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The Crown, temporada 5
© Netflix

Oito pontos altos da quinta temporada de ‘The Crown’

Depois de vermos os dez novos episódios, com estreia nesta quarta-feira, antecipamos os momentos-chaves deste capítulo da série de sucesso da Netflix.

Escrito por
Mauro Gonçalves
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Uma rainha perplexa perante o advento do novo século – dos divórcios em catadupa à expansão da televisão por satélite –, uma princesa profundamente infeliz e em busca de atenção e um herdeiro desejoso de se afirmar publicamente. Entre os ingredientes da quinta temporada de The Crown está aquela que, muito provavelmente, será a saga mais sofrida da história recente da família real britânica, mas também as narrativas de segunda e terceira fila que realçam a capacidade da série Peter Morgan de expor (ou ficcionar) os bastidores dos Windsor.

Em dez episódios, há (obviamente) espaço para surpresas. O sucesso da Netflix assume contornos novelescos, à medida que a trama é arrastada para a sucessão de escândalos que acaba por pôr fim ao casamento de Carlos e Diana (há um livro, uma conversa íntima transcrita nos jornais, um documentário e uma entrevista desestabilizadora a servirem de combustível à polémica). Mas há espaço para outras histórias. Depois de vermos a nova temporada de uma ponta à outra, escolhemos oito momentos-chave (impróprios para quem dispensa spoilers) de mais um capítulo da vida real.

The Crown Season 5
© Keith Bernstein

Quem é Penny Knatchbull?

Uma das histórias paralelas à acção central – definitivamente, o casamento em ruínas dos príncipes de Gales – é a amizade entre o príncipe Philip (Jonathan Pryce) e Penny Knatchbull (Natasha McElhone), futura condessa Mountbatten da Birmânia, após a morte da filha mais nova dos Knatchbull, com apenas cinco anos. Uma cumplicidade improvável (sobretudo pelos quase 30 anos de diferença) motivada por uma paixão em comum – a condução de carruagens. No ecrã, a relação começa por melindrar a rainha. As suspeitas levantadas pela imprensa depressa são esquecidas e as duas aproximam-se a pedido do duque.

A história de Sydney Johnson

O duque de Windsor, o rei que renunciou ao trono britânico para casar com Wallis Simpson, e Mohamed Al-Fayed (Salim Daw), milionário egípcio que viria a aproximar-se da princesa Diana (Elizabeth Debicki), estão ligados por um único homem: Sydney Johnson.

O jovem natural das Bahamas foi criado pessoal do duque durante mais de 30 anos, até à sua morte. Contratado por Al-Fayed, que é retratado como um aficionado da cultura britânica, acaba por ser, na série, uma espécie de mentor e influenciar a compra e reabilitação da mansão de Paris, outrora residência dos duques de Windsor.

The Crown Season 5
© Keith Bernstein

O regresso de Peter Townsend

É preciso recuar à primeira temporada e refrescar a memória. Pois bem, o amor mal resolvido de Margaret (Lesley Manville) volta a bater-lhe à porta, agora que a princesa entra na casa dos sessentas e é retratada como uma mulher solitária, de cigarro numa mão e copo na outra. Peter Townsend (Timothy Dalton), o homem 16 anos mais velho, divorciado, com quem foi impedida de casar, escreve-lhe uma carta.

O casal reúne-se, décadas depois de Peter ter sido afastado do Palácio de Buckingham e do Reino Unido por decisão da rainha. O reencontro leva a princesa a reler as cartas trocadas em tempos, o desgosto amoroso sai reavivado e o confronto com Isabel II (Imelda Staunton) torna-se inevitável. Num diálogo tenso e emotivo, Margaret responsabiliza a irmã pela sua infelicidade.

Camillagate

Gravada “sem querer” por um radialista amador em 1989, quando os príncipes de Gales ainda estavam juntos, a conversa telefónica entre Carlos (Dominic West) e Camilla (Olivia Williams) viria a ser transcrita e divulgada na íntegra pela revista People, em Janeiro de 1993. O conteúdo íntimo chocou o país, num contexto que já era tenso, menos de um ano depois da publicação do livro Diana: Her True Story - In Her Own Words. Em resposta, o príncipe de Gales tentou reabilitar a sua imagem perante a opinião pública através de uma entrevista e documentário. Conduzido pelo jornalista Jonathan Dimbleby, Charles: The Private Man, the Public Role é transmitido em Junho de 1994, na ITV.

The Crown, temporada 5
© Netflix

Quem virou as costas aos Romanov?

Os flashbacks são frequentes na nova temporada de The Crown e um deles recua até 1917, mais precisamente à noite do assassinato da família Romanov, os czares da Rússia. Em pleno clima de reaproximação dos dois países, ainda no rescaldo da queda do Muro de Berlim, Yeltsin é recebido em Buckingham em 1992 (o guião tempera o momento com alguns comentários maldosos feitos pelo presidente em russo).

A pedido da rainha, este concorda em procurar os corpos da família imperial russa e a proporcionar-lhe as devidas honras fúnebres. O ADN do príncipe Philip é usado para identificar os restos mortais, enquanto Isabel II, que entretanto retribui a visita de Estado, se vê confrontada com um facto histórico: a recusa de Jorge V e da rainha Maria em providenciar resgate para o primo Nicolau II e a família. 

O esquema de Martin Bashir

Era expectável que a polémica entrevista dada por Diana ao programa Panorama, da BBC, em Novembro de 1995, fosse um dos acontecimentos em revista, da mesma forma que os factos vindos a público posteriormente, quanto à forma como a princesa foi persuadida a falar sobre o seu casamento com estação de televisão, teriam de ser incluídos na narrativo. Dito e feito.

Num dos episódios, o jornalista Martin Bashir (Prasanna Puwanarajah, que interpreta o papel pela segunda vez) começa por forjar registos de transferências bancárias e apresentá-los a Charles Spencer, como forma de chegar à irmã. Os documentos falsos acabam por reforçar o sentimento de paranóia da princesa em relação ao controlo e a vigilância de que poderia estar a ser alvo – por parte dos serviços de inteligência britânica e do gabinete do próprio Carlos.

A entrevista foi gravada no Palácio de Kensington e mantida praticamente em segredo até às vésperas da transmissão. As revelações feitas por Diana viriam a ser decisivas para que Isabel II desse luz verde para o divórcio dos príncipes de Gales.

The Crown, temporada 5
© Netflix

O divórcio

O príncipe William (Senan West) vai estudar para Eton, Isabel II rende-se à televisão por satélite e o gabinete de Carlos começa a pensar na reabilitação da imagem de Camilla perante a opinião pública. É neste contexto que o tão esperado divórcio é oficializado, em Agosto de 1996. Ao facto histórico, Peter Morgan voltou a adicionar uma pitada de ficção. Carlos surpreende Diana com uma visita e a interacção – inicialmente leve e descomprometida – depressa escala para um dos momentos mais tensos desta quinta temporada, entre queixas e acusações.

Um final inesperado

A fragilidade da rainha e do sistema que representa é um dos aspectos mais evidentes ao longo dos dez episódios. Com a vitória absoluta de Tony Blair (Bertie Carvel), o Partido Trabalhista volta ao poder, obrigando Isabel II a mendigar o tão desejado investimento no melhoramento do iate real, o Britannia. Estamos em 1997 e Mohamed Al-Fayed reaproxima-se de uma Diana infeliz e solitária. Ao contrário do que chegou a especular-se, a quinta temporada de The Crown termina antes da morte da princesa.

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