Notícias

HBO volta a apanhar ‘A Grande Onda da Nazaré’ para nova temporada

Há dois anos, a série documental mergulhou na história do encontro entre Garrett McNamara e o mar da vila piscatória. Agora, volta a surfar no streaming a partir de 17 de Abril. “Os espectadores vão ficar felizes? Garantido”, diz-nos o surfista americano.

Renata Lima Lobo
Escrito por
Renata Lima Lobo
Jornalista
Ian Walsh
©DRIan Walsh, na Nazaré
Publicidade

A Grande Onda da Nazaré pôs o mundo a olhar para as ondas gigantes e para os heróis que desafiam a força do mar. O cenário principal é a Nazaré e o protagonista é Garrett McNamara, o homem da prancha que há mais de uma década se fez à água para pescar o recorde do Guinness que acabou por projectar a Nazaré no mundo – o da maior onda alguma vez surfada. E também o mundo na Nazaré, que se transformou num porto de abrigo dos campeões das ondas gigantes e do público que quer ver os atletas que parecem desafiar as leis da Física. E do físico, que fica muitas vezes maltratado por culpa da adrenalina que os impele a superarem o próprio medo e a enfrentá-lo olhos nos olhos.

A modalidade tem um nome: tow-in surfing, por ser necessário rebocar a prancha até alto-mar com a ajuda de um jet ski, uma técnica inventada nos anos 1990 por surfistas como Laird Hamilton ou Buzzy Kerbox, que também ajudam a contar a história desta série documental. Mas, na Nazaré, Garrett e a sua (pequena) equipa, apoiados pelo município, aprimoraram o sistema, ao introduzir um jet ski adicional de segurança e mais uma pessoa munida de walkie-talkie junto ao farol, que não só recomenda que ondas apanhar como ajuda a resgatar surfistas caídos na água, localizando-os com os binóculos.

Na primeira temporada, acompanhamos a chegada de Garrett McNamara à vila portuguesa, com a mulher Nicole, que também trata o oceano por tu e é uma espécie de bote salva-vidas na vida do surfista. Aterraram em Portugal pela primeira vez em 2010, após um desafio lançado uns anos antes por Dino Casimiro, funcionário da Câmara Municipal da Nazaré e um apaixonado pelas ondas gigantes desde pequeno, que tinha enviado uma fotografia de uma onda gigante a Garrett. Nesse ano, o norte-americano apanhou a primeira onda na Nazaré, após muitos meses de treino e estudo destas águas únicas no mundo. No ano seguinte, Garrett entrou para o livro dos recordes do Guinness ao surfar uma onda com 23,8 metros na Praia do Norte, imagens que correram o mundo. Um recorde batido em 2017 pelo brasileiro Rodrigo Koxa, que surfou uma onda de 24,38 metros e depois em 2020 pelo alemão Sebastian Steudtner, que alcançou os 26,21 metros no mesmo mar.

Garrett McNamara e Andrew Cotton
©DRGarrett McNamara e Andrew Cotton na Nazaré

Hoje com 55 anos, Garrett tentou deixar o surf há cerca de duas décadas. Abandonou as competições, abriu uma loja de surf, mas poucos anos depois as ondas falaram mais alto e levaram-no numa volta ao mundo em busca de uma onda gigante de 30 metros (ou 100 pés, que dá o nome original ao documentário: 100 Foot Wave). Até hoje não a encontrou. Existindo, não se sabe se é sequer surfável, mas é um monstro marinho que Garrett ainda quer caçar, apesar de algumas lesões que foi coleccionando pelo caminho. “Estou pacientemente à espera. Se vier e estiver pronto, vou. Mas, sabes, estão todos à espera desta onda de 30 metros. E como tenho uma mulher e seis filhos, tem de ser uma onda com 35 metros, dessa forma não terei dúvidas sobre isso”, diz à Time Out, com um sorriso desafiador.

Nesta segunda temporada, exploram-se as histórias de alguns dos principais surfistas que conhecemos na primeira, como a francesa Justine Dupont, o britânico Andrew ‘Cotty’ Cotton, mas também o prodígio português António Laureano, que entra para o grupo em foco nesta nova leva de episódios. “Pensei que não poderíamos superar a primeira temporada, mas esta é melhor. É diferente. A primeira temporada foi a história e o mergulho profundo na descoberta, exploração e partilha da Nazaré com o mundo. Este é um mergulho profundo, mas nas diferentes personagens, na falta de uma palavra melhor, as suas experiências de risco e os seus feitos monumentais”, explica McNamara. O norte-americano destaca um episódio em que Justine bate “os rapazes” nas ondas de Jaws, no Havai; outro em que CJ Macias desaparece debaixo de uma onda da Nazaré; ou quando Cotty é atirado para as rochas no mesmo local. “Não posso partilhar muito, mas há tantos encontros pessoais reais, encontros pessoais reais e profundos que simplesmente não existem na TV. O Chris Smith [realizador], o Joe Lewis [produtor executivo] e a HBO fizeram um trabalho incrível. E eu sou a pior pessoa para assistir a imagens minhas ou a qualquer coisa da qual faça parte, porque sou adepto da microgestão. As coisas poderiam ser melhores? Sempre. As metas estão a ser cumpridas? A 100%. Os espectadores vão ficar felizes? Garantido”, promete.

Felizes vão também ficar por saber que há planos para mais temporadas. Pelo menos a terceira já está a ser filmada, confirma a estrela da produção: “Há tantos milhares de histórias que não passaram do corte final e que estão paradas. Então, sempre podemos desenterrar coisas antigas e colocá-las [na série], reflectindo sobre o passado. Não sei o que o Chris Smith vai inventar, mas tenho certeza de que vai ser bom. Eles querem fazer 20 temporadas.”

Hoje, nas águas da Nazaré, já não é McNamara a única estrela do mar. Na maioria das vezes, vemos o atleta em cima de uma mota de água ou de binóculos junto ao farol, a auxiliar quem ainda não quer perder a onda. Mas, como o próprio revelou, a qualquer momento pode pegar na prancha para apanhar o monstro marinho de 30 ou mais metros que sempre procurou. Mas está feliz. "Se eu ainda quisesse apanhar todas as ondas, poderia ficar frustrado. Mas estou realmente feliz. Adoro ver a malta a surfar. Adoro estar no farol com toda a gente a curtir. Adoro estar na água, pegar algumas ondas e ver toda gente a sacar. É uma transformação linda, ver Portugal a florescer, a tornar-se o destino número um da Europa através das grandes ondas da Nazaré. Colocar Portugal em destaque, chamar a atenção para Portugal. É tão bonito. E não poderia ter corrido melhor."

HBO Max. Estreia a 17 de Abril (T2)

+ Livia Drusilla, a poderosa mulher que teve Roma a seus pés

+ A história do filme ‘Atracção Fatal’ está de volta, agora em episódios

Últimas notícias

    Publicidade