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Seis espaços da cidade, do Pavilhão de Segurança do antigo Hospital Miguel Bombarda à Mitra, recebem 12 exposições de fotografia. Tudo começa no sábado, 6 de Setembro.

É uma mostra de larga escala, disposta por seis espaços da cidade e da qual fazem parte a grande definição, o ruído do pixel, os "passos em volta" de Eduardo Gageiro, a extracção de ouro em Moçambique, a vida no antigo hospital psiquiátrico Miguel Bombarda, o cante alentejano, o preto e branco e as cores, a fotografia à la minute ou os ciclos da natureza. A terceira edição do MFA - Mostra de Fotografia e Autores começa de modo suave, a 6 de Setembro, no Mercado da Ribeira, onde serão instaladas telas de grande formato apresentando "um cheirinho do que aí vem", ou seja, fotografias das 12 exposições que farão a mostra. Depois de ter passado por Faro, em Agosto, o evento revisita em Lisboa lugares do costume, mas também se amplia para dois antigos pontos marginais e históricos: os Pavilhões da Mitra, onde funcionou o albergue dos indesejados da cidade, em Marvila, e o Panóptico, o espaço de alta segurança do primeiro hospital psiquiátrico do país. E estas são duas das grandes novidades.
Também a 6 de Setembro inaugura "República", que deixa até 11 de Outubro na Galeria Imago o trabalho dual de António Pedrosa: de um lado, os retratos a preto e branco e de grande definição, do outro, "fotografias de chão e flores, a cores e muito pixelizadas, de uma câmara digital de primeira geração". A exposição é fruto de uma colaboração com a Galeria da Estação, de Braga, e tem a curadoria de Noora Mänty. Na porta ao lado, o espaço CC11@Imago (CC11 é a associação que promove o evento) recebe "Brava" (também até 11 de Outubro), de Pedro Rocha, que atravessa os bastidores e o pós-festa das corridas de touros (o projecto foi premiado na Bienal de Fotografia de Vila Franca de Xira).
Entre 7 de Setembro e 5 de Outubro, os Jardins do Bombarda serão o cenário de quatro universos fotográficos que vão desde a doença mental à extracção de ouro em Moçambique. Um dos espaços mais cobiçados, provavelmente, será o Pavilhão de Segurança do antigo hospital psiquiátrico Miguel Bombarda (também conhecido como Panóptico e visitável apenas sob marcação e condições muito especiais), onde estará uma selecção de cerca de 70 fotografias vendidas pelo fotógrafo Eduardo Gageiro, pouco antes da sua morte (a 4 de Junho, aos 90 anos), à Câmara Municipal de Torres Vedras. A escolha foi de Valter Vinagre, que desenhou "Passos em Volta" como um lado "menos evidente da obra de Gageiro", que abre "espaço a leituras mais amplas, sociais, políticas e culturais". As visitas ao Panóptico estão sujeitas a inscrição, através das páginas www.cc11.eu ou www.largoresidencias.com.
Ainda no Bombarda, Ricardo Lopes apresenta "Blessed Ground" (com curadoria de António Pedrosa), um ensaio visual sobre o impacto da extracção industrial de ouro em comunidades rurais de Moçambique, que venceu a primeira edição do Prémio CC11 Fotografia e que será lançado agora em catálogo. Há lugar ainda para "Cante", da fotojornalista Ana Baião (com curadoria de António Pedro Ferreira e João Mariano), que durante dez anos percorreu o Alentejo resgatando esta tradição.
Não menos cobiçada, certamente, será a exposição "Almas em Cura", com curadoria de José Soudo. Nela, 12 painéis com reproduções de imagens do século XIX e início de XX levam-nos ao acervo fotográfico do antigo hospital psiquiátrico Miguel Bombarda e, por isso, ao coração deste lugar que deixou de existir em 2011. "A psiquiatria de então procurava apreender a doença mental através do corpo e da expressão, sendo a fotografia dos pacientes uma ferramenta de análise. A exposição convida a um olhar crítico e empático, atento à humanidade dos retratados, e lembra também a urgência de preservar este precioso acervo", sublinha a organização. Note-se que, em Março, mais de 500 bens (de pinturas a objectos médico-científicos) do espólio do Bombarda foram classificados como de interesse público. Mas as fotografias ainda estão a ser inventariadas por um grupo de voluntários que está a proteger o acervo.
Na semana seguinte, a 10 de Setembro, às 18.00, inauguram duas exposições no Mercado de Campo de Ourique, onde poderemos ir de bancas a lojas para ver "A Fabulosa Máquina de Fazer Parar o Tempo", de João Paulo Barrinha, que parte da plataforma de produção Walking Camera Project e da fotografia à la minute para mostrar que o acto fotográfico é também uma performance. Já em "Natureza (Re)Construída", Sandra Teixeira aprofunda os ciclos de transformação num diálogo constante entre o efémero e o perene. Ambas as exposições ficam no mercado até 14 de Novembro.
Este ano, a MFA move-se também nos Pavilhões de Mitra, em Marvila, e na Casa da Imprensa, no Chiado. No primeiro local – que nos últimos anos tem acolhido eventos na área da moda e das artes –, cabem três exposições, entre 12 de Setembro e 11 de Outubro. Enquanto a galeria Adorna, do Porto, traz perspectivas de 54 artistas sobre o acto artístico em si em "Da Representação à Auto-Representação", "JAMAIKA", de José Sarmento Matos (com curadoria de Magda Pinto, numa parceria com a Leica Gallery do Porto), mistura fotografia e filme no mesmo espaço para traçar o retrato de "uma comunidade racializada e marginalizada" de um bairro do qual muito ouvimos falar e cujos edifícios foram demolidos em 2024, o da Jamaica, no Seixal. Falta ainda falar de "Tristesse", trabalho em que Paulo Alexandrino transpõe para as paredes 37 fotografias do livro com o mesmo nome.
Por último, a Casa da Imprensa acolhe, de 17 de Setembro a 14 de Novembro, "Monochrome 50", do fotojornalista Fernando Negreira, que traz uma selecção de imagens captadas entre 1975 e 1980, configurando "uma espécie de diário pessoal, paralelo ao seu trabalho quotidiano nos jornais". Entre Setembro e Novembro, acontecem também conversas, apresentações e outros eventos integrados na MFA.
Vários locais. 6 Set-14 Nov, vários horários. Entrada livre
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