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Quem são e o que querem os candidatos à presidência das maiores freguesias de Lisboa?

As freguesias do Lumiar, Marvila, Benfica, São Domingos de Benfica, Alvalade e Arroios são as mais populosas da cidade, somando quase 40% da população. Fomos ver o que prometem os candidatos para as melhorar.

Rute Barbedo
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Rute Barbedo
Jornalista
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Lumiar 

Ricardo Mexia (Por Ti, Lisboa – PSD)

Carlos Moedas volta a apostar em Ricardo Mexia para o Lumiar. Epidemiologista e professor, vive na freguesia que liderou nos últimos quatro anos. “Apesar de tudo o que já fizemos, sei que ainda não estamos bem em várias áreas”, admite, num comunicado aos fregueses. Já vitórias, apresenta duas: “Comprometemo-nos a reverter as decisões de construção do Parque de Rebocados da EMEL e da Sala de Consumo Assistido e cumprimos”, pode ler-se na página da Junta de Freguesia. “A sala de consumo assistido não será construída e no lugar do parque de rebocados irão nascer equipamentos para as pessoas, escolhidos também pelas próprias através de um processo de consulta pública.” Para o futuro, Mexia promete uma freguesia em que as decisões partem de processos participativos e uma melhoria da limpeza do espaço urbano, área em que a freguesia diz ter reforçado recursos, mas sobre a qual assenta grande parte das queixas dos residentes. Das medidas mais recentes destaca-se esta, divulgada em Outubro pelo Correio da Manhã, dando conta de que o presidente terá tornado o estacionamento exclusivo a residentes numa rua próxima do Estádio José Alvalade com base em queixas que não existiam. "Essa exclusividade foi solicitada, segundo a Emel, pelo próprio autarca, supostamente devido à dificuldade de estacionamento em dias de jogos do Sporting Clube de Portugal. Contudo, a exclusividade a residentes só é válida nos dias úteis, quando a maioria dos jogos decorre ao fim-de-semana", escreveu o mesmo jornal.

Rua Maria Alice, Alta de Lisboa
António Azevedo, GebalisRua Maria Alice, Alta de Lisboa

João Tito Basto (Viver Lisboa – PS)

Mudou-se do Rato para o Lumiar há mais de 15 anos, onde criou a ARAL – Associação de Residentes do Alto Lumiar, com o colega José Almeida, agora candidato pelo Volt à mesma freguesia e à Câmara Municipal (já lá vamos). “O objectivo imediato passava por conseguir um maior envolvimento das pessoas na vida do bairro”, sobretudo através das crianças e jovens, como contou ao Público em 2023. “O Lumiar precisa de espaços públicos tratados, mais justiça social e uma comunidade que cuida de todos. É esse o compromisso do João Tito Bastos”, assegura agora a cabeça-de-lista da coligação Viver Lisboa, Alexandra Leitão. Tito Basto também faz parte da Associação CLIP – Recursos e Desenvolvimento, fundada em 2012 com o objectivo de diferentes associações trabalharem em articulação com vista a potenciarem recursos e fazerem, ao mesmo tempo, um melhor trabalho junto da comunidade. Nestas eleições, defende que, tendo em conta a dimensão da freguesia (46 mil habitantes), o presidente da Junta do Lumiar deve trabalhar em exclusivo para o organismo, ao contrário do que tem acontecido nos últimos anos.

Ana Paula Amaro (CDU)

Vem das matemáticas, tem 54 anos e é coordenadora técnica de estudos de mercado. Talvez mais relevante será o facto de pertencer à direcção da ART – Associação de Residentes de Telheiras, fundada em 1988 para melhorar a qualidade de vida no território através da organização de fóruns, aulas de andebol, jogos da malha ou de um grupo de teatro, entre outras actividades. Do rol de propostas para o Lumiar fazem parte uma limpeza mais eficaz, lutar pela reflorestação da zona do Vale do Forno, criar mais áreas verdes e parques caninos, exigir a construção de uma estação de metro no Alto do Lumiar, eliminar barreiras arquitectónicas em espaços pedonais, bem como reivindicar a reabilitação de edifícios e fogos municipais devolutos.

