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Na esquina da Rua Joaquim Casimiro com a Travessa Amoreira, vive um café de especialidade e um bar com vinhos e produtos locais.

TACT é um nome curto, mas carrega um significado importante. TACT vem da expressão em inglês “sense of tact”, ou seja, ter tacto. Neste caso, ter respeito pelos outros, pelos produtos e pela cidade. Assim o definem Viktoria Parfinskaia e Kirill Ivanov, o casal que abriu este exíguo estabelecimento. São russos, vieram de São Petersburgo há três anos e estão juntos há mais de dez. E sabiam, assim que chegaram a Lisboa, que queriam abrir um café. Bastou uma visita para assentarem numa antiga lavandaria, na pacata Rua Joaquim Casimiro, a menos de dez minutos a pé da Avenida Infante Santo.
“Começámos à procura de um espaço e quando chegámos aqui pela primeira vez ficámos muito surpreendidos. Este sítio estava fechado há cerca de 12 anos. Pensámos que seria um lugar fantástico para abrir um café por causa das janelas panorâmicas e da vista para a ponte. É óptimo”, conta Viktoria, engenheira no país natal. Foram precisas, por isso, poucas obras. Mantiveram o chão de mosaico e as paredes de mármore quinquagenários, e até o velho espelho da casa de banho. O balcão e as mesas de madeira foram compradas novas, já as cadeiras, os pratos e talheres quiseram-se antigos, ou seja, são vintage.
O quadro que pintamos é simpático (comprovando-se na chegada ao local), mas o que torna o espaço verdadeiramente acolhedor é o cheiro a café que se difunde no ar. Kirill trabalha há quase 20 anos no sector da hospitalidade. Foi, em tempos, bartender e proprietário de dois cafés em São Petersburgo. Por esse motivo, é ele que encontramos atrás do balcão. Esta é uma das suas paixões. Transparece no cuidado com que prepara uma chávena de café e na forma como nos fala acerca disso.
“Se eu for a um café, eu bebo uma chávena e estou a pensar naquilo que estou a beber. É o café que é importante. Não é o ambiente, nem as pessoas que importam, mas sim o produto, porque beber café deve ser uma experiência”, acredita. As suas marcas de café de especialidade preferidas – que utiliza e vende no TACT – são a neerlandesa Dak e a alemã Bonanza. Para o proprietário, não há nada como um café simples servido num recipiente suficientemente largo para aquecer as mãos, mas o flat white (4€) e os lattes com gelo (4€-5€) são os bestsellers. Há também fãs do café preparado na V60 (5€-7€).
A carta inclui espresso duplo (2,50€), latte (4€), cappuccino (3,50€), chá verde, preto ou de ervas (5€), e chocolate quente (4,50€). “Tentamos ter aqui apenas bons produtos – bom café e boa comida. Agora, temos também um chef pasteleiro que faz algumas coisas para o TACT dois dias por semana. Conhecemo-lo aqui, porque temos um cliente que é amigo dele”, explica Viktoria. Há uma cookie diferente todos os dias, madalenas de limão e tartes com fruta da época – maçã foi uma das mais recentes.
O pão e o croissant (que pode ser servido com compota e manteiga) são da Padaria 110. Junta-se o iogurte com granola, compota e chocolate preto (6,50€) e o bolo de requeijão assado (8€). O preço da pastelaria do dia varia entre os 3€ e os 6,50€. O espaço abre às 09.00 e fecha às 14.00, de segunda à sexta, por isso só há pratos de pequeno-almoço. Como não há cozinha, as criações não são muito complexas, de maneira a que os produtos, de origem local, brilhem por si só.
Este é um dos lemas da casa. Pregam-no Viktoria e Kirill e Ekaterina Savotina e João Gonçalves, o casal que gere, no espaço do TACT, um bar de vinhos de segunda a sábado, das 18.00 às 23.00. “Odeio quando a comida é demasiado complicada. Quando pensámos em ter o nosso espaço foi com a ideia de servir às pessoas aquilo que damos a amigos em nossa casa. Quando os convido, tenho tudo o que é mais fresco, frutas e legumes, os melhores queijos...”, realça Ekaterina, sommelier russa que trabalha na área da restauração há mais de 15 anos.
