interpreta uma cena de canto e dança para demonstrar como o monstro (Peter Boyle) que criou é um ser civilizado.

20

Quatro Leões (Four Lions, 2010)

Realizador: Chris Morris

Elenco: Riz Ahmed, Nigel Lindsay, Kayvan Novak

A primeira criação do comediante Chris Morris faz pouco da estupidez de um grupo de jihadistas nascidos no Reino Unido ainda no rescaldo dos ataques terroristas de 2005 em Londres. Morris e os seus co-argumentistas basearam o seu guião nas provas e nas transcrições judiciais de verdadeiros casos de terrorismo faça-você-mesmo. E, nos anos que se seguiram, face à radicalização de muitos jovens britânicos e europeus, o filme tornou-se uma referência tragicómica de como a vida imita a arte.

19

Os Grandes Aldrabões/ Duck Soup (1933)

Realizador: Leo McCarey

Elenco: Groucho Marx, Harpo Marx, Chico Marx

Que dizer de um filme que, além de manter a sua graça durante quase um século, continua relevante e subversivo como no dia da estreia? O melhor filme dos irmãos Marx, Os Grandes Aldrabões, leva a família para bem longe do seu meio musical nova-iorquino até uma espécie de estranha miniatura da Europa Central, impregnada de memórias de imigrantes e contos de fadas, onde a guerra está latente entre o orgulhoso povo de Freedonia e os cripto-fascistas da vizinha Sylvania. Com uma aproximação à luta anti-fascista (recorde-se que o filme estreou no ano da chegada de Hitler ao poder) muito mais ligeira que a de O Grande Ditador, de Charles Chaplin, esta sátira incide não apenas no fascismo, mas também no patriotismo e na política em geral, criando, com a energia de um martelo pneumático e a subtileza de um escalpelo, uma barrigada de riso.

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18

Doutor Estranhoamor (Dr. Strangelove: Or, How I Learned To Stop Worrying And Love The Bomb, 1964)

Realizador: Stanley Kubrick

Elenco: Peter Sellers, George C. Scott, Sterling Hayden


Só um génio consegue fazer humor a partir de um holocausto nuclear – e o arquipessimista e mestre da realização Stanley Kubrick é esse génio. A intenção original era dar à adaptação do livro de Peter George, Red Alert, um tratamento sério. Porém, Kubrick abandonou esse objectivo porque, disse, as ideias que lhe ocorriam “eram ridículas”. E ainda bem, pois a comédia negra resultou no seu detalhe das terríveis e definitivas implicações da louca decisão de um general que decide carregar no botão e iniciar uma guerra nuclear.

17

Antes Só Que Mal Acompanhado (Planes, Trains and Automobiles, 1987)

Realizador: John Hughes

Elenco: Steve Martin, John Candy, Laila Robins, Michael McKean

Muito mais do que um gordo bem-disposto, John Candy é um daqueles actores que parece ter a comédia inscrita no seu ADN. Ora, quando Neal (Steve Martin), um publicitário com pressa de chegar a Chicago a tempo do Dia da Acção de Graças, tem o azar – que é uma sorte para os espectadores – de emparelhar com Del, o vendedor interpretado por Candy, ainda a caminho do aeroporto, a vida começa logo a correr-lhe mal. Depois, uma tempestade desvia o avião do seu destino, e uma relação que começara mal continuará pior quando ambos têm de reunir esforços para chegarem aos seus destinos. O que proporciona uma louca corrida em vários meios de transporte, muitos mal-entendidos entre os dois, no processo, como é inevitável num filme para a família, cada um descobrindo as motivações do outro e criando uma espécie de amizade que conduzirá a um final comicamente feliz.

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16

Os Ricos e os Pobres (Trading Places, 1983)

Realizador: John Landis

Elenco: Eddie Murphy, Dan Aykroyd, Jamie Lee Curtis

A relação amor-ódio da América com o capitalismo raras vezes foi melhor e mais estranhamente explorada do que neste sádico conto de fadas, no qual dois homens de negócios decidem substituir um dos seus melhores empregados, o elitista educado em Harvard interpretado por Aykroyd, pelo vagabundo espertalhaço criado para Murphy. A imagem de Aykroyd, bêbado e suicidário vestido de Pai Natal na véspera das festividades, diz mais sobre as realidades (e as brutalidades) de Wall Street do que uma dúzia de quedas bolsistas – e ainda mostra como quando os dois adversários se juntam contra a manipulação dos seus antigos empregadores o espectador só pode escolher um dos lados.

