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O que esperar do Festival Porta dos Fundos? O colectivo brasileiro antecipa muita “risada” e confessa-se “cadelinha” de Portugal.

Casa cheia. É o que se espera do Festival Porta dos Fundos, que marca o regresso do colectivo brasileiro, 11 anos depois de se estrear em Portugal. Com lotação esgotada no Centro Cultural de Belém e no Cinema São Jorge, e uma data extra já confirmada para o espectáculo Portátil, a expectativa não poderia ser maior. Falámos com Fábio Porchat, Gregório Duvivier e João Vicente de Castro, que antecipam este especial de fim de ano.
“Faz 11 anos que pisámos em Portugal como Porta dos Fundos pela primeira vez, e a gente achou que poderia ser muito marcante voltar com tantos projectos diferentes”, diz-nos Fábio Porchat, que se vai estrear no elenco de Portátil, em cena nos dias 13 e 14 de Dezembro – agora com uma sessão extra no dia 13, às 17.30, no CCB. “Estou apavorado, estou a torcer para não estragar”, brinca o humorista. “Se eu pudesse, ia para a plateia e ficava assistindo, porque eu amo o espectáculo, é muito engraçado e emocionante.”
Depois da participação da actriz e encenadora Luciana Paes na temporada anterior, a entrada de Porchat renova o grupo de Portátil, cuja história, totalmente improvisada, parte sempre de uma entrevista com alguém do público. “O português tende a ser muito sincero. O brasileiro não fala muito de tristeza, o português fala numa boa”, partilha Gregório Duvivier, antes de admitir que os espectáculos mais bonitos têm acontecido no nosso país. “Em Portugal, não temos medo de explorar outros géneros, então embora seja comédia, de vez em quando tem umas pinceladas de poesia, de drama, às vezes até de tragédia, e não fica menos engraçado por isso. Volta e meia até rola um fado.”
Entre a programação, destaca-se também a estreia nacional de Que História É Essa, Porchat?, que surgiu pela primeira vez em 2019 no GNT, canal por assinatura, disponível também no Globoplay. Agora ao vivo no Cinema São Jorge, entre os dias 16 e 18 de Dezembro, Fábio Porchat propõe sentar-se à conversa com o actor Joaquim de Almeida, a influencer Fernanda Rodrigues, o ex-futebolista e actual comentador Cândido Costa, e os humoristas Bumba na Fofinha, Gilmário Vemba e Inês Aires Pereira. “A questão maior é como lidar com este ao vivo, com pessoas no palco e a plateia a reagir na hora, porque é o programa, mas não é”, avisa Fábio Porchat, que espera que o público venha “aberto e muito disposto a dar risada” .
Ao todo, são seis propostas diferentes, três das quais “especiais de Natal”, todas para rir, claro. Num momento em que o humor está constantemente a ser debatido – o que se pode e como se pode dizer –, o Porta dos Fundos compromete-se “a dizer”, mas sempre “com o entendimento que há uma responsabilidade naquilo que está sendo dito”, assegura Fábio. “Piadas que eram feitas em 81 não são feitas em 2000 e piadas de 2000 não são feitas em 2025, e acho que estamos evoluindo, mas o humor tem esse peso, que é puxar a corda para a frente, e nós estamos fazendo a nossa parte, e é por isso que é tão importante sermos um grupo, o poder olhar para o outro.”
“O Hugo [Nóbrega, produtor] trouxe-nos a Portugal pela primeira vez, em 2014, e foi inesquecível para todos nós, sobretudo porque descobrimos o quão popular éramos em Portugal – fomos tratados com muito carinho e calor, e a partir de então não deixámos de voltar, achámos sempre pretexto”, acrescenta Gregório Duvivier, que este ano já tinha vindo a Lisboa durante o Verão, para a reposição de O Céu da Língua, sobre a língua portuguesa e o que une e separa o português de Portugal e do Brasil. “Temos uma relação de amor muito intensa com Portugal, e é mesmo muito legal pensar em produções especialmente para cá.”
O objectivo deste novo festival, revela-nos Duvivier, é celebrar a relação do Porta dos Fundos com Portugal, mas também “aprofundá-la”. “Acho uma pena que os brasileiros não conheçam tanto o humor português. Bruno Nogueira, por exemplo. Um cara brilhante, genial, a gente é apaixonado por ele, morro de rir. Mas também a nossa Inês Aires Pereira, de quem gosto tanto. Há tanta gente em Portugal que depois o brasileiro não conhece, e vice-versa, por isso acho que há muito a aprender uns com os outros e, mais do que isso, a rir”, explica. “Queremos promover esse intercâmbio.”
Será que o próximo passo é levar os humoristas portugueses em digressão pelo Brasil? Os planos para o futuro ainda estão no segredo dos deuses, mas vontade de surpreender não lhes falta. Por agora, João Vicente de Castro convida o público português a encher as salas: “Eu não perderia por nada o Portátil com Porchat. Se fosse público, é o que eu mais quereria ver”, diz. “Depois disso, a gente entra numa nova fase e estamos muito animados por poder diversificar o jeito de fazer humor. Temos muitos projectos para sair para o ano que vem. Sinceramente, só nos falta contar 29, 39 anos para a frente, porque morremos de medo de virar uns velhos que não se reciclam de acordo com o que está acontecendo. Queremos continuar relevantes, engraçados, divertidos.”
Ainda não sabemos se o festival se vai tornar tradição ou não, mas se tudo correr bem, o colectivo brasileiro não se importaria de continuar a levar aos palcos portugueses o resumo do ano. “Portugal sempre foi um lugar acolhedor para nós, então talvez esse projecto, que foi ideia sua, de fazer todo ano, possa ser muito divertido. Trazer assim o best of [do humor português e brasileiro]”, sugere João, que está confiante que o “Gregório RP” poderá fazer acontecer, até porque se assumem “muito cadelinha” da cultura portuguesa. Fábio Porchat remata: “Parece-me muito bem, porque sempre quisemos isso, trazer gente que está em destaque para dividir connosco esse lugar.”
Centro Cultural de Belém e Cinema São Jorge. 13-18 Dez, vários horários. Vários preços
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