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Pét Nat: O guia para fazer boa figura nos wine bars de Lisboa

É rústico, tem bolhas, é fresco e não precisa de saca-rolhas. Saiba por que o método ancestral é o novo obrigatório das esplanadas e wine bars de Lisboa.

Liana Saldanha
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O mundo do vinho adora vender como novidade algo que os monges do sul de França já criaram, por puro acidente, no século XVI. O Pét Nat (pétillant naturel) é o avô mais rústico do Champagne, porém com bolhas mais subtis, tampa de carica e rótulos que costumam ser bastaaaante criativos e livres.

No seu processo de produção, acontece apenas uma fermentação que começa no tanque e termina na garrafa, o que cria uma bebida mais turva (quando não é filtrada), leve e refrescante. Ao nariz chegam aromas de fermentação e de fruta. Podemos encontrar notas de frutas cítricas, maçã, pera ou morango, além de nuances de casca de laranja – e, juro que já senti aroma de xarope de guaraná, uma bebida super comum no Brasil.

Feito para ser bebido jovem, ele substitui na perfeição uma sidra ou uma cerveja leve e acompanha o mesmo tipo de comida descomplicada e gulosa. Enquanto os puristas torcem o nariz aos aromas pungentes de levedura, o resto de nós aproveita algo que não exige um curso de sommelier para ser decifrado. Alguns dizem que é "bolha de hipster", mas o Pét Nat é perfeito para um piquenique na Gulbenkian ou num wine bar na Praça das Flores. É despretensioso, delicioso e refrescante, perfeito para os dias quentes que estão a chegar.

Siga para a nossa lista e descubra os Pét Nats que vão refrescar as suas tardes na esplanada ou noites no wine bar.

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Quatro Pét Nats obrigatórios

Mal Acabado Pét Nat 2024

O nome deste vinho é uma alusão direta ao processo dos Pét Nats: o vinho foi engarrafado sem terminar a fermentação. É rústico, turvo e fresquíssimo, equilibrando automaticamente o lado frutado e floral com aqueles aromas fermentativos tão típicos do estilo. No nariz, tem cheirinho de vindima – aquele perfume de quando os vinhos começam a fermentar na adega que tantos amam (esta que vos escreve é uma delas).

PVP:16€

João Pato Aka Duckman Ducking

Maria Pato continua o legado irreverente da família com este "Ducking", um Pét Nat feito 100% de Sercialinho. Esta casta rara da Bairrada é uma "bomba" de acidez, o que explica a energia eléctrica deste vinho. É pura diversão e rebeldia com aromas de massa de pão fresca, frutas cítricas e maçã. É punk, autêntico, sem filtros e com uma frescura absoluta. Além de ter um belíssimo “rótulo”.

PVP: 15.89€

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Tubarão Pét Nat 2025

Este é um dos Pét Nats mais vendidos nos bares de vinho de Lisboa. Um blend de Vinhão e Loureiro, dois clássicos dos vinhos verdes. É um rosé de cor viva e ligeiramente turva, na boca é muito suculento, com notas de morango silvestre e framboesa, possui uma efervescência suave e bolha fina, o final é seco e muito refrescante. Daqueles que depois de aberto desaparece rapidinho, um verdadeiro perigo.

PVP: 18€ 

Márcio Lopes, Ensaios Soltos Pét Nat 2023

Este é um dos projectos em que o enólogo Marcio Lopes se permite experimentar sem regras. Um blend de Alvarinho e Loureiro, que junta a estrutura de Melgaço com a explosão aromática de Ponte de Lima. Ligeiramente turvo, na boca ele tem muita energia e notas de maçã verde e flores brancas e no final um salgadinho delicioso. Como são apenas 600 garrafas, é um ensaio raro, aproveite enquanto ainda há.

PVP: 15€

Mais vinhos tendência

Durante um tempo, muita gente pensou que o vinho laranja era só uma moda passageira. Mas não: ele chegou para ficar. Também conhecido como ‘âmbar’ ou ‘branco de maceração’, é bastante antigo: nasceu há mais de 8 mil anos na Geórgia, quando deixavam uvas brancas fermentar com as cascas dentro de ânforas de barro (só as cascas das uvas, ok? Este vinho não tem nada adicionado da fruta laranja). Ou seja, o vinho laranja pode até parecer novo, mas é mais velho que a roda.

Beber um vinho do Pico é provar uma história de resistência, beleza bruta e ligação profunda com a natureza. É sentir no paladar o equilíbrio improvável entre mar e lava, vento e pedra, tradição e futuro. As castas rainhas da ilha (Arinto dos Açores, Verdelho e Terrantez do Pico) são representantes da sua identidade e dão origem a vinhos minerais, com frescor vibrante e uma estrutura em boca que parece ecoar a própria rocha vulcânica onde nasceram.

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Dentro do mar de tradições vínicas portuguesas, o palhete – ou palheto – já foi o preferido dos monges cistercienses na Idade Média e dos trabalhadores do campo no século XX. Acabou por quase desaparecer com o tempo, mas, para a nossa alegria, voltou com tudo nos últimos anos. Hoje, está cada vez mais presente nos copos dos frequentadores de bares de vinho da moda.

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