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Deadly Premonition 2: A Blessing in Disguise
DR Deadly Premonition 2: A Blessing in Disguise

E agora, para algo completamente diferente: 'Deadly Premonition 2'

‘Deadly Premonition 2: A Blessing in Disguise’ é o jogo mais bizarro do ano. Nada contra.

Por Luís Filipe Rodrigues
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É ingrato, e em última análise contraproducente, reduzir Deadly Premonition 2: A Blessing in Disguise a uma nota, a umas quantas estrelas. Porque tão depressa é gloriosamente estranho e mal interpretado ao ponto de se tornar genial, como é uma desgraça do ponto de vista técnico, com a imagem a soluçar (pelo menos antes do lançamento do mais recente patch), os botões a deixarem subitamente de responder e o mapa e os menus a desaparecerem. Para o bem e para o mal, não vai sair outro jogo assim este ano.

A existência de um Deadly Premonition 2 é, por si só, bizarra. O original saiu em 2010 e dividiu opiniões. Apesar de muitos críticos o terem achincalhado, outros escreveram que era uma obra-prima. Com o tempo, tornou-se objecto de culto. Criado pelo iconoclasta japonês Hidetaka Suehiro, ou SWERY, era um híbrido de Silent Hill e Twin Peaks, pouco polido, mas intrépido e único. Parecia um jogo feito noutra altura, virando as costas ao senso e aos lugares comuns, era uma experiência pouco intuitiva e que subvertia expectativas. Ninguém esperava, por isso, que tivesse uma continuação. Até que, em 2019, Deadly Premonition apareceu na Switch e foi anunciada esta sequela.

Twin Peaks continua a ser a principal influência do novo título. No entanto, há momentos que lembram The Room – e não o videojogo, mas o clássico filme tão-mau-que-é-bom do excêntrico Tommy Wiseau. As semelhanças estão patentes nos diálogos, que oscilam entre o absurdo e o surreal, e nas interpretações vocais, exageradas e quase telenovelescas. Mas não só. O protagonista desta sequela, que é também uma prequela, é mais uma vez Francis York Morgan, que fala com um amigo invisível, Zach, enquanto investiga um assassinato em Le Carré, no Louisiana, e uma rede de tráfico de drogas na mesma terra.

Os acontecimentos de Le Carré passam-se em 2005, alguns anos antes da história original de 2010. E o jogo parece mesmo ter sido feito em 2005. Os gráficos são descuidados, os combates toscos e repetitivos e as mecânicas anacrónicas. Contudo, tem um certo charme. A maneira como cruza elementos de géneros como o thriller e o terror é familiar, mas tudo o resto é singular e desafiante, parece saído de uma realidade alternativa.

Deadly Premonition 2 tenta ser realista, mas abraça o absurdo. Por um lado, o protagonista tem de lavar de roupa, tomar banho, comer e dormir; os outros personagens e certas missões só estão disponíveis a determinadas horas. Por outro, York, um agente do FBI, move-se pela cidade num skate, porque alguém lhe roubou o carro e ele não se quis dar ao trabalho de arranjar um novo; há uma criança, a filha do xerife local, que o segue enquanto ele investiga um homicídio e se auto-intitula de sua ajudante, e ele não vê nenhum problema nisso, desde que ela vá para casa à hora de jantar; é frequente os diálogos ou monólogos descarrilarem até York estar a falar sozinho sobre filmes – estes momentos lembram os interlúdios de crítica musical do Psicopata Americano de Bret Easton Ellis.

E depois há as secções passadas no presente, quando um Francis Morgan doente é interrogado por Aaliyah Davis, uma agente do FBI controlada pelo jogador e que questiona os métodos pouco convencionais do protagonista. São secções menos interactivas, mais centradas no diálogo e na observação. Mais uma vez, são heteróclitas e diferentes daquilo que estamos acostumados a ver numa consola em 2020. Como quase tudo em Deadly Premonition 2, estes momentos não são convencionalmente bons, mas isso não importa. Há muitos jogos “bons”, mas poucos como este. E fazem falta mais destes.

Disponível para Switch.

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