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Do pequeno espaço de Arroios, a Piena saltou para um lugar com dois pisos, café e italianos traduzidos para português. Aqui também podemos ouvir poesia e interrogações sobre o que andamos a fazer à vida.

"Entra: più siamo meglio è! [Entra: quantos mais formos, melhor é!]" A frase, colada no vidro amplo da nova Piena (a tradução literal é "cheia") – libri persone visioni, tem o objectivo de acabar com incertezas. Vamos mesmo entrar numa livraria onde se lê quase tudo em italiano? Sim, vamos. Por um lado, porque também isso é abrir caminhos. Por outro, porque a livraria que abriu no final de Setembro na Rua Luciano Cordeiro, após três anos no seu micro-espaço de Arroios (zona onde, a par dos Anjos e da Penha de França, se concentra grande parte da comunidade italiana de Lisboa), é um lugar comunitário.
Entrando, vemos que o instinto não estava errado: há o poster dos gestos de Munari (Suplemento ao Dicionário Italiano), incitando a falar com as mãos; os Pasolini de olho no interessado leitor; a cafetaria ao centro; e uma pequena selecção de livros de autores italianos traduzidos em português (de Elena Ferrante a Alberto Moravia), coisa residual na antiga livraria e que aqui ainda vai aumentar.
"Em Arroios conseguimos crescer, criar uma comunidade, organizar muitos eventos, como apresentações de livros, leituras ou workshops. Mesmo num espaço pequeno como aquele. Mas precisávamos de dar um salto", explica Elisa Sartor (de Milão), à frente da Piena com Sara Cappai (da Sardenha). Salto é a palavra, porque, além de terem migrado para um espaço maior (antes funcionava aqui uma cervejaria), têm também de assumir (com mais duas pessoas) os comandos da máquina de café, servir vinhos, uma porção de lasanha ou um tiramisú. Mas o facto de o espaço ser grande compensa, ao multiplicar as possibilidades no campo dos eventos, que são "o que mantém a livraria viva". Também o espaço torna realistas novas ideias, como a de acrescentar, no futuro, livros em segunda mão ao catálogo.
Com dois novos sócios, ainda, o tal salto deu-se para dois andares. No rés-do-chão da Piena estão a cafetaria, lugares para beber café ao balcão e os livros, da ficção ao ensaio, sempre na óptica de uma livraria independente com "uma mensagem a transmitir", focada na actualidade, nos problemas sociais contemporâneos, no que nos afecta nos tempos que correm. "Somos uma livraria italiana, mas não generalista. Temos muita atenção em relação aos temas que aqui trazemos", diz Sara, editora e revisora, nomeando assuntos como a causa palestiniana, as migrações ou o transfeminismo. No primeiro piso, está a secção infanto-juvenil, com mesas e um espaço acolhedor para crianças, onde se realizam sessões de leitura.
O café, a principal novidade, surge como vector comunitário, mas, não sejamos ingénuos, é também um motor para a sustentabilidade do negócio. Se as livrarias independentes são um nicho, quanto mais uma livraria-independente-italiana-em-Lisboa? Ao mesmo tempo, não são simples os trâmites para trazer títulos italianos até Lisboa, explicam as livreiras.
Tudo somado, o que importa a quem aqui vier é que pode ler Dino Buzzati e beber um belo expresso, dar uns toques nos encontros tandem de italiano-português ou participar no clube mensal de desenho. "Entra: quantos mais formos, melhor é!"
Rua Luciano Cordeiro, 2C (Campo dos Mártires da Pátria). Seg-Sáb 09.00-21.00
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