Jorge Cramez: "Passei mais de metade da minha vida na Cinemateca"

Dez anos após a primeira longa-metragem, 'O Capacete Dourado', Jorge Cramez fez finalmente a segunda, 'Amor Amor'
jorge cramez
©DR
Por Eurico de Barros |
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Dez anos após a primeira longa-metragem, O Capacete Dourado (2007), o realizador Jorge Cramez fez finalmente a segunda, Amor Amor, estreada no IndieLisboa 2017. E falou com a Time Out.

 

Amor Amor é um projecto anterior a O Capacete Dourado, não é?

Sim, é. Há muitos anos, fui ao teatro ver La Place Royale, de Corneille, e fiquei tão impressionado com a peça que pensei que daria um guião cinematográfico. Em 2000, estava escrito. Entretanto, tinha acabado a Escola de Cinema e concorrido aos subsídios. Nessa altura, podíamos levar dois projectos e no ano em que fui com o Amor Amor levei também o Capacete, que não é um guião meu, mas sim do Carlos Mota e do Rui Catalão, que reescrevi. Quando soube que tinha ganho, pensei que tinha sido com o Amor Amor, mas depois descobri que era O Capacete Dourado. Estive uns anos a fazer o filme, estreei-o em 2007, e mais tarde voltei a concorrer com o Amor Amor, que fui reescrevendo. Até que, há três anos, tive finalmente subsídio.

Como é que se transpõe uma peça de um autor clássico como Corneille para o cinema, e para os nossos dias?

O meu grande espanto foi estar a ver numa peça em francês, com 400 anos e em verso alexandrino, muito difícil de traduzir – escrevi o argumento com a ajuda de duas amigas, que a foram traduzindo – os meus amigos, um certo quotidiano que tinha a ver com a minha vida em Lisboa. O que eu fiz foi trabalhar a peça e torná--la tanto quanto possível síncrona com o nosso tempo. E procurei personagens e situações correspondentes, o que não foi muito difícil, porque me revi muito nela.

‘Amor Amor’ esteve para ser um filme sobre a sua geração, passado nos anos 80, mas acabou por o actualizar para os nossos dias. Porquê?

Eu vi a peça em 1992, estávamos ainda num prolongamento dos anos 80, numa Lisboa pré-Expo. Não podia fazer esse filme porque o tempo foi passando, ele tornar-se-ia no filme de uma Lisboa já em mutação. E como o guião é muito autobiográfico, as pessoas que me inspiraram também foram envelhecendo.

O filme é reminiscente de um certo cinema francês, de um Rohmer, Rivette ou Resnais.

Sim, esses cineastas estão presentes, porque vivi com eles, eu passei mais de metade da minha vida enfiado na Cinemateca, a ver filmes. E vão ficando coisas. Nos meus filmes deve haver também uma ou outra coisa do Nick Ray, de quem gosto muito, como sucede em O Capacete Dourado. Trabalho muito com essa memória dos filmes que vi, é inevitável quando se passa a vida no cinema.

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