José Almeida (Volt)

Os cabeças-de-lista do Volt para o Lumiar, de visita à Associação de Residentes de Telheiras
DROs cabeças-de-lista do Volt para o Lumiar, de visita à Associação de Residentes de Telheiras

Encabeçada por José Almeida (que também se candidata à presidência da Câmara de Lisboa), na companhia de Cecília Briz, a candidatura do Volt à freguesia do Lumiar apresenta propostas para um território “mais verde, saudável e participativo, com espaços públicos cuidados, transportes públicos mais acessíveis, apoio reforçado às famílias e aos seniores, e uma rede local mais forte que valorize o comércio, a cultura e a sustentabilidade da freguesia”. O candidato foi um dos fundadores do Volt Portugal e é presidente da Associação de Residentes do Alto do Lumiar, da Casa da Europa do Distrito de Lisboa e da associação CLIP Recursos e Desenvolvimento. Lidera também a Rede DLBC de Lisboa, defendendo os bairros mais carenciados da cidade. Nasceu e vive na freguesia. 

João Condesso (Chega)

É assessor financeiro do partido e membro eleito da assembleia de freguesia do Lumiar. “Tornar o Lumiar limpo, seguro e com uma gestão transparente” são as prioridades elencadas por Condesso, não fugindo aos temas mais verbalizados pelo Chega, como a criminalidade e a corrupção. O alegado crescimento no número de crimes no Lumiar e o aparecimento de sem-abrigo na freguesia são as suas principais preocupações.

Maria Firmino Antunes (Nova Direita)

Maria de Fátima Firmino Antunes tem 48 anos e dois filhos. Licenciada em Ciências da Comunicação, voltou-se há cerca de 20 anos para o sector audiovisual e multimédia. Integrou a candidatura “Somos Todos Lisboa”, nas eleições autárquicas de 2021, para a Câmara Municipal de Lisboa, e foi cabeça de lista do partido Nova Direita (ND) pelo círculo de Faro nas últimas legislativas. Agora, candidata-se pelo mesmo partido ao Lumiar, sob a luz da candidatura da cantora Adelaide Ferreira à Câmara de Lisboa.

Marvila 

João Marrana (Por Ti, Lisboa – CDS)

Fazer de Marvila “uma freguesia 100% acessível até 2030”, criar um Centro Cultural e salas de estudo para todos são três das propostas do candidato. “Marvila é a freguesia de Lisboa que tem a maior taxa de analfabetismo, uma das mais altas de todo o país, e a que tem maior taxa de desemprego da cidade. É a freguesia de Lisboa que tem os profissionais menos qualificados”, acrescentou. Promete, ainda, reivindicar o Palácio da Mitra, para aí se instalar o Museu da História e da Memória de Marvila. Foi assessor em várias vereações da CML e em 2012 integrou a Santa Casa da Misericórdia de Lisboa (SCML), para coordenar o Intergerações, um programa de diagnóstico da realidade social dos idosos em isolamento social na cidade. Entre 2017 e 2020, foi assessor da administração da SCML. Foi, ainda, vice-presidente do conselho de administração da Fundação do Desporto.

José António Videira (Viver Lisboa – PS)

É uma cara conhecida da vida autárquica lisboeta. Licenciado em Direito, foi assessor na Câmara Municipal de Lisboa (na presidência de João Soares) nos pelouros do trânsito e infra-estruturas viárias entre 1997 e 2001 e no pelouro do desporto em 2009. Entre 2007 e 2009 passou pelo Departamento dos Espaços Verdes como jurista e também chegou a liderar a Junta da Freguesia da Ajuda. Esteve ainda seis anos n’Os Belenenses, como vice-presidente da Assembleia Geral. Presidente da Junta de Freguesia de Marvila desde 2017, quer renovar os votos. Em Janeiro deste ano, foi condenado por prevaricação, mas no Verão o Tribunal da Relação de Lisboa veio anular a sentença. Propostas concretas: instalar na Mansão de Marvila, abandonada, a nova esquadra de Marvila e os serviços sociais da PSP e pressionar a Gebalis a garantir o funcionamento de equipamentos como elevadores nos edifícios municípios. 

