Notícias

“Neste momento, a operação de eléctricos é segura”, garante presidente da Carris

Em conferência de imprensa, Pedro Bogas afastou eventuais falhas de manutenção e adianta que veículo acidentado é irrecuperável. “Vamos ter um novo elevador, ainda com maior segurança”, promete.

Rute Barbedo
Escrito por
Rute Barbedo
Jornalista
Acidente do Elevador da Glória
DR | Acidente do Elevador da Glória
Publicidade

Já se terminaram as perícias no local e começou a preparação para serem levantados os destroços materiais resultantes do acidente mortal desta quarta-feira, dia 3 de Setembro, com o Elevador da Glória. Ao mesmo tempo, procuram-se as respostas sobre as causas da tragédia, tendo-se avançado com investigações internas e externas, e levantado hipóteses de falhas ao nível da manutenção, nas mãos de uma empresa externa "pelo menos desde 2007", de acordo com o presidente da Carris.

Respondendo às perguntas dos jornalistas e talvez tentando tranquilizar os utilizadores da rede de transportes de Lisboa, Pedro Bogas garantiu que, "neste momento, a operação de eléctricos é uma operação segura". Ao contrário do que chegou a ser noticiado, também esclareceu que, apesar de o contrato com a actual empresa responsável pela manutenção dos ascensores terminado a 31 de Agosto, os veículos não deixaram de a obter, já que foi feito um ajuste directo com a mesma organização. "Desde 2019 que a empresa de denominação comercial MAIN está a assegurar a manutenção dos ascensores e do elevador", sendo que, este ano, “o concurso ficou deserto”, declarou o responsável, detalhando: “Precisamente porque não podíamos ficar sem a manutenção dos ascensores e do elevador, de imediato celebramos um ajuste directo com a empresa que está a assegurar essa manutenção, pelo prazo de cinco meses". 

Apesar de expectável, dado o estado de destruição do veículo, Pedro Bogas adiantou que o histórico ascensor que descarrilou esta quarta-feira "não é recuperável". A intenção da Carris é, assim, "fazer um investimento para que Lisboa tenha o seu elevador mais uma vez". "Vamos ter um novo elevador, ainda com maior segurança", avançou o responsável.

O acidente de 2018

Na sala surgiram também questões sobre o pequeno descarrilamento do Elevador da Glória em 2018, que não resultou em vítimas e cujas causas foram apresentadas aos lisboetas como "anomalia técnica". Pedro Bogas declarou que não estava à frente da empresa nesse ano, mas garante que o inquérito foi feito e que "as conclusões certamente foram tidas em conta" pela Carris. 

Regressando às questões da manutenção, o presidente frisou que “são procedimentos que têm décadas e que, felizmente, sempre funcionaram bem até à data de ontem”“Nunca houve uma crítica geral à manutenção dos nossos ascensores”, afirmou ainda, embora na véspera tenham vindo a público notas preocupantes de fontes de sindicais. “Havia sistematicamente queixas e reportes da falta de tensão do cabo de sustentação deste elevador que ia provocando dificuldades no próprio sistema de travagem”, explicou Manuel Leal, dirigente sindical da Fectrans e do STRUP, ao Observador. Ao jornal Público, o mesmo funcionário falou numa "deficiente manutenção por parte da empresa MAIN – Maintenance Engineering​".

A última inspecção ao ascensor aconteceu entre as 09.13 e as 09.46 de 3 de Setembro, o dia do acidente, não tendo sido detectada qualquer falha, de acordo com o relatório consultado pelo Diário de Notícias. "Se tivesse sido detectada, o veículo não tinha saído”, destacou o presidente da Carris durante a conferência de imprensa.

Mais notícias: fique a par das principais novidades com a Time Out

🏃 O último é um ovo podre: cruze a meta no FacebookInstagram Whatsapp

Últimas notícias
    Publicidade