A história destes quatro inquilinos começou há cerca de um ano, quando Viktoria e Kirill quiseram abrir portas a um segundo projecto que funcionasse durante a noite. Nem de propósito, Ekaterina mudara-se de Berlim uns meses antes e andava à procura de um sítio para abrir um pequeno bar de vinhos. E então, conheceram-se. “No início, fizemos alguns pop-ups para perceber como íamos trabalhar juntos e se as pessoas iam realmente aderir. Na altura, o TACT estava aberto há um ano e a ter sucesso, então incluir algo novo à noite poderia não funcionar. Até porque a localização é muito residencial e não é como os Anjos, por exemplo, onde moro, que ficou muito trendy. Há cinco anos estava completamente morto, mas agora há lá imensas pessoas novas. E aqui ainda não é assim”, nota Ekaterina.
Assim que perceberam que tinha pernas para andar, nasceu oficialmente o After Hours. “O mais importante é que os valores deles [de Viktoria e Kirill] são muito semelhantes aos nossos. Não poderíamos ter dois projectos num só lugar se eles servissem coisas com muito boa qualidade e nós não. A ideia é ter um produto simples, mas bom. Os vinhos são óptimos e o mesmo acontece com a comida. Compramos tudo no mercado e o pão vem da mesma padaria”, afirma a especialista em vinhos, que conta com a ajuda do marido, que trabalha em informática.
Há uma variedade considerável de vinhos. São todos naturais, mas não há uma clara preferência por rótulos nacionais, também oferecem opções de outras partes da Europa. “Os vinhos são muito bons, sabem mesmo a vinho. Temos grandes nomes e vinhos menos complexos. Temos vários portugueses e depois alguns dos meus favoritos, de Borgonha, Espanha e Alemanha”, continua. O preço por copo varia: o espumante vai dos 8€ aos 9€; o vinho branco e tinto dos 7€ aos 8€; e o vinho laranja custa 8€. As garrafas estão à venda e podem ir dos 32€ aos 88€. Há ainda cerveja (5€), alguns cocktails, como negroni (10€), aperol spritz (9€) e gin tónico (11€), cerveja e vinho sem álcool (6€ e 8€, respectivamente).
Entre as propostas de vinho, Ekaterina destaca três. O primeiro é um espumante Sketch Pet Nat, do Dão, “muito fresco, salgado e mineral, simplesmente perfeito” (32€ a garrafa); segue-se o Pedraneira Albariño Branco, de Rias Baixas, em Espanha, “um vinho umami, limpo e salgado” perfeito para os verdadeiros enófilos (55€ a garrafa); e por último, o Tiberio Cerasuolo d’Abruzzo, um rosé italiano (42€ a garrafa).
No cardápio, impera a simplicidade de que tanto falam os proprietários. As azeitonas (3€) e o pão de massa-mãe com manteiga (4€) saem sempre bem, assim como a burrata com anchovas marinadas e raspa de limão (13€). Temos também salame de porco preto (8€), queijo de ovelha com frutas da época (8€) e uma selecção de queijos franceses e italianos (13€). Para sobremesa, conte com pannacotta com chocolate branco e compota de cereja amarga (7€) e pralinés de chocolate caseiros (cada um 2,50€). A partir deste mês, assim que o frio se instalar de vez, tomarão lugar opções mais quentes e reconfortantes, como paté de fígado de galinha com compota em pão de massa-mãe.
Um ano depois de abrirem o After Hours – que também acolhe eventos privados – o balanço é positivo. Aliás, Ekaterina acredita que o sucesso do projecto pode ter sido a razão por trás da abertura de outros negócios semelhantes em Lisboa, como é o caso do Buna e do Casolare, na Rua do Poço dos Negros. A clientela tem vindo a tornar-se cada vez mais fiel e, muitas vezes, é a mesma que frequenta o TACT. “Estes ‘super clientes’ vêm de manhã e depois vêm outra vez à noite, o que é muito fixe. Se calhar devíamos pensar em criar um clube de membros”, brinca João.
Rua Joaquim Casimiro 14A e Travessa Amoreira 30 (Estrela). TACT: Seg-Sex 09.00-14.00 e After Hours: Seg-Sáb 18.00-23.00
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