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O restaurante histórico, junto ao Panteão Nacional, vai estar em festa durante três meses. As comemorações começam já este fim-de-semana, com o melhor da Terra de Miranda.

Há 51 anos que o Faz Figura mantém as portas abertas. A festa redonda não pôde acontecer em 2024, mas, porque nunca é tarde para lançar foguetes, as comemorações começam esta sexta-feira, 19 de Setembro. O arranque faz-se à mesa, com um menu dedicado ao melhor que o berço da língua mirandesa tem para oferecer, da bochecha de vitela ao rodião. A programação estende-se até Dezembro, com o ponto alto marcado para 23 de Outubro: um cocktail de aniversário e o lançamento oficial da Cerveja Faz Figura. Pelo caminho, sonha-se com o estatuto de Loja com História.
“Neste momento há uma candidatura em curso. Enquanto não acontecerem as eleições, o processo fica em banho-maria, mas não duvido por um segundo que essa classificação vai chegar. Faz todo o sentido por ser um histórico da restauração lisboeta e tenho a certeza que não há assim tantas casas abertas há tanto tempo, ininterruptamente”, diz-nos Pedro Dias. O proprietário – que também é gerente, director de operações e, em certas ocasiões, até chef – comprou o espaço em 2005 e tem procurado consagrá-lo como uma montra do muito que o país – “recordista europeu em certificação de uma série de produtos” – tem para oferecer.
É verdade que, após as obras de renovação em 2018, o Faz Figura reabriu com um nome ligeiramente afinado para uma vocação mais internacional – Portugal Wine & Food by Faz Figura –, mas desde a sua abertura original, em 1974, que a génese do restaurante está na riqueza da gastronomia portuguesa, que Pedro Dias considera “absolutamente invulgar”. “Fui jornalista durante 20 anos, corri país e mundo, vi e provei muitas coisas fantásticas, mas poucas vezes encontrei um território que, de uma forma tão compacta, tivesse uma tal variedade de produtos, de receituário e de paixão pela mesa. E é isso que nos norteia.”
Para celebrar, e para comprovar a ambição, assinala-se o 50.º aniversário, ainda que com um ano de atraso, com eventos temáticos e novidades, dentro e fora da cozinha. Depois de três dias em torno da carne mirandesa, entre os dias 19 e 21 de Setembro, segue-se um menu especial, por ocasião do Dia Mundial da Música, que poderá provar entre 1 e 3 de Outubro. “Escolhi um conjunto de temas que ou falam de comida, ou pelo menos dão azo a isso, e concebi os pratos em torno, no fundo, do meu gosto musical. Portanto, a ideia é consumir o menu com a playlist a acompanhar, além de um conjunto de textos que escrevi, porque a música é das poucas coisas de que eu gosto tanto como de cozinha.”
Está ainda previsto o regresso do famoso cozido, a 5 de Outubro, e a Semana do Polvo, de 8 a 11, duas iniciativas que abrem caminho para o cocktail de aniversário, no dia 23 do mesmo mês. O programa, que terá lugar ao final do dia, inclui uma prova de vinho e produtos regionais, com preço único e acesso a bar aberto. Além disso, Pedro Dias destaca o lançamento das primeiras duas cervejas Faz Figura, em colaboração com a Pato Brewing: uma Pilsener, “de estilo alemão, com notas de limão, melão e florais”, e uma IPA, “cítrica, frutada e de maior amargor”. Depois disso, correndo tudo bem, virão mais. De resto, a agenda de Novembro a Dezembro será anunciada “a seu tempo”. Mas se, por um lado, Pedro Dias está entusiasmado com o que aí vem, por outro há uma preocupação que recusa guardar só para si.
Há anos que o Faz Figura vive rodeado de estaleiros. Depois da pandemia, quando a cidade voltou a ganhar movimento, o restaurante tinha já obras à porta: a intervenção no antigo Hospital da Marinha, comprado por investidores estrangeiros e em transformação num empreendimento de grandes dimensões. Entretanto, a Câmara Municipal avançou com o Plano Geral de Drenagem que, embora reconhecidamente necessário, acabou por cortar a principal artéria de acesso ao restaurante e impor várias restrições de trânsito, mesmo a quem vem da direcção oposta. “À boa maneira portuguesa, já era para ter sido terminado, leva um ano de atraso e sabemos que antes do final de 2026 não estará concluído”, lamenta.
O paradoxo não lhe escapa: “A mesma instituição que se prepara para nos atribuir a classificação de Loja com História tem prejudicado fortemente o nosso negócio – e não só, porque a conversa não seria muito diferente se fosse tida com outros comerciantes da zona.” Para agravar, soma-se ainda o encerramento da estação de Santa Apolónia durante sete a oito meses, igualmente devido às obras. “No momento em que celebramos os nossos 50 anos, esta nota deve ser feita. Acho que alguma coisa deve ser feita no sentido de minimizar estes impactos. Por isso queremos, por um lado, sensibilizar para esta questão, e por outro também lembrar as pessoas que existimos e que mesmo na meia idade temos força e juventude e queremos fazer coisas.”
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