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Marraquexe ou Lisboa? Agora, os sabores da Medina servem-se em Marvila

Muitos dos produtos são portugueses, mas a cozinha é fiel à tradição marroquina. O mítico Café des Épices ocupa um armazém inteiro. À mesa chegam iguarias como a tagine, a pastilla ou o zaalouk.

Mauro Gonçalves
Escrito por
Mauro Gonçalves
Editor Executivo, Time Out Lisboa
Café des Épices
DR
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Até agora, havia só um. O de Marraquexe e mais nenhum. Aberto há 20 anos, o Café des Épices é um dos terraços mais cobiçados da cidade, elevado sobre o vibrante mercado da Medina. E começou tudo com uma simples banca de especiarias, que evoluiu para se tornar num restaurante e que é hoje um grupo com vários outros espaços na cidade marroquina. Café des Épices só havia um. Este Verão, o fenómeno galgou fronteiras e abriu um segundo espaço em Lisboa. Sem terraço, souk, nem Medina, mas com os pratos que levam o palato para outras paragens.

Estamos num dos grandes armazéns do Poço do Bispo, no seguimento do 8 Marvila e da Taqueria Paloma. Por aqui, todos os espaços são amplos e de escala sobre-humana e este não é diferente. Ainda assim, houve um esforço para deixá-lo confortável e também para que não restassem dúvidas de qual o território que estamos a pisar: Marrocos. As paredes foram forradas com tapetes, os candeeiros de palhinha competem entre si por atenção e os almofadões de ráfia aquecem o ambiente.

Café des Épices
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Saiu tudo das mãos de artesãos marroquinos, garantem-nos. Enquanto isso, a cozinha fica entregue a Soumia, a cozinheira que voou até Lisboa para supervisionar o arranque da nova casa. É responsável pelo Café des Épices e por outros espaços do mesmo grupo, como o Le Jardin. A verdade é que se inspirou em ambos na hora de construir um menu para aquele que é o primeiro restaurante a abrir fora de Marraquexe. A cozinha de Soumia é uma "cozinha de amor", explica-nos um dos responsáveis pelo espaço. Um amor que se estende aos produtos locais, uma vez que toda a fruta, carne e vegetais usados no novo Café des Épices são portugueses.

Com um chá dá-se as boas-vindas e abre-se o apetite das visitas. Apetite para explorar o rol de entradas, que tendem a encher a mesa. É altura de reencontrar sabores já conhecidos, como o apetitoso húmus (8€) ou a sala fresca du jardin (10€), com quinoa, frango, abacate, tomate e pesto. Outros pequenos pratos, também servidos numa lógica de partilha, começam por intrigar. É o caso do zaalouk (9€), salada à base de beringela assada – pouco fotogénica, mas rica ao nível do sabor –, ou do briouat (12€), pequenos pastéis de queijo e ervas, feitos com massa fina, de forma muito semelhante à de uma pequena chamuça. São servidos em quantidade e com chutney de tomate a acompanhar.

Café des Épices
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Ainda agora abriu e o Café des Épices já promete serões animados por canções e danças tradicionais marroquinas. E não só. A agenda inclui também aulas de culinária, noites de couscous e vinho marroquino todas as sextas-feiras e ainda sessões de cinema. Pelo menos, espaço não falta (alerta, jantares de grupo), com uma lotação que varia entre as 80 e as 120 pessoas e que pode até chegar às 150, contando com lugares em pé. Aberto do almoço ao jantar, o restaurante não descuidou da carta de bebidas. Além de uma selecção de vinhos, maioritariamente portugueses, há também cocktails clássicos, todos eles adaptados para receber um novo ingrediente. As opções incluem uma margarita de bergamota, um Marrakesh Mule ou Sahari Spritz. Custam todos 15€.

O menu não é extenso, mas, chegados aos pratos principais, os sabores intensificam-se. A tagine é rainha e os ingredientes surpreendem ao levantar da tampa – a de carne de vaca (20€) é a estrela, com ameixas secas e sésamo, a de frango (18€) privilegia a companhia de azeitonas verdes, grandes e carnudas, e de limão confitado. Mas não são as únicas. A grande especialidade marroquina tem também uma versão de polvo (20€), de almôndegas (16€) e de shakshouka (14€). O mesmo acontece com o couscous, que pode ser servido em modo vegetariano (15€), com frango ou carne de vaca (20€). Guarde ainda espaço para a tradicional pastilla (12€), uma espécie de trouxa de massa fina e estaladiça, aqui com recheio de frango, amêndoas, açúcar e canela.

Café des Épices
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A mesma massa é transferida para a secção de sobremesas, onde nos deparamos com mais uma iguaria magrebina. A jawhara (7€) intercala camadas de massa com recheio de creme de pasteleiro. Quem preferir algo mais convencional pode sempre escolher um pudim de caramelo (7€), também ele cunhado pelo receituário marroquino com notas de flor de laranjeira. Um único ingrediente, subtil, mas o suficiente para ir ali ao Norte de África e voltar.

Praça David Leandro da Silva, 12 (Marvila). Qua-Dom 12.00-00.00

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