[category]
[title]
Se costuma montar o escritório no café, prepare-se: pode ter de pagar uma “taxa do computador”. A ideia é de uma startup portuguesa e há estabelecimentos a aderir.

Lisboa tornou-se um dos destinos preferidos de trabalhadores remotos e nómadas digitais, mas há quem ocupe mesas durante horas sem pedir mais do que um café ou um copo de água. Para resolver o que consideram um problema, e contrariar a recente onda de políticas que proíbem o uso de computadores em cafés, Charles Whitmee e Benjamin Costello lançaram a DeskAmigo. A ideia é transformar mesas vazias em rendimento extra. Os espaços definem quantas mesas disponibilizam e o preço por hora, os utilizadores reservam e pagam online, garantindo um lugar confortável e diferente para trabalhar. Mas se era daquelas pessoas que, enquanto tomava o pequeno-almoço no café do bairro, aproveitava para responder a e-mails ou terminar a tarefa do dia anterior, talvez não ache muita graça à novidade.
“Os espaços que aderem são sobretudo aqueles que enfrentam dificuldades com a elevada taxa de ocupação sem consumo. Obviamente não vão obrigar ninguém a fazer o que não quer, mas vão dar a conhecer a nossa plataforma e explicar que, a partir de agora, funcionará com reserva. Cabe ao cliente respeitar a política”, explica Generoso Francisco. O responsável pela comunicação da startup, que está integrada na Unicorn Factory Lisboa, abraçou o projecto em Dezembro, quando era apenas um conceito. Dez meses depois, a primeira versão da plataforma ficou disponível online e como aplicação na Apple Store e no Google Play. A ideia surgiu no Reino Unido, no pós-pandemia, quando o trabalho remoto e os formatos híbridos começaram a ser mais procurados.
“O nosso público-alvo é o nómada digital que já paga espaços de co-working e que poderá encontrar, através da nossa plataforma, alternativas mais acessíveis. Pessoas que frequentam cafés e outros estabelecimentos do sector da restauração, mas que ficam lá horas e horas sem consumir nada. Queremos ajudar os espaços a rentabilizar o máximo com esta demanda”, reforça Generoso, que acredita na capacidade da DeskAmigo para “renovar a hospitalidade”. “Tencionamos fazer o que a Airbnb fez com o short-term rental, mas para espaços de trabalho.” Uma analogia que, dependendo do ponto de vista, tanto promete como inquieta – afinal, também a Airbnb começou como uma forma de rentabilizar o espaço doméstico e acabou por transformar profundamente o mercado imobiliário.
Em Lisboa, a DeskAmigo já conta com mais de dez parceiros, desde a Elevada, que já nasceu com a vertente de co-working, até à Bake Bros, que até agora era apenas um bom sítio para comer cookies. “Há clientes que se queixam que, em Lisboa, há muitos cafés que não os deixam sequer sentar ao computador. Claro que tem de haver consumo, mas assim pagam à hora e nós oferecemos um café e uma água à chegada. Achamos que é uma ideia inteligente e inovadora, e pensámos que faria sentido fazer parte”, diz-nos o proprietário da Bake Bros, Francisco Ruah. O espaço, no número 53B da Avenida Casal Ribeiro, disponibiliza wi-fi, tomadas eléctricas e até um espacinho para animais de companhia, que também são bem-vindos, mas agora cobra 4€ à hora a quem lá quiser trabalhar – a esse valor acresce uma taxa de 10% da plataforma de reservas.
Para Catarina Pinto Coelho, directora-geral do Mama Shelter, a solução apresentada pela DeskAmigo também faz todo o sentido. “Já temos ofertas para grupos e empresas, com espaços dedicados a reuniões e eventos corporativos, e acreditamos em abrir o nosso espaço à comunidade local, a quem trabalha remotamente e procura um espaço de co-working em Lisboa ou simplesmente um café-restaurante com wi-fi. A DeskAmigo vai permitir dar mais visibilidade ao nosso espaço como um lugar onde se pode não só comer e beber bem, mas também trabalhar num ambiente criativo e acolhedor”, explica, referindo ainda que oferecem duas opções: dia inteiro (26€), que inclui pequeno-almoço e almoço, ou apenas a opção de almoço (16€), com menu do dia, três cafés e acesso ao espaço.
Aos estabelecimentos, a DeskAmigo não exige qualquer comissão e dá autonomia para que cada um possa definir quer o preço das reservas – neste momento, a média é de 3€ à hora – quer vantagens para os clientes, como as bebidas oferecidas à chegada e descontos adicionais. “Claro que vai haver pessoas que vão achar um bocadinho, não quero dizer injusto, mas vai haver pessoas que, obviamente, não vão ficar muito agradadas. Sinceramente não estamos muito preocupados, porque o nosso produto foi criado para ajudar os estabelecimentos”, remata Generoso, que prefere sublinhar o reconhecimento mais recente: a selecção da DeskAmigo para o programa ALPHA da Web Summit 2025, “que destaca as startups mais promissoras em fase inicial a nível mundial”.
🏃 O último é um ovo podre: cruze a meta no Facebook, Instagram e Whatsapp
Discover Time Out original video