Sete filmes sobre líderes políticos

Tanto político – como dizer? – esquisito por aí, a ser eleito com tantos votos, dá que pensar. Um pensamento que há muito tempo sensibiliza cineastas. Eis sete filmes sobre líderes políticos
Steven Spielberg movies, Lincoln
Lincoln
Por Rui Monteiro |
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Há os bons, os maus e os vilões nesta lista de sete filmes focados na vida política e pessoal de figuras históricas. Umas por boas, outras por más razões. Todas, porém, sinais de que a política sempre foi território aberto a, enfim, tudo. E isto ainda Donald Trump nem tinha sido eleito.

 

Quinta-feira estreia O Jovem Karl Marx, sobre o revolucionário ainda pouco explorado por Hollywood. Saiba tudo sobre o novo filme de Raoul Peck na revista que chega às bancas na próxima quarta-feira, dia 19. 

Sete filmes sobre líderes políticos

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Os Homens do Presidente (1976)

O filme de Alan J. Pakula (terceiro do que ficaria conhecido como a “trilogia da paranóia”, com Klute, de 1971, e A Última Testemunha, de 1974) é um exemplo da democracia em funcionamento. Levados por uma pista do que parecia apenas um roubo, dois repórteres do Washington Post, Carl Bernstein (Dustin Hoffman) e Bob Woodard (Robert Redford) e uma fonte (Garganta Funda, que, mais tarde se saberia ser um alto responsável do F.B.I.) descobrem e revelam uma maquinação da presidência de Richard Nixon contra o Partido Democrático. O resto é história, de certo modo completada, mais de três décadas depois, por Frost/ Nixon, o filme de Ron Howard sobre a histórica entrevista de David Frost ao antigo presidente norte-americano.

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Malcolm X (1992)

Nunca chegou ao poder, mas a sua influência no movimento pelos direitos cívicos dos negros nos Estados Unidos é por muitos historiadores considerada de tanta importância como a de Martin Luther King. O que, aliás, o filme de Spike Lee, respeitosamente, assinala, realçando o papel revolucionário de Malcolm X (interpretado por Denzel Washington), mas também a sua filosofia e as contradições da sua vida de dirigente e pastor da organização radical (e não poucas vezes racista) Nação do Islão, até a ideologia, a conversão ao Islão e a recusa da hipocrisia o tornarem pária e, finalmente, mártir do movimento cívico.

+ Os melhores filmes de Denzel Washington

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Elizabeth (1998)

Foi a rainha que devolveu a Inglaterra à glória e solidificou, quase sempre com chantagem e se necessário brutalidade, o Reino Unido. Criou um império. Fortaleceu a igreja alternativa ao Vaticano. Tornou a ilha numa potência. Esta foi a rainha Isabel I. A Elizabeth do filme de Shekhar Kapur (magnificamente interpretada por Cate Blanchett, vencedora quer do BAFTA quer do Globo de Ouro) vive no meio da complicada trama política que foi a sua vida, mas parece apenas preocupada em evitar um casamento de conveniência e viver o seu tórrido romance com Robert Dudley (Joseph Fiennes).

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A Queda (2004)

Entre os muitos filmes sobre a II Grande Guerra realizados de um e de outro lado das barricadas ao longo do tempo, é difícil encontrar um que viaje tão profundamente ao interior do desespero nazi, melhor, ao estado de espírito de Hitler e dos seus principais açougueiros fechados no bunker, onde, para evitar derrota e julgamento, se refugiaram primeiro para se suicidarem depois. Oliver Hirschbiegel, através da fantástica e quase comovente (embora uma pessoa não esqueça que ele encarna o Mal propriamente dito) interpretação de Bruno Ganz, traça um retrato de desespero e decadência que, ao contrário de humanizar, como a espaços parece, melhor revela a demência do ditador rejeitando os factos.

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A Rainha (2006)

De vez em quando os ingleses cogitam se vale a pena manter a monarquia (depois pensam no dinheirito que vem do turismo e assobiam para o lado). Este foi um desses momentos, quando perante a morte da princesa Diana, ex-mulher e mãe dos herdeiros do trono, a rainha Isabel II foi obrigada a renunciar à sua relutância pela antiga nora e surgir o mais pesarosa possível perante o povo, homenageando a mulher que tantas dores de cabeça deu à monarquia e com quem abertamente embirrava. Stephen Frears, com a preciosa colaboração de Helen Mirren (que, a bem dizer, ganhou todos os prémios de interpretação disponíveis) e Michael Sheen, a fazer de Tony Blair, então primeiro-ministro, reconstruiu essa crise política sem tomar partido, porém sem escamotear a manipulação política proporcionada pela morte de Diana Spencer e pelo seu funeral.

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O Último Rei da Escócia (2006)

No capítulo dos dirigentes mais transtornados pelo poder da história da humanidade, Idi Amin, antigo ditador e auto-proclamado imperador do Uganda, bate quase todos aos pontos, quanto mais não seja pela sua queda para refeições de carne humana. Forest Whitaker ganhou um Óscar (mais o Globo de Ouro e o BAFTA) à conta da sua radical interpretação deste psicopata (tão comparável a Hitler como a Hannibal Lecter) que o filme de Kevin Macdonald retrata através do olhar, primeiro fascinado, depois estupefacto e, finalmente, horrorizado do escocês Nicholas Garrigan (James McAvoy), que se tornou médico pessoal do tirano e seu principal confidente.

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Lincoln (2012)

O Presidente Abraham Lincoln é geralmente considerado do melhor que a América teve no poder. E a libertação dos escravos ou a vitória das forças progressistas do Norte contra os reaccionários do Sul na Guerra Civil Americana, sendo marcos basilares da sua presidência e da sua herança política, são apenas aspectos da sua política e da sua visão de uma América livre. Steven Spielberg não esconde a sua simpatia pela figura e Daniel Day-Lewis, como uma interpretação que lhe valeu o terceiro Óscar de Melhor Actor (depois de O Meu Pé Esquerdo e Haverá Sangue), faz jus a essa admiração criando uma personagem sensível e determinada vivendo circunstâncias extraordinárias e, no geral, saindo-se bem e com bem-estar acrescentado ao seu povo.

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