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Doze anos depois do primeiro, abriu, em Abril, um novo Sublime, com 51 hectares e 43 villas privadas, todas com piscina. O restaurante Davvero de Lisboa vai lá passar as férias de Verão, com sabores italianos para provar à mesa ou estendido numa espreguiçadeira.

À pergunta para a qual sabemos a resposta “Existe superlativo do adjectivo sublime?”, responde-nos com ligeira arrogância, mas toda a razão, o Gemini: “Não existe um superlativo sintético tradicional (aqueles terminados em -íssimo) para sublime. Isto acontece porque a palavra já carrega em si uma ideia de limite máximo. É o que os linguistas chamam de adjectivo absoluto: algo que é sublime já está no topo absoluto da perfeição, pelo que, logicamente, não pode ser mais do que isso.”
Pois, claro, “logicamente”. Mas… será que não pode mesmo? É que a inteligência artificial não foi, como a Time Out, visitar a maior novidade da temporada na Comporta.
Ao boutique hotel Sublime, que em 2014 se instalou na zona da Muda com apenas 14 quartos espalhados por 17 hectares – e que agora ganha o apelido Terracota –, juntou-se um novo: o Sublime Sand. Fica do outro lado da Estrada Nacional 261, que liga Grândola à Comporta, abriu em Abril e tem 51 hectares, 43 villas privadas com piscina (perfazendo um total de 100 quartos), três restaurantes, duas lojas, um spa, uma discoteca, duas piscinas comuns (uma interior e uma exterior), um centro de conferências e um kids club – que, sim, também tem piscina.
Por ali, tudo é grandioso – ou grandiosíssimo, superlativo sintético regular pouco usado mas correcto – e bem adequado à sensação à chegada. Impressiona, ainda antes de entrar, a dimensão do terreno sem fim à vista perceptível da estrada, cheio de árvores altas entre as casinhas inspiradas nas cabanas da Comporta. Casinhas, salvo seja: têm dois, três ou quatro quartos, todos suites, além de terraço e piscina privada.
Uma vez lá dentro, continua a impressionar a praça central, ou Atrium, onde convivem duas lojas com muita pinta (uma de moda e outra de casa), um bar, um café-biblioteca e a recepção, com elementos da natureza em grande escala que se transformam em verdadeiras obras de arte, caso da raiz pendurada na parede ou do candeeiro que envolve a lareira, feito com estipas e gramíneas.
A arte, quase camuflada com a arquitectura mas ainda assim monumental, está por todo o lado. Encontramo-la também no Beefbar (o restaurante que nasceu em Monte Carlo, Mónaco, e onde, além de almoços e jantares, se serve o pequeno-almoço) na forma de escultura suspensa em colmo; e nas villas, com fotografias XL de Ricardo Ferreira Alves que trazem a paisagem da Comporta para o conforto dos quartos.
Pode aspirar ao “topo absoluto da perfeição”, voltando a citar o Gemini, mas no Sublime, o luxo é tudo menos ostensivo. Discreto, subtil e pintado em tons terra e madeira, vê-se principalmente nas pequenas coisas, como as amenities nos quartos, os roupões que mais parecem nuvens, a banheira oval, os chapéus e sacos para levar para a praia (ou de recordação para casa), as espreguiçadeiras maiores e mais confortáveis que muitas camas que aí andam, os equipamentos da Marshall para ouvir música, as televisões escondidas dentro de armários, as lareiras que dão para a sala e para o exterior ou as gulodices do mini-bar, que incluem frasquinhos de gomas, frutos secos, morangos forrados de chocolate ou pipocas gourmet.
Outro luxo é o serviço – descontraído mas atento e rápido, quase que adivinhando os desejos dos hóspedes antes de serem verbalizados.
Trabalham 220 pessoas no novo Sublime. São elas que estacionam os carros, que garantem boleias para as villas de buggy, que repõem as águas aromatizadas fresquíssimas na piscina exterior e que limpam regularmente o chão à volta da piscina interior (para evitar escorregadelas). São elas que servem os pratos e as bebidas quentes à carta no maravilhoso pequeno-almoço buffet, que preparam os quartos para noites descansadas (fecham as cortinas, abrem as camas…) e que brincam no kids club, uma sala cheia de luz com centenas de brinquedos para diferentes idades – de escorregas e jogos de tabuleiro a tintas e pincéis – e uma zona exterior onde fica uma pequena piscina quadrada, uma casinha de madeira, uma baliza e um cesto de básquete.
O edifício Aqua, reinterpretando três cabanas com um traço contemporâneo e design sofisticado, dedica-se, como o próprio nome indica, às piscinas. A interior (que, em boa verdade, sai por uma parede fora até ao exterior) é comprida, escura, silenciosa e relaxante, com espreguiçadeiras separadas por cortinas; a exterior, com música mais animada, tem, além de dezenas de espreguiçadeiras e chapéus, recantos lounge com cadeirões e mesas. Mas há mais: sauna, banho turco, jacuzzi e um spa de uso exclusivo para hóspedes com quatro salas de tratamento – duas delas de casal.
