UMUKO (Dorothee Munyaneza 2024)
Patrick Berger | | UMUKO, de Dorothee Munyaneza
Patrick Berger

Alkantara Festival: 17 espectáculos

Entre 13 e 29 de Novembro, o Alkantara Festival volta a correr a cidade. Estes são os espectáculos em destaque na edição deste ano.

Raquel Dias da Silva
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Nasceu como Danças na Cidade em 1993, mas mais de 30 anos depois muito mudou. Desde 2006 que se chama Alkantara Festival, e tem-se consagrado como um espaço de encontro entre dança, teatro e performance internacional, onde se pensam e debatem as urgências do mundo contemporâneo. Este ano, o festival ocupa várias salas de Lisboa – da Culturgest às Carpintarias de São Lázaro, passando pelo renovado CAM e pelo TBA – com criações que abordam temas como a liberdade da geração pós-genocídio tutsi, os corpos não normativos, os movimentos migratórios e a diáspora africana. Dos 14 espectáculos programados, escolhemos sete a não perder. São os destaques desta edição.

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O melhor do Alkantara Festival

  • Chiado/Cais do Sodré

O Alkantara Festival está de regresso à cidade e a noite de arranque faz-se na pista de dança. A 13 de Novembro, o espaço DISASTER acolhe a festa-performance oficial de abertura, concebida e conduzida pelo colectivo MeioFio. Sob a premissa de um ciclo que cruza criação e consumo, luz e corpo, o colectivo propõe uma imersão performativa que habita o intervalo entre a festa e a celebração ritualística. Inspirada na metamorfose da matéria e na dança como reacção primordial, a noite pretende transformar o espaço num ponto de encontro entre artistas, público e noctívagos. O evento destina-se a maiores de 18 anos e os bilhetes têm o valor único de 5€.

  • Dança
  • Belém

Dois homens abraçados, em constante espiral, desafiam a gravidade e a resistência física no Foyer do Grande Auditório do Centro Cultural de Belém (CCB) a 14 de Novembro. Integrado na programação do Alkantara Festival, Save the Last Dance for Me, criação de 20 minutos do coreógrafo italiano Alessandro Sciarroni, resgata a polka chinata, uma dança de cortejo popular bolonhesa do início do século XX, outrora praticada exclusivamente por homens, caracterizada por giros contínuos, flexões profundas e uma exigência física quase acrobática. Em cena, os bailarinos Gianmaria Borzillo e Giovanfrancesco Giannini executam uma coreografia fundada no equilíbrio, na confiança mútua e na transmissão viva de uma tradição que, quando Sciarroni a descobriu em 2018, contava com apenas cinco praticantes no mundo. O bilhete custa 7€.

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  • Santa Maria Maior

Ao fim de 29 anos de resistência e invenção no panorama das artes performativas nacionais, a estrutura Cão Solteiro despede-se dos palcos em colaboração com André Godinho. A celebração faz-se através de Menos, uma criação que cruza os limites entre o teatro, o cinema, com a realização de excertos de um filme, em tempo real, e a festa de encerramento. Criadores, intérpretes, técnicos e toda a equipa estarão transversalmente presentes no palco, num movimento contínuo que terminará com o esvaziamento total da cena. A música será assegurada por uma DJ.

> Praça Dom Pedro IV (Rossio). 13-15 Nov, Sex 21.00, Sáb 19.00, Dom 16.00. 18€

  • Avenida da Liberdade/Príncipe Real

Um ursinho de goma, um caracol e uma enguia encontram-se num pojangmacha, os tradicionais bares nocturnos de comida de rua da Coreia do Sul. É neste cenário insólito que se desenrola Haribo Kimchi, a mais recente criação do artista sul-coreano Jaha Koo, que chega ao TBA entre 13 e 15 de Novembro. Através de uma linguagem híbrida que alia música, vídeo e performers robóticos, o espectáculo utiliza a gastronomia como metáfora e refúgio para quem vive distante da sua terra natal. Ao longo de 70 minutos, a peça cruza a evolução da cultura do kimchi com relatos sobre a dor amarga do racismo, a vergonha dos processos de integração e a procura pela sensação umami do que significa estar em casa. Esta viagem entre a melancolia e o humor absurdo promete convocar todos os sentidos do público, acompanhada por cheiros intensos e som alto. A performance é apresentada em coreano e inglês, com legendas em português e inglês.

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  • Chiado

Nos dias 14 e 15 de Novembro, a Sala Polivalente do Museu Nacional de Arte Contemporânea (MNAC) acolhe a estreia nacional de Cinema Impero, uma criação da artista ítalo-eritreia Muna Mussie, integrada na programação do Alkantara Festival 2026. Com o nome a remeter para a icónica sala de cinema construída pelo regime fascista italiano em Asmara (Eritreia), em 1937, a performance de 20 minutos explora os meandros da propaganda e da dupla identidade cultural. Em cena, Mussie contrapõe imagens de arquivo do Instituto Luce com filmagens pessoais das suas viagens à Eritreia. O dispositivo sonoro cruza três camadas vocais: a descrição neutra de uma inteligência artificial, o relato intimista da própria artista e a apropriação gritada dos slogans de propaganda da época. A obra propõe uma reflexão sobre como o cinema e as imagens em movimento manipulam e reescrevem a memória colectiva. A performance desdobra-se em duas modalidades (sessões individuais e sessões em grupo), com vários horários disponíveis entre as 10.15 e as 17.15. O bilhete custa 5€.

