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No Senzi, o brunch cruza-se com a cultura do matcha

A prata da casa são as bebidas de autor, como cafés especiais e cocktails de matcha. A ideia é prová-las ao pequeno-almoço – sem computadores a estorvar.

Raquel Dias da Silva
Escrito por
Raquel Dias da Silva
Jornalista, Time Out Lisboa
Senzi
Rita Chantre | Senzi
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O nome não quer dizer nada. É apenas uma sensação, umas cócegas na língua: “sen-zi”, diz Anna Pirogov, co-fundadora deste novo espaço no Cais do Sodré. É um café para se estar, no verdadeiro sentido da palavra – a tecnologia deve ficar guardada no bolso ou na mala, aqui conversa-se, saboreia-se, observa-se. À mesa, só mesmo o matcha, servido simples ou em bebidas de autor, e a oferta de pequeno-almoço, que inclui desde ovos cozidos a baixa temperatura até papas de aveia com fruta fresca e cheesecake basco, um dos best-sellers da casa.

O Senzi é tudo com que Anna e o marido, Nikita, sonhavam. Desde que chegaram a Portugal, vindos de Yekaterinburg, na Rússia, que têm contribuído para a cultura do café em Lisboa: primeiro com o Bloom Coffee Room, que entretanto fechou portas, e depois com o The Folks e o Liberty. “Já não somos proprietários desses espaços, vendemos a nossa parte, mas foi assim que fomos acumulando experiência, contactos, pensando este novo projecto”, revela Anna. “Ao fim de sete anos, é a cereja no topo do bolo. É tudo o que queríamos.” A começar pela localização.

Num bairro activo como o Cais do Sodré, o Senzi convida a relaxar. A ideia é que não seja mais um espaço de brunch onde se faz co-work. Da decoração – minimalista, em tons pastel e com motivos naturais, incluindo nos azulejos vintage – à carta, que inclui várias opções veganas e à base de plantas, foi tudo pensado para “reduzir o ritmo”. “Os computadores são proibidos. Isso é trabalho, aqui não se trabalha”, reforça. “Quando estamos com a cara enfiada num ecrã, não somos sequer capazes de perceber o que estamos a beber e a comer. É triste termos um bom prato à nossa frente e não apreciarmos de facto os sabores, não os conseguirmos distinguir.”

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Rita Chantre

A prata da casa é o matcha, ingrediente extraído da planta Camellia Sinensis, a mesma espécie a partir da qual também se obtém o chá verde e o chá preto. Na verdade, o matcha, proveniente de pequenas quintas no Japão, resulta da moagem das folhas mais jovens do chá verde, que são cultivadas à sombra e, mais tarde, convertidas em pó – o grande benefício é ser rico em L-Teanina, um aminoácido não proteico que promove calma e foco. No Senzi, realizam-se provas e oficinas de matcha, onde se aprende sobre diferentes variedades e métodos de preparação. O conjunto de prova custa 8€ e inclui três shots de qualquer tipo de matcha, como o Kai, o Nishio e o Ikigai, mas o que tem mesmo feito sucesso são as bebidas de autor.

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Rita ChantreConjunto de prova de matcha

Além de cafés de assinatura, como o Mont Blanc (6€), um cold brew com creme de laranja e baunilha, há o que Anna chama de cocktails de matcha, como o vegano sakura matcha cloud latte (6,50€), com matcha Ikigai, chá de flor de cerejeira e doce natural de morango. É servido frio e “bebemo-lo” desde logo com os olhos. Quem o preparou foi o barista Reagan, que veio para Portugal fazer um mestrado em Desenvolvimento Internacional e acabou a especializar-se em café e matcha. “Temos esta máquina de fazer café absolutamente incrível. É a nossa besta”, brinca. “Permite-nos controlar tudo, basta fazer o setup com os grãos que queremos usar e temos até três receitas num único equipamento. É impressionante.”

Se preferir, também há café da Nomad, chocolate da Puchero, vinho natural e cerveja artesanal. É só escolher o que prefere para o seu brunch. Na cozinha, a oferta foca-se sobretudo em ovos, servidos das mais variadas maneiras. Em omelete com salmão e iogurte de harissa (14€), por exemplo, ou mal passados com húmus de pimento vermelho e almôndegas de frango (14€), acompanhados de pão ázimo integral com dukkah, uma mistura de especiarias, frutos secos e sementes. Também os há em tosta aberta ou mexidos, que também podem ser pedidos apenas como extra.

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Rita ChantreSakura matcha cloud latte

Para uma opção menos vista, Anna sugere as papas. Há de arroz com salmão (11€), com queijo creme cítrico, parmesão e nori, e quentes (10€), de aveia com coco, quinoa, chia, manga, doce de mirtilo e cobertura crocante de coco com caju e sementes de abóbora. Mas “têm de guardar um espacinho para a sobremesa”, diz-nos. O best-seller é o cheesecake basco (8€), para os quais até já mandaram fazer uma caixa de take-away. Há também arroz-doce com manga (8€), bola de cacau e sésamo preto (2,50€) e bola de matcha, amêndoa e coco (2,50€) – estas duas últimas opções são perfeitas para se quiser só um docinho a acompanhar o seu café.

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Rita Chantre

Já no menu de almoço, servido apenas entre as 12.00 e as 16.30, encontra desde um hambúrguer gourmet (14€) a uma sopa de caril verde com tofu (10€), para acompanhar com bebidas sazonais (6€), como o latte de matcha Hojicha com miso e sésamo. Depois, na hora de se ir embora, e a equipa do Senzi espera que a experiência seja tão agradável que queira adiar esse momento o mais possível, é possível comprar lotes da Nomad, para fazer os seus próprios cafés e cocktails no conforto de sua casa. Na verdade, também já pode mandar vir tudo o resto através de Uber Eats e Glovo. “Esperamos ajudar as pessoas a parar, e claro que queremos que venham cá, é para isso também que estamos a trabalhar na nossa agenda de workshops.”

Rua da Moeda, 12 (Santos). Seg-Sex 08.00-17.00, Sáb-Dom 09.00-17.00

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O Rubro está a organizar Jornadas Gastronómicas de Valência em Lisboa, e no La Repubblica 29 o forno trabalha durante todo o dia – tem tudo o que um italiano deve ter: pizzas, massas, risottos e lambrusco, claro. Já o Pub Lisboeta foi invadido pelas Pachecas e agora, além de cocktails, tem produtos de mercearia e uma nova carta.

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