Paddy Cosgrave. "Quando visitei Lisboa, soube que tínhamos casa"

Dublin tornou-se pequena e Paddy trouxe a Web Summit para Lisboa. Falámos com o homem que nos pôs a falar ainda mais em startups e empreendedores

Stephen McCarthy / SPORTSFILE / Web SummitPaddy Cosgrave

Disseste há pouco tempo que a Web Summit nunca mais vai regressar a Dublin. É para ficar em Portugal?

Este é o nosso segundo ano em Lisboa e estamos ansiosos por proporcionar uma experiência excelente a todos os participantes. Para o ano, a Web Summit vai voltar a acontecer aqui, mas neste momento estamos mesmo é muito focados na edição deste ano.

Porquê Lisboa?

Passámos algum tempo a procurar um novo sítio na Europa. Quando visitei Lisboa e tive uma amostra do tempo, da gastronomia e das vistas, e – mais importante até –, quando conheci a comunidade tech e todo o movimento das startups, soube que tínhamos encontrado a nossa nova casa. Lisboa é cada vez mais um importante hub de tecnologia. Desde o sucesso da Web Summit 2016 que a paisagem tecnológica de Lisboa tem crescido. Este ano estamos à espera de mais de 1500 investidores de algumas das sociedades de capital de risco mais importantes do mundo, o que é uma grande oportunidade para mostrar a comunidade empresarial em crescimento de Lisboa e Portugal. Mas, Portugal sempre esteve envolvido na Web Summit. O vencedor do PITCH [a maior competição da Web Summit] em 2014 foi uma startup portuguesa, a Codacy.

Mas o que é Lisboa tem que Dublin não tem?

Sol! Estou a brincar, Dublin também tem bom tempo às vezes. Lisboa deu-nos a oportunidade de escala de uma forma que Dublin não podia dar, porque não temos nada como o Altice Arena [sim, o MEO Arena mudou de nome] e a FIL. Estamos à espera de 60 mil pessoas e Dublin não tem infraestruturas para receber um evento destes. Lisboa tem e isso atraiu-nos.

O que é que te surpreendeu em Lisboa?

Surpreendeu-me os irlandeses serem muito parecidos com os portugueses, somos ambos incrivelmente resilientes. Tanto Portugal como a Irlanda sofreram muito com a crise económica, ora com a fuga de pessoas altamente qualificadas que foram procurar emprego para outros lados, ora com as questões do Banco Central Europeu e do FMI. Insistimos, continuámos a trabalhar e quero pensar que demos a volta à situação e seguimos na direcção certa. As empresas de tecnologia olham para os nossos países e reconhecem o talento disponível, criando oportunidades de emprego e inovação.

Um ano depois, como olhas para a edição de 2016?

Sempre que fazemos uma Web Summit aprendemos. 2016 foi o ano em que levámos a Web Summit para fora da Irlanda e isso foi muito entusiasmante. Se tinha feito alguma coisa diferente? Sem dúvida. Estamos sempre à procura de formas de melhorarmos e parte disso acontece a ouvir o que os participantes têm a dizer. Analisamos as redes sociais, revemos as respostas dos participantes aos nossos inquéritos e falamos também com as pessoas. Estou confiante que este ano acertámos em tudo.

Que queixas receberam no ano passado?

Acho que num evento, quer seja para 50 pessoas ou 50 mil, haverá sempre coisas que podem ser melhoradas. Na Web Summit não é diferente. O aperfeiçoamento contínuo está no centro de tudo o que fazemos.

No ano passado houve algumas queixas com os transportes públicos. Vai ser melhor este ano?

O Altice Arena está bem servido pelo Metro de Lisboa, que é um sistema de transporte incrível e uma óptima forma de andar pela cidade. Continuamos a trabalhar com as autoridades portuguesas para garantir medidas adequadas durante a Web Summit. Tenho a certeza que vai ser melhor este ano.

Quais são as expectativas para este ano?

Quero que os participantes aproveitem a experiência. Este evento é uma oportunidade e uma plataforma para empresas e empreendedores levarem os seus negócios a outro nível – criámos um ambiente no qual as pessoas certas têm a oportunidade de conhecer as pessoas certas. Falo de programas como as Mentor Hours, onde pomos em contacto startups ainda no início com investidores, oradores e imprensa, ganhando assim visibilidade e conselhos que ajudam no crescimento do negócio, ou as Office Hours, onde combinamos reuniões entre startups e investidores. Em 2011, na Web Summit em Dublin, Shervin Pishevar conheceu Travis Kalanick durante uma noite de copos num pub. Pishevar investiu depois 26,5 milhões de dólares na startup de Kalanick. Era a Uber. Já na Web Summit de 2015, uma reunião entre dois oradores, dos quais um era o CEO do Tinder Sean Rad, levou ao negócio da aquisição da Humin por parte do Tinder. Estas são apenas duas histórias positivas da Web Summit. E são estas histórias e estes encontros que me deixam tão entusiasmado por dirigir o que muitos chamam de maior e mais importante mercado tecnológico.

O que é que destacas na edição deste ano? O que é que não podemos mesmo perder?

Com mais de mil oradores de topo e 25 conferências em nove palcos, há de facto sempre alguma coisa para toda a gente. Ora é o futuro do desporto ou da moda, ou a inteligência artificial ou o futuro do trabalho, carros que andam sozinhos, Trump ano sim, ano sim, política e tecnologia. Temos oradores como Al Gore, antigo vice-presidente dos EUA; Margrethe Vestager, comissária europeia da Competitividade; e António Guterres, secretário-geral das Nações Unidas. Além de membros do Parlamento Europeu, decisores políticos e líderes de algumas das maiores empresas de tecnologia do mundo.

Quantas vezes costumas vir a Lisboa?

Lisboa é uma cidade muito bonita e muito rica culturalmente. A Web Summit tem um escritório cá, visito a cidade regularmente, cerca de dez vezes, ou mais, por ano.

Já pensaste em mudar-te para cá, como fez Madonna?

O clima sem dúvida que me atrai, mas Dublin é casa, para mim e para a minha família.

Onde é que vais habitualmente quando está em Lisboa? O que recomendarias a um participante da Web Summit?

Sou grande fã do Time Out Market.Tem tudo o que faz de Lisboa uma grande cidade para a exploração gastronómica. É muito perto do nosso escritório. É um preferido dos nossos funcionários também.

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