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O ano segundo Batáguas: eleições, apagões e piadas que não passaram nas televisões

Diogo Batáguas volta a fechar a temporada do seu talk-show digital com um espectáculo ao vivo. Primeiro no Porto e depois em Lisboa, promete revisitar o ano com olhar crítico e zero filtros. Falámos com o humorista y sus muchachos.

Hugo Geada
Escrito por
Hugo Geada
Jornalista
Diogo Batáguas
©DR | 'Conteúdo do Batáguas'
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Lembra-se do apagão que nos deixou durante (quase) um dia inteiro sem electricidade? Ainda se recorda de quantas vezes fomos às urnas este ano? E a moda do chocolate do Dubai? Sim, tudo isso aconteceu em 2025. Se quer recordar mais acontecimentos marcantes do ano que agora está a chegar ao fim, há uma solução mais divertida do que rever o manancial de fotografias que guarda no telemóvel: Conteúdo do Batáguas ao Vivo.

Diogo Batáguas está a preparar, com a ajuda dos seus guionistas, Rui Cruz, Vitor Sá e Sérgio Fernandes, a segunda edição deste espectáculo (com data dupla em Lisboa e no Porto). É a forma do humorista de Almada de assinalar o fim da segunda temporada do talk-show online com o mesmo nome, e é onde vão revisitar o que aconteceu ao longo do ano com um toque de humor. A Time Out falou com o grupo de comediantes antes de gravarem o último episódio da temporada para perceber o que podemos esperar.

Este espectáculo que estão a preparar assinala o fim da segunda temporada do Conteúdo do Batáguas. Depois de dois anos, sentem que este é o formato ideal para fazerem o vosso humor?
Diogo Batáguas: Este foi formato que desenhávamos porque, uma vez que estamos no YouTube e na internet, podemos fazer o que nos apetece. Portanto, temos uma liberdade maior que nos permite estar mais à vontade e dizer coisas que se calhar num sítio mais mainstream ou num meio de comunicação tradicional não podíamos ter esta liberdade. Conseguimos fazer humor sem jeito nenhum e piadas privadas que conseguimos levar para as pessoas que nos seguem, que não tínhamos capacidade de fazer se não fosse neste registo que vivíamos. 

O salto para a televisão é algo que não faz sentido? 
DB: Depende, se pagarem mesmo muito dinheiro...
Vitor Sá: A todos!
Rui Cruz: Perdemos um bocado da liberdade criativa... 
DB: Mas não somos contra ganhar muito dinheiro. 
VS: Eu não precisava de milhões...
DB: Não, nós somos humildes. 

Se calhar também perdia a liberdade de escolher o guarda-roupa. Não sei se na televisão poderia apresentar o programa de calções.
DB: Também é uma questão complicada. Mas será algo que teremos de negociar.

Sinto também que, com o passar do tempo, os programas têm-se tornado cada vez mais informativos e a focar-se mais em questões políticas. Isto foi algo propositado?
DB: Tem dias. Depende do que a sociedade nos dá.
RC: É mais isso. Se houver uma semana que nos dê a extrema parvoíce e não tivermos de ir à política, até agradecemos. Agora, infelizmente, têm havido notícias todas as semanas um bocado absurdas, de partidos absurdos. 
DB: Até porque sentimos que já tivemos uma nove eleições este ano. 
RC: É difícil não falar de política, quando todos os meses tens que ir votar. 
DB: Mas já tivemos vários episódios em que o destaque foi desde o caso do P. Diddy até ao Paulo Tarzan, que é um conhecido do Sérgio e que todas as manhãs vira uma grade de minis na Portela das Padeiras.

