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De um lado, as jóias da Esquível. Do outro, a cerâmica da Grau. As duas marcas portuguesas juntaram os trapinhos e partilham agora um T0, no Príncipe Real.

Tal como numa união matrimonial, foi preciso encontrar equilíbrio na hora de projectar o espaço. A escala dos objectos é a divergência mais flagrante (mas nunca inconciliável), ao passo que o desejo comum de ter um lugar acolhedor, dinâmico e harmonioso aproximou a Esquível e a Grau, empurrando-as para um entendimento. Aberta há quase um mês, a loja é o ninho criativo que Diogo, Isac e Sofia sempre idealizaram.
A sala tem duas cores – um yin-yang bege e terracota que tinge diferentes materiais, incluindo chão, tecto, cortinas, prateleiras e expositores verticais. “Estas cores faziam parte das paletas dos dois. Então, para fazer a atribuição dos tons, pensámos que as peças da Sofia, por terem uma escala mais pequena, ganhariam com uma cor mais arrojada. As nossas peças, como acabam por ter uma presença maior, ficaram no lado mais neutro”, explica Diogo, um dos criativos por trás da Grau.
Os caminhos das duas marcas cruzam-se em 2021, no Mercado CCB. Sofia Esquível, recém-chegada de Londres, tinha a banca de joalharia montada. A dupla de ceramistas também, exibindo as máscaras de grés que continuam hoje a ser uma referência da criação de Diogo Ferreira e Isac Coimbra. “Adorei logo a marca deles. Senti que havia uma ligação, pela geometria, pelo minimalismo, a linguagem. Acabámos por ficar amigos”, conta Sofia.
Também o percurso profissional os uniu. Sofia e Isac são arquitectos, Diogo vem do design. A joalheira começou por procurar um pequeno espaço que pudesse ocupar a solo, mas na busca encontrou a morada ideal para uma vida menos solitária. “Assim que arranjei o espaço, liguei-lhes e eles ficaram assim um bocado embriagados com a ideia. Acabaram por dizer que sim, sem perceberem muito bem o que era”, continua.
A loja foi desenhada ao milímetro pelo trio de criativos. “A única coisa que não fizemos foi o tecido. De resto, foi tudo idealizado por nós. Somos ambos inspirados por coisas bonitas e a ideia foi ter um sítio especial onde as peças pudessem brilhar”, completa Diogo.
E do lado da Esquível, o brilho é mesmo literal. O mostruário é composto por pequenas colecções de edição limitada e onde o mais recente lançamento, de quatro peças, tem inspiração directa na obra de Kazuyo Sejima. As linhas, mais orgânicas e menos angulares, replicam fachadas ondeantes, mas também as estruturas em grelha presentes no trabalho da arquitecta japonesa. A prata reciclada é hoje o material de eleição. As peças banhadas são em ouro vermeil.
Num mercado onde a procura por peças únicas e de design exclusivo tem aumentado, ter um espaço com porta para a rua era, mais do que um capricho, uma necessidade. A mesa ao centro é, por isso, fundamental. É um território comum, onde ambas as marcas recebem clientes, trocam ideias e apresentam materiais e soluções. “São duas marcas que vêm do digital e para nós era importante haver aqui um espaço de partilha e de criação”, resume Diogo. A mesma mesa foi também pensada para receber workshops a partir de Outubro, dedicados a algumas das etapas preparatórias da criação em joalharia e em cerâmica, como é o caso do desenho ou da escultura em cera.
Do outro lado da loja, encontramos o trabalho de Diogo e Isac, que continuam a revisitar as peças que alavancaram a Grau. As máscaras ressurgem com novas formas, materiais e acabamentos, mas partilham o espaço com novas criações. Há painéis de inspiração futurista, candeeiros e peças de parede que combinam barro e juta e que apontam o rumo dos próximos lançamentos. “Ainda estamos a testar alguns tamanhos, mas são peças com outra escala, mais maximalistas. Queremos trabalhar com outras espessuras, outros materiais, com algodões. Gostamos sempre que a cerâmica seja o elemento em destaque, mas pode ser perfeitamente complementada pelo têxtil, ter movimento. E estamos a gostar desta ideia de escala, agora que finalmente temos um espaço com pé-direito alto”, remata.
Cerâmicas e jóias moram debaixo do mesmo tecto, sob o compromisso de preservarem a identidade de cada marca num ambiente que, simultaneamente, se quer de harmonia e comunhão de ideias. Afinal, há lá forma melhor de definir um casamento.
Rua Nova de São Mamede, 13 (Príncipe Real). Ter-Sáb 11.00-19.00
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