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Um dos ascensores da histórica linha de Lisboa que faz a ligação entre os Restauradores e o Bairro Alto embateu contra edifício. Há 18 feridos, alguns em estado grave, e 15 vítimas mortais. "Lisboa está de luto", diz Carlos Moedas.

Um dos dois ascensores que operam no Elevador da Glória descarrilou esta quarta-feira, pouco depois das 18.00, deslizando pela encosta e embatendo contra um dos edifícios da Calçada da Glória. A máquina ficou completamente destruída. Os números mais recentes apontam para 18 feridos, cinco dos quais em estado grave, e 15 vítimas mortais. "Posso confirmar que há vítimas mortais. Lisboa está de luto", declarou aos jornalistas, sem avançar com números, Carlos Moedas, presidente da Câmara Municipal de Lisboa, que se dirigiu ao local cerca de duas horas depois do acidente.
"O primeiro alerta foi um estrondo, que foi quando um dos elevadores estava a chegar cá em baixo e descaiu cerca de um metro e meio, até a grade embater no passeio. Quando íamos ajudar, vejo o outro elevador a vir lá de cima desenfreado, sem travão. Pensámos que ia bater no primeiro, mas como há ali uma curva, ele descarrilou e tombou contra o prédio. Vi um homem no passeio naquele momento... Não sei o que lhe aconteceu. Havia muito fumo e foi tudo muito rápido", contou à Time Out Teresa d'Avó, testemunha ocular do acidente. "Estas pessoas vão ficar com um trauma", relatou outra testemunha, não identificada, que diz ter avistado duas pessoas vitimadas pela queda do elevador.
Perto do local concentraram-se várias dezenas de pessoas tentando decifrar o que se passou, tanto na Praça dos Restauradores como no Miradouro de São Pedro de Alcântara. Mais de 60 operacionais e de 20 veículos da Protecção Civil, bombeiros, INEM, Polícia Municipal e PSP acorreram ao local, tendo a Avenida da Liberdade sido parcialmente cortada ao trânsito, em ambos os sentidos.
As causas do acidente ainda não foram apuradas, embora se aponte, nesta fase primária, para a quebra de um cabo de segurança. As ambulâncias, mais de duas horas depois da ocorrência, continuavam a descer aos Restauradores para o transporte de feridos.
Há quem lembre o descarrilamento de um elevador, na mesma linha, em 2018 e sem vítimas (mas tendo-se identificado falhas ao nível da manutenção), questionando o nível de conservação e o estado geral dos equipamentos. Questionado pelos jornalistas, Carlos Moedas respondeu que ainda não é o momento de abordar as causas. Num comunicado enviado às redacções, a Carris, que opera o Elevador da Glória, informa que "foram realizados e respeitados todos os protocolos de manutenção, nomeadamente a manutenção geral, que ocorre a cada quatro anos e que ocorreu em 2022", bem como "a reparação intercalar, que é concretizada de dois em dois anos, tendo, neste caso, a última sido realizada em 2024". Além disso, a empresa assegura que "têm sido escrupulosamente cumpridos os programas de manutenção mensal, semanal e a inspecção diária" e que "abriu de imediato um inquérito em conjunto com as autoridades para apurar as reais causas deste acidente". Entretanto, o Governo decretou um dia de luto nacional, a ser cumprido já esta quinta-feira.
O Elevador da Glória opera em Lisboa desde 1885 e tem capacidade para transportar 42 pessoas. Em 2022, foi classificado como Monumento Nacional.
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