Com o passar deste tempo, e com um público cada vez mais fiel, têm uma obrigação maior de informar?
DB: Não, eu não quero que ninguém confie em mim [risos]. Se se querem informar, podem ler jornais e ver programas de comentário político. Não é aqui. Aqui é para nos divertirmos um bocado. Não quer dizer que a base não sejam notícias que as televisões e os meios de comunicação nos dão. Acho que as piadas se percebem melhor se as pessoas estiverem informadas nesse sentido, mas não venham aqui para aprender. 
RC: Às vezes a informação é somente parte do setup da piada. Isto aconteceu, e agora nós vamos gozar com isto.
DB: Sim, no fundo nós somos o Nelson dos Simpsons, que, apesar de ser um burro, está sempre a apontar para as coisas e a rir-se. Este é o nosso papel. 
RC: Até porque podemos ter um bocadinho mais de política no programa, mas continuamos a trabalhar de maneira extremamente infantil, na maior parte das vezes. 

Os criadores de South Park costumam queixar-se frequentemente sobre as dificuldades que tiveram a escrever as temporadas mais recentes, porque os comportamentos do Presidente Donald Trump eram tão surreais que se tornava complicado gozar. Identificam-se com esta batalha? 
DB: Eles estão quase há dez anos a travar essa batalha, não é fácil encontrar ângulos novos, mas eles conseguiram renovar ao tornarem-se ultra-agressivos. Apesar de nunca terem sido propriamente moles.
RC: Eram mais cartoonescos. Com um gajo como o Trump, não podes ser pateta, porque ele é mais pateta do que tu. Tens de ser só mais agressivo.

E no caso do Chega? Como é que se faz o humor com eles? 
DB: Não é fácil escolher [risos]. Por muito que as pessoas possam pensar o contrário, nós tentamos evitar. Temos imenso material do Chega, como é evidente, e temos de ser criteriosos, porque se não caímos no jogo deles, e estamos a dar-lhes toda a atenção do mundo. Mas eles realmente são muito bons a criar conteúdo risível e nós somos fracos, não resistimos e às vezes caímos nas esparrela, no sentido em que é muita coisa absurda que está ali. 
RC: Dá para fazer um programa diário só com eles. 
DB: Sim, com as suas contradições, com as suas falhas morais e éticas, com os seus disparates no geral. Portanto, somos até muito comedidos. Não pegamos em tudo o que temos na nossa pasta dedicada ao Chega, digamos assim. Não fazíamos mais nada...

Não é só o Diogo que está atento às actividades do partidos. Eles também estão de olho em si. Ainda esta semana o deputado Pedro Frazão lhe lançou várias críticas. Isto sem falar de quando o David Carreira ou o juiz Neto de Moura o tentaram processar. Isto ainda é algo que tem piada ou já o cansa?
DB: É óptimo para conteúdo. Tudo o que for engraçado é óptimo para conteúdo. Nesse aspecto, eles estão a trabalhar muito bem para nós. 

Com o fim da segunda temporada, qual é a parte do programa que vos dá mais prazer de fazer? 
DB: O nosso trabalho é ir para uma cave em Moscavide ver televisão e esperar que as pessoas nos façam parar caso digam alguma coisa engraçada. Isso em si é giro. E depois pensamos em coisas engraçadas para dizer, por exemplo, e tentamos fazer-nos rir uns aos outros também. Ou seja, o processo criativo em si é divertido. Depois, gravar o programa é algo que nos dá muita adrenalina. Temos 400 pessoas todas as quinzenas a ver-nos e esperamos sempre conseguir fazê-los rir. É um dia muito entusiasmante. O trabalho tem corrido bem, temos muita gente ver e isso deixa-nos felizes. 
RC: Eu acho que nós não temos um momento favorito do programa. Temos é momentos favoritos nos programas. Às vezes, há um sketch mais divertido, um Mosh com piadas mais engraçadas. 
DB: Talvez o início do processo, quando ainda não temos temas, e estamos a discutir sobre o que está em cima da mesa e quais é que vamos escolher ou dar mais atenção. Talvez seja um bocado mais chato, ao início, mas quando começamos a determinar aquilo que vamos abordar é sempre a melhorar. 

