NOS Primavera Sound: dez concertos a não perder

O NOS Primavera Sound regressa ao Parque da Cidade, no Porto, para três dias de boa música, entre 7 e 9 de Junho

Foto: Cortesía Ceremonia.Tyler, The Creator

Tem sido assim nos últimos anos. Olhar para o calendário, com as datas do festival fechadas, e marcar dois dias de férias em Junho. É o NOS Primavera Sound, a desculpa perfeita para uma escapadinha no Porto e a razão porque muitos lisboetas já estão a fazer as malas. 

Faça todas as contas (não se esqueça que as sandes de pernil com queijo da serra da Casa Guedes merecem sempre uma parte considerável do seu orçamento), estude os horários e decida que concertos quer ver. Estas são as nossas escolhas, sem sobreposições, de Tyler, The Creator a Nick Cave and The Bad Seeds.

NOS Primavera Sound: dez concertos a não perder

Waxahatchee

Depois da separação dos P.S. Eliot, a saudosa banda indie-emo das gémeas Katie e Allison Crutchfield, Katie Crutchfield lançou-se a solo como Waxhatchee, cantora e compositora de indie-folk-punk com os nervos à flor da pele. E, com o passar do tempo, voltou a fazer do projecto uma banda. Out in the Storm, o mais recente álbum, saiu há menos de um ano e vai ocupar um lugar central no concerto do Primavera Sound.

Father John Misty

Father John Misty, que é como quem diz o cantor e compositor americano Josh Tillman, que é como quem diz o antigo baterista dos Fleet Foxes, tem mais um disco novo para mostrar ao povo indie. O sucessor de Pure Comedy (2107) chama-se God's Favorite Costumer e, sem surpresas, é mais um disco de indie-folk polivalente.

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Tyler, the Creator

Tyler, the Creator é rapper, produtor, estrela de TV, no fundo, um ser inconformado que se serve da ironia, da sua voz grave e de tudo quanto serve para construir uma linguagem rap ultra-actual e de qualidade ímpar. Wolf, editado em 2013, é um disco para ouvir até ao fim da vida, ainda que Bastard (2009), Goblin (2011), Cherry Bomb (2015) e Flower Boy (2017) também não sejam objectos de ignorar, nem nada que se pareça. Um dos fundadores dos Odd Future é garantia de bons momentos.

Ibeyi

As gémeas Lisa-Kaindé e Naomi Díaz fazem música sintonizada com o presente e respondem pelo nome Ibeyi. E são autoras de um dos melhores discos de 2017, Ash, onde a política, o feminismo e a luta anti-racista ganham corpo em canções entre a soul, jazz, música cubana e a tradição ioruba.

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The Breeders

As irmãs Kim e Kelley Deal reencontraram-se este ano com Josephine Wiggs e Jim Macpherson, o quarteto que assinalou o clássico Big Splash, em 1993, e o resultado foi documentado em All Nerve. As más notícias são que o disco de 2018 não se encontra à altura do que fizeram em 1993 e por cada canção em condições – por exemplo, “MetaGoth”, três minutos de pós-punk tenso e violento, com ruído e melodia nas doses e momentos certos – há duas que deviam ter sido mandadas para trás. Agora as boas notícias: ao vivo, as canções de Last Splash encontram-se em maioria.

Vince Staples

Cada vez que Vince Staples lança o dado o jogo muda. E, pelos vistos, sai sempre seis. Staples é hoje, efectivamente, um dos maiores peixes do mercado, e em Big Fish Theory (2017) tratou de comer todo o isco presente no oceano. Igual a dizer que todos os jovens actores do rap que se têm apropriado do trap e de instrumentais mais electrónicos e festivos deviam por os olhos e os ouvidos nele. E, de seguida, considerarem a reforma.

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Luís Severo

O artista anteriormente conhecido como Cão da Morte continua a crescer, a limpar o som, a caminhar rumo à pop e a uma maior aceitação comercial. Está cada vez mais longe do seu passado indie, no fundo. Não só nos discos que lança em seu nome como nas canções que escreve para outros. O mais recente compêndio de originais, homónimo, saiu no ano passado e é um bom exemplo disso, com as suas canções pop-rock enfeitadas, gravadas e pensadas para banda. Ainda assim, para quem tem saudades do som mais cru dos primeiros álbuns, perto do fim do ano lançou pianinho, gravado ao vivo e mais despojado.

Fever Ray

Falar em Fever Ray é falar em Karin Elisabeth Dreijer, metade do duo sueco The Knife. O primeiro álbum, homónimo, saiu e surpreendeu em 2009, e no ano passado regressou com Plunge, disco de uma pop electrónica labiríntica e estranha, aberta e desconcertamente sexual.

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Nick Cave and The Bad Seeds

Que nos perdoe a última banda da moda ou o fenómeno da semana na Internet, mas não hé melhor razão para meter os pés no NOS Primavera do que este homem. Nick Cave é um tesouro que só fica mais valioso com o passar dos anos. Desde de finais da década de 70, quando saiu da Austrália rodeado por The Birthbay Party e mostrou que o rock continuava vivo e arriscado, até ao presente, em que continua a trabalhar e a surpreender ao lado dos The Bad Seeds – ergueu um corpo de trabalho notável e precioso, que lhe garantiu um lugar nos livros bem junto de todos os maiores. E vê-lo, ouvi-lo, é sempre um prazer.

Arca

Cabe muita música nesta arca. Ou melhor, neste Arca. O venezuelano Alejandro Ghersi dá golpes valentes não só na normatividade sexual como na normatividade musical, gerando um universo muito próprio onde a música venezuelana bate de frente com pop electrónica (e não só) carnal e visceral, misteriosa e contundente.

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