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Carris quer utilizadores confiantes de que autocarros chegam a horas

Em entrevista ao 'Público', novo administrador da Carris diz que é preciso investir em mais motoristas e autocarros. Empresa está a analisar recuperação de linhas de eléctrico desactivadas.

Rute Barbedo
Escrito por
Rute Barbedo
Jornalista
Entrecampos
DR via CML | Entrecampos
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Da necessidade de motoristas à renovação da frota e ainda ao aumento de faixas exclusivas para autocarros, o novo administrador da Carris, Rui Lopo (tomou posse em Janeiro na sequência da demissão de Pedro Bogas, após acidente no Elevador da Glória), destacou numa entrevista ao jornal Público os planos do mandato iniciado em Janeiro. Com as melhorias na fiabilidade da oferta a ocupar o centro dos objectivos, o responsável admite que um dos maiores desafios é "ter uma confiança da parte do utilizador de que o autocarro que está planeado aparece à hora definida", "de que o autocarro que está combinado para as 08.05 aparece às 08.05", ilustra.

De acordo com o ex-presidente da Carris Metropolitana, os indicadores actuais dos transportes operados pela Carris "têm, todos eles, franca possibilidade de melhoria" e cabe à empresa persegui-la, tanto no que toca à fiabilidade como à regularidade e à frequência de autocarros. "Temos de trabalhar para conseguir melhorá-los", afirma. Ainda assim, "não são variáveis que estejam totalmente nas mãos da Carris", afirma, referindo-se muito possivelmente ao número de automóveis que circulam diariamente na cidade, entre outros factores.

Como melhorar a fiabilidade dos transportes é algo que ainda não tem resposta completa e definitiva, mas, antes ainda de pensar nos tão discutidos corredores BUS, o especialista em mobilidade acredita que existem "dois ou três assuntos elementares" por resolver. "Precisamos de mais autocarros, para melhorarmos a nossa oferta e a nossa pontualidade. Mais motoristas e autocarros." É por aí que a Carris está a ir, com Rui Lopo a partilhar que "o último processo de recrutamento correu muitíssimo bem".

Sobre as mudanças a implementar ao nível da rede de transportes, ainda não há decisões. "Ainda não temos ideias claras, porque há um estudo que foi encomendado. A rede precisa de ser ponderada e ela há-de mudar. Há que reajustar a oferta e, eventualmente, a tipologia de serviços a uma nova realidade urbana, moldada nos últimos 15 anos", considera o responsável.

Eléctrico 16 e amigos

O investimento no transporte eléctrico foi outro dos temas abordados na entrevista, avançando-se com o desejo de recuperar linhas nos casos em que os carris ainda não foram levantados do chão. "Gostava muito [que a rede de eléctricos crescesse]. (...) Se tivermos este sonho de continuar a alargar a rede de eléctrico, a nossa estrutura de light rail permite entrar pela cidade", admite Rui Lopo, não esquecendo o peso simbólico do eléctrico histórico nem a capacidade de "inserção urbana" e a complementaridade dos veículos articulados modernos, "muito mais interessantes do que em muitas cidades da Europa".

Entre as possibilidades concretas em cima da mesa estão a ida do eléctrico 24 até ao Cais do Sodré com passagem pelo Largo do Carmo, um projecto que chegou a ser ponderado no passado e que, segundo o presidente, "não está metido na gaveta". Já a recuperação de algumas linhas dos eléctricos históricos é assumida como "um desejo". "Está a ser pensado, estamos a olhar para isso, em concreto, com plantas", garante, detalhando que a zona da Ajuda é um dos focos de particular atenção das equipas da Carris.

Além da Ajuda, "há muita rede que ainda está no chão e que, formalmente, ainda é a Carris responsável pela sua gestão, mesmo que não opere lá nenhum eléctrico". Paralelamente, serão também analisados os locais de onde foram retiradas linhas que possa fazer sentido recolocar

Apresentação do 16E em 2025
DRApresentação do 16E em 2025

Olhando para o novo, o administrador admite que, quanto à anunciada linha 16 E, "o prolongamento até Santa Apolónia é concretizável até 2029", até porque existe a necessidade de compatibilizar o avanço com as obras do plano de drenagem. "O outro segmento tem um cronograma que não controlamos, porque tem ainda um estudo de impacto ambiental, mas estamos a trabalhar para ser o mais depressa possível", refere, contrariando o anúncio de 2025 do executivo de Carlos Moedas de que o circuito funcionaria em pleno até 2028, ligando o Terreiro do Paço ao Parque Tejo.

"Nada será igual" depois do acidente do Elevador da Glória

Não é desta que se conhecem previsões ou sequer aproximações sobre a data de regresso ao funcionamento do Elevador da Glória, parado desde Setembro na sequência do acidente que tirou a vida a 16 pessoas e feriu 21. A comissão técnica independente (CTI) responsável pela avaliação do estado de todos os equipamentos históricos da Carris continua "a passar a pente fino os elementos técnicos que permitem vir a reconhecer que os equipamentos estão em condições de ser postos em funcionamento". E "o mais crítico é o da Glória", admite Rui Lopo, considerando a hipótese de o Elevador de Santa Justa vir a abrir mais cedo.

Já no plano da segurança, relacionada com a certificação e a manutenção dos equipamentos, o administrador garante que "nada será igual". "O acidente teve um peso significativo na estrutura da Carris. Estes equipamentos têm um enquadramento de um regime de possível adaptação às normas. Se fosse um equipamento feito de raiz, teria de cumprir uma série de certificações que são indiscutíveis, são clarinhas. É aqui que a CTI tem de ajudar bastante a enquadrar os padrões de segurança, que não podem ter folga nenhuma. A segurança tem de ser total e haver confiança total na compatibilização do elemento histórico", remata o responsável.

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