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Novo festival literário de Lisboa quer dar voz aos mais jovens

Chama-se AGORA, é pensado especialmente para crianças e jovens. Acontece de 25 a 27 de Setembro, em vários espaços da cidade.

Raquel Dias da Silva
Escrito por
Raquel Dias da Silva
Jornalista, Time Out Lisboa
Palácio Galveias
© Manuel Manso | O arranque do AGORA vai fazer-se no Palácio das Galveias
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Três dias de conversas e actividades, em que leitura, escrita, imaginação, criatividade, partilha, arte, cultura, espírito crítico e participação são as palavras de ordem. É esta a premissa do novo festival literário da cidade, o AGORA, criado a pensar especialmente nas crianças e jovens. A abertura está marcada para 25 de Setembro, às 17.00, na Biblioteca do Palácio das Galveias, mas a programação – que se prolonga até dia 27 e ainda não está completamente fechada – estende-se à Assembleia da República, ao Centro de Arte Moderna da Gulbenkian e à Comuna.

O desafio foi lançado por Maria Inês de Almeida, autora da popular colecção Diário de uma Miúda como Tu. Quem o abraçou foi Carlos Moura-Carvalho, antigo director de Cultura da Câmara e autor da ideia da Cabine de Leitura. “A Inês disse-me ‘ó Carlos, não há nenhum festival só dedicado às crianças e aos jovens, era engraçado fazermos, não queres organizar?’ Eu respondi logo que sim e tentámos apoios da Câmara e do Ministério, mas não conseguimos nenhum. Mesmo assim resolvemos ir em frente e, entretanto, convidei a professora universitária Odete Severino Soares a juntar-se a nós”, revela-nos o jurista e gestor cultural, que acredita que o AGORA não é só mais um festival literário.

Com o apoio da Assembleia da República, do Plano Nacional de Leitura e da Fundação Calouste Gulbenkian, o AGORA – Festival Literário Infanto-Juvenil faz-se “de afectos, palavras trocadas e ideias partilhadas”. “Não é para os jovens, é feito também com eles”, esclarece Moura-Carvalho. “Teremos vários painéis, mas queremos que eles participem. Por exemplo, vamos ter um sobre a influência dos Booktokers, que existem hoje em dia. Eu não tinha TikTok, mas já tenho filhos de 20 e tal anos e, antes do Verão, para aí em Maio, resolvi descarregar à aplicação, porque descobri o fenómeno. A maior parte são raparigas, muito jovens, com milhares de seguidores e o seu foco é partilhar os livros que lêem.”

O painel “Aqui e Agora”, que se debruça sobre a comunidade literária digital, é o pontapé de partida do festival, às 17.15, no dia 25, e conta com a participação das booktokers Íris Bicho, Jéssica Leite e Maria João Faria, numa conversa moderada por Pedro Miguel Ribeiro. Ainda na Biblioteca do Palácio das Galveias, segue-se, às 18.00, uma “conversa sobre livros inesquecíveis”, moderada pela jornalista Sara Belo Luís, com Sara Rodi (escritora infanto-juvenil), Susana Menezes (directora do LU.CA – Teatro Luís de Camões), Catarina Sobral (autora e ilustradora) e Marco Neves (professor, podcaster e autor de livros e artigos sobre línguas); e, às 19.00, a apresentação de cinco iniciativas que valorizam o incentivo à leitura junto de crianças e jovens, “como o Ananse, um festival literário infanto-juvenil, que se estreou este ano [no Centro Cultural Português] em Luanda”.

As escadas da Assembleia vão ser palco de uma Festa da Leitura

Já a 26 de Setembro, a festa faz-se na Assembleia da República. Às 17.00, a comissária do Plano Nacional de Leitura, Regina Duarte, inaugura uma Assembleia das Crianças, para que crianças entre os 9 e os 12 anos se façam ouvir sobre como ocupam os seus tempos livres, que livros lêem, onde preferem ler, como entendem o papel da escola no fomento da leitura, e o que mudariam. “São dados importantes e parece-me importante ouvi-los da boca deles, sem que seja uma coisa filtrada, muito estatística, digamos assim”, diz, antes de revelar que também está prevista uma Assembleia para jovens entre os 13 e os 21 anos, às 19.00. Antes, o presidente da Assembleia da República, José Pedro Aguiar-Branco, estará disponível para responder às perguntas dos mais novos, a partir dos 13 anos. Já no final do dia, pelas 21.00, convidam-se as famílias a deixar os miúdos ir para a cama mais tarde: é que as escadas da Assembleia vão transformar-se no palco de uma Festa da Leitura.

“É mais para jovens do que para crianças, porque é às 21.00 de uma sexta-feira, mas é um dos momentos principais do festival. Foi talvez a primeira ideia que tive, porque estas festas da leitura estão a acontecer por todo o lado, mas talvez não num sítio público como as escadas da Assembleia, que são muitas vezes usadas para reivindicação, que às vezes descamba em histerismo, e não para algo tão positivo e bonito que é as pessoas sentarem-se a ler e depois tentarem conversar com a pessoa ao lado a propósito de um livro.”

No último dia, 27 de Setembro, a programação divide-se entre o Centro de Arte Moderna da Gulbenkian e a Comuna – Teatro de Pesquisa. No primeiro local, as famílias vão ser convidadas a descobrir, logo a partir das 10.00, a carrinha da antiga Biblioteca Itinerante da Fundação Calouste Gulbenkian. Destacam-se ainda, a partir das 15.00, leituras encenadas por nomes como Inês Pupo, Gonçalo Pratas, Ana Maria Magalhães, Isabel Alçada e Ana Sofia Paiva; e um “Cocktail Literário” servido pela Mesa do CAM, com mocktails para os mais novos, a partir das 19.30. Depois é ir jantar, antes de se rumar à Comuna, onde o festival encerra. A programação inclui, por exemplo, uma conversa com o encenador João Mota, sobre a importância do texto para o teatro.

AGORA – Festival Literário Infanto-Juvenil. 25-27 Set, vários horários e locais. Entrada livre

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