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Com cerca de 70 autores, a loja do museu pretende ser uma montra da "criatividade e produção nacionais". Esta é só a primeira colecção de moda lançada pelo MUDE – outras virão.

Depois dos livros, dos objectos utilitários, da joalharia e do mobiliário, a loja do MUDE (Museu do Design) torna-se, finalmente, uma montra completa do que de melhor é feito e criado em Portugal em matéria de design. Apresentada na passada terça-feira, a primeira colecção cápsula trouxe a moda para o centro da loja, instalada no piso térreo do museu. Produzida em Portugal, é composta por 28 peças de edição limitada. Os preços vão dos 13€ aos 500€, sendo que a maioria das peças custa entre 30€ e 50€.
"O intuito foi fazer uma colecção que não tivesse estação, que fosse constituída por peças básicas, que interpretassem peças tradicionais do vestuário português – como o avental, que se transformou em overskirt, as golas –, juntamente com outras peças do vestuário urbano. Quisemos pensar também numa colecção intergeracional, evitando tudo o que, por vezes, dificulta o uso confortável – até mesmo do ponto de vista da motricidade fina. Quisemos que as peças pudessem ser usadas por pessoas de diferentes formações físicas, gostos, idades", explica Bárbara Coutinho, directora do museu.
Coube ao editor de moda Paulo Gomes a missão de desenhar a colecção, escolher materiais e fornecedores e fazer a ponte com a confecção nacional. Como responsável criativo do projecto Green Circle do Centro Tecnológico das Indústrias Têxtil e do Vestuário de Portugal, o seu papel foi também o de garantir que a colecção teria a sua pegada ecológica reduzida ao mínimo possível.
"Não falamos só dos materiais, os processos foram um foco muito importantes, precisamente por serem a pior parte, a mais agressiva – os acabamentos, os tingimentos. E pensámos sempre: como é que vai ser o final de vida desta peça? Se ela for para um aterro, que esperamos que não vá, ela é rapidamente biodegradável. É tudo biobased. Se entrar numa processo de reciclagem, está preparada para ser reciclada automaticamente. Não tem fechos, não tem acessórios – é sempre tudo a mesma família de materiais", explica Paulo Gomes.
Com uma paleta neutra – composta por branco, preto, azul, cinzento e pó de arroz –, processos de estampagem que não envolveram água e matérias-primas resultantes da reciclagem de plásticos recolhidos no Mediterrâneo, a colecção habita o centro da loja, nos expositores desenhados por Marco Sousa Santos.
Esta colecção cápsula é apenas a primeira. O objectivo do MUDE é ter outros lançamentos na área da moda, sempre pautados por prioridades ecológicas e colaborações com designers nacionais. Simultaneamente, a loja – que conta já com cerca de 70 autores nas diferentes áreas do design – quer dar espaço a criadores de moda portugueses em nome próprio. Ainda sem revelar nomes, Bárbara Coutinho quer ver mais um propósito cumprido entre o final deste ano e o início de 2027.
Rua Augusta, 24 (Baixa). 21 817 1892. Dom, Ter-Qui 10.00-18.00, Sex-Sáb 10.00-20.00
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