Bairro dos Lóios, Chelas
Hoopers/MalaguetaBairro dos Lóios, Chelas

Luís Mendes (Partido Reagir, Incluir e Reciclar – R.I.R.)

Apresentando-se como "um alfacinha de gema", Luís Mendes, de 48 anos, trabalha na Câmara Municipal de Lisboa há 30, como assistente operacional no departamento de higiene urbana. Em Marvila, vislumbra as possibilidades de uma freguesia "mais limpa, com ruas cuidadas, espaços públicos dignos", mais "justa, com apoio social real para quem mais precisa", e "mais viva, com desporto, cultura, juventude e participação activa dos cidadãos". "Morei e ainda trabalho em Marvila, perto da Sociedade Musical 3 de Agosto de 1885. Conheço bem o dia-a-dia dos marvilenses, os seus desafios e as suas necessidades. É com esse conhecimento de proximidade que me apresento como uma voz activa, determinada e próxima da população", afirma, nas redes sociais, olhando para temas que vão mudar a vida no território: o novo hospital e a futura terceira travessia do Tejo. "Quero também tornar realidade o pavilhão desportivo que há muito é prometido a esta freguesia, ainda era eu um adolescente", diz. Além de se candidatar à presidência da Junta de Freguesia, é também o cabeça-de-lista do partido R.I.R. à Câmara de Lisboa.

Tiago Gonçalves (CDU)

Geógrafo de 32 anos, Tiago Gonçalves é membro da Comissão de Moradores de Marvila e presidente do Conselho Fiscal do Grupo de Teatro Contra-Senso, duas realidades que lhe permitem ter uma visão de proximidade do território. O candidato promete “melhorar a qualidade da habitação, valorizar o espaço público, reforçar a limpeza urbana, apoiar o movimento associativo e comunitário, dinamizar o desporto, a cultura, a educação e a juventude”. A habitação também está no centro do programa, com a exigência à CML de casas a custos acessíveis

Filipe Santos Silva (Chega) 

Nas últimas legislativas os resultados foram claros: Marvila foi a única freguesia de Lisboa em que o Chega superou os restantes partidos em número de votos. É neste território que Filipe Santos Silva tem feito campanha, expondo o “abandono” da freguesia e defendendo uma maior presença e intervenção por parte da Gebalis na resolução de problemas como os muitos elevadores parados em edifícios camarários.

Benfica 

Paula Portugal Mendes (Por Ti, Lisboa – CDS)

Vive há 51 anos em Benfica, está há dois mandatos na Assembleia de Freguesia e é directora-geral da Associação Portuguesa de Comunicação de Empresas. A sua promessa é: "Servir as pessoas com que nos cruzamos pelas ruas de Benfica e melhorar ainda mais a sua qualidade de vida." À Rádio Amparo, órgão da Paróquia de Nossa Senhora do Amparo de Benfica, avançou com algumas soluções práticas para o território: a criação da figura do Provedor do Freguês, que sirva de garante de eficácia na transmissão da comunicação entre a Junta e os fregueses, a construção de um silo para estacionamento automóvel (possivelmente na Rua da República da Bolívia), mais ciclovias ou a criação do programa “Adopte um Avô”, de coabitação e ajuda mútua com vista a minorar os problemas do alojamento estudantil e o isolamento dos idosos.

Ricardo Marques (Viver Lisboa – PS)

Ricardo Marques com Valete, na Residência Universitária do Calhariz
DRRicardo Marques com Valete, na Residência Universitária do Calhariz

É presidente da Junta de Freguesia de Benfica desde 2020, organismo onde foi vogal nas áreas da Educação, Formação e Juventude nos sete anos anteriores. Enquanto deputado municipal, é membro da 7.ª Comissão Permanente (CP) de Cultura, Educação, Juventude e Desporto e da 8.ª Comissão Permanente de Transportes, Mobilidade e Segurança. A obra feita  do investimento em habitação de rendas controladas à construção de uma residência universitária, passando pela programação cultural intensa da freguesia – é o grande trunfo para falar das próximas eleições, comprometendo-se assim com uma política de futuro na mesma linha. “Somos uma freguesia com um orçamento de 50 milhões de euros – isto é governação a sério”, disse, em entrevista ao Sapo, adicionando sem modéstias: "Estou na Junta desde 2013, a tempo inteiro desde 2015, e só posso dizer bem do que fiz."

