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Casa dos 24
©Time Out Casa dos 24

Na Casa dos 24, as primeiras assembleias municipais do Porto e de Lisboa

As antecessoras das Assembleias Municipais reuniam importantes representantes dos ofícios das cidades. E estão de volta.

Por Renata Lima Lobo
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É preciso recuar alguns séculos para encontrar a génese da primeira Casa dos 24 em Portugal. Segundo o Arquivo Municipal de Lisboa, foi uma ideia do Mestre de Avis (futuro D. João I, fundador de dinastia) para permitir que os artífices da cidade participassem no seu governo. Eram compostas por dois representantes de cada um dos ofícios da cidade, os tais "Vinte e Quatro", mas foram extintas em 1834, após a implementação do regime liberal em Portugal. As cidades do Porto e de Lisboa ainda guardam memórias desses tempos e as suas Casas dos 24 estão a regressar à vida das cidades, desta vez como pólos de história e cultura.

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Casa dos 24
Casa dos 24
©Time Out

Lisboa

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É na Rua da Fé, num edifício anexo à Igreja de São José dos Carpinteiros, que ainda mora a antiga Casa dos 24, fundada em 1383 e a primeira em Portugal. Inicialmente, as reuniões aconteciam na Igreja de São Domingos, junto ao Rossio, mas após o terramoto de 1755 foram transferidas para esta que foi a última morada.

Até há bem pouco tempo, a fachada degradada e a grande porta sempre fechada não despertavam grande curiosidade. Mas agora é possível visitar esta casa, graças a obras de reabilitação, na casa e na igreja, no âmbito de um protocolo assinado em 2017 entre a Câmara Municipal de Lisboa (CML) e a Irmandade de Ofícios da Antiga da Casa dos 24. Na verdade, a inauguração da exposição “O Mester da Paisagem”, dedicada ao arquitecto paisagista Gonçalo Ribeiro Telles, estava marcada para 19 de Março, mas a pandemia adiou os planos para 26 de Junho passado.


Além da exposição, aproveite para admirar os azulejos azuis em fundo branco ou um tecto com pintura ornamental, ambos do século XVIII e também mobiliário histórico. Como mesa onde se reuniam os 24 ofícios da cidade de Lisboa desde a sua fundação, um objecto que marca o voto e a participação do povo nas tomadas de decisão da cidade, inicialmente através dos ofícios. E foi nesta mesa sobrevivente ao terramoto que se decidiu, por exemplo, o apoio a D. João IV em 1640, o que levou o Alfaiate Feliciano a incitar o povo no apoio aos famosos Conjurados. Noutra sala encontra outra mesa, a dos exames dos ofícios, onde o mestre examinador daria o seu aval (ou não) ao aprendiz.

Casa dos 24 do Porto
Casa dos 24 do Porto
©Câmara Municipal do Porto

Porto

Em Fevereiro, a Câmara Municipal do Porto (CMP) anunciou um Museu da Cidade renovado, composto por 16 espaços museológicos, uns que se foram reabilitando, como o Museu Romântico, outros construídos de raiz, como o Museu do Vinho do Porto, na Ribeira. A expectativa é que tudo esteja a funcionar a 100% dentro de cerca de um ano (arrancou a 80%) e na lista de espaços que integram o Museu da Cidade está a Casa dos 24 da cidade Invicta.


As actividades do museu foram encerradas em Março, mas alguns núcleos do museu já reabriram a 1 de Junho. No entanto, a Casa dos 24 será das últimas estruturas a ficarem operacionais na nova fase do Museu da Cidade, como já tinha revelado Rui Moreira, em Fevereiro. A programação para os últimos meses do ano será anunciada em Setembro, por altura da Feira do Livro do Porto, com a abertura de novos espaços, mas ainda não vai incluir a Casa dos 24. Entretanto pode conhecer um bocadinho do passado desta casa que remonta a meados de 1450.

Foi mesmo no adro da Sé do Porto que então se ergueu uma torre com mais de 10 metros de altura, naquela que foi a primeira sede do poder municipal até ao século XVII. A má notícia é que a estrutura medieval ficou destruída após um incêndio em 1875. A boa notícia é que o edifício foi recuperado pelo arquitecto portuense Fernando Távora no ano 2000, preservando a memória e dando-lhe um cunho contemporâneo, do qual são exemplo os janelões que instalou no topo da estrutura. Entre as ruínas e nova construção, voltou-se a erguer a torre de 100 palmos, como descrevem antigos registos, a unidade de medida que o arquitecto usou para reerguer as paredes de pedra da antiga Casa dos 24.

No futuro, o espaço – que está despojado de objectos – vai receber um programa de “activação e intervenção sonora”, em colaboração com colectivos de músicos e artistas sonoros.

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