Quem se instala a pensar em mergulhos de água salgada tem, na praia do Carvalhal, a dez minutos de carro, a concessão do Sublime, com chapéus, camas e toalhas grátis para hóspedes, por ordem de chegada. O Sublime Comporta Beach Club, com esplanada, mesas na areia e uma sala interior mas com vista para o mar de todas as mesas, serve saladas e crudos, peixes e mariscos e muitas bebidas, com e sem álcool, para acompanhar os almoços e jantares.
A marca Sublime não pára de crescer e além de ter mais três restaurantes no lado Terracota – o Sem Porta, o Canalha e o Food Circle – e um no centro da Comporta – o Jacaré – (já para não falar do hotel e do restaurante italiano Davvero em Lisboa), prepara-se para abrir uma discoteca no Sublime Sand. A Ruína estará aberta em Julho e Agosto, das 23.30 às 05.00, com uma pista interior e uma zona exterior com mesas baixas em metal e vidro. Até à 01.00 está prometida música ao vivo, depois entrará um DJ em acção.
As férias de Verão do restaurante Davvero começaram em Maio e duram até Outubro. Em vez do ambiente cosmopolita da Artilharia 1, em Lisboa, o italiano adoptou para esta temporada estival no Sublime Sand a onda da Comporta, mais leve e descontraída.
Durante o dia, entre as 11.00 e as 18.00, o Davvero Blu serve a piscina comum, com uma carta que inclui tapas e petiscos como flor de curgete, ricotta e molho de anchovas (15€), tataki de atum com abacate, lima e mostarda de mel (12€) e o Risi & Bisi, um croquete de arroz e ervilhas com mozzarella (9€). Também há saladas como a de burrata, com tomate, pesto e manjericão (20€), a de figos, com presunto, nozes, ricotta salgada e folhas verdes (18€) e a Calamari, com lulas mornas, funcho e laranja (24€).
Nas especialidades italianas, as escolhas variam entre as pizzas, as foccacias e as massas. Nas primeiras há propostas como a simples Sole di Napoli (22€), com tomate San Marzano, mozzarella de búfala DOP, manjericão fresco e azeite virgem extra, e as mais elaboradas Dolce Inferno (28€), com nduja calabresa, gorgonzola e mel, e Tartufo (32€), com base fiordilatte, creme de parmesão e cogumelos, lascas de trufa de verão e óleo de trufa branca.
Nas foccacias brilham a Bologna (16€), bem recheada com mortadela, stracciatella e pistácio, a Sicilia (14€), com caponata de legumes, ricotta salgada e manjericão fresco, e a Genova, com frango, rúcula, pesto e lascas de parmesão. Pastas também são três: Rigatoni alla Bolognese (24€), com bolonhesa de ragù; Spaghetti alle Vongole (28€) com amêijoas, vinho branco e salsa; e o Paccheri alla Sorrentina (22€), com tomate, burrata e manjericão.
Quem nem à beira da piscina abre mão de pratos mais compostos – até porque o restaurante está aberto a não-hóspedes, dia e noite –, pode contar com alguns secondi que vêm da ementa de jantares: a parmigiana de beringela com tomatte, mozzarella, parmesão e manjericão (22€), o robalo com legumes e molho de alcaparras (32€) e a costeleta de porco ibérico, rúcula e tomate cherry (31€).
A partir das 19.00, trocam-se os fatos-de-banho, as espreguiçadeiras e a esplanada por duas salas com muita pinta no edifício Aqua. Tanto a do bar como a do restaurante impactam pelo pé direito alto, com enormes candeeiros cónicos de rede, e pela banqueta forrada a pele e tecido étnico.
Na cozinha aberta, de mosaico cor de tijolo, o chef veneziano Isaac Kumi e o chef de pastelaria de Puglia, Mauro Abignente, mantêm a filosofia do restaurante original da capital, que promete receitas tradicionais de várias regiões de Itália.
O jantar da Time Out começou com um couvert (6€) composto por grissini, pão artesanal, parmesão curado 22 meses, azeitonas marinadas, azeite da marca Sublime e vinagre balsâmico de Modena, e seguiu para entradas como os espargos grelhados com stracciatella, amêndoa e pesto (18€).
O primi escolhido foi um colorido e apurado paccheri caseiro com lagosta e limão (42€), que chegou numa caçarola e foi servido à mesa, e o secondi foram os escalopes de vitela acompanhados de puré trufado (33€).
Nas sobremesas, há gelados (5€/bola) de chocolate, morango, pistáchio com flor de sal, limão, baunilha e caramelo salgado e torta moringa (10€), um pão de ló com merengue italiano e chantilly de baunilha, mas as escolhas do chef para esta noite foram o tiramisù (11€) e a surpreendente La “pera” (11€), com mousse de ricota, pêra, chocolate e avelã.
Haja superlativos para este repasto. E para esta estadia.
Sublime Sand, EN 261-1 (Grândola). 269 449376. Estadias a partir de 275€/quarto ou 1035€/villa T2 por noite. Davvero Comporta, todos os dias de Maio a Outubro 19.00-22.30
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