Mafalda Dias (CDU)

Tem 37 anos, é analista financeira e integra a Assembleia de Freguesia de Benfica desde 2017. Comprometida com os direitos dos animais, faz voluntariado em associações há 18 anos. Defende um maior apoio a colectividades e movimentos associativos, fala no reforço da iluminação pública (no Bairro das Pedralvas e junto à estação ferroviária, por exemplo) e em mais soluções para a habitação. Critica, ainda, o atraso nas obras do clube desportivo Fófó, na abertura da Biblioteca António Lobo Antunes ou na reabilitação do Mercado de Benfica. 

Rui Cruz (Chega)

“Sou um homem, sou pai de família, sou avô e sou fascista. Tenho 65 anos e sou um português que não se resigna.” Foi assim parte do discurso de apresentação do delegado do Chega em Janeiro de 2024, na Convenção Nacional do Partido, que mais tarde André Ventura tentou relativizar. Embora se ouça claramente, também Rui Cruz negou, a posteriori, ter-se auto-denominado fascista, dizendo tratar-se de uma ironia. Quando pensa em Benfica, o candidato idealiza uma freguesia “mais limpa, segura e com futuro”.

António Ferreira (Nova Direita)

Natural de Almeirim, António Ferreira iniciou o seu percurso na Escola Primária de Benfica, "certificado" que apresenta como elo de primeira ligação à freguesia. É licenciado em Engenharia e Medicina e professor universitário, envolveu-se na vida política em 2019, motivado pela convicção de que Portugal se tem afastado dos seus "valores civilizacionais e sociais desde 1974". Em 2024, diz ter encontrado no Nova Direita os princípios que sempre defendeu: "transparência, honestidade e coragem para transformar". Define como áreas prioritárias a habitação, a saúde, a segurança e a transparência.

São Domingos de Benfica

José da Câmara (Por Ti, Lisboa – PSD)

É presidente da Junta desde 2021 e candidata-se novamente, pela coligação Por Ti, Lisboa, prometendo “ideias novas” mas também vontade “de fazer obras há muito tempo requeridas”. Eis algumas propostas: a reconversão de canteiros e relvados com plantas autóctones e mediterrânicas resistentes à seca, reduzindo-se os custos de manutenção e o consumo de água; requalificar o Largo da Estrada de Benfica e as Escadinhas da Rua Francisco Pereira de Sousa; iniciar as obras no mercado e criar um pavilhão polidesportivo.

Gonçalo Lopes (Viver Lisboa – PS)

Trabalhou na Junta durante oito anos e agora diagnostica um território degradado, mobilidade desorganizada e um comércio tradicional em declínio. Para a mudança, propõe o “aproveitamento estratégico dos programas nacionais e europeus”, “cultura e participação cidadã”, a “revitalização dos espaços públicos” ou o investimento em “mobilidade interna”. Promete, ainda, melhorar as calçadas, construir um parque infantil em cada bairro de São Domingos e lançar o programa “A Rua é Sua”, com o intuito de fechar algumas ruas ao trânsito motorizado aos domingos. Pretende, ainda, criar um passadiço entre a Quinta da Alfarrobeira e a Mata de São Domingos e criar parcerias com os senhorios de lojas devolutas, para lhes restituir actividade.

Quinta da Alfarrobeira, São Domingos de Benfica
DRQuinta da Alfarrobeira, São Domingos de Benfica

Helena Barros (CDU)

Tem 73 anos e vem da educação de infância. Foi, aliás, à Cebe, a cooperativa de ensino de Benfica, que dedicou grande parte da sua vida, de 1976 até 2020. É membro da Assembleia de Freguesia desde 2017 e, como candidata à presidência, propõe ampliar as zonas de velocidade reduzida, apostar nas Gira e nos lugares de estacionamento subterrâneos e em altura, exigir a construção de um pavilhão desportivo, criar um pólo criativo na antiga Junta, recuperar o auditório do antigo Museu da Música para a freguesia, estimular a criação de hortas urbanas em logradouros, reabilitar o mercado municipal ou baixar as taxas aplicadas aos comerciantes locais.

