Vinho
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Chega de fingir que percebe da coisa: cursos de vinhos em Lisboa que valem a pena

Invista em formação e nunca mais erre na hora de escolher o seu vinho.

Liana Saldanha
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Ouvimos por aí que “vinho bom é aquele que a gente gosta”. Eu concordo, mas deixo aqui um segredinho: a gente costuma gostar muito mais quando entende o que está no copo. 

Lembro-me quando fui à Ilha do Pico e aprendi sobre a cultura e os métodos de produção por trás daqueles vinhos nascidos em currais de basalto. Depois disso, cada trago parecia contar uma história diferente. O vinho passou a ser muito mais interessante e delicioso para mim. 

Estudar vinho não é só sobre enriquecer a experiência, é expandir nosso paladar. É treinar o nariz para reconhecer aromas que antes passavam despercebidos e ensinar a língua a decifrar estrutura, acidez, textura. É olhar para uma carta de vinhos num restaurante ou para a prateleira de uma garrafeira e escolher com mais segurança, sem depender apenas do rótulo mais bonito ou do preço mais alto (dois critérios que, convenhamos, já nos enganaram muitas vezes). 

Para ajudar nessa jornada de autoconhecimento, eis três lugares em Lisboa para fazer cursos de vinhos: aqui, o estudo é levado a sério, mas sem esquecer o prazer que o vinho exige. 

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Os melhores cursos de vinhos

1. Curso Iniciação à Prova de Vinhos (Nível I) pela Associação dos Escanções de Portugal 

Troque o brunch de sábado por uma manhã imersiva entre castas, aromas e prova de cinco vinhos. Durante quatro horas (das 10.00 às 14.00), uma equipa de escanções profissionais irá ensinar como usar o olfato e o paladar como ferramentas na degustação. O programa viaja desde a história do vinho até às castas que dominam o mundo, mas o "prato principal" é a técnica de prova. O investimento no valor de 75€ (ou 60€ se for sócio) inclui material didáctico digital e diploma de participação para emoldurar na parede – olha que tem o selo de qualidade de quem forma sommeliers a sério em Portugal.

2. Wine & Spirit Education Trust (WSET) - o passaporte internacional do vinho 

Se a curiosidade evoluir, o WSET é provavelmente o curso mais reconhecido do mundo na área do vinho. O nível 1 funciona como uma porta de entrada: ensina os principais estilos de vinho, técnicas básicas de prova, serviço e harmonização com comida. Em Lisboa, é possível fazer formações através de entidades certificadas como a Plansel International Wine School ou em cursos organizados pelo Instituto da Vinha e do Vinho. É o tipo de formação que tanto serve para profissionais da restauração como para entusiastas que querem levar a paixão pelo vinho um pouco mais a sério. Se quiser se aprofundar mais, em Portugal há formação WSET até o nível 3. 

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3. À Descoberta dos Vinhos Portugueses pela Escanção & Educadora de Vinhos Teresa Gomes 

Se procura uma abordagem ao vinho sem linguajar super técnico nem formalismos, este é o curso ideal. Conduzidas pela escanção e educadora Teresa Gomes, as sessões de iniciação são pensadas para curiosos que querem compreender o que têm no copo de forma simples e prazerosa. Ao longo de três horas, viaja-se da vinha à garrafa, explorando castas e estilos de vinificação, com uma componente prática que inclui jogos sensoriais e a prova de cinco vinhos de diferentes regiões. As sessões são exclusivas e realizam-se num ambiente intimista no The Wine Flat (junto ao Marquês de Pombal) ou, se preferir, no conforto da sua casa, sempre acompanhadas por queijos e charcutaria nacional. O investimento começa nos 65€ e as marcações podem ser feitas através de somm@teresagomes.com ou 964 370 633.

Mais vinho

Durante um tempo, muita gente pensou que o vinho laranja era só uma moda passageira. Mas não: ele chegou para ficar. Também conhecido como ‘âmbar’ ou ‘branco de maceração’, é bastante antigo: nasceu há mais de 8 mil anos na Geórgia, quando deixavam uvas brancas fermentar com as cascas dentro de ânforas de barro (só as cascas das uvas, ok? Este vinho não tem nada adicionado da fruta laranja). Ou seja, o vinho laranja pode até parecer novo, mas é mais velho que a roda.

Dentro do mar de tradições vínicas portuguesas, o palhete – ou palheto – já foi o preferido dos monges cistercienses na Idade Média e dos trabalhadores do campo no século XX. Acabou por quase desaparecer com o tempo, mas, para a nossa alegria, voltou com tudo nos últimos anos. Hoje, está cada vez mais presente nos copos dos frequentadores de bares de vinho da moda.

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O vinho de talha do Alentejo é, sem dúvida, uma das tradições vínicas mais fascinantes de Portugal – arrisco dizer: do mundo. Além de sua conexão com a ancestralidade romana, esta prática artesanal chegou a Portugal há mais de dois mil anos e permanece quase inalterada em diversas vilas alentejanas, onde a tradição foi passada de geração em geração.

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