Clássicos de cinema para totós. Lição 6: os anos 70

Farto de não fazer ideia do que falam os cinéfilos à volta? Cansado de se perder em referências desconhecidas quando se fala de cinema? O “cinema para totós” quer resolver esse problema no melhor espírito de serviço público
Apocalypse Now
Apocalypse Now
Por Rui Monteiro |
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Na década de 70 o olhar de Hollywood mudou. E o “sistema” dos estúdios foi substituído por um cinema mais estético e politicamente atrevido, por um lado, enquanto, por outro, começava a era dos blockbusters e o triunfo do cinema de entretenimento e efeitos especiais. Dez exemplos com final feliz já a seguir.

Clássicos de cinema para totós: os anos 70

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MASH (1970)

A década começa com Robert Altman a dirigir uma mordaz sátira a partir dos romances de Richard Hooker sobre a Guerra da Coreia. Centrando o seu filme numa unidade médica do exército norte-americano, estacionada naquele canto da Ásia durante o conflito entre Norte e Sul (ou entre comunismo e capitalismo) que dividiu o país, o tom de farsa político-militar é dado logo nas primeiras imagens com a chegada dos novos cirurgiões, os capitães “Hawkeye” Pierce (Donald Sutherland), “Duke” Forrest (Tom Skerritt) e “Trapper” John McIntyre (Elliott Gould), cuja perspectiva sobre a sua missão é bastante diferente da dos seus superiores, principalmente no aspecto do divertimento.

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Laranja Mecânica (1971)

Se em 2001: Odisseia no Espaço, Stanley Kubrick deixou meio mundo a pensar no que está além, algures no espaço sideral, ou nas eventuais consequências da Inteligência Artificial, em Laranja Mecânica é a violência e a maneira do Estado a reprimir que está no centro da acção. Neste, que é um dos mais controversos e brilhantes filmes do realizador, Malcolm McDowell interpreta um jovem chefe de gangue futurista, alimentado a leite fortificado e violência descabelada, que, denunciado à polícia depois de um assalto particularmente sangrento, é sujeito a uma experiência científica alegadamente destinada a prevenir o crime. O resultado é triunfante e lamentável, pois a manipulação, quer dizer, a lavagem ao cérebro a que foi sujeito, torna-o incapaz de se defender.

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Voando Sobre um Ninho de Cucos (1975)

Por falar em psiquiatria e algumas das suas habilidades, Milos Forman adoptou um argumento de Lawrence Hauben e Bo Goldman, a partir do romance de Ken Kesey, sobre a vida no interior de uma instituição psiquiátrica. E saiu-se tão bem que o filme valeu cinco Óscares (Melhor Filme, Melhor Realização, Melhor Argumento Adaptado, e ainda os óscares para os melhores Actor e Actriz). Com Louise Fletcher inspirada e sublime no papel da rude enfermeira Ratched, e Jack Nicholson, desempenhando o papel de um criminoso que finge ser louco para evitar o encarceramento formal e fazendo um pé de vento que vira o manicómio mais ou menos de pernas para o ar, ainda mais sublime, inspirado e convincente do que já era seu costume, Forman traça um retrato cru das instituições psiquiátricas e do seu papel no controlo social. Só por curiosidade: na Suécia (já agora: um dos países com a mais elevada taxa de suicídios no mundo) Voando Sobre um Ninho de Cucos esteve 11 anos seguidos em exibição.

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Os Homens do Presidente (1976)

Filmado de maneira tradicional por Alan J. Pakula, a relevância desta película (que valeu quatro Óscares em oito nomeações, para não falar nos Globos de Ouro e outros prémios) vem da sua importância e oportunidade política. Baseado no livro dos jornalistas do Washington Post, Carl Bernstein e Bob Woodward (respectivamente interpretados por Dustin Hoffman e Robert Redford), sobre o caso Watergate e como desenvolveram as reportagens que levaram à demissão (para evitar a destituição formal) do presidente Richard Nixon, a obra de Pakula põe o dedo na ferida da relação dos políticos com a verdade e com o seu apego ao poder.

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Taxi Driver (1976)

Foi Martin Scorsese quem realizou e Paul Schrader quem escreveu o argumento, mas é de Robert De Niro (e, vá lá, da ainda muito jovem Jodie Foster) que toda a gente se recorda quando se fala de Taxi Driver. “You talkin’ to me?” é uma das frases inesquecíveis do cinema contemporâneo, mas nem isso, nem a sua mais do que brilhante interpretação de um taxista em via de se passar dos carretos, valeu o Óscar. No entanto, Travis Bickle entrou na história do cinema como o justiceiro marado com uma missão, e o filme de Scorsese ficará nos anais do cinema como um exemplo de realismo duro e nu que tão bem traduziu, como se costuma dizer, o ar do seu tempo.

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Annie Hall (1977)

Na segunda metade da década de 1970, Woody Allen já era um realizador com algum crédito na praça, conhecido pelo sarcasmo e o humor autocorrosivo que destilava nas suas obras. E Annie Hall é, por um lado, o corolário da sua carreira de comediante, e, por outro, o início da sua afirmação como um cineasta incapaz de ligeireza, mas habilidoso o necessário para injectar graça e elegância até a uma comédia psicótica-romântica. Muito bem assessorado por Diane Keaton, Tony Roberts, Shelley Duval e Christopher Walken, Allen venceu dois dos quatro Óscares atribuídos pela Academia ao filme – que não foi receber, pois nessa noite tinha concerto com a New Orleans Jazz Band e não lhe dava jeito.

