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Em Queluz, os desconhecidos aposentos de Carlota Joaquina são agora visitáveis

Investigação permitiu perceber em que ala do palácio a rainha viveu os últimos anos e morreu. Musealização do espaço evoca a memória da monarca com objectos que a acompanharam.

Rute Barbedo
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Rute Barbedo
Jornalista
Retrato de Carlota Joaquina
José Marques da Silva/PSML | Retrato de Carlota Joaquina
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Os aposentos da realeza nunca foram minimais e os da rainha Carlota Joaquina – mulher de D. João VI e rainha consorte de Portugal e Algarves, de 1816 até 1826, além de rainha consorte do Brasil de 1816 até 1822 – não foram excepção. Num total de cinco salas, recentemente identificados como o lugar onde viveu os últimos anos e acabou por morrer, ao contrário do que até agora se pensava, os aposentos são visitáveis desde 20 de Outubro e revelam "as suas vivências e os seus gostos através dos objectos que lhe pertenceram", comunica a Parques de Sintra, que levou a cabo a investigação sobre o tema.

O percurso inclui a sala de entrada, a ante-câmara (que funcionava como sala de espera), o oratório, o quarto de dormir e o camarim, que servia de sala-de-estar privada. Ao longo das salas, estarão exibidas várias peças, algumas pela primeira vez. "É o caso de uma cruz-relicário do Santo Lenho com uma representação escultórica de Pietà, de Miguel Ângelo, produzida em Itália, no início do século XIX", cujo paradeiro era desconhecido desde a sua venda em leilão, após a morte da rainha. Recentemente, a peça apareceu novamente em leilão e foi adquirida pela Parques de Sintra, que a levou para Queluz, "quase duzentos anos depois".

Quarto de dormir
PSML/EMIGUSQuarto de dormir

Outra novidade é um retrato assinado por Luis de la Cruz y Ríos. "A pintura mostra a rainha nos últimos anos da sua vida, precisamente a altura em que viveu nesta ala do palácio. Com o rosto emoldurado por um exuberante toucado de rendas, decorado com cravos e espigas de trigo, a rainha surge representada de acordo com a moda que estava em voga nas cortes da época", lê-se na nota, na qual se destaca, ainda, um retrato de D. Miguel I, "o filho que a rainha sempre apoiou na defesa da causa absolutista".

Oratório
PSML/EMIGUSOratório

A conservação, o restauro, as aquisições e a museologia dos aposentos representam um investimento total de cerca de 150 mil euros. O projecto de investigação, em si, permitiu perceber que os aposentos usados pela rainha na última fase da vida (em que, doente, desceu do piso superior para o térreo) ficavam numa ala próxima da Sala do Trono. Também se apurou que foi aqui que morreu, aos 54 anos, "contrariando a informação que circulou (e ainda circula) de que a rainha teria falecido no Pavilhão Robillon".

Aos dez anos, puxada por póneis

Aos dez anos (1785), Carlota Joaquina chegou a Portugal (vinda de Espanha, onde nasceu) para casar com o infante D. João, futuro rei D. João VI. Durante a infância, consta que circulava na quinta em pequenos carros puxados por póneis e brincava nos jardins. Casou cinco anos depois e teve nove filhos. Sete nasceram no Palácio de Queluz, no quarto hoje conhecido como D. Quixote.

Numa época em que o papel das mulheres era limitado, Carlota Joaquina foi politicamente activa, tendo apoiado vários intelectuais e desafiado a autoridade do rei, seu marido. Em 1824, apoiou abertamente o filho, D. Miguel, na causa absolutista, nunca tendo jurado a constituição de 1822.

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