15

Quanto Mais Quente Melhor (Some Like It Hot, 1959)

Realizador: Billy Wilder

Elenco: Marilyn Monroe, Tony Curtis, Jack Lemmon

Dois músicos de Chicago têm o azar de testemunhar o Massacre de São Valentim (quando o gangster Al Capone se livrou de um bando rival em 1929) e a primeira coisa em que Joe e Jerry pensam é pôr-se a andar dali para fora e para o mais longe possível do mafioso em questão. Em desespero arranjam um trabalho na Florida, mas existe um pequeno problema, pois o espectáculo em questão é para uma banda feminina. Nada que não se resolva nesta comédia de Billy Wilder animada pela presença sulfurosa de Marilyn Monroe. E lá vão eles, agora como Josephine e Daphne. Claro, a companhia de tanta rapariga bonita agrada-lhes, mas também lhes traz os seus problemas, entre eles uma corte indesejada e criminosos na sua peugada…

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14

Doidos à Solta (Dumb & Dumber, 1994)

Realizadores: Peter Farrelly, Bobby Farrelly

Elenco: Jim Carrey, Jeff Daniels

Imagine-se o conteúdo do cérebro de um hiperactivo irmão mais novo pespegado no ecrã de um televisor e tem-se Doidos à Solta. Jim Carrey e Jeff Daniels são um par de idiotas sem esperança de cura que se metem numa viagem através da América para resgatar a pasta de uma mulher. Sem pedir desculpa pela grosseria do seu humor, o filme está recheado de humor escatológico, ou sobre rabos, narizes e, evidentemente, sexo.

13

Aonde É Que Pára a Polícia (The Naked Gun, 1988)

Realizador: David Zucker

Elenco: Leslie Nielsen, Priscilla Presley, OJ Simpson


Depois de O Aeroplano, Aonde É Que Pára a Polícia tem algumas das piadas mais disparatadas e dos gagues mais tontos do cinema. O filme fez Leslie Nielsen um astro maior do que alguma vez foi quando interpretava filmes-desastre – embora deva ser acrescentado que o actor desperdiçou a oportunidade quase imediatamente ao participar em películas como Drácula: Morto Mas Contente! e nas sucessivas sequelas da série.

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12

O Grande Lebowski (The Big Lebowski, 1998)

Realizadores: Joel Coen, Ethan Coen

Elenco: Jeff Bridges, John Goodman, Julianne Moore

Quando o sempre ganzado Jeffrey “The Dude” Lebowski é confundido com um milionário local com o mesmo nome por um grupo criminoso, liberta-se uma cadeia de acontecimentos envolvendo os seus amigos da equipa de bowling. São tantas as falas descaradamente absurdas e cómicas neste filme dos irmãos Cohen que se pode associar o êxito da obra ao argumento por si só. Mas, apoiados em elenco com esta qualidade, é muito maior o humor desembestado que sai do ecrã nesta história sobre lições de vida, amizade e heroísmo. E tudo por causa de uma carpete velha, mas de estimação.

11

O Repórter: A Lenda de Ron Burgundy (Anchorman: The Legend of Ron Burgundy, 2004)

Realizador: Adam McKay

Elenco: Will Ferrell, Christina Applegate, Paul Rudd


Will Ferrell tornou-se um astro cinematográfico neste filme que recorda tempos mais simples. Um tempo em que um homem não era julgado pelas características do seu carácter, mas pela crua ferocidade da sua água de colónia, o lustro do bigode e a quantidade de livros encadernados a couro alinhados nas estantes de mogno do seu apartamento. Esta delirante paródia-retrato ao jornalismo machista dos anos de 70, quando as mulheres começavam a marcar a sua posição nas redacções, não é porém película que viva apenas do talento de Ferrel. Antes um daqueles casos de alinhamento cósmico entre argumentista, realizador e elenco.

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10

Borat: Aprender Cultura da América para Fazer Benefício Glorioso à Nação do Cazaquistão (Borat: Cultural Learnings of America For Make Benefit Glorious Nation of Kazakhstan, 2006)

Realizador: Larry Charles

Elenco: Sacha Baron Cohen, Ken Davitian

É preciso uma grande lata para manter cara séria enquanto se leva ao engano pessoas ingénuas e incapazes de perceber o disparate. Mas, nisso, Sacha Baron Cohen é um mestre, como se pode ver nesta viagem carregada de preconceitos e mal-entendidos culturais através da América. Viajando como um apresentador de rádio do Cazaquistão, Cohen percorre esconsos caminhos e alguns carreiros dos Estados Unidos neste filme realizado por Larry Charles, começando por dar graxa aos locais até os encantar, para de seguida os chocar sem vergonha com falsas práticas e inventados conceitos morais do Cazaquistão. Além de uma excelente comédia, o filme serve igualmente para recordar como continua elevado e vivo o nível de racismo e misoginia entre o povo que elegeu Trump.