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O Caçador (1978)

Se em MASH a guerra era essencialmente uma diversão, em O Caçador Michael Cimino foi um dos primeiros realizadores a olhar para a Guerra do Vietname do ponto de vista dos soldados que regressam a casa carregando dor, trauma e desilusão. A energia obsessiva do filme (que pode ser sintetizada na cena da roleta russa) é em muito responsabilidade das vívidas interpretações de Robert De Niro (mais uma vez nomeado para um Óscar que não ganhou, o que aliás aconteceu também a Meryl Streep), Christopher Walken (Óscar para Melhor Actor Secundário) e John Cazale.

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Dias do Paraíso (1978)

Neste tempo, Terrence Malick ainda só realizara Noivos Sangrentos, mas já estava perto, embora não o anunciasse, de se retirar durante os 20 anos que se sucederam a esta película com Richard Gere, Brooke Adams e Sam Shepard. Obra-prima que a Academia praticamente ignorou (embora tenha atribuído o Óscar para Melhor Fotografia a Néstor Almendros), Dias do Paraíso é sobre a mudança e a vaidade dos que se entregam à transformação da sociedade, utilizando como cenário a colonização do Oeste dos Estados Unidos, no início do século XX, e os conflitos entre os então senhores das terras e os que chegavam em busca de fortuna perseguindo uma ambição.

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Apocalypse Now (1979)

Por esta altura, Francis Ford Coppola já carregava o peso da fama e de alguns Óscares, principalmente graças ao êxito dos dois primeiros tomos de O Padrinho. Talvez por isso a sua queda para a megalomania (que havia de o levar à falência depois do excelente e caríssimo Do Fundo do Coração fracassar com grande estrépito um par de anos depois) acentuou-se e foi paradoxalmente fundamental para a conclusão de Apocalipse Now – sem dúvida um dos filmes mais complicados de produzir. Mas produziu-se. E a viagem rio acima de Martin Sheen à cata do coronel Kurt, interpretado por Marlon Brando (parte de um elenco onde se encontram Robert Duvall e Dennis Hopper, além dos jovens Laurence Fishburne e Harrison Ford), tornou-se muito mais do que um filme de guerra graças ao denso, rico e filosoficamente existencialista argumento de John Milius inspirado num curto romance de Joseph Conrad (O Coração das Trevas).

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Stalker (1979)

A Andrei Tarkovsky bastou um capítulo de um romance de ficção científica dos irmãos Arkadiy e Boris Strugatskiy para realizar, num dos mais excepcionais filmes de sempre, uma bizarra viagem ao centro da alma, simbolicamente representada por A Zona, um território, algures no interior de um pequeno país nunca nomeado, cercado por militares e alegadamente habitado por extraterrestres. Embora de acesso proibido, A Zona e os seus mistérios são uma fonte de atracção de curiosos, entre os quais o grupo de intelectuais citadinos e cosmopolitas que a personagem interpretada por Aleksandr Kaydanovskiy guia clandestinamente para o interior daquele território onde, apesar de contrariados, se confrontarão consigo e com os seus temores, sempre evitando encarar a verdade.

Curso completo de cinema

Filmes

Lição 1: o cinema mudo

À falta de palavras, usa-se a expressão. À falta de cor, manipulam-se todos os cinzentos existentes entre o preto e o branco e fazem-se malabarismos na montagem. Assim começou o cinema. E assim começou a tornar-se arte. Alguma inesquecível, como estes 10 exemplos incontornáveis.

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Lição 2: os anos 30

A ascensão do cinema falado acabou com o mudo e com as carreiras de muitos actores. A tecnologia do som (e depois da cor) provocou uma, como agora se diz, “destruição criativa”. Certo é que, apesar das baixas, a década de 1930 é uma das mais dinâmicas da história de Hollywood, culminando no excepcional ano de 1939, quando nasceram três destes 10 clássicos de cinema obrigatórios.

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Lição 3: os anos 40

A guerra foi a principal preocupação do mundo durante metade da década de 1940. Mas isso não impediu o cinema de crescer como arte, nem estes filmes deixaram de entreter o público, umas vezes como escapismo, outras como alerta de consciências. Sempre, porém, progredindo na narrativa e na montagem, dando a ver um novo e cada vez mais diverso cinema.

Filmes

Lição 4: os anos 50

Ora aqui está uma década de prosperidade, medo nuclear, que entretanto começara a Guerra Fria, e esperança. Uma década em que o cinema prosperou artisticamente e ainda mais comercialmente. Dez anos em que o preto e branco resistiu quanto pôde, mas acabou batido pela cor.

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Lição 5: os anos 60

A década dos sonhos mais floridos, extravagantes e idealistas, também teve o seu lado violento. O cinema atravessou uma das suas épocas mais curiosas e experimentalistas em que, parecia, valia tudo, desde que fosse contra a corrente dominante. E o melhor era.

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Lição 6: os anos 70

Na década de 70 o olhar de Hollywood mudou. E o “sistema” dos estúdios foi substituído por um cinema mais estético e politicamente atrevido, por um lado, enquanto, por outro, começava a era dos blockbusters e o triunfo do cinema de entretenimento e efeitos especiais. Dez exemplos com final feliz já a seguir.

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Platton - Os Bravos do Pelotão
©DR
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Clássicos de cinema para totós. Lição 7: os anos 80

Na bilheteira, os anos 80 foram a década de Steven Spielberg e George Lucas. O cinema de grande espectáculo, sem vergonha de efeitos especiais, afirmou-se logo no início da nova era de Hollywood. Nem sempre para pior. Mas como não há acção sem reacção, ao lado ou noutras paragens singrava uma outra maneira de entender a sétima arte. Dez exemplos no mesmo fôlego.

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