[category]
[title]
O espaço nasceu com o objectivo de juntar as pessoas em torno da nutrição e longevidade, através da comida e de eventos culturais.

Jodie Stapleton estava a viver em Londres, onde trabalhava como consultora numa empresa de tecnologia, quando decidiu mudar de casa. Não quis mudar-se para outro quarteirão, nem para outra zona da cidade – Jodie quis mudar de país. De preferência para um lugar soalheiro, com um estilo de vida calmo e boa comida (entra aqui Portugal). A inglesa chegou durante a pandemia e, nos primeiros tempos, viveu em Lagos. Só depois é que rumou a norte e se estabeleceu em Lisboa. Foi aqui que o seu interesse por nutrição, bem-estar e pela busca da longevidade tomou forma e a levou a abrir as portas do Elevada. É espaço de coworking e café, procurando ser um ponto de encontro para todos aqueles que querem viver melhor.
Quando é que Jodie se começou a interessar sobre temas como o bem-estar e a longevidade? Desde sempre? Quase. “Há muito tempo. Foram, provavelmente, 20 anos de estudo nos meus tempos livres – podcasts, livros, cursos. Mas, para mim, não tem a ver com viver até aos 200 anos. Tem a ver com o facto de haver doenças que provocam sofrimento, não ter energia durante o dia ou então não nos sentirmos nós mesmos, que são coisas evitáveis ou que podemos gerir ou minimizar através da nutrição”, acredita a inglesa de 48 anos, que inaugurou o Elevada no passado mês de Maio.
Depois de cerca de um ano de obras de remodelação, abriu no número 25C da Rua José Estêvão, em Arroios, e divide-se em três vertentes: cowork, café e espaço de eventos pensados para juntar a comunidade em torno destas temáticas. Contudo, no início, Jodie não ambicionava tudo isto – na altura, o projecto envolvia smoothie bowls e pouco mais. Até que as primeiras ideias começaram a desenvolver-se e acabou por surgir este conceito final.
“Nós existimos para tornar a vida mais fácil e mais divertida para as pessoas ocupadas que se preocupam com a nutrição. É esse o nosso objectivo. Não quer dizer que esteja especificamente ligado a este espaço. O Elevada pode estar num centro comercial ou numa food truck, pode ser os eventos ou até informações na internet. Há diferentes maneiras de tornar mais fácil, conveniente e divertido encontrar as nossas preferências de dieta”, explica, mostrando-se aberta à expansão do projecto no futuro.
Mas antes disso, falemos no presente (e por partes). Para quem vem pelo coworking vai encontrar um espaço descontraído e funcional, com várias mesas e várias tomadas, pormenor que, segundo a proprietária, é muito apreciado pelos clientes. Ao fundo, há até duas mesas mais pequenas, na parede, concebidas para chamadas de trabalho. Há quem fique a trabalhar algumas horas ou então quem fique o dia inteiro – ambas são válidas.
Se é mais adepto da primeira opção, existe um pacote de 6€ que lhe dá acesso ao espaço por parte do dia e inclui livre utilização do bar de água e da máquina de café de filtro, bem como um café de especialidade, da portuguesa Torra Roasting & Coffee. Para ficar um dia inteiro, terá de pagar 22€, valor que lhe dá igual acesso ao bar de água e à máquina de café, mais um café de especialidade e um menu de almoço, que inclui uma bowl, um acompanhamento ou uma sobremesa, e bebida.
É aqui que entra a segunda parte do projecto – o café –, já que, para Jodie, esta está directamente ligada ao coworking. “Estou familiarizada com a necessidade de ter um espaço onde possa trabalhar e comer ao mesmo tempo, além dos desafios que isso traz, especialmente se estiver focada em certos objetivos de saúde ou se gostar de comer bem”, diz. Aqueles que não forem trabalhar podem comer na zona do lounge, com bancos corridos e pequenas mesas redondas junto à entrada, ou na esplanada.
