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O Pátio das Antigas: Star, o cinema das cadeiras como nuvens

Inaugurado em 1975 na Avenida Guerra Junqueiro ao custo de 18 mil contos, o Star tinha as cadeiras mais confortáveis de todos os cinemas de Lisboa, e acolheu êxitos como ‘Uns e os Outros’, de Claude Lelouch. Encerrou em 1992.

Escrito por
Eurico de Barros
Star
DR | Star
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“É como se estivéssemos sentados numa nuvem”, dizia um espectador do Cinema Star sobre as suas cadeiras a um jornalista de um vespertino no dia da inauguração da sala, que ficava na Avenida Guerra Junqueiro e abriu em 1975 com O Gato, o Medo, o Rato e o Amor, de Claude Lelouch. O qual, alguns anos depois, em 1981, daria ao Star o seu maior sucesso de bilheteira, Uns e os Outros, que ali ficaria em cartaz muitos meses a fio. Mas, além de privilegiar o cinema francês, o Star ficaria também conhecido pelo invulgar conforto das cadeiras, verdadeiras poltronas, que se tornaram na sua imagem de marca. 

Os 18 mil contos que custou foram alvo de muitos comentários, porque Portugal vivia então em pleno as convulsões do PREC, e um investimento desta monta ia a contraciclo do clima económico do país. Da decoração e da comodidade à qualidade da projecção, o dinheiro ali empregue estava bem visível, e ajudado por uma programação cuidadosa, o Star encontrou logo o seu público e singrou. Mesmo que alguns lhe chamassem “o cinema das tias”, devido à zona em que estava localizado e ao tipo de filmes que exibia, ao gosto da chamada classe média. Fechou em 1992, vítima, tal como muitas outras salas lisboetas, dos multiplexes, do home video e das pressões imobiliárias. Hoje, está lá uma loja de vestuário. Mas quem frequentou o Star nunca mais se esqueceu das suas magníficas cadeiras.

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