  • São Sebastião

Três corpos, três territórios e um violoncelo encontram-se no palco do Centro de Arte Moderna (CAM) da Fundação Calouste Gulbenkian entre 14 e 16 de Novembro. A artista multidisciplinar Dorothée Munyaneza apresenta a estreia absoluta de Shikama, uma criação integrada na programação do Alkantara Festival 2026. O título deriva da palavra kinyarwanda Gushikama, que significa "criar raízes". Em cena, Munyaneza junta-se à bailarina e investigadora cultural Inés Sybille Vooduness e ao compositor e artista interdisciplinar Matthew Jamal. Através da improvisação contínua entre som, texto, canto e movimento, a peça aborda a ruptura como força dinâmica e questiona como é possível fixar pertença perante a instabilidade do mundo. A apresentação surge no âmbito do Prémio Salavisa European Dance Award. A sessão de 15 de Novembro conta com uma conversa pós-espectáculo com Dorothée Munyaneza e Aoaní (em inglês). Os bilhetes têm o valor único de 10€.

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  • Dança
  • São Sebastião

Inspirada na atmosfera ruidosa e viva do Mercado de Xiquelene, nos arredores de Maputo, a criação de dança Dzudza chega ao Grande Auditório da Fundação Calouste Gulbenkian a 17 de Novembro, às 21.00, em estreia nacional no âmbito do Alkantara Festival. Interpretada por 12 bailarinos, a peça desdobra-se através de uma fisicalidade intensa, cantos e passos rítmicos para reflectir sobre a resiliência, as fronteiras e a deslocação no mundo contemporâneo, utilizando a capulana, tecido tradicional associado à identidade e protecção, como elemento cénico e extensão do movimento. A apresentação insere-se no âmbito do Prémio Salavisa European Dance Award, cuja cerimónia de entrega decorre logo após o espectáculo, sendo complementada no dia seguinte, 18 de Novembro, por uma oficina gratuita ministrada pelo coreógrafo Idio Chichava no Espaço Alkantara. O espectáculo custa 15€.

  • Dança
  • Belém

Construído a partir das singularidades de cinco intérpretes do grupo Dançando com a Diferença – Bárbara Matos, Joana Caetano, Sara Rebolo, Sofia Marote e Telmo Ferreira –, o espectáculo Este Mundo, assinado pela coreógrafa marroquina Bouchra Ouizguen, sobe ao palco do Pequeno Auditório do Centro Cultural de Belém a 19 e 20 de Novembro, às 21.00, no âmbito do Alkantara Festival. A peça desdobra-se numa colagem de gestos quotidianos, memórias e acasos onde cabem sonoridades tão distintas como o fado, o som de sinos e os ritmos vibrantes de Bollywood, estabelecendo pontes entre a Madeira e Marrocos sem exigir que nenhum corpo perca a sua identidade para fazer parte do colectivo. As duas sessões têm a duração de uma hora, custam 15€ (com os descontos habituais) e contam com audiodescrição e acesso a pessoas com mobilidade reduzida.

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  • Dança
  • São Sebastião

Nascido de uma cumplicidade artística iniciada em 1999 após o contacto com a arte surrealista, o dueto Coisa-Ponta, das criadoras e intérpretes Ana Rita Teodoro e Márcia Lança, sobe ao palco da Sala Estúdio do CAM – Centro de Arte Moderna Gulbenkian de 21 a 23 de Novembro, no âmbito do Alkantara Festival. Ao longo de uma hora, a peça coloca o pensamento ético e estético das duas artistas em diálogo directo com estratégias de composição surrealistas, desactivando a acção consciente e cruzando matérias díspares para criar um espaço performativo onde a intuição e o não-sentido assumem o papel central num formato onde o público se pode deslocar livremente pelo espaço. Com bilhetes a 10€, a apresentação inclui livrete informativo em português e inglês e conta com sessão com audiodescrição no dia 22 de Novembro.

  • Dança
  • Avenida da Liberdade/Príncipe Real

Vestidos de roxo e movendo-se entre estruturas metálicas suspensas que ressoam em palco, os performers Inés Sybille Vooduness e Malvin Puerca de Goma apresentam Cadências crioulas, dez mil vezes desdobradas de 20 a 22 de Novembro, no TBA, no âmbito do Alkantara Festival. A peça cruza linguagens do kuduro, dancehall e denbow com elementos da cosmologia Vodou – evocando os gémeos Marassa como símbolos de dualidade e transformação –, construindo uma paisagem sonora e física onde a memória diaspórica, a cultura da internet e os gestos de arquivo se reconfiguram em movimento. O espectáculo tem a duração de uma hora, custa 12€ e é acompanhado pela oficina gratuita Corpo de inputs e outputs, orientada por Inés Sybille Vooduness a 25 de Novembro no Espaço Alkantara, mediante inscrição prévia.

Teatro em Lisboa

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