António Costa (Chega)

Tem 59 anos, é bancário e residente na freguesia. "A minha decisão resulta da preocupação em ver, nos últimos anos, uma estagnação evidente em áreas fundamentais da nossa vida local: segurança, espaço público, higiene urbana e ambiente. (...) É certo que muitos problemas da nossa freguesia são comuns a outras, mas não podemos continuar a empurrar culpas para o poder central", defende, firmando o compromisso de "garantir uma gestão patrimonial e financeira mais eficiente, com o objectivo de oferecer a todos uma melhoria real do bem-estar e da qualidade de vida".

Filipe Dias Reis (Nova Direita)

“Com a ajuda da Ossanda (Líber, fundadora do Nova Direita) e de Deus, vamos juntos nesta nova caminhada!”, proclama o candidato nas redes sociais. O perfil de Filipe Dias Reis na página do partido está, porém, “em actualização” e pouco se sabe sobre o que pretende para o bairro

Alvalade 

Tomás Gonçalves (Por Ti, Lisboa – PSD)

José Amaral Lopes foi chamado para exercer funções de adido cultural na Embaixada de Portugal em Maputo e foi Tomás Gonçalves, vogal na Junta até então, que ficou no seu lugar. Iniciou a carreira num grupo hoteleiro, onde continua a desempenhar funções de gestão na área de investimento e análise de projectos. Para Alvalade, promete a aposta na “manutenção e a limpeza dos espaços públicos". "O acesso e usufruto dos jardins e arruamentos da nossa freguesia são património da cidade, fundamentais para a qualidade de vida em Alvalade", sublinha. Promete, ainda, continuar a apostar na criação de bolsas de estacionamento, reforçar o número de trabalhadores e equipamentos da higiene urbana, melhorar a iluminação pública, criar um posto de saúde e realizar mais eventos culturais e gastronómicos nos mercados.

Francisco Costa (Viver Lisboa – Livre)

Na coligação Viver Lisboa, coube ao Livre liderar três listas: Areeiro, Avenidas Novas e Alvalade. Nesta última, Francisco Costa, de 39 anos, dá a cara. Arquitecto e assessor nas áreas do urbanismo, habitação e mobilidade do gabinete do Livre na Câmara, quer trazer o plano original de Alvalade para o século XXI. Defende também a implementação do programa "escolas vivas", que consiste em abri-las fora do horário lectivo para a comunidade, promete continuar o trabalho de reabilitação dos logradouros e criar habitação acessível

Alvalade
Arlindo CamachoAlvalade

Ricardo Varela (CDU) 

É assessor na Câmara para as áreas da educação, desporto e acção social. Antes passou pela Junta de Freguesia da Ajuda, foi monitor e coordenador das actividades da praia-campo na freguesia, em 2013 (e até 2021) passou a vogal na Junta, assumindo inicialmente o pelouro do desporto e mais tarde da educação e juventude. Na rede X, a CDU partilhou que as prioridades para a freguesia assentam nos espaços verdes, actividades para os jovens, mobilidade, associativismo e segurança rodoviária, um dos principais pontos da candidatura, “para que Alvalade seja muito mais segura e agradável para caminhar”. “Sobre o mapa da freguesia, foi também possível identificar zonas com grandes ilhas de calor, em que falta arvoredo, barreiras criadas aos peões pela rede viária e a necessidade de existirem locais para os jovens conviverem naturalmente.” O programa, frisa o candidato, tem sido construído em conjunto com a população.

