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“Fechamos portas se não enchermos a casa todas as noites este mês e nos próximos”, afirma a proprietária, Ana Paula Afonso, que tem recorrido a empréstimos para pagar rendas.

A falta de policiamento numa zona com conflitos recorrentes e venda de droga não ajudou. Desde o final do ano passado, porém, a polícia tem estado "mais presente" na Rua Nova do Carvalho, de acordo com Ana Paula Afonso, gerente do clube Roterdão, só que a chamada rua cor-de-rosa está mais "vazia", porque a "má fama" já se havia instalado. A situação foi reportada à Time Out em Outubro de 2024, por vários empresários do Cais do Sodré. "As pessoas não descem, vêm menos para cá. Até quem andava a vender droga, ou contrafacção de droga, saiu daqui, porque não há movimento", descreve agora a empresária. O cenário agudizou-se, gerando impacto no negócio, com a responsável a admitir que, se não houver uma viragem a curto prazo, o Roterdão terá de fechar portas.
"Fechamos portas se não enchermos a casa todas as noites este mês e nos próximos. Preciso de toda a ajuda para salvar o Roterdão tal como ele é: um espaço seguro, com música feliz, onde todos são bem-vindos", apela a proprietária, acrescentando: "Já há poucos sítios em Lisboa com música indie, para dançar e com a nossa abertura. Eu quero dar continuidade a isso, não quero ter de passar reggaeton ou kizomba, não é o meu estilo. E tenho esperança, não vou desistir. Hoje mesmo [terça-feira] pedi um novo empréstimo para poder pagar a renda deste mês, sendo que a minha prioridade foram sempre os salários. Não há um único salário em atraso. Agora, tenho mais um mês para provar o que valho", remata. Abril é o quarto mês em que a empresária se vê obrigada a recorrer a um empréstimo para poder pagar a renda do espaço. "Estou mesmo a viver mês a mês."
Para tentar chamar mais gente ao clube (fundado na década de 1980 e nas mãos da actual gerência desde 2015), Ana Paula Afonso lança não só o apelo para "descerem até à rua cor-de-rosa", como está a estabelecer parcerias com diferentes associações, tentando assim abarcar mais públicos. "Somos uma casa com voz nos direitos humanos, tenho-me assumido em relação a várias causas, e estou a falar com algumas associações com o intuito de fazermos aqui vários eventos", explica a responsável, que tem a política de ceder o espaço da cave para concertos e outros espectáculos, doando a totalidade da receita de bilheteira aos artistas.
A agenda de Abril, "feita com a esperança de que vai tudo correr bem", inclui as noites a cargo da dupla Cobertor Eléctrico (os jornalistas João Paulo Vieira e Pedro Dias de Almeida), Cláudia Dias ("no plano de DJs no feminino"), o actor Manuel Moreira ou o regresso do Sunday Clubbing. "E, claro, há o 24 de Abril, a noite da Revolução no Roterdão, com muita música bonita cantada em uníssono", sublinha Ana Paula Afonso.
Nos últimos anos, a Rua Nova do Carvalho perdeu vários espaços de peso da cultura e noite lisboetas, como o Tokyo e o Jamaica (que reabriram no Cais do Gás em 2022 após terem recebido uma ordem de despejo em 2016), o Viking (fechado desde 2023 e onde hoje funciona o alojamento turístico The House on Pink Street) ou o Musicbox (em 2025, para a gerência avançar com o projecto Casa Capitão, no Beato, sendo que no seu lugar, no Cais do Sodré, abriu o Loucura Bar & Club). Noutras ruas mas na mesma zona, fecharam casas como o Sabotage (em 2020, pela não-renovação do contrato de arrendamento) e o Lounge (em 2024, pela mesma razão).
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