Durante um tempo, muita gente pensou que o vinho laranja era só uma moda passageira. Mas não: ele chegou para ficar. Também conhecido como ‘âmbar’ ou ‘branco de maceração’, é bastante antigo: nasceu há mais de 8 mil anos na Geórgia, quando deixavam uvas brancas fermentar com as cascas dentro de ânforas de barro (só as cascas das uvas, ok? Este vinho não tem nada adicionado da fruta laranja). Ou seja, o vinho laranja pode até parecer novo, mas é mais velho que a roda.
A difusão do vinho laranja para o cenário mundial começou na década de 1990, quando produtores do Friuli (Itália) e da vizinha Eslovênia, como Josko Gravner e Stanko Radikon, se inspiraram na técnica ancestral georgiana. Depois, o estilo cruzou fronteiras e, por volta de 2010, já brilhava nos copos dos wine bars de Londres e Nova Iorque. A chegada do Instagram, o culto do “natural” e a pandemia empurraram o vinho laranja do nicho para o desejo de muitos.
A diferença entre os brancos e os laranjas é simples: nos brancos, as cascas são separadas do sumo (mosto) logo que chegam da vinha; nos laranjas, elas ficam e fermentam junto. É essa maceração prolongada que faz o "milagre": confere a cor âmbar, a textura, os taninos e os aromas complexos de chá preto, frutas secas e casca de frutas cítricas, principalmente de laranja. Este branco, que ganhou corpo e alma de tinto, demonstrou ser extremamente versátil à mesa, harmonizando, principalmente, com pratos de especiarias complexas (como a culinária indiana e tailandesa) e queijos curados.
O que era nicho virou tendência, e hoje há vinhos laranja em quase todas as partes do globo, cada um com sua interpretação única da técnica ancestral. Se chegou até aqui e ficou com vontade de provar, a seguir indico cinco vinhos laranja que valem muito a pena.
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