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Três franceses entraram numa antiga loja de tatuagens, em Arroios, partiram tudo e criaram um espaço onde tanto se bebe um café ou um cocktail como se come uma tosta ou um brunch, se ouve música ou pratica yoga.

Arthur Roudillon chegou a Lisboa há três anos, para trabalhar remotamente para uma empresa francesa. Habituado à cidade frenética de Paris, vinha desejoso de descobrir uma cultura nova, mas o ritmo de trabalho não lhe deixou grande margem. "Odiei. Não vim para Lisboa para ficar em frente ao computador a semana inteira, sem aproveitar a vida e encontrar-me com pessoas", conta à Time Out.
Há muito que imaginava ter um espaço de comida e bebida onde pudesse organizar também eventos culturais e sentiu que estava na altura de dar o passo. Pediu então dicas a um amigo, Victor Accolas, que vivia na Austrália e trabalhava em restauração. "Perguntei-lhe se podia vir até cá para me ajudar em algumas coisas, para me orientar. Isto tudo por mensagem. No dia a seguir acordei e tinha umas 15 mensagens dele: 'Claro que posso ir, até posso ir viver para Lisboa, o meu pai até estava a pensar morar em Portugal'."
De repente, tudo se alinhou – até a forma como encontraram o espaço que agora é o Casa Casa, em Arroios. Arthur passava muitas vezes em frente àquilo que em tempos tinha sido uma loja de tatuagens e piercings. Nas suas pesquisas online, encontrou umas fotos que lhe pareciam familiares. Eram mesmo e, três dias depois, o contrato estava assinado. Arthur, Viktor e o pai fizeram todas as obras, incluindo o chão, os balcões e a iluminação.
"Na primeira semana não tínhamos mesas, só bancos, e eu ia comprando aos poucos no OLX. O menu também foi aumentando gradualmente." Inspirados na gastronomia asiática, criaram o Miso caramel latte (5€), que existe desde o início e é um dos mais pedidos. Pode ser frio ou quente, com café ou matcha. Os clássicos, como o Cappuccino (3,5€) ou o Americano (2,5€) também estão disponíveis, mas outro dos incontornáveis é o Coffee Cloud (5€), um café forte típico do Vietname com leite condensado de côco.
Arthur e Victor são amigos desde os tempos da escola e cresceram no mesmo bairro de Paris. O primeiro é manager de projetos, o segundo é formado em marketing digital, mas sempre tiveram outras ambições e uma paixão comum pela cultura asiática. Adoram o Japão, onde o irmão de Arthur vive há nove anos (o francês já lá foi seis vezes). Durante meio ano, Arthur morou no Vietname e foi aí que começou a sonhar com um futuro de empreendedor. "Na altura pensava mais numa discoteca, mas entretanto a idade mudou e por isso abrimos um café. No dia-a-dia é mais fácil, mas não quer dizer que não possamos fazer festas."
É isso mesmo que já acontece pontualmente – e as últimas melhorias feitas no local serviram para insonorizar parte da sala das traseiras. No horário mais tardio há cocktails, mas ainda não existe carta fixa. "As pessoas que vêm já sabem que temos um bom expresso martini, um negroni, mas temos de tratar disso...", admite Arthur num português perfeito.
Por cima fica uma mezzanine onde, no futuro, muita coisa pode acontecer. "Queremos ter um ou dois eventos por semana, seja de música ou exposições de pintura ou fotos, ateliers de cerâmica ou aulas de yoga." Por baixo, a sala é tranquila e há muitas pessoas instaladas em mesas individuais com o computador à frente. Este foi um espaço especialmente pensado para passar um bocado mais demorado na companhia de um Chai Latte (4,2€) ou de um Chia pudding (4,5€), com iogurte de coco, sementes de chia e compota caseira de morangos e hortelã.
Na sala da entrada, decorada com candeeiros brancos em forma de bola – e com espaço nas paredes para ilustrações e fotos irem tomando lugar à espera de um comprador –, estão proibidos os computadores, para que o ritmo seja mais fluido e as conversas possam acontecer sem medos. Para provar, também sem medos, há a Kimchi toast (9€), que leva couve fermentada, uma mistura de queijos, mel e salada, e bowls: de frango (11€), com vegetais, húmus, quinoa, guacamole e pickles; ou vegetariana (10€), com base de quinoa, vegetais, húmus, abacate, ovo cozido e pickles.
Às opções mais comuns foram-se juntando pequenos twists, como a cookie com alecrim (2,8€), uma receita que Arthur encontrou no Japão e foi aperfeiçoando. A porção é generosa, o chocolate é cremoso e o alecrim é o ingrediente que torna a bolacha diferente das mais comuns.
Além da carta habitual, ao fim de semana há a opção de brunch (20€), que inclui uma tosta doce ou salgada, bowl de frango ou vegetais; granola, pudim de chia ou um bolo; e, para beber, um americano, um cappuccino ou um matcha latte por mais 1€. Às mesas do interior juntam-se meia dúzia de lugares na esplanada que foi adicionada recentemente.
Quando Arthur deixou o emprego na startup francesa, fez um curso de cozinheiro, o que no início do Casa Casa o ajudou a focar-se nas receitas a desenvolver, enquanto Victor ficou responsável pela parte do bar. Da equipa fazem também parte Selin, responsável da cozinha, e Julia, barista.
O nome, conta, tem uma explicação simples. "Primeiro, queríamos um espaço onde as pessoas se sentissem em casa. Segundo, eu e o meu sócio gostamos muito de house music. Então, a junção 'casa casa' foi algo que nos soou bem." Todo o grafismo, desde o logo – cujo processo de criação está exposto numa das paredes da segunda sala – aos flyers afixados no local, passando pela carta, são da autoria de uma portuguesa, Lia Fernandes.
O bairro é, desde sempre, parte integrante do projeto. Arthur vive a cinco minutos de distância, na Penha de França, e quer incluir os vizinhos que tiverem algo para oferecer. "Se houver alguém que toque piano e queira dar uma aula, venha. Se alguém quiser ensinar cerâmica, temos espaço. A nossa ideia é promover eventos sobre as pessoas daqui." Quanto aos clientes, há de tudo. "Um terço são pessoas do bairro, um terço são expatriados e o último terço são turistas."
Para já, o Casa Casa está aberto todos os dias (excepto à segunda-feira) entre as 09.00 e as 17.00, mas o horário poderá vir a sofrer alterações. "Estamos a pensar em abrir, por exemplo, das 08.00 às 18.00 ou das 09.00 às 19.00 para podermos ter sempre, e não apenas de vez em quando, essa vibe de vinhos e bebidas ao fim do dia, mas ainda estamos a descobrir o nosso ritmo.”
Rua de Arroios, 14. Ter-Dom 09.00-17.00
O chef Pedro Pena Bastos concretiza o sonho de ter um restaurante "mais próximo" e português – sentámo-nos com ele à mesa do Broto. Já o grupo do Praia no Parque abriu um novo espaço na Linha: chama-se Bugio e tem uma carta inspirada no Mediterâneo. Mas há mais: a emblemática Bica do Sapato, em Santa Apolónia, ganhou uma nova vida. Está em soft opening e promete muitas novidades para o futuro.
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