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“Grândola, Vila Morena”: canção dá origem a museu interactivo

Composta por José Afonso antes do 25 de Abril de 1974, “Grândola, Vila Morena” tornou-se um dos hinos da Revolução dos Cravos. Agora, a Câmara Municipal de Grândola dedica-lhe um museu.

Renata Lima Lobo
Escrito por
Renata Lima Lobo
Jornalista
Francisco Fanhais, José Afonso e José Mário Branco
©Patrick UlmannFrancisco Fanhais, José Afonso e José Mário Branco (1971)
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A Câmara Municipal de Grândola inaugura este sábado, 20 de Abril, o Museu Grândola, Vila Morena, um novo núcleo museológico do museu municipal, que contará a história do poema e depois canção de José Afonso, que se tornou uma das senhas do 25 de Abril de 1974. Um espaço interactivo e imersivo que assinala as comemorações dos 50 anos da Revolução dos Cravos.

As operações dos capitães de Abril que desencadearam a revolução contaram com duas senhas fundamentais, emitidas pelas rádios ocupadas pelo Movimento das Forças Armadas (MFA) e que davam o mote para fazer avançar o plano militar que derrubaria o regime. A primeira senha escolhida foi o tema “E depois do adeus”, de Paulo de Carvalho, transmitida pelos Emissores Associados de Lisboa, que pedia às tropas para estarem a postos. A segunda, transmitida pela Rádio Renascença, foi “Grândola, Vila Morena”, de José Afonso, que dava o mote para o arranque das operações. 50 anos depois, é ainda este o tema principal da banda sonora da revolução.

“Grândola, Vila Morena” integrou o álbum Cantigas de Maio, de 1971, e foi gravado no Strawberry Studio, em Hérouville, França, com arranjos e direcção musical de José Mário Branco, então exilado em França, assim como Francisco Fanhais, um dos músicos que acompanham os temas deste registo. Ao contrário de outras composições de José Afonso, “Grândola, Vila Morena” – tema dedicado à Sociedade Musical Fraternidade Operária Grandolense – escapou ao lápis azul da censura.

No novo museu, os visitantes poderão mergulhar na história da canção, numa viagem no tempo que permitirá, por exemplo, entrar no escritório da Direcção Geral da Segurança do antigo regime, pegar no telefone e ouvir o relatório da PIDE sobre um momento particular: a gravação de quando, a 29 de Março de 1974, no I Encontro da Canção Portuguesa, José Afonso cantou o tema acompanhado pelas milhares de vozes do público que assistia. No museu será também possível ouvir um testemunho inédito de José Mário Branco sobre a gravação, num espaço onde os visitantes terão oportunidade de entrar num estúdio, criar uma versão diferente da música e partilhar nas redes sociais.

Com recurso a tecnologia interactiva, o museu promete percorrer todos os passos da história desta canção, através de várias áreas de exposição. Destaque ainda para uma obra de arte original, que nasce da fotografia de Patrick Ulmann com José Mário Branco, José Afonso e Francisco Fanhais (em destaque) no momento em que ensaiam os famosos passos de “Grândola, Vila Morena”. A histórica imagem inspirou um mural, assinado por Mariana Santos, que “aumenta à medida que se ouve o arrastar dos pés dos três cantores no saibro, tal como na canção”, descreve o município em comunicado.

Paços do Concelho. Praça D. Jorge (Grândola). Inauguração: Sáb 15.00

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