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Ao fim de 27 anos a servir a melhor comida cantonesa da Linha, o Mandarim abriu um segundo restaurante, dentro do Casino Lisboa. A carta inclui alguns dim sum clássicos, sopas, mariscos e especialidades de barbecue chinês.

Mais do que um mero restaurante de comida chinesa, o Estoril Mandarim, no Casino Estoril, é uma instituição. Abriu portas em 1998 e ganhou fama pelo atendimento – cerimonial q.b. –, pelo ambiente selecto e a puxar por elementos culturais chineses, mas sobretudo pela comida, em particular o menu com proporções quase enciclopédicas onde se inclui uma selecção de dim sum, que ainda hoje continua a estar disponível apenas aos almoços.
Para um estabelecimento onde a consistência e o ritual sempre se sobrepuseram à mudança e à inovação, os últimos tempos têm sido de alguma agitação. Primeiro, com a chegada de um novo chef, e agora com a abertura de um segundo espaço. O LX Mandarim abriu ao público na passada sexta-feira, 5 de Setembro, dentro do Casino Lisboa, e abre apenas à hora de jantar. À hora de jantar, como quem diz – aqui tem lugar à mesa até às duas da manhã.
É preciso passar pelo átrio central, frequentemente palco de espectáculos gratuitos, e subir as escadas para chegar ao novo restaurante. A decoração diz-nos duas coisas – o Mandarim mais novo esforçou-se para ser um espaço confortável e deixar para trás o estereótipo criado em torno do dos restaurantes chineses, onde habitualmente predominam cores como o vermelho, o preto e o dourado. Aqui, há uma sobriedade serena, mantida à custa de azuis, beges e cinzas.
No centro, está uma grande mesa redonda em pedra. Tem lugar para, pelo menos, 14 pessoas e pode perfeitamente ficar isolada do resto da sala, através de um sistema de calhas e painéis de tecido, que deslizam ao sabor do desejo de privacidade de cada um. Os candeeiros foram desenhados especialmente para este espaço e evocam as tradicionais lanternas de papel chinesas, mas são brancos, a apontar para uma nova leveza.
Criado o ambiente, é a carta que fala mais alto – uma verdadeira montra de pratos cantoneses, que combina clássicos que, há anos, fidelizam clientes no Estoril com novas receitas pensadas por Ku Yan, o recém-empossado chef executivo, de origem malaia. Começou a carreira em Kuala Lumpur, onde se aproximou da culinária de Cantão. A partir daí, começou a expandir o receituário a todo o Sudeste Asiático, à medida que a profissão o levou para outras geografias. Dubai, Suíça, Austrália, Alemanha e, por fim, Portugal, onde se fixou há seis anos. Agarrar na cozinha do Mandarim é, por isso, reencontrar uma velha conhecida: a cozinha cantonesa.
"Tem sido muito diferente de país para país. Há sítios onde as pessoas preferem a comida mais adocicada, outros onde preferem mais picante. Mas a base da cozinha cantonesa mantém-se a mesma. Há alguns pratos que posso modernizar para cada mercado, mas faço questão de que a maioria permaneça autêntica", refere o chef, em véspera de abrir o novo restaurante ao público.
De repente, Ku Yan tem dois restaurantes (e duas equipas) para comandar. Cerca de metade dos pratos na carta do LX Mandarim transitam do Estoril. A outra metade, são novas receitas, pensadas para proporcionar outro tipo de experiência. "No restaurante do Estoril, as pessoas sentam-se à mesa para desfrutar de um chá ou de um copo de vinho e pedem dim sum para passarem ali duas ou três horas. Aqui, achamos que as pessoas vão querer uma experiência mais rápida. Vão pedir uma sopa de noodles e um dim sum e não vão querer passar muito tempo à mesa. Vão estar com um pouco mais de pressa, no fundo", antecipa o chef.
As sopas de noodles (15€), ou massas ensopadas, segundo reza o menu, – nas versões com carne de vaca, porco, marisco picante e wonton de camarão são novas entradas. O dim sum também têm uma secção própria, embora incomparável ao rol de opções de quem almoça no Estoril. Há fritos, como o trio de bolinhos de carne de porco e camarão seco (8€), e ao vapor, caso do Xiu Long Bao (12€), ou bolinhos de porco, servidos com caldo e em doses de quatro.
Os peixes e mariscos são mais um ponto de honra para o chef malaio de 39 anos. Os filetes de robalo crocante com vinagre balsâmico (30€) são um dos seus pratos favoritos da carta. A lagosta surge em três pratos estrela – salteada com queijo e manteiga, frita com pão ralado, alho e pimenta ou salteada com gengibre e cebolinho. O preço é sempre o mesmo – 150€/Kq.
Num restaurante preparado para refeições mais curtas, há excepções. O Pato à Pequim (75€) não é um simples jantar, é um ritual completo, composto por dois momentos. O primeiro chega à mesa na forma que todos temos na memória. As lascas de carne, devidamente acompanhadas de panquecas, pepino, alho francês e molho. A segunda parte da experiência é à escolha do freguês: a restante carne pode ser servida picada, com folhas de alface, cebola e pinhões, ou na forma de uma sopa de pato, com molho de mostarda e tofu.
Se há prato (e pato) que tem condições para demorar é este, mas lembre-se: o LX Mandarim abre ao final da tarde e só fecha às duas e meia da manhã. Para acompanhar? Espreite a carta de vinhos ou vá antes pela dos cocktails, onde vai encontrar alguns clássicos. Se for pelo chef, nem uma coisa nem outra. Ku Yan não hesita: as especialidades da cozinha cantonesa acompanham-se com chá.
Alameda dos Oceanos, 45 (Parque das Nações). Seg-Dom 19.00-02.30 (a partir das 22.00, a entrada no casino é reservada a maiores de 14 anos, ou a maiores de 10 anos, se acompanhados pelos pais)
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