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Funicular da Graça experimenta sistema de fila prioritária para quem tem passe

Funicular regressou ao funcionamento a 30 de Abril, depois de estar sete meses em vistoria, na sequência da tragédia do Elevador da Glória. Utilizadores ocasionais sem passe têm agora de pagar bilhete.

Rute Barbedo
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Rute Barbedo
Jornalista
Funicular da Graça
Francisco Romão Pereira | Funicular da Graça
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O funicular que une a Mouraria à Graça voltou a circular a 30 de Abril, depois de ter estado sete meses parado na sequência do acidente do Elevador da Glória. Cumpre-se assim a promessa da Carris, não só quanto à data de regresso do equipamento mas também sobre a adopção do modelo que dá prioridade de acesso aos utilizadores com passe. Há, porém, dois senãos: anteriormente, o transporte era gratuito para todos, sem ser necessário apresentar qualquer título à entrada; e o horário de funcionamento foi reduzido (agora que a gestão do equipamento passou da Emel para a Carris).

O Funicular da Graça "está a funcionar com um horário mais reduzido – só entre as 09.00 e as 17.00 – e tem filas separadas entre portadores de passe e passageiros ocasionais", dá conta o Lisboa Para Pessoas. O horário anterior estendia-se entre as 09.00 e as 21.00, diariamente, não existindo, porém, uma periodicidade certa para as viagens. Ao mesmo tempo, não era raro encontrar o equipamento sem funcionar, sob o aviso de que se encontraria em manutenção. Desde o mês passado, fazem-se "cerca de quatro circulações por hora com intervalos entre os 10 e os 15 minutos: de uma forma geral, a primeira partida da Rua dos Lagares é à hora certa".

E os utilizadores ocasionais do bairro?

A Carris justifica a adopção do sistema de filas separadas (entre utilizadores ocasionais e detentores do passe Navegante) com a "elevada pressão" a que são sujeitos transportes como eléctricos e elevadores de Lisboa, tendo-se aprovado o modelo que agora entra em vigor na Assembleia Municipal de Lisboa de 18 de Fevereiro. Na proposta aprovada, lia-se que o plano seria testar o novo sistema no Funicular da Graça, avançando-se posteriormente para a "replicação em todos os outros equipamentos de transporte operados pela Carris onde se verifique uma pressão turística relevante".

Funicular da Graça
Rita ChantreFunicular da Graça

Assim que o assunto começou a ser discutido, os moradores da zona e utilizadores habituais do equipamento inaugurado em Março de 2024 começaram a questionar-se: quem não tem passe mas usa com frequência o funicular terá de pagar bilhete? "No meu caso, a mudança não é um problema. Mas para a pessoa que vive comigo, que usa o carro para trabalhar, mas que tem de levar todos os dias a Celeste à escola, na Graça, e para isso usa o funicular, é uma questão. E não é só isso. Quando foi a inauguração, estava aqui o Carlos Moedas [presidente da Câmara Municipal de Lisboa – CML] e falei com ele sobre isso. Ele garantiu que seria um equipamento gratuito para os moradores e que ia cobrar aos turistas", partilhou com a Time Out, em Março do ano passado, Cecília Henriques, 35 anos, residente na Mouraria. "É uma preocupação, porque as pessoas daqui fazem muito a vida para cima e para baixo e, para muitos deles, subir as escadas ou a calçada é impossível", acrescentava o proprietário da Pastelaria Lagares, José Ramos. Para muitas destas pessoas, o funicular é o único meio de transporte público que utilizam na sua vida diária, pelo que pagar 30 euros por um passe mensal apenas tendo em vista esta deslocação é uma solução que rejeitam.

A tarifa de bordo do funicular é de 4,30 euros, dando direito a duas viagens. Cada trajecto dura cerca de um minuto e meio, sendo a alternativa subir a pé as escadas do Caracol da Graça ou a Calçada do Monte.

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