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Trienal de Arquitectura arranca em Setembro de pés assentes na Terra

Foi apresentada esta quarta-feira a programação da 6.ª Trienal de Arquitectura de Lisboa, que propõe uma mudança de paradigma em prol dum futuro mais sustentável.

Renata Lima Lobo
Escrito por
Renata Lima Lobo
Jornalista
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Entre 29 de Setembro e 5 de Dezembro, a 6ª edição da Trienal de Arquitectura de Lisboa vai dar que pensar. A proposta passa por explorar questões como as alterações climáticas, a pressão sobre os recursos naturais e as desigualdades socioeconómicas, situações complexas que acabam por estar interligadas e que pedem uma mudança de paradigma. Esta edição ligada à terra faz um apelo à acção e propõe que o desenvolvimento das cidades se faça de forma circular e, por isso, mais sustentável.

Quatro exposições, quatro livros, três prémios, três dias de conferências e uma selecção de Projectos Independentes. A programação desta 6.ª edição tem todas estas ramificações, que partem de um tronco comum: a palavra “terra e os seus amplos significados. Pode ser um território, uma cidade, uma paisagem, um planeta, a terra que cultivamos, um lugar ao qual pertencemos ou um continente que se avista a partir do mar. E as exposições centrais do evento poderão ser um bom ponto de partida para esta edição multidisciplinar. É que nem só de arquitectos se desenha esta programação.

O MNAC Museu Nacional de Arte Contemporânea do Chiado será o anfitrião da exposição “Multiplicidade”. Pensada por Tau Tavengwa (Zimbabué), co-fundador da revista Cityscapes, e pela antropóloga Vyjayanthi Rao (Índia), tenta responder à pergunta de como o design e a arquitectura se podem adaptar a um mundo marcado pelas desigualdades, alterações climáticas e pandemias. Um processo que mapearam através de vídeo, maquetes, ilustrações, fotografia e desenhos.

No MAAT, estará patente a exposição “Retroactivar”, dos arquitectos mexicanos José Pablo Ambrosi e Loreta Castro Reguera, que desperta o interesse pela possibilidade de devolver o sentimento de pertença nas cidades, através da criação de equipamentos públicos. Muito perto, no CCB, ficará a exposição "Ciclos", da filósofa Pamela Prado (Chile) e do arquitecto Pedro Ignacio Alonso (Chile). Juntos desenharam uma “visão crítica sobre a inovação”, expondo os ciclos de construção arquitectónica e como os resíduos podem ser reaproveitados, a caminho da sustentabilidade.

Por fim, a Culturgest será a casa da exposição "Visionárias", da designer e investigadora russa Anastassia Smirnova, que apresenta “novos modelos e protótipos”, visões radicais que se podem transformar numa nova norma.

Durante esta edição, será lançada uma colecção de livros de bolso dedicada aos temas destas exposições e que “junta vozes nas áreas do pensamento, crítica, investigação e prática”, numa parceria com a portuense Circo de Ideias, editora, livraria e galeria de arquitectura. As exposições são ainda o ponto de partida para o ciclo de conferências Talk, Talk, Talk, na Fundação Calouste Gulbenkian. Durante três dias, a conversa vai andar à volta das temáticas da terra, juntando personalidades nacionais e internacionais do pensamento, investigação, academia e arquitectura que irão debater acções futuras.

Esta 6.ª edição dará ainda palco a um conjunto de 16 projectos independentes, seleccionados a partir de 67 candidaturas recebidas sob o mote do “futuro das ecologias em arquitectura”. O Palácio Sinel de Cordes, sede da Trienal de Arquitectura de Lisboa, será um dos espaços que irá receber estes projectos que também andarão espalhados um pouco por toda a cidade.

O presidente da Câmara Municipal de Lisboa, Carlos Moedas, marcou presença na apresentação desta edição, destacando “a capacidade da arquitectura de se envolver nas soluções dos desafios que temos hoje”, como o desafio "supra nacional" do combate às alterações climáticas, liderado pelas cidades. E no final da sua intervenção citou, livremente, o urbanista dinamarquês Jan Gehl: “primeiro as pessoas, depois os edifícios e no fim os edifícios.”

Já José Mateus, presidente da Trienal de Arquitectura de Lisboa, defendeu que a humanidade tem de reflectir sobre o legado que quer deixar às próximas gerações e “recuperar uma relação mais harmoniosa com o planeta que habita”, sublinhando que “Lisboa deve empenhar-se e ambicionar tornar-se uma referência mundial a nível ambiental.” Saiba mais em www.trienaldelisboa.com.

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