A carta de comes e bebes, apresentada pelo chef João Pinto e por Rui Lacerda, adapta-se a vários tipos de dieta, seja vegana, vegetariana, plant-based, com baixo nível de carboidratos ou então hiperproteica. E não é por estas ou outras restrições que devemos assumir que nos serão apresentados pratos insípidos ou aborrecidos. Antes, Jodie acredita que “a comida tem de saber bem ao ponto de não sabermos que é saudável” e “tem de ser colorida e saborosa”, por isso importa usar ingredientes sazonais e locais e, quando possível, orgânicos, como é o caso da carne de vaca.
Um dos bestsellers é a Bowl in a Roll in a Bowl (8,50€), wraps em papel de arroz: a Sombrero leva feijão, abacate, tofu, cebola, alface crocante e tomate; a Agadir frango, quinoa, alface crocante, pasta de azeitonas e maçã verde; e a Cama leva camarão, cenoura, curgete, cogumelos, alface crocante e ceboleto. Os molhos incluem chimichurri, picante, pesto de abóbora ou soja e gengibre.
Existem também as bowls de ovo (10€), como a The Crossfit, com bife grelhado, bróculos carbonizados, húmus de couve flor, frutos secos e sementes, ou a Novo Hipster, com puré de ervilha e tomates assados, finalizado com uma mistura de sementes; as cold bowls (10€), que são saladas frias; e as bowls doces, como a de morangos assados, xarope de ácer, creme de abacate e manjericão com pistáchio (6€), ou a de brownie proteico de chocolate com avelãs (4,50€). Os batidos (6€) podem ser servidos num copo ou numa taça, dependendo se prefere bebê-los ou comê-los, com uma base de iogurte grego caseiro ou uma base de coco e proteína vegana. Os sabores vão dos frutos vermelhos e lima ao ananás, manga e pimenta-caiena.
E não nos podemos esquecer das entradas/acompanhamentos, que incluem azeitonas (2,50€), pão de massa-mãe fornecido pela doBeco (2,50€), batata doce assada com paprika e molho (3,50€), almôndegas em azeite de ervas (3,50€), ou húmus de couve flor com pedaços da mesma torrados (3,50€). No que toca às bebidas, tal como acontece com os pratos, a lista é longa. Há cocktails e mocktails, cerveja e cidra, kombucha, vinho natural e outras opções à base de café, entre elas café com gelo, cappuccino, latte e matcha. Alguns snacks portugueses também estão à venda, como os chocolates da Vinte Vinte e os frutos secos da Better With.
Falta só falar na terceira vertente do Elevada: os eventos e projectos comunitários. Além de conversas sobre nutrição, longevidade, gestão de stress ou práticas de sono, há todo um conjunto de actividades paralelas, como exposições de arte, workshops e “happy coworking hours”. A partir de 15 de Setembro, começam as sessões do clube de leitura e podcast do Elevada direcionado a todos os interessados nos temas relacionados com a saúde e, a partir de Novembro, vai existir uma espécie de supper-club, em que, todos os meses, um chef convidado toma conta da cozinha. É estar atento à página de Instagram para saber quando vão acontecer e como se pode inscrever.
E Jodie não se fica por aqui. “Começámos a abrir-nos ao mundo da arte e já tivemos eventos culturais sobre saúde – e vamos fazer muitos mais. Queremos chamar mais especialistas destes campos e ter, por exemplo, nutricionistas a vir cá falar sobre temas que interessam às pessoas. Somos um projecto comunitário e, por isso, haverá oportunidade para que as pessoas votem naquilo em que se interessam, para podermos direcionar melhor os eventos.”
Rua José Estêvão, 25C (Arroios). Seg-Sex 09.00-17.00
Viu que a emblemática Bica do Sapato, em Santa Apolónia, ganhou uma nova vida? Está em soft opening e promete muitas novidades para o futuro. Nas Amoreiras, abriu uma casa marroquina com o chef Hélder Martins ao leme da cozinha: o Arady. Já no Cais do Sodré, o Maída oferece uma viagem pelo Mediterrâneo com sabores libaneses, tradições e memórias.
Discover Time Out original video