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O Pastelinho de Benfica vai fechar, após 53 anos a fazer “dos melhores pastéis de nata de Lisboa”

Se não aparecer ninguém para arrendar a casa fundada em 1973 na Estrada de Benfica, O Pastelinho vai fechar portas no final de Julho.

Rute Barbedo
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Rute Barbedo
Jornalista
Pastelinho de Benfica
Rogério P. Pereira via Facebook | Pastelinho de Benfica
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A receita do creme do pastel de nata, o ex-libris da casa O Pastelinho, é de João Domingos Marques, o único dos três sócios fundadores ainda vivo. "Tudo tem um princípio. Eu tive umas luzes com alguns pasteleiros e depois aperfeiçoei a receita, para trazê-la para aqui", conta ao telefone à Time Out o proprietário da pastelaria fundada em 1973 em São Domingos de Benfica e, desde então, ponto de encontro do bairro.

Também é João Domingos Marques quem confirma os rumores sobre o fecho da pastelaria. "Há casas que têm falta de clientes. Nós temos clientes a mais para a nossa capacidade e idade. Se não aparecer ninguém para arrendar, vamos fechar no fim de Julho", declara, explicando que não existem descendentes interessados em ficar com o negócio. "Vamos sair os quatro: as três da cozinha e eu."

O Pastelinho de Benfica
Inês FélixO Pastelinho de Benfica

João Domingos Marques tinha 26 anos quando abriu a pastelaria em frente ao Externato Fernão Mendes Pinto e que, além de pastelaria tradicional, também serve refeições diárias – o bitoque é uma das principais referências. Quanto à receita do pastel de nata, o famoso "pastelinho", ficará no segredo dos deuses. "Fechando a casa, os pastéis também vão acabar", garante o proprietário, que todos os dias chega à fábrica pelas 02.30 da manhã (leu bem) para fazer o creme.

O Pastelinho de Benfica é uma das pastelarias listadas no projecto O Último Bolo de Arroz de Lisboa, promovido pelos Vizinhos de Lisboa com o intuito de mapear cafés e pastelarias tradicionais portuguesas em Lisboa, perante o fecho acelerado de muitos destes negócios. Estes espaços funcionaram durante anos como "extensões do espaço público e da comunidade local", "lugares de encontro intergeracional, de leitura de jornais, de conversa quotidiana, de apoio informal entre vizinhos e, em muitos casos, pontos de atenção comunitária essenciais", escreveu Rui Martins, representante da associação de moradores, n'A Mensagem de Lisboa. A Estrada de Benfica conta com menos um.

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