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A loja multimarca ficou conhecida pelo streetwear de nicho. Três anos depois de se ter mudado para o eixo Santos/Cais do Sodré, abre um segundo espaço na vizinhança.

A Parlamento chegou à Rua da Boavista em 2023. E a isto se chama chegar, ver e vender, porque passados três anos, o amor a esta artéria lisboeta, a meio caminho entre Santos e o Cais do Sodré, é tal que resolveu abrir uma segunda loja, a apenas alguns metros de distância. O portfólio de marcas cresceu, a carteira de clientes também e a rua está, na verdade, a transformar-se num centro comercial a céu aberto. Em vez de ir apalpar terreno noutra zona da cidade, o projecto de Alexandra e João Figueiredo, dedicado a marcas de nicho na área do streetwear, quis manter-se por perto.
"A ideia era sempre abrir uma loja grande, onde pudéssemos ter mais espaço e onde as peças que vendemos pudessem respirar. Coisa que não acontecia na lojinha ali", começa por indicar Alexandra, enquanto aponta na direcção de Santos, onde fica a outro espaço. Entretanto, na Rua do Norte, no Bairro Alto, o negócio não fluiu como esperado e o encerramento da loja acabou por servir de empurrão para expandir sem ir muito longe.
"Estando na mesma rua podemos dividir os dois conceitos", resume. "Foi juntar o útil ao agradável. O nosso cliente não estava na Rua do Norte, o nosso cliente está aqui. Foi bom encontrarmos um segundo espaço nesta rua, porque acho que há aqui um grande potencial para o retalho local. O nosso brand mix também tem evoluído tanto, o espectro está tão alargado, que precisamos de dois espaços que possam comunicar devidamente cada uma destas selecções", completa Mariana Matos, buyer e general manager das lojas Parlamento.
Parlamento Lisboa – assim foi baptizada a loja recém-aberta. A curadoria salta logo à vista. Um rol de marcas contemporâneas, com foco na moda feminina. Destaque para a espanhola Gimaguas, para a sul-coreana Amomento, para as peças feitas a partir de fibras recicladas da Baserange e para a linha Umbro by Slam Jam. A montra de acessórios é igualmente generosa e a estrela é a espanhola Simuero.
A secção de perfumaria – de nicho – também sai reforçada com a mudança, representada pelos frascos da D.S. & Durga, da Stora Skuggan e da Tsu Lange Yor, marca do cantor Troye Sivan. No andar de cima há, para já, calçado – pares seleccionados da Salomon e Asics, entre outros.
O objectivo de deixar roupa e acessórios respirarem parece ter sido cumprido com distinção. Para isso, contribui de forma decisiva o projecto do XXXI.studio. Naquela que é a maior loja até agora, a Parlamento decidiu, pela primeira vez, entregar a tarefa nas mãos de profissionais. "Pelo lado mais urbano da marca, fomos buscar elementos e uma estética mais ligada ao lado técnico da cidade", explica Carlos Aragão, que assina a obra juntamente com Elena Rossi.
Os expositores de alumínio percorrem toda a loja e as mesas e bancadas são sustentadas por tijolos. Uma rigidez industrial entrecortada por formas mais orgânicas, caso de um pilar pré-existente ou dos blocos de pedra colocados (a custo) logo à entrada. A zona dos provadores foi pensada para ter outro conforto. De chão alcatifado e parede metalizada e com uma grande estrutra espelhada, desinibe a vaidade mais tímida e convida a sessões fotográficas.
"Quando abri a primeira loja, há 20 e tal anos, lembro-me que andei aqui a ver espaços. Mas era uma rua só de ferramentas e parafusos. E sempre achei que era uma rua incrível para comércio. Não aconteceu na altura, era prematuro. Mas acabámos por vir para aqui. Agora, espero que abram mais lojas, porque isso ajuda-nos a todos, cria-se circulação", admite Alexandra.
A Rua da Boavista é, de facto, um destino de compras para quem procura marcas portuguesas e independentes. +351, Futah, Ementa, Portuguese Flannel, Wide Shades – e a Veja, que já está nos últimos retoques e abre brevemente. Um oásis para quem quer contornar o roteiro massificado da Baixa ou do Chiado (ou o luxo da Avenida) e que atrai cada vez mais público internacional. Continua a haver espaço para mais comércio local. Uma coisa é certa: venha quem vier, ninguém vai gostar mais desta rua do que a Parlamento.
Rua da Boavista, 78 (Cais do Sodré). Seg-Sáb 11.00-19.00
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