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Há um novo oásis para fãs de chocolate em Lisboa. É tudo artesanal (e dá para levar para casa)

A Raro Cacau abriu na Avenida Guerra Junqueiro. Branco, negro, de maracujá, quente – aqui há chocolate para todos os gostos.

Raquel Dias da Silva
Escrito por
Raquel Dias da Silva
Jornalista, Time Out Lisboa
Raro Cacau
© Gritaria Studio | Raro Cacau, na Avenida Guerra Junqueiro
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Estamos na Guerra Junqueiro, à porta da Raro Cacau, a nova chocolataria da cidade. Cá fora chove torrencialmente, lá dentro duas amigas enfiam o nariz numa caneca de chocolate quente – não é pó dissolvido em leite, é chocolate a sério, espesso, cremoso e a fumegar. Atrás, vislumbramos uma vitrine de placas de chocolate vendidas a quilo, com avelãs, pistácios, favos de mel e outras combinações artesanais. São a prata da casa, como se costuma dizer. Mas não são as únicas iguarias à disposição. Há ainda cookies, cinnamon rolls e até gelados exclusivos, tudo feito na casa.

“A nossa matéria-prima é de altíssimo padrão, tudo o que a gente bota na cozinha”, assegura-nos a fundadora Inês Grossmann, uma engenheira química com talento para a confeitaria. Vinda do Brasil, onde se dedicou ao mundo da joalharia durante duas décadas, na companhia do marido, que continua a apoiá-la em todos os seus projectos, a carioca rende-se agora às “infinitas possibilidades” que o trabalho com chocolate lhe proporciona. “Agrada-me a precisão necessária, porque isso faz parte da minha formação”, confessa, antes de nos contar a razão para fazer nascer a Raro Cacau em Portugal.

Raro Cacau
© Gritaria Studio

“Nós costumávamos visitar Lisboa muitas vezes, porque a família do lado da minha mamãe é toda portuguesa e, depois do meu filho mais novo vir estudar para Lisboa em 2018, começámos a visitá-lo com regularidade e acabámos por ficar também”, conta. “Nessa altura, eu já estava pensando em empreender. Tinha estado parada durante meses, por conta de uma doença – foi muito grave, me paralisou –, então a confeitaria se revelou como que terapia. Quando fiz o primeiro curso de chocolate, eu fiquei encantada.”

Encontrar o lugar certo não foi fácil, embora depois tenha surgido como por “mágica”. Foi preciso fazer obras em todo o espaço, uma vez que havia “gordura por todo o lado”, mas valeu a pena. É Inês quem o diz, orgulhosa por ter conseguido tornar o seu sonho realidade. Na Raro Cacau, não há nada que não tenha sido pensado ao pormenor, desde a fachada com ar de confeitaria parisiense – o toldo verde-floresta com lettering a dourado – até à mobília e aos acabamentos, como a parede de cerâmica cor de chocolate. “Eu sou muito caprichosa, muito perfeccionista.”

Raro Cacau
© Gritaria Studio

A oferta, com produção diária, também é criteriosamente escolhida, claro. Até os gelados, produzidos fora da chocolataria, são feitos de forma artesanal, seguindo receitas exclusivas. “O best-seller é o que chamamos ‘morte por chocolate’”, revela Inês, entre risos. “Mas também temos doce de leite e tiramisu, por exemplo, além dos clássicos, como morango e outras frutas, como maracujá.” Uma bola custa 4,50€, duas 6,30€ e três 7,90€ – se os quiser levar para casa, há caixas de 500 ml (19€) e de 1000 ml (33,90€). O difícil é mesmo escolher, até porque basta um segundo de hesitação para os olhos se perderem pela secção de pastelaria.

Há brigadeiros à unidade (1,90€), cookies (3,90€-5,90€) de vários sabores – de red velvet a yuzu –, bolos frescos – como o de chocolate com calda de brigadeiro, uma bomba calórica que ninguém perde tempo a contar –, e cinnamon rolls doces e salgados (4,90€-5,90€), do mais tradicional ao mais arrojado. Para acompanhar, além do chocolate quente (5€), há várias opções de cafetaria (desde 1,50€), feitas com “um blend diferenciado, de Cuba”. “Queremos trabalhar só com o melhor que há.”

Raro Cacau
© Gritaria Studio

As estrelas da Raro Cacau são, contudo, as criações de Inês, trabalhadas com ingredientes premium e chocolate francês, o Valrhona. Os sabores, esses, costumam variar: esta confeiteira de mão cheia está sempre a experimentar. Cada 100 gramas varia entre 8,90€ e 9,90€. “As placas são vendidas a peso, então você pode pegar só um pedacinho para tomar um café, montar uma lata para levar de presente ou até comprar a placa inteira. A gente embala, até já vendemos para clientes que vão botar na mesa do Natal, para cada um tirar o que quiser”, partilha Inês. “É muito bacana.”

Não são um negócio “bean to bar”, uma vez que trabalham com chocolate produzido por outra marca, mas todas as combinações disponíveis são feitas no local. “Fazemos a temperagem, que dá muito trabalho, mas é muito importante para estabilizar os cristais [da manteiga de cacau] e podermos transformar na barra que queremos depois de o derretermos, e garantir que continua com todas as características de um bom chocolate – o não derreter nas mãos ou manchar, o manter a crocância –, mesmo depois de juntarmos outros ingredientes [como amêndoas, cereais ou batata frita]”, explica. “Tem de sair certinho, é um processo muito delicado.”

Raro Cacau
© Gritaria Studio

A ideia é ir visitando e deixar-se surpreender pelo que encontrar no dia, mas, se preferir fazer degustações em casa, não se preocupe. Nas prateleiras, dentro de embalagens pensadas para oferecer, encontra sacos de rochedos (12,50€), que são cereais ou amêndoas envoltos em diferentes tipos de chocolate, mas também barras de chocolate (8,90€), caixas de orangettes e gingembrettes (19€), e os já muito elogiados honeycombs (9,90€), favos de mel banhados em chocolate, que estalam à primeira dentada e são “um sucesso absoluto”. “É tudo entregue de forma a que, quando a pessoa abra, tenha logo a satisfação de abrir. Ainda antes de provar, sabe? Quando recebe um presente bonito?”

Se o espaço continuar a encher como aconteceu na inauguração, quem sabe se não abrem mais confeitarias pelo país. Por enquanto, estão especialmente ansiosos por tornar a esplanada mais resguardada, “com vidro a toda a volta, aquecimento e mantas”. “Achamos que o espaço é muito gostoso e queremos deixar a esplanada ainda mais agradável. Vai ficar super”, promete Inês, que também vai começar a aceitar encomendas “de alguns itens” e convida todos os fãs de chocolate a conhecer a Raro Cacau. “É possível degustar antes de comprar e não é algo que aconteça normalmente, porque o chocolate é caro e o valor está aumentando, mas esse é o nosso diferencial – e o nosso preço é um preço muito justo pelo que entregamos.”

Avenida Guerra Junqueiro, 12C (Alameda). Ter-Dom 10.00-20.00

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