9

Monty Python e o Cálice Sagrado (Monty Python and the Holy Grail, 1975)

Realizadores: Terry Gilliam, Terry Jones

Elenco: Terry Gilliam, Terry Jones, John Cleese, Graham Chapman, Eric Idle, Michael Palin

É difícil encontrar quem não goste da comédia estapafúrdia, revolucionária e absurda dos Monty Python, ou das suas transtornadas criações cinematográficas de que Monty Python e o Cálice Sagrado é o maior expoente. A passagem ao cinema foi feita à maneira daquela trupe, transformando uma antiga lenda remontando à origem de Inglaterra e ao Rei Artur numa comédia anárquica (como as filmagens, aliás) em absoluta contracorrente das convenções e idêntico desprezo pela História. Escrita mais ou menos em conjunto por Graham Chapman, John Cleese, Terry Gilliam, Eric Idle, Terry Jones e Michael Palin, e dirigida por Gilliam e Jones, a película falhou de todo entre a crítica e o público, mas o tempo tem-lhe feito justiça.

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8

Team America: Polícia Mundial (Team America: World Police, 2004)

Realizadores: Trey Parker, Matt Stone

Elenco: Trey Parker, Matt Stone

Os criadores de South Park, Trey Parker e Matt Stone, não faziam a mínima ideia naquilo em que se estavam a meter quando resolveram fazer uma animação de marionetas, estilo Thunderbirds, sobre a guerra contra o terror lançada pelo segundo Bush que chegou à presidência dos Estados Unidos. Aliás, depois de um ano a trabalhar 20 horas por dia, Stone descreveu a epopeia como “o pior tempo da [sua] vida.” No entanto o filme fez-se, estreou e justifica cada minuto que Parker e Stone lhe dedicaram, apropriando-se da técnica dos filmes de acção dominantes no mercado e dos princípios liberais (no sentido político americano, claro), explorando todas as contradições possíveis e outras que só eles podiam imaginar, de certo modo levando-os ao confronto por interposta guerra entre os exércitos terroristas de Durquadurquastão e a Coreia do Norte. Além da mestria do trabalho dos marionetistas, só a cena de sexo vale meio filme.

7

Withnail e Eu (Withnail & I, 1987)

Realizador: Bruce Robinson

Elenco: Richard E. Grant, Paul McGann, Richard Griffiths

As partes mais divertidas de Withnail e Eu encontram-se logo nas primeiras cenas, quando, arrastando-se por um apartamento de Camden parecido com o interior de um pulmão canceroso, Withnail e Marwood saem do torpor provocado por uma épica viagem de speed e álcool. São momentos delirantes de absurdo humor de drogado/ bêbado, que envolvem uma tentativa abortada de limpar a cozinha e uma visita do terrível traficante de droga interpretado por Ralph Brown. Mais tarde, no entanto, a tragédia, por assim dizer, cai-lhes em cima. O que é aproveitado para o desenvolvimento da película como uma variedade de tragicomédia, concluída com uma das mais tocantes cenas finais da história cinematográfica.

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6

O Tonto (The Jerk, 1979)

Realizador: Carl Reiner

Elenco: Steve Martin, Bernadette Peters

A popularidade de Steve Martin no grande ecrã estabeleceu-se definitivamente com este hino à estupidez, este hossana à autoconfiança em que apenas as almas mais sãs conseguem resistir à tentação de se juntarem à maluqueira. Seria fácil para Martin, com o estatuto ganho nos palcos de comédia e na televisão, simplesmente aproveitar a oportunidade e alinhar na paródia. Contudo, o seu talento levou-o a mais. E esse mais foi acrescentar o talento de mostrar que aquela selvagem e doida personagem, aquele zé-ninguém bafejado pela sorte era mais do que um idiota simplório. Afinal, para ser tão estúpido, é preciso ser um génio absoluto.

5

O Feitiço do Tempo (Groundhog Day, 1983)

Realizador: Harold Ramis

Elenco: Bill Murray, Andie MacDowell

Passaram mais de três décadas desde que Bill Murray interpretou o cínico meteorologista preso numa fenda do tempo na pequena cidade de Punxsutawney, na Pensilvânia, revivendo o mesmo dia uma vez e outra e outra e outra… Porém, O Feitiço do Tempo permanece sem uma ruga. Porquê? Talvez porque debaixo daquele humor dorido exista alguma verdade, como a vida ser uma pista de cavalos de corrida cheia de aborrecidas rotinas e repetições, temperada com alguma bondade e uma boa porção de amor.