Mateus Carvalho (Volt)

Reforçar a oferta da rede Gira e da rede ciclável, dificultar o uso do automóvel com medidas como o aumento do valor do dístico para o segundo veículo, investir na profissionalização de quem cuida dos espaços verdes, criar jardins verticais ou preencher os telhados das paragens de autocarros com canteiros de flores propícios à polinização são algumas das propostas do Volt para Alvalade. Mas há mais, como a criação de uma rede de casas de banho públicas ou a definição de uma zona nocturna, em local a definir, “onde todos possam conviver sem incomodar ninguém”. Mateus Carvalho é também o “número um” do Volt para a Assembleia Municipal de Lisboa. 

José Vaz (Chega)

Pertence à assembleia de freguesia, é engenheiro electrotécnico e tem 70 anos. Passou pela Câmara Municipal de Alenquer, como vereador, na altura pelo PS. Em 2021, ano das últimas autárquicas, o Jornal da Praceta (dedicado à freguesia), escrevia o seguinte sobre a candidatura de José Vaz a Alvalade: “Durante largo tempo não conseguimos apurar uma única ideia para a freguesia de Alvalade. (...) Apenas no dia 7/09/2021 foram publicadas as ideias do cabeça-de-lista José Vaz. Trata-se, como podemos verificar, de ideias muito vagas, reveladoras de um ainda incipiente conhecimento da freguesia e até do funcionamento da Junta.” Até ao momento, a Time Out também não conseguiu encontrar ideias do candidato para a freguesia.

Sofia Perestrello (Nova Direita)

Tem 26 anos, licenciou-se em Ciência Política e Relações Internacionais e trabalha na banca. Sobre a candidatura a Alvalade, não encontrámos propostas concretas. Nas redes sociais, a candidata aponta apenas para as "bandeiras-chave" do partido, como ser anti-woke, pró-família, pelo controlo da imigração e pela "liberdade económica do cidadão". Outra das bandeiras é "o mar português". Apenas assim.

Arroios 

Madalena Natividade (Por Ti, Lisboa – CDS)

Liderou a Junta de Freguesia nos últimos quatro anos, num mandato que ficou marcado pelos entraves à emissão de atestados de residência a imigrantes ou pela retirada de pessoas sem abrigo em torno da Igreja dos Anjos, actualmente em obras de requalificação que implicam a vedação e fecho do espaço durante a noite. Assistente social, Madalena Natividade cresceu no bairro Portugal Novo, nas Olaias, depois de, filha de retornados, ter vindo de Moçambique. Na candidatura à Junta, promete uma política de continuidade, com a promessa de concretização da obra da Praça das Novas Nações (atrasada) ou da criação de "Um Teatro em Cada Bairro" no Mercado do Forno do Tijolo, iniciativa anunciada, aliás, no início deste ano. Ressaltam ainda as promessas de plantação de árvores “onde nunca houve”, “envolver a comunidade no cuidado de pequenos jardins urbanos” (nem sempre essa colaboração correu bem, durante este mandato), ser mais eficaz na aplicação de multas a quem não cumpre as regras da deposição de lixo, duplicar os lugares de estacionamento durante o período nocturno, fiscalizar a sobrelotação de casas, “manter tolerância zero com grupos organizados de tráfico e exploração de pessoas” ou disponibilizar aulas de defesa pessoal para mulheres. “Não abdicamos de mais segurança e vamos: aumentar o policiamento de proximidade, implementar guardas-nocturnos, instalar câmaras de vídeo-vigilância, instalar sensores de ruído e melhorar a iluminação pública." No plano da imigração, reitera a sua posição de sempre: “Ninguém quer regressar a um passado em que os direitos dos habitantes ficavam para segundo plano em nome de interesses mesquinhos, com as redes de tráfico de imigrantes ilegais a actuarem e o número de pessoas em situação de sem-abrigo a aumentar.”