Um momento que parece sempre muito divertido de preparar é o Mosh. 
RC: Depende do Mosh e da pessoa a quem estamos a fazer Mosh. Por exemplo, recentemente, fizemos o Mosh ao Mourinho e estávamos todos... é um gajo porreiro, ninguém sente um ódio particular por ele.
Sérgio Fernandes: O Mosh é a parte que gera mais expectativa nas pessoas e também pode ter maior potencial para desiludir. 

Têm alguma piada favorita do Mosh? A minha é: "O Pedro Pinto tem cara de quem lava a cara com sopa de cozido".
RC: Eu gosto muito dessa também. Mas neste último episódio vai sair uma sobre o Pedro Frazão que eu também gosto muito e que já estava há imensos episódios para usar. "O Pedro Frazão é o único homem que não precisa de fumar erva para ter um Grinder" [risos].

Conteúdo do Batáguas
DR

Tornou-se tradição fazerem este espectáculo ao vivo no final de cada temporada. Como é que o descreveriam? É um conteúdo em esteróides? É um stand-up? 
DB: Sim, no fundo, é um conteúdo em esteróides. A base do programa é a mesma. Agora, terão algumas novidades e convidados que, por alguma razão, foram marcantes ao longo do ano. Algumas referências que vamos fazendo e repetindo ao longo do ano terão também o seu espaço e uma adaptação para o espectáculo ao vivo, com outra dimensão e outro aparato. 

Este programa vai ser uma revista de 2025. O que é que vocês estão mais expectantes para rever e falar? 
DB: Acaso é um tema que não falámos muito ao longo dos episódios e que vamos abordar mais no espectáculo ao vivo, que é o facto de nascer imensas pessoas fora dos hospitais, que é um tema que nós não conseguimos aprofundar porque todas as semanas acontece algo e este era sempre um tema que caía. Vamos, agora, levar para o espectáculo ao vivo. Vamos também fazer um momento em que elegemos uma pessoa que consideramos ter sido particularmente – digamos – patética, ao longo do ano. Vamos debater em palco e, com a ajuda do público, vamos determinar quem é que foi a pessoa mais descabida de 2025. 
VS: Também estamos muito expectantes com o momento final de Ricardo. 
DB: Ricardo é o agente da Agência Kilt. No nosso programa temos uma rubrica chamada Kilt Realiza Sonhos, em que propomos que Ricardo concretize sonhos que nós o incumbimos de concretizar. O nosso sonho para este final de temporada é que ele faça uma interpretação ao vivo multifacetada, com bailado, dança, canto e outras áreas artísticas. Ele vai ter um momento com alguns minutos para recuperar tudo o que se passou em 2025.

E para 2026? o que podemos esperar do futuro do Conteúdo do Batáguas
DB: Espero que haja ainda mais pessoas a ver. Vamos ver o que é que vai acontecer. O primeiro programa é sempre porreiro, porque reunimos muito do que aconteceu durante a nossa pausa. Temos ali dois ou três meses de muita matéria-prima que acumulamos para o programa de comeback.

Estava a falar da rubrica Kilt Realiza Sonhos. Já teve direito a uma rua no Brasil, uma praia nas Filipinas... Qual é que pode vir a ser o próximo desejo?
DB: Nós costumamos determinar esses desejos com uma antecedência de cerca de dois dias. Não pensamos assim com tanta determinação ou empenho. Somos pessoas humildes. 

Mas depois de uma rua e de uma praia, se calhar agora podia ser uma uma lua ou uma estrela com o nome Batáguas. 
DB: É uma opção que fica em aberto, apesar de depois ser difícil ir lá visitar.

Super Bock Arena (Porto). 5-6 Dez (Sáb-Dom) 21.30. 15€-30€; Sagres Campo Pequeno (Lisboa). 12-13 Dez (Sáb-Dom) 21.30. 15€-30€

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