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4

Annie Hall (1977)

Realizador: Woody Allen

Elenco: Woody Allen, Diane Keaton

Os diálogos, as cenas com as lagostas, a imagem de Diane Keaton com gravata e casaco masculino comprido: Annie Hall é um ponto de referência incontornável da cultura pop, constantemente glosado e parodiado nos últimos 30 anos, instantaneamente identificável, e também o ponto alto da carreira de Woody Allen em termos de reconhecimento institucional – ganhou uma série de Óscares, feito que nunca repetiu. É também, no meio disto tudo, uma das grandes comédias românticas que o cinema americano nos deu. Allen é Alvy Singer, um comediante que, um ano depois, ainda não conseguiu perceber porque é que a sua relação com Annie (Keaton) acabou. O tempo que passam juntos deixa claro que alguma coisa ficou, e é isso que Alvy, Annie e o próprio argumento tentam identificar e compreender até ao fim. Sendo um filme de Woody Allen, a parte da comédia está garantida, mas o elemento romântico, ainda que em registo amargo-doce, está também sempre presente. Annie Hall é o filme de Allen de que toda a gente gosta, disse o crítico Roger Ebert, e disse-o com toda a razão.

3

A Vida de Brian/ Monty Python's Life of Brian (1979)

Realizador: Terry Jones

Elenco: Graham Chapman, John Cleese, Michael Palin

E voltam os Pythons com uma segunda longa-metragem que é, para muitos, a sua obra-prima. O argumento assenta em farsa em estado puro, quando os três Reis Magos encontram a manjedoura errada e o insuspeito pé-rapado Brian Cohen é declarado oficialmente Messias. O argumento agarra-se ao Novo Testamento e dele faz gato-sapato, acrescentando à Maior História Jamais Contada pedaços sacados e devidamente adulterados pelas referências ao conflito no Médio Oriente ou a hipocrisia religiosa em registo evidentemente blasfemo. A cereja no cimo do bolo é, sem dúvida, com Brian já pendurado na cruz, o relutante coro dos sacrificados "Always Look on the Bright Side of Life".

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2

O Aeroplano (Airplane!, 1980)

Realizadores: Jim Abrahams, David Zucker, Jerry Zucker

Elenco: Leslie Nielsen, Robert Hays, Julie Hagerty

Filme que provoca sucessivas dores de barriga devido às gargalhadas que provoca, este é o segundo tomo da associação Abrahams, Zucker & Zucker (depois da estreia como argumentistas em O Filme Mais Maluco do Mundo, de John Landis), agora acumulando a escrita do guião com a realização e iniciando um caminho que os levaria até Aonde É Que Pára a Polícia e Ases pelos Ares. Carregadinho de gagues visuais e tiradas entre o absurdo e o meramente estúpido e mesmo, mesmo na linha que separa o bom do mau gosto, a película é uma divertida e tonta paródia sobre os filmes-desastre da década de 70, onde Robert Hays é um antigo piloto traumatizado obrigado a tomar o controlo de um avião de passageiros quando o verdadeiro piloto tem um treco. O que faz muito bem, todavia sem evitar que Leslie Nielsen fique com a maioria dos louros graças à sua interpretação do peculiar médico de bordo.

1

This Is Spinal Tap (1984)

Realizador: Rob Reiner

Elenco: Christopher Guest, Rob Reiner

Nunca exibido comercialmente em Portugal haverá decerto, entre nós, quem se pergunte: qual é a piada deste filme? A resposta é simples. Toda, do primeiro ao último fotograma, incluindo genérico e créditos finais. Não por acaso, os membros do painel que escolheu estas 100 Melhores Comédias deram-lhe o primeiro lugar com largo avanço sobre a oposição. Rob Reiner não inaugurou aqui o falso documentário, que entretanto se tornou tão popular, mas deu uma contribuição importante ao subgénero com este filme sobre uma banda de heavy metal inglesa falsa. Na verdade, nunca ninguém, como Rob Reiner, gozou tanto com o rock, e nunca ninguém teve tanta razão na análise da megalomania do super-estrela, e menos ainda alguém o fez com tanta graça e estilo como o realizador neste olhar sobre os Spinal Tap. Christopher Guest, Michael McKean e Harry Shearer são o estereótipo dos divos rock, completamente fora da realidade, melhor, vivendo uma realidade alternativa onde ainda são relevantes (pelo menos no Japão) e as suas patetices apenas excentricidades acarinhadas com se fossem originalidades artísticas.

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