João Jaime Pires (Viver Lisboa – Independente apoiado pelo PS)

João Jaime Pires
DRJoão Jaime Pires

“Todas as culturas, um só lugar, cuidado por todos.” Este é o slogan de João Jaime Pires, 69 anos, antigo director da Escola Secundária Camões, na candidatura a Arroios pela coligação Viver Lisboa. Da vida autárquica guarda a experiência como presidente da Junta de Alhandra (pelo PCP), Vila Franca de Xira. O professor salienta o número de casas devolutas em Arroios, afigurando esta como uma janela de oportunidade para se mudar o panorama da habitação. Quer também fomentar a abertura à população (seja para o desporto, hortas ou cultura) de escolas fora do horário de ensino e criar mais espaço público e verde. Figura forte na freguesia, afirmou à revista Sábado ter aceitado o convite de Alexandra Leitão “para que Arroios volte a ser um espaço de diálogo numa sociedade inclusiva”. “Parece que hoje não sabemos viver sem acusar alguém, sem perseguir. Também me pareceu aliciante que seja num contexto de coligação de esquerda”, explicou.

Anna Almeida (CDU)

Mais habitação pública, mais espaços verdes, mais passeios, menos carros e menos lixo. São estas, em traços gerais, as ambições da candidatura da CDU a Arroios, que inclui no plano de intenções, ainda, uma freguesia onde as crianças possam usufruir do seu direito a brincar e onde se promova a vida colectiva. A candidata à presidência, Anna Almeida, tem 68 anos e é reformada. Foi tradutora na Embaixada da Chéquia, tem traduzidos para português vários livros de ficção checa e foi intérprete freelancer nas instituições europeias em Bruxelas. 

Miguel Macedo (Volt)

Em Arroios, o Volt pega no assunto das esplanadas (permitidas desde a pandemia em lugares de estacionamento, mas depois com a Junta a querer reverter a decisão) e propõe aplicar um regulamento “ajustado às actividades económicas, permitindo a sua instalação mas compatibilizando com os direitos dos moradores (higiene e ruído)”. Não há detalhes, porém, sobre como quer fazê-lo. No plano da higiene urbana, o projecto passa por mapear os pontos críticos de deposição indevida de lixo, defendendo ao mesmo tempo uma fiscalização mais apertada. A segurança na mobilidade é também um ponto forte, com sugestões como pontos de iluminação nas passadeiras ou a colocação de material antiderrapante sobre os carris dos eléctricos

João Vozone Damião (Chega)

“Comprometido com as pessoas, dedicado à mudança.” Assim apresenta o partido o seu candidato a Arroios. As propostas para a freguesia são: combater a criminalidade e reforçar a segurança nas ruas, exigir limpeza e manutenção regular dos espaços públicos, promover políticas que "defendam primeiro quem vive e trabalha em Lisboa" e garantir que os recursos da freguesia são usados de forma "transparente e eficiente". 

Pedro Borges Godinho (Nova Direita)

Tem 30 anos, nasceu em Arroios e assume como bandeira a requalificação da Avenida Almirante Reis, “para melhor escoar o trânsito sem comprometer a mobilidade e o bem-estar dos cidadãos”. Também não é indiferente ao número de edifícios devolutos, que gostaria de ver reconstruídos, e defende a criação de soluções de estacionamento subterrâneo para resolver problemas de ocupação da via pública. Na área da segurança, é pelo reforço do policiamento. Afirma que quer “um bairro melhor para os filhos que virá a ter”.

Candidatos nas restantes freguesias

Ajuda 

  • Por Ti, Lisboa – Verónica de Carvalho (CDS)
  • Viver Lisboa – Jorge Marques (presidente actual, PS)
  • CDU – Sandra Almeida
  • Chega – Morgana Flor

Alcântara 

  • Por Ti, Lisboa – Pedro Bugarin (IL)
  • Viver Lisboa – Mauro Santos (PS)
  • CDU – André Marçalo 
  • Chega – Ana Felícia

Areeiro

  • Por Ti, Lisboa – Pedro Jesus (PSD)
  • Viver Lisboa – Joana Alves Pereira (Livre)
  • CDU – João Manso Pinheiro
  • Chega – José Carlos Maya
  • Nova Direita – Fernando Monteiro

Avenidas Novas 

  • Por Ti, Lisboa – Daniel Gonçalves (presidente actual, PSD)
  • Viver Lisboa – Laura Cassandra (Livre)
  • CDU – João Santos
  • Volt – Miguel Duarte
  • Chega – Pedro Duarte
  • Nova Direita – Tomás Miguel

Beato

  • Por Ti, Lisboa – Luís Peres (CDS)
  • Viver Lisboa – Silvino Correia (presidente actual, PS)
  • CDU – Rui Mota
  • Chega – Joaquim Carvalho

Belém 

  • Por Ti, Lisboa – João Carvalhosa (PSD)
  • Viver Lisboa – Fernanda Santos (PS)
  • CDU – Josué Caldeira
  • Chega – Marta Zuquete

Campo de Ourique

  • Por Ti, Lisboa – Ana Mateus (PSD)
  • Viver Lisboa – Hugo Vieira da Silva (presidente actual, PS)
  • CDU – Dora Faggin
  • Volt – José Freitas
  • Chega – Pedro Miguel Pinto

Campolide

  • Por Ti, Lisboa – José Cerdeira (IL)
  • Viver Lisboa – Miguel Belo Marques (actual presidente, PS)
  • CDU – Susana Ferreira
  • Chega – Aline Corsino

Carnide

  • Por Ti, Lisboa – Cláudio Masi (PSD)
  • Viver Lisboa – Daniela Serralha (independente apoiado pelo PS) 
  • CDU – Susana Cruz
  • Chega – Ricardo Santos
  • Nova Direita – Vítor Grade

Estrela

  • Por Ti, Lisboa – Luís Almeida Mendes (PSD)
  • Viver Lisboa – Luís Monteiro (PS)
  • CDU – Tiago Mendes
  • Chega – Sofia Diniz

Misericórdia

  • Por Ti, Lisboa – Pedro Duarte (independente apoiado pelo PSD)
  • Viver Lisboa – Carla Almeida (PS)
  • CDU – Luísa Rodrigues
  • Volt – Ksenia Ashrafullina
  • Chega – Rafael Pinto Borges

Olivais

  • Por Ti, Lisboa – Pedro Costa Malheiro (IL)
  • Viver Lisboa – Iara Ferreira (PS)
  • CDU – Susana Matos
  • Chega – Jorge Carrajola
  • Nova Direita – João Araújo
  • Olivais em Ação! (movimento cívico) – Gonçalo Maggessi
  • O+ Movimento Independente – Ana Crista

Parque das Nações

  • Por Ti, Lisboa – Carlos Ardisson (presidente actual, CDS)
  • Viver Lisboa – João Pedro Correia (PS)
  • CDU – Alexandre Marvão
  • Chega – Érica Ricardo

Penha de França

  • Por Ti, Lisboa – José Carlos Mascarenhas (independente apoiado pelo PSD)
  • Viver Lisboa – Elisa Madureira (PS)
  • CDU – Simão Bento
  • Chega – Luís M. Matias

Santa Clara

  • Por Ti, Lisboa – Pedro Tinoco (independente apoiado pelo PSD)
  • Viver Lisboa – Carlos Manuel Castro (PS)
  • CDU – Bruno Rolo
  • Volt – Ronaldo Rodrigues
  • Chega – Manuel Nascimento
  • Nova Direita – Teresa Mesquita

Santa Maria Maior

  • Por Ti, Lisboa – António Pinto Basto (independente apoiado pelo PSD)
  • Viver Lisboa – Maria João Correia (PS)
  • CDU – Lurdes Pinheiro
  • Chega – Francisco Santa Maria
  • Nova Direita – Carlos Andrade

Santo António

  • Por Ti, Lisboa – Filipa Veiga (independente apoiado pelo PSD)
  • Viver Lisboa – Lucas Manarte (PS)
  • CDU – Sónia Costa
  • Chega – Isabel Gonçalez

São Vicente

  1. Por Ti, Lisboa – Tiago Gonçalo (PSD)
  2. Viver Lisboa – André Bivetti (PS)
  3. CDU – Vítor Agostinho
  4. Chega – João Janela
  5. Nova Direita – Maria Rosa Assunção
  6. Em Frente, São Vicente! (movimento cívico) – Daniel Adrião

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Notícia actualizada às 10.20 de 10 de Outubro de 2025. Por lapso, a Time Out não havia incluído na lista a candidata da CDU a São Domingos de Benfica, Helena Barros.

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