Páscoa, ou a paixão de Cristo em oito filmes

Uma coisa é certa: não faltam filmes sobre a Páscoa. Não sobre a festa propriamente dita, mas sobre os acontecimentos bíblicos que criaram este feriado cristão. Ou seja: o caminho de Jesus até à cruz

Photograph: Courtesy Universal PicturesJesus Cristo Superstar, de 1973

Há muitas maneiras de filmar a Páscoa. A principal, a praticada pela maioria dos cineastas, é seguir o roteiro imposto pelo Novo Testamento. E se a maioria é basicamente conservadora e respeitadora do cânone, também há excepções entre estes oito filmes. 

Páscoa, ou a paixão de Cristo em oito filmes

O Manto Sagrado (1953)

É o que dá apostar. Por exemplo, o tribuno romano Marcellus Gallio (Richard Burton, que foi nomeado para o Óscar), um dos soldados que conduziram a crucificação, ganhou à jogatina o manto que envolvia Jesus e desde então vive atormentado por pesadelos. Vai daí, neste filme respeitoso de Henry Koster (em que também participam Jean Simmons e Victor Mature), regressa à Palestina para aprender e tentar compreender tudo sobre o homem que conduziu à morte.

Barrabás (1961)

Abordagem diferente foi a do realizador Richard Fleischer, que escolheu contar a história de Barrabás, o criminoso indultado por Pôncio Pilatos, que, como se sabe, queria o auto-proclamado filho de Deus na cruz por motivos mais políticos do que religiosos. Barrabás (Anthony Quinn) viu-se livre da morte, é certo, mas o resto da sua vida torna-se um martírio permanentemente ensombrado pela imagem do crucificado que o substituiu.

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O Evangelho Segundo São Mateus (1964)

Como seria de esperar, não só são estranhos os caminhos do Senhor, como peculiar é esta abordagem de Pier Paolo Pasolini (que chegou a declarar-se simultaneamente comunista e católico) à vida de Cristo. Para contar a sua versão da história o realizador italiano agarrou-se ao Evangelho segundo São Mateus, ou melhor, à parte dele que mais convinha à narrativa que imaginou, e mostra Jesus como uma espécie de marxista primitivo lutando simbolicamente pelos direitos dos pobres.

 

 

A Maior História de Todos os Tempos (1965)

Muito respeitador das regras cinematográficas e das imposições dos financiadores, George Stevens não se meteu em ousadias, releituras, ou fosse o que fosse capaz de pôr em causa o objectivo do filme: espalhar a palavra de Jesus. No entanto, este respeitinho, mais o talento do realizador e a sua especial queda para dirigir actores, permitiram a Max von Sydow, no papel protagonista, a Charlton Heston (João Baptista), Telly Savalas (Pilatos), e também a Claude Rains (Rei Herodes) e Donand Pleasance (Diabo) grandes interpretações que são, aliás, a mais valia cinematográfica da película.

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Jesus Cristo Superstar (1973)

Como não há clássico em que Andrew Lloyd Webber e Tim Rice não tenham metido a colher e transformado em teatro musical e contas bancárias muito, mas muito multimilionárias, é perfeitamente compreensível que uma das suas primeiras “ousadias” seja a versão musical dos últimos seis dias de Jesus, contadas na perspectiva do traidor, Judas Iscariote. Primeiro como álbum conceptual, logo a seguir como peça em cena na Broadway durante mais de uma década, os compositores entregaram a versão cinematográfica de Jesus Cristo Superstar a Norman Jewison, os principais papéis a Ted Neeley e Carl Anderson, e, no processo, provocaram um pequeno escândalo entre os cristãos mais fundamentalistas, e incentivaram os mais progressistas a introduzir a música pop-rock nas missas como forma de atrair a juventude. Em última análise, se há responsáveis pelo rock cristão, eles são Lloyd Webber e Tim Rice.

A Última Tentação de Cristo (1988)

Por falar em provocação, Martin Scorsese, então já um realizador com o seu peso, aproveitou a iniciada com a publicação do romance de Nikos Kazantzakis, contou com as interpretações exemplares de Willem Daföe, Harvey Keitel e Barbara Hershey, e apresentou a vida de Jesus Cristo como uma vívida jornada de um homem através da vida lutando em permanência contra as tentações terrenas. Enfim, um homem com um dom, decerto, mas principalmente um homem capaz de pecar, mas, também, como foi o caso, capaz do sacrifício por um ideal. Blasfemo foi provavelmente o menos insultuoso que chamaram ao realizador de Taxi Driver.

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A Paixão de Cristo (2004)

Representando apenas as últimas 12 horas de vida de Cristo (aqui soberbamente interpretado por Jim Caviezel), Mel Gibson dirigiu um filme carregado de controvérsia, repleto de sangue, suor e lágrimas. Mas, também, um retrato realista do sofrimento e um estrondoso êxito comercial, apesar de falado exclusivamente em aramaico e latim e da sua extrema violência física e psicológica. Adoptado como uma espécie de manual pascal para devotos pela comunidade cristã norte-americana, A Paixão de Cristo, senão ultrapassou, está à beira de ultrapassar Os Dez Mandamentos como o filme bíblico mais visto de sempre.

Maria Madalena (2018)

Falamos menos de Jesus Cristo e mais do trajecto de uma das figuras mais enigmáticas e incompreendidas da história bíblica: Maria Madalena (Rooney Mara), a jovem pescadora que contraria todas as normas e pressões para se juntar ao pregador (Joaquin Phoenix) na sua incansável missão de propagar a fé. Um filme chegou há pouco às salas de cinema e é realizado por Garth Davis.

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Especial Páscoa

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Num brunch ou num almoço prolongado, aproveite o dia em família num destes restaurantes em Lisboa para o domingo de Páscoa. Há desde os menus tradicionais, com perna de borrego e cabrito assado, às reinterpretações.

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Sete ovos da Páscoa para oferecer

Ovos há muitos e na Páscoa todos os querem. A par das amêndoas (em todas as suas variantes, de amêndoa, artesanais ou de chocolate) e dos folares da Páscoa, oferecer ovos de chocolate é uma das tradições mais queridas da época pascal e que enche a mesa de família. Dá para esconder e fazer uma verdadeira caça ao tesouro ou lambuzar-se logo todo. Nós temos sete ovos da